DADOS BIOGRÁFICOS

Raul Astolfo Marques nasceu em São Luís-MA no dia 11 de Abril de 1876, filho caçula da cafuza livre Delfina Maria da Conceição, numa família de sete crianças chefiada pela mãe. Sua trajetória se assemelha à de tantos outros intelectuais afrodescendentes nascidos durante a escravatura. Autodidata, segundo o sociólogo Matheus Gato, citando entrevista concedida em 1910 à revista Os Anais, "o escritor negro revelou ter aprendido a ler sozinho e ter realizado vários trabalhos 'de moleque' durante a infância, ajudando a mãe na entrega de roupa lavada" (GATO, 2021, p. 25).

Jornalista, cronista, ficcionista, ensaísta e tradutor, iniciou sua carreira publicando contos e crônicas nos principais periódicos maranhenses de seu tempo. De origem humilde, iniciou sua vida profissional como contínuo da Biblioteca Pública do Maranhão. Autodidata, fundou, juntamente com Antônio Lobo, a "Oficina dos Novos", reunião de intelectuais cujo patrono e inspirador fora Gonçalves Dias e que acabaria por fornecer, em seguida, muitos membros à Academia Maranhense de Letras. Entre eles, figurou Astolfo Marques, instituindo a cadeira de nº 10 e ocupando o cargo de Secretário Geral.

Em paralelo, esteve à frente da Secretaria da Instrução Pública e do Liceu Maranhense, além de ter trabalhado como redator do Diário Oficial e Diretor da Imprensa Oficial. Colaborou, ainda, através de crônicas, contos e artigos, com outros periódicos, tais como Pacotilha, A Imprensa, O Jornal, A Avenida, Os Novos (boletim oficial da Academia dos Novos), e Diário do Maranhão, além das revistas Ateneida (fundada em conjunto com Domingos Barbosa e Antônio Lobo) e Revista do Norte.

Suas publicações em livro tiveram início aos vinte e cinco anos, com a a tradução do romance Por amor, de Paul Bertnay, em 1901. E, aos vinte e nove, vem a público sua primeira reunião de contos, A vida maranhense, de 1905, em que já se delineiam suas atenções voltadas para o cotidiano local, com destaque para os remanescentes de escravos e sua difícil integração aos novos tempos, seja como operários da nascente indústria têxtil, seja como trabalhadores desqualificados e abandonados à própria sorte após o 13 de maio de 1888.

Nos três anos seguintes, intensifica sua produção e publica a narrativa de viagem De São Luís a Teresina (1906), a peça teatral O Maranhão por dentro (1907), bem como uma nova coletânea de contos Natal (quadros), editada em 1908.

Em 1910, traz a público a narrativa biográfica Dr. Luiz Domingues, dedicada a um dos eminentes próceres da região. E, em 2013, o romance A nova aurora.

De acordo com o pesquisador Matheus Gato, responsável pela reunião de contos O treze de maio e outras estórias do pós-abolição, o autor deixou inéditos "Seleta maranhense, biobibibliografia de escritores maranhenses, Fitas... (esboços e quadros), antologia de contos que daria continuidade à série publicada em A vida maranhense; o estudo histórico As festas populares maranhenses v. 1; e o livro de memórias Esquinas e vielas." (GATO, 2021, p. 24).

Astolfo Marques faleceu em São Luís, em 20 de maio de 1918, aos 42 anos, vítima de tuberculose.

 


PUBLICAÇÕES

Obra individual 

A vida Maranhense. São Luís: Tipografia Frias, 1905. (contos).

De São Luis a Teresina. São Luís: Edição do autor, 1906. (narrativa de viagem).

O Maranhão por dentro. São Luís: S/I, 1907. (dramaturgia).

Natal (quadros). São Luís: Tipografia Teixeira, 1908. 2.ed. São Luís: AML / EDUEMA, 2008. (contos).

O Dr. Luís Domingues. São Luís: Edição do autor, 1910. (biografia).

A nova aurora. São Luís: Tipografia Teixeira, 1913. (romance).

 

Tradução

Por amor, original de Paul Bertnay. São Luís:  em 1901.

Publicação póstuma

O treze de maio e outras estórias do pós-abolição. Organização de Matheus Gato. São Paulo: Fósforo, 2021. (contos).

 


TEXTOS

 


CRÍTICA

Prefácio a O Treze de Maio e outras estórias do pós-Abolição – Paulo Lins

 


FONTES DE CONSULTA

COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante (Dir.). Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2. ed. rev., ampl., atual. e il. São Paulo: Global Editora. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/DNL, Academia Brasileira de Letras, 2001.

GATO, Matheus. Raça, literatura, consagração intelectual: leituras de Astolfo Marques (1876-1918). In: MARQUES, Astolfo. O treze de maio e outras estórias do pós-abolição. Organização de Matheus Gato. São Paulo: Fósforo, 2021, p. 17-59.

LINS, Paulo. Prefácio. In: MARQUES, Astolfo. O treze de maio e outras estórias do pós-abolição. Organização de Matheus Gato. São Paulo: Fósforo, 2021, p. 11-16.

LOBO, Antonio. Os novos Atenienses. 2.ed. São Luís: SIOGE / AML, 1970.

 


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