DADOS BIOGRÁFICOS

"Nosso papel é resgatar
com criatividade
o vasto patrimônio afro.
A cultura negra é muito mais
do que capoeira e cuscuz".

 

Lia Vieira nasceu no Rio de Janeiro, em 1958, onde reside. É graduada em Economia, Turismo e Letras. Cursou doutorado em Educação na Universidade de La Habana (Cuba)/Universidade Estácio de Sá (RJ). É pesquisadora, artista plástica, dirigente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-brasileira e militante do Movimento Negro e do Movimento de Mulheres. Nos últimos anos, Lia Vieira vem participando de congressos nacionais e internacionais como conferencista, onde ressalta seus pontos de vista sobre o papel dos professores, agentes multiplicadores de um ensino transformador de responsabilidade, e sobre o ensino da cultura afro-brasileira. “É preciso ter um olhar diferenciado sobre o aluno negro, em vez de rotulá-lo”, lembra-nos a pesquisadora. Para ela, os preconceitos são passados na sala de aula, e reproduzidos na mídia e na sociedade. Destacamos, ainda, dentre os diversos prêmios que Lia Vieira vem recebendo, o de Menção Honrosa dado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em 2003, pela grande contribuição que vem dando ao longo de sua vida em prol da luta contra a discriminação racial, na defesa das religiões de matriz africana e na divulgação da cultura afro-brasileira.

A autora iniciou suas incursões pela literatura afro-brasileira na década de 1990 ao participar de coletivos como o Quilombhoje Literatura, de São Paulo, e Vozes mulheres de, Niterói. Nesse mesmo ano, publicou o volume de poemas Eu, mulher – mural de poesias. A partir de então, vem publicando em diversas edições da série Cadernos Negros.

Uma de suas experiências mais instigantes reside na retomada do mito de Chica da Silva, figura histórica espezinhada em representações estereotipadas, como no filme dirigido por Cacá Diegues. Sua narrativa Chica da Silva – a mulher que inventou o mar, dirigida ao público infantojuvenil, vai em direção oposta e constrói um enredo não apenas fiel ao dado histórico, mas em sentido desconstrutor dos estereótipos e preconceitos difundidos sobre a personagem

Já o volume de contos Só as mulheres sangram, publicado em 2011, reúne narrativas marcadas pela dignificação dos afrodescendentes em histórias comoventes pelo tom realista, como “Operação Candelária”, que aborda o assassinato coletivo que abalou o Rio de Janeiro no início do século, entre outros.

 


PUBLICAÇÕES

Obra individual

Eu, mulher – mural de poesias. Niterói/Rio de Janeiro: Edição da autora, 1990.

Chica da Silva – a mulher que inventou o mar. Rio de Janeiro: produtor Editorial Independente, 2001. (infantojuvenil).

Só as mulheres sangram. Belo Horizonte: Nandyala, 2011. (contos).

Antologias

Reflexos – coletânea de novos escritores. Rio de Janeiro: Editora Copy & Arte, 1990. Mural Ane nº2. Niterói: Associação Niteroiense de Escritores, 1990.

Vozes mulheres – mural de poesias. Niterói: Edição coletiva, 1991.

Cadernos Negros 14. São Paulo: Quilombhoje, 1991.

Cadernos Negros 15. São Paulo: Quilombhoje.1992.

Cadernos Negros 16. São Paulo: Quilombhoje. 1993.

Mulher negra faz poesia. Rio de Janeiro: CEAP, 1993.

Água escondida. Niterói, 1994.

Cadernos Negros 18. São Paulo: Edição dos Autores. Quilombhoje. 1995.

Moving beyond boundaries. International Dimension of Black Women’s Writing. Edited by Carole Boyce Davies and Molara Ogundipe-Leslie. London: Pluto Press, 1995.

Cadernos Negros 19. Organização de Esmeralda Ribeiro, Márcio Barbosa e Sônia Fátima da Conceição. São Paulo: Editora Anita; Quilombhoje. 1996.

Cadernos Negros 20. Organização de Esmeralda Ribeiro, Márcio Barbosa e Sônia Fátima da Conceição. São Paulo: Quilombhoje, 1997.

Cadernos Negros, os melhores poemas. Organização do Quilombhoje. São Paulo: Quilombhoje, 1998.

Cadernos negros. Os melhores contos. Organização do Quilombhoje. São Paulo: Quilombhoje, 1998.

Cadernos Negros 22. Organização do Quilombhoje. São Paulo: Quilombhoje. 1999.

Cadernos Negros 24. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2001.

Cadernos Negros 26. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje. 2003.

Cadernos Negros 28. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje. 2005.

Cadernos Negros: três décadas. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje / SEPPIR, 2008.

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Organização de Eduardo de Assis Duarte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 3, Contemporaneidade.

Ogum’s Toques Negros: Coletânea Poética. Organização de Guellwaar Adú, Mel Adún, Alex Ratts. Salvador: Editora Ogum’s Toques Negros, 2014.

Não Ficção

Revista Presença da Mulher, edição comemorativa dos 5 anos, 1991.

Jornal Fanzine Ecos Urbanos - 1992

Educação e Identidade. In: Cadernos África na escola. Brasília: Gabinete do Senador Abdias Nascimento, s/d.

Escritoras negras e literatura infantil – o encontro possível. In: Winds of Change – The trasnforming Voices of Women. Flórida International University, Miami, 1996.

Escritoras negras e literatura infantil – o encontro possível. In: Anais do Congresso Internacional Cidade e Educação na Cultura pela paz. Rio de Janeiro, 1996.

A questão racial e a Educação. In: Anales del Encuentro por la Unidad de los Educadores Latinoamericanos. Habana/Cuba, 1997.

 


TEXTOS

 


CRÍTICA

 


FONTES DE CONSULTA

Cadernos Negros 24. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2001.

Cadernos Negros 26. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje. 2003.

Cadernos Negros 28. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje. 2005.

Cadernos Negros: três décadas. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje / SEPPIR, 2008.

FELISBERTO, Fernanda. Lia Vieira. In: DUARTE, Eduardo de Assis (Org.) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica.. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 3, Contemporaneidade.

Ogum’s Toques Negros: Coletânea Poética. Organização de Guellwaar Adú, Mel Adún, Alex Ratts. Salvador: Editora Ogum’s Toques Negros, 2014.

RIBEIRO, Esmeralda. A narrativa feminina publicada nos Cadernos Negros sai do quarto de despejo. In: Gênero e representação na Literatura Brasileira. Vol. II. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

 


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