DADOS BIOGRÁFICOS

Maria Aparecida da Silva - Cidinha da Silva - nasceu em Belo Horizonte, em 1967, onde se graduou em História, pela Universidade Federal de Minas Gerais. Transferiu-se em seguida para São Paulo, com brilhante atuação no GELEDÉS - Instituto da Mulher Negra, organização não-governamental que chegou a presidir. A escritora possui forte engajamento com a causa negra e com questões ligadas às relações de gênero. Suas publicações encontram-se, assim, alinhadas a tais temáticas, no intuito de promover maior espaço de reflexão sobre as identidades tidas como subalternas. Em fevereiro de 2005, fundou o Instituto Kuanza, que tem por objetivos desenvolver projetos e ações nos campos da educação, ações afirmativas, pesquisa, comunicação, juventude e articulação comunitária. Todos encontram-se vinculados à discussão sobre as assimetrias racial e de gênero e subsidiam a formulação de políticas públicas nessas áreas. Como dirigente cultural, concebeu e executou projetos inovadores como o "Geração XXI", em inéditas parcerias com empresas e organizações não-governamentais. Nessa linha, atuou também como gestora de cultura na Fundação Cultural Palmares, onde se destacou pela organização da publicação Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil (2014).

Como educadora, iniciou suas publicações em 1999, no volume coletivo Rap e educação, rap é educação. Em 2001, contribuiu com um capítulo para o livro Racismo e anti-racismo na Educação: repensando a nossa escola. E, dois anos mais tarde, organizou a edição de Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras (2003), com quatro capítulos de sua autoria, adotado em 2005 pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e, em 2006, pelo Fundo para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo, FDE. Tem ainda diversos artigos sobre relações raciais e de gênero, publicados no Brasil, Uruguai, Costa Rica, Estados Unidos, Inglaterra, Suíça e Itália.

Sua estreia na Literatura Afro-brasileira se dá com a coletânea em prosa Cada Tridente em seu lugar, publicado em 2006 e reeditado no ano seguinte. A obra foi pré-selecionada pela Fundação Biblioteca Nacional para integrar o projeto de expansão de bibliotecas públicas por cidades do interior do Brasil. E as narrativas “Domingas e a Cunhada”, “Pessoas trans” e “Angu à baiana”, presentes no livro, tiveram os direitos de filmagem adquiridos pela produtora Lúmen Vídeos, de Vitória, Espírito Santo. Composto em sua maioria de textos curtos, Cada Tridente em seu lugar explicita o permanente diálogo com a realidade contemporânea e, no plano formal, o contínuo entrelaçamento da crônica com o conto. Desde então, foram nada menos que onze títulos publicados entre 2006 e 2016, abarcando crônicas, poemas e narrativas infantojuvenis. Já o volume Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor!, lançado em 2008, confirma sua atuação na literatura relacionada à alteridade e inclui escritos voltados para o universo da homoafetividade.

No prefácio do volume Sobre-viventes (2016), a pesquisadora e poeta Lívia Natália afirma: "vi-me muitas vezes retratada em situações e personagens. Vi minha mãe, minha avó vivendo nas páginas de Cidinha da Silva como as negras ali representadas com uma dignidade belíssima. Andei com estes textos entre fatos que todos nós, brancos ou negros, vivemos em nossa travessia racial pelo mundo, já que nossa roupa, por excelência, é a nossa pele que, como texto que é, fala logo e antes de nossa boca." (NATÁLIA, 2016, P. 12).

Cidinha da Silva é autora ainda das peças teatrais Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas, encenada pelo grupo "Os Crespos" em 2013, e Os coloridos, também encenada pelo grupo em 2015. 

Além das obras referidas, autora tem presença constante nas redes sociais e na imprensa alternativa publicada na internet. É editora da Fanpage cidinhadasilvaescritora e colunista dos portais Forum, Geledés Diário do Centro do Mundo. 

