O Grupo de Pesquisa “Tipologia e Descrição Gramatical das Línguas Naturais” (CNPq) convida a comunidade acadêmica para participar da palestra “Comparação tipológica entre três variedades do nheengatu”, da Profa. Dra. Aline da Cruz, filiada ao Núcleo Takinahakỹ e à UFG. A palestra acontecerá na quarta-feira, dia 25 de junho, das 11h ao meio dia.

É necessária inscrição prévia pelo link: https://forms.gle/zWhK1r3HAf3buw3SA. O link da sala do Zoom será enviado por-email na manhã da palestra.


Comparação tipológica entre três variedades de Nheengatu


Nos estudos acerca da língua geral amazônica, há uma tendência a homogeneizar as diferenças entre as variedades, escondendo todas sob o rótulo de “Nheengatu”. Há, pelo menos, três razões para que isso aconteça: Primeiramente, o fato de que a variedade de Nheengatu falada no Alto Rio Negro seja a mais conhecida, tanto pelo número de falantes quanto por ser a mais estudada (Cruz 2011, Moore 2014, Moore, Facundes e Pires e Moore 1993), ao passo que as variedades do Solimões e Médio Amazonas só foram registradas recentemente (Silva, Cruz e Schwade (2024). A segunda razão é o fato de que políticas linguísticas estabelecidas pelos falantes de variedades da língua geral amazônica também utilizam o termo “Nheengatu” como uma língua, ainda que reconheçam as variedades (cf., por exemplo, a atuação da Academia da Língua Nheengatu em regiões diferentes da Amazônia). Por fim, a terceira razão é o fato de em todas as regiões em que variedades de língua geral foram faladas sua função social foi sempre de língua de comunicação interétnica que acabava por levar diversas línguas indígenas a serem substituídas primeiramente por variedades de língua geral, e, posteriormente pelo Português. Em nosso trabalho, conseguimos registrar três variedades de Nheengatu: a variedade do Rio Negro, a variedade do baixo Amazonas e a variedade do Solimões. Embora todas tenham sido utilizadas como instrumento de comunicação interétnicas como política linguística colonial, o tipo de interação que essas variedades tiveram com outras línguas indígenas amazônicas levaram à emergência de línguas bastante diferente uma das outras, ainda que todas identificadas como Nheengatu. Nesta comunicação, faremos uma comparação entre características tipológicas dessas três variedades de Nheengatu, procurando estabelecer uma relação com a história social de cada variedade. Mais especificamente, investigaremos (a) propriedades fonológicas, particularmente o sistema vocálico; (b) propriedades morfológicas como o plural nominal e a relação com a pluracionalidade marcada pela reduplicação; (c) propriedades sintáticas, como a tipologia ativo-estativa. Como resultado, esperamos que a análise tipológica ajude a desmitificar a ideia de que haja apenas uma “língua geral amazônica” e, portanto, apenas uma narrativa sobre sua emergência. De forma mais ampla, os estudos comparativos sobre as variedades de Nheengatu constituem peça fundamental para entender os efeitos de deslocamentos linguísticos para a mudança linguística.

 

 

 


FaLang translation system by Faboba

cenex    SAEL

PÓS-GRADUAÇÃO