GRACE PASSÔ

 

DADOS BIOGRÁFICOS

Nascida e criada em Belo Horizonte, a atriz, diretora e dramaturga Grace Passô é presença marcante na cena cultural mineira contemporânea. Em 2004, fundou o Grupo espanca! considerado uma das mais criativas companhias de teatro brasileiro deste início de século. Como atriz, Grace Passô tem em sua trajetória passagem pelo Centro de Formação Artística Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado, na capital mineira. Dentre suas atuações, destacam-se Amores surdos (2006)Por Elise (2005)Congresso internacional do medo, em 2008; e Marcha para Zenturo (2010) peças já publicadas em livro e parte de seu acervo autoral. Seu talento vem sendo reconhecido em todo o país com diversas premiações, entre elas o Prêmio Shell de Teatro.

Em Marcha para Zenturo (2010), ficção enigmática passada em 2441, a autora mergulha no universo da distopia com a criação de uma sociedade ímpar. Tudo começa com uma manifestação que não se sabe o proposito, alguns amigos de longa data se encontram para celebrar o ano novo, neste encontro debatem sobre os seus trabalhos e perspectivas futuras. Utilizando de metalinguagem a escritora cria uma peça teatral dentro da própria cena literária. Um texto instigante que coloca a questão temporal em um plano ainda não vivido pelos seres humanos do século 21. 

Outro texto impactante é Amores surdos (2006), no qual emerge o lar marcado pela ausência paterna, algo comum no cotidiano brasileiro da atualidade. A surdez metaforiza o silêncio vivido pelos personagens diante do segredo que precisam esconder. O amor da família se faz no silenciamento cotidiano imposto pelo respeito e vivencia os desafios da convivência com o próximo.

Por Elise, também de 2005, é uma peça que apresenta uma reflexão crítica, acerca do comportamento do homem na sociedade.  Um personagem tenta mostrar a sua visão sobre os acontecimentos do mundo, quando uma mulher vai ter o seu cão sacrificado. Outro personagem, um lixeiro tenta acalmá-la relatando fatos de sua vida e, mesmo com realidades distintas, consegue se apoiar nos acontecimentos do mundo que mexem com a fragilidade humana.

Dando continuidade na apresentação de seus livros, temos a coleção dos quatro livros produzidos pelo Grupo espanca!, temos Congresso Internacional do medo, título inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade. Esse texto leva em consideração os congressos das grandes universidades, cada personagem que participa desse congresso cria um nome, uma língua e área de trabalho.

Por ser uma artista de várias faces, Passô esbanja atitude em seu filme recém estreado na plataforma de streaming Netiflix. Temporada, foi um dos grandes destaques do Festival de Cinema de Tiradentes 2018. Grace interpreta Juliana, uma personagem que foge os padrões definidos pela sociedade, sendo eles de beleza ou status social. A personagem trabalha como agente de epidemias numa cidade da Grande Belo Horizonte, possui alguns amigos e um trabalho bastante exaustivo.

Juliana retrata a solidão da mulher negra, com questões ligadas à feminilidade e à diáspora do interior, para uma cidade da região metropolitana. Grande vencedor do 51º Festival de Brasília de cinema brasileiro é um filme que valoriza os espaços: ruas, favelas, bairro e a vista de cima de uma laje. Existe uma exaltação do urbano com lindos enquadramentos. Reverberando as simples paisagens como um belo cenário de relações harmônicas e orgânicas.

Assim, os trabalhos realizados por Grace Passô acendem temas cotidianos da contemporaneidade, como: solidão, perda, medo e amor. Com muitas publicações a autora continua produzindo, seja como atriz ou escritora.   

 


PUBLICAÇÕES

Obra individual

Amores Surdos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2012. 

Marcha para Zenturo. Rio de Janeiro: Cobogó, 2012.

Congresso Internacional do Medo. Rio de Janeiro: Cobogó, 2012.

Por Elise. Rio de Janeiro: Cobogó, 2012.

 

 


TEXTOS

  • Grace Passô - Textos Selecionados

 

 

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