LIVROS E LIVROS

Ficção

Conceição Evaristo - Becos da memória
Nascida em Belo Horizonte em 1946, e residente no Rio de Janeiro desde 1973, Conceição Evaristo é uma personalidade singular no cenário cultural afro-brasileiro contemporâneo. Participante ativa dos movimentos de valorização da cultura negra em nosso país, Evaristo estreou na arte da palavra em 1990, quando passou a publicar seus contos e poemas na série Cadernos Negros, embora tenha iniciado suas experiências literárias na década anterior. Em 2003, trouxe a público o romance Ponciá Vicêncio, obj...

Poesia

Cadernos negros 41
Trajetórias Quando eu nasci, um homem branco me segurou Pelos pésBateu na minha bunda e disse:– Vai, mulher negra, sofrer na vida!Pela primeira vez, chorei sentidaSó assim ele se convenceu de que eu estava viva. Desde então, muitos foram os tapasDas mãos que me apalparamDos olhos que me despiramDas bocas que em mim cuspiramDos ferros que me alisaram Tapas atrás tapasDiariamente sovadaAssim me fizeram carne barataAssim me fizeram mulher calejadaAssim me fizeram dor! [...]  Estereoti...

Ensaio

Aciomar de Oliveira - Entre o dilema e o silenciamento: etnicidade, memória e poder nas crônicas de Lima Barreto e João do Rio
Aciomar de Oliveira, autor de Todas as vozes (2014), Resiliência (2016) e Maju: a princesa do tempo (2016), lança em 2017 mais um livro: Entre o dilema e o silenciamento: etnicidade, memória e poder nas crônicas de Lima Barreto e João do Rio, livro que é objeto desta resenha. O autor, além de poeta, ficcionista e ensaísta é mestre em Teoria da literatura pela UFMG e professor efetivo de Letras na UEMG de Ibirité, Minas Gerais, além de colaborador do NEIA – N...

Infantojuvenil

Patricia Santana - Entremeio sem babado Minha mãe é negra sim Cheirinho de neném
A representação do negro na literatura infantojuvenil é recente, iniciada nas décadas de 20 e 30 do século XX, com personagens secundárias dentro do espaço diegético ou como parte da cena doméstica cujas ações evidenciavam e reiteravam uma posição subalterna do negro. Conforme Souza & Lima (2006, p. 188), “os personagens negros não sabiam ler nem escrever, apenas repetiam o que ouviam, ou seja, não possuíam o conhecimento considerado erudito e eram representados de um modo estereotipado e depreciativo”. É mais recen...