Jeferson Tenório

DADOS BIOGRÁFICOS

 

Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é graduado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e atua como professor de língua e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre. Em entrevistas o autor relata que o seu amor pela literatura surgiu depois dos 20. Hoje ele se orgulha de ter uma biblioteca em casa. As leituras que mais moldaram a sua carreira foram Dom Quixote de la Mancha, Quarto de despejo e textos filosóficos de Freud.

O escritor é Mestre em Literaturas Luso-africanas, pela mesma Instituição, com a dissertação Em busca do outro pé e outros niilismos na obra de Mia Couto, defendida em 2013. Trabalho, centrado numa perspectiva pós-colonial, toma como objeto O outro pé da sereia, do autor moçambicano, para efetuar a desconstrução dos arquétipos enraizados no imaginário ocidental sobre África e seus povos.

No momento, conclui seu Doutorado em Teoria da Literatura na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS, com a tese A autópsia de um imaginário em ruínas: a memória nas narrativas de regresso em 4 autores portugueses e, novamente, toma como questões centrais: colonialismo, pós-colonialismo, identidade e diáspora africana na pós-modernidade. Outra questão que o trabalho acadêmico de Tenório traz é uma problematização e desmistificação do continente africano como um lugar de regresso em busca de suas raízes.

O recorte de sua pesquisa é guiado pela ótica nietzschiana, a qual demonstra como os fatores sociais incidem na formação da subjetividade dos sujeitos africanos. Questiona então a noção de Verdade Fixa, indagando para quem e para que se busca essa Verdade. Desta forma, o trabalho acadêmico de Jeferson Tenório discute e apresenta os constructos identitários a partir de fatores como a pós-modernidade, a nação, a raça e o cosmopolitismo que confere a eles condição de sujeitos diaspóricos. O próprio autor a resume da seguinte maneira:

a tese tem como intuito principal pesquisar as representações da figura paterna nas literatura luso-africanas, de modo a estabelecer comparações epistemológicas entre a representação ocidental e africana, nesse sentido, a tese apresentará um diálogo psicanalítico, filosófico e literário a partir de um recorte temporal das obras publicadas a partir dos anos dois mil. Assim, o objetivo da tese é o de avaliar as nuances e a complexidade da representação do pai nessas literaturas contemporâneas. (TENÓRIO, 2019).

Com este trabalho, Tenório lançará um olhar crítico sobre a construção das relações familiares tendo como eixo o desmoronar destas, assim pode-se especular que serão análises que auxiliarão na compreensão do que é ser pai em famílias em derrocada, pois ao utilizar “ruínas” promove o entender que se tratam de personagens em decadência nos mais diversos campos da vida. Não satisfeito, o autor instiga, pela opção do termo “autópsia”, que confere um dissecar da concepção do que é ou será a paternidade, e demonstrar as causas desta vida em constante degradação. 

Ao propor um diálogo entre psicanálise, filosofia e literatura pode-se esperar análise dos arquétipos e simulacros que a figura paterna carrega em si. Também, proposições sobre o famoso complexo de Édipo é algo que o breve resumo de seu trabalho acadêmico desencadeia em quem o lê.

O autor estreia no romance em 2013, com O beijo na paredevencedor do prêmio de “Livro do Ano” da Associação Gaúcha dos Escritores, e já em terceira edição. A narrativa chama a atenção pela forma com que arrebata a atenção do leitor, fazendo-o percorrer os cenários da carência material e afetiva que marcam o cotidiano dos desvalidos alojados na metrópole contemporânea.

Já seu segundo romance Estela sem Deus, de 2018, retoma a problemática do amadurecimento precoce da infância e juventude negras, num contexto marcado pelo racismo e pela subalternidade econômica e social. Aos treze anos, a protagonista almeja se formar filósofa e busca superar os inúmeros entraves colocados no caminho de seus planos.

Jeferson Tenório divide seu tempo entre o ensino, a pesquisa e a literatura. Além dos romances, tem textos adaptados para o teatro e contos traduzidos para inglês e espanhol, além de ser o escritor anfitrião da FestiPoa Literária de 2019. Conquistou premiações de relevo, entre elas: Menção honrosa no 19º Concurso de contos Paulo Leminski, Universidade Estadual do Oeste do Paraná; 15º Concurso Poemas no ônibus e 3º Concurso Poemas no trem, da Prefeitura de Porto Alegre; além do prêmio de “Livro do Ano”, para O beijo na parede.

 

PUBLICAÇÕES

Obra Individual

O beijo na parede. Porto Alegre: Sulina, 2013. 3.ed. Porto Alegre: Sulina, 2015. (romance).

Estela sem Deus. Porto Alegre: Zouk, 2018. (romance).

Antologias

Tempo Abandonado. Porto Alegre: Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2007 (Selecionado na 15ª edição do Concurso Poemas no Ônibus e no Trem).

Cavalos não choram. Paraná: Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2008. (Conto, Concurso Paulo Leminski).

Bloom revisitado. In: RUFFATO, Luiz; SANTOS, José. (Org.). Partículas Subatômica? Microcontos brasileiros. São Paulo: Carteiro Fiel, 2015, v. 01, p. 13-13.

Não ficção

Mario Quintana. In: MASINA, Lea; BARBERENA, Ricardo; CARNEIRO, Vinicius. (Org.). Guia de leitura: 100 poetas que você precisa ler. Porto Alegre: LPM, 2015, v. 01, p. 208-209.

 

 TEXTOS

* Jeferson Tenório - O beijo na parede (excertos)

* Jeferson Tenório -  Estela sem Deus (excertos)

 

 

 CRÍTICA  

 A ficção inquietante de Jeferson Tenório - Bruna Carla dos Santos

 O abandono divino e a tomada de consciência em Estela sem Deus, de Jeferson Tenório - Alen das Neves Silva 

 

FONTES DE CONSULTA

POLESSO, Natalia Borges. Paisagens urbanas: narrativas de Porto Alegre em perspectiva. In: SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 22, n. 46, p. 87-101, 3º quadrimestre de 2018. disponível - http://seer.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/17347/14087

 

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