DADOS BIOGRÁFICOS

Francisco Maciel nasceu em São Gonçalo, na periferia do Rio de Janeiro, em 1950. Passou a infância e a adolescência tendo que conciliar estudo e trabalho. Cursou Comunicação na Universidade Federal Fluminense, mas não chegou a concluir. Desde então, vem atuando em diversos órgãos de imprensa, além de colaborar como pesquisador no núcleo de dramaturgia da Rede Globo de Televisão. Como jornalista, empenha-se em trabalhos relacionados a causas sociais, políticas, ambientais e étnicas. Em depoimento, o autor explica a razão pela qual enveredou pelo mundo da literatura: “comecei a escrever para interpretar metamorfoses: um homem pede uma bebida e, três doses depois, vira bicho. Ou as sessões de umbanda: ver minha mãe e minhas tias pegando santo.” A trajetória de Francisco Maciel como escritor apresenta vários reconhecimentos: em 1990, venceu o Concurso Carlos Drummond de Andrade, da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, com o livro Beirute e outros poemas capitais. O prêmio seria a publicação do livro e uma quantia, não mencionada, em dinheiro. O autor declara que o valor só foi recebido em 1993 e o livro nunca foi publicado. Em 1995, recebeu o Prêmio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, com a publicação da novela Na beira do Rio. Em 1997, seu conto “Entre dois mundos” recebeu a primeira colocação no Concurso Literário Julia Mann, promovido pela Editora Estação Liberdade e pelo Instituto Goethe de São Paulo, sendo publicado em 2001, no livro homônimo. Além destes, escreveu a peça Flutuando, para o projeto “Fábrica de Dramaturgia”, organizado por Domingos de Oliveira, que dirigiu a encenação da peça em 1997. Francisco Maciel tem ainda publicados o romance O primeiro dia do ano da peste (2001) e o volume de poemas Cavalos & santos (2012).

Em seus escritos, é notória a presença de uma consciência étnica que é representada por personagens como Aloísio Cesário, do romance O primeiro dia do ano da peste. Segundo Marcos Fabrício Lopes da Silva (2011, p. 380), o protagonista passa por um período de loucura que deve ser entendida como uma manifestação de rompimento com a tradição histórica marcada pela escravização. Aloísio, por fazer uso do sarcasmo e da ironia para criar o “Quilombitas”, é comparado pelo crítico a Quincas Borba, personagem machadiano célebre por proclamar a teoria do “Humanitismo”. Para Aloísio Cesário, o Quilombitas seria uma utopia com argumentações identitárias que propõem uma negritude mais completa, que vai desde a memória coletiva africana até a situação da população afrodescendente na contemporaneidade.

Em 2012, Francisco Maciel recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais, categoria Ficção, ao vencer concurso promovido pela Secretaria de Estado de Cultura para promover a literatura brasileira.

Referência

SILVA, Marcos Fabrício Lopes da. Francisco Maciel. In: DUARTE, Eduardo de Assis (Org.). Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 2, Consolidação.

 


PUBLICAÇÕES

Obra individual

Na beira do Rio, 1995. (novela) Na beira do rio. In: Concurso Literário Stanislau Ponte Preta. Rio de Janeiro: RIOARTE, 1995.

Flutuando. In: Projeto Fábrica de Dramaturgia. Direção de Domingos Oliveira. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1997.

O primeiro dia do ano da peste. São Paulo: Estação Liberdade, 2001.

Cavalos & santos. 2 ed. Rio de Janeiro: Menthor Textual, 2011.

Antologias

Concurso Literário Stanislau Ponte Preta. Rio de Janeiro: RIOARTE, 1996.

Entre dois mundos: Prêmio Julia Mann de Literatura. São Paulo: Estação Liberdade, 2000.

Prêmio Universidade Federal Fluminense de Literatura: antologia de textos premiados: poesia, crônica, conto. Niterói: EdUFF, 2007.

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Vol. 2, Consolidação. Organização de Eduardo de Assis Duarte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.

Artigo

O impacto da solidão. Revista Cult, São Paulo, n. 87, p. 53-56, dez. 2004.

 


TEXTOS

 


CRÍTICA

 


FONTES DE CONSULTA

BROOKSHAW, David. Race relations in Brazil from the perspective of a brazilian african and an african brazilian: José Eduardo Agualusa's O Ano em que Zumbi Tomou o Rio and Francisco Maciel's O Primeiro Dia do Ano da Peste. In: Research in African Literatures, v. 38, n.1, Spring 2007.

DUARTE, Eduardo de Assis. (Org.) Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo. 2.ed. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Pallas/Crisálida, 2007.

GRAIEB, Carlos. Literatura brasileira. Veja, 06 jun. 2001.

MACIEL, Francisco. Francisco Maciel. Disponível em: <http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/maciel.htm>. Acesso em: 22 jul. 2008.

Secretário de Cultura existe?, pergunta autor na Bienal do livro. Folha Online, São Paulo, 04 mai. 2002. Ilustrada. Disponível em

<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u23629.shtml>. Acesso em: 22 jul. 2008.

SILVA, Marcos Fabrício Lopes da. Francisco Maciel. In DUARTE, Eduardo de Assis (Org.). Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Vol. 2, Consolidção. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.


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