 


PUBLICAÇÕES

Obra Individual

Cada Tridente em seu lugar e outras crônicas. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006. 2. ed., rev. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007. (Crônicas).

Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor! Belo Horizonte: Mazza Edições, 2008. (Contos).

Os nove pentes d´África. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2009. (Infantojuvenil).

Oh margem! reinventa os rios! São Paulo: Selo Povo, 2011. (Crônicas).

Mar de Manu. São Paulo: Kuanza Produções, 2011. (Infantojuvenil).

Kuami. Belo Horizonte: Nandyala, 2011. (Infantojuvenil).

Racismo no Brasil e afetos correlatos. Porto alegre: Conversê Edições, 2013. (Crônicas).

Baú de miudezas, sol e chuva. Belo Horizonte: Mazza, 2014. (Crônicas).

Sobre-viventes. Rio de Janeiro: Pallas, 2016. (Crônicas).

Canções de amor e dengo. São Paulo: Edições Me Parió Revolução, 2016. (Poesia).

#Parem de nos matar! São Paulo: Editora Ijumaa, 2016. (Crônicas).

O homem azul do deserto. Rio de Janeiro: Editora Malê, 2018. (Crônicas e Contos). 

Um Exu em Nova York. Rio de Janeiro: Pallas Editora, 2018. (Contos)

Dramaturgia

Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas. Peça encenada pelo grupo "Os Crespos" em 2013, inédita em livro.

Os coloridos. Peça encenada pelo grupo "Os Crespos" em 2015, inédita em livro.

Antologias

Negrafias: literatura e identidade. Organização de Marciano Ventura. São Paulo: Ciclo Contínuo, 2008.

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Organização de Eduardo de Assis Duarte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. (Vol. 3, Contemporaneidade).

Legítima defesa. São Paulo: Cia. Os Crespos, Cooperativa Paulista de Teatro, v. 1, n. 1, p. 105-128, 2º semestre, 2014.

Não Ficção

Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2003. (Organização).

Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2014. (Organização).

Projeto Rappers: uma iniciativa pioneira e vitoriosa de interlocução entre uma Organização de Mulheres Negras e a juventude no Brasil. In: ANDRADE, Elaine Nunes de (Org.). Rap e educação, rap é educação. São Paulo: Selo Negro, 1999.

Formação de Educadores para o combate ao racismo. In: CAVALLEIRO, Eliane dos Santos (Org.). Racismo e anti-racismo na Educação: repensando a nossa escola. São Paulo: Selo Negro Edições, 2001.

Ações afirmativas em educação: um debate para além das cotas. In: SILVA, Cidinha da (Org.). Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2003, p. 17-38.

Definições e metodologias para seleção de pessoas negras em programas de ação afirmativa em educação. In: SILVA, Cidinha da (Org.). Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2003, p. 39-61.

Geração XXI: o início das ações afirmativas em educação para jovens negros(as). In: SILVA, Cidinha da (Org.). Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2003, p. 63-78.

Afro-ascendente: produzindo lastro para o sonho. In: SILVA, Cidinha da (Org.). Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2003.

Participação negra nos fóruns de cultura. In: SILVA, Cidinha da (Org.). Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2014, p. 358-364.

 


TEXTOS

 


CRÍTICA

 


FONTES DE CONSULTA

DIAS, Camila Sodré de Oliveira. As urgências dos corpos negros na prosa de Cidinha da Silva. In: AUGUSTO, Jorge (Org.). Contemporaneidades periféricas. Salvador: Segundo Selo, 2018, p. 109-130.

Duarte, Constância Lima. Cidinha da Silva. In: DUARTE, Eduardo de Assis (Org.) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. (Vol. 3, Contemporaneidade).

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Prefácio. In: Você me deixe, viu? Eu vou bater o meu tambor! Belo Horizonte: Mazza, 2008.

PEREIRA, Edimilson de Almeida. Prefácio. In: Cada Tridente em seu lugar. 2 ed. Belo Horizonte: Mazza, 2007.

 


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