literafro novidades, n. 63 – junho de 2026
O número 63 da literafro novidades reúne dez resenhas que tomam como ponto de partida obras representativas da produção literária afro-brasileira e africana contemporânea. A partir de diferentes gêneros (conto, romance, poesia, ensaio e outras formas), os textos aqui reunidos se relacionam com temas diversos que discutem as narrativas e poéticas negras, associando os campos das afetividades, ancestralidades, identidades, memórias, outras visões enunciativas e ensaísticas das literaturas afrorreferenciadas. O conjunto de resenhas inclui leituras das obras Contos reunidos, de Fábio Mandingo; Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros, de Cidinha da Silva; Monstruosa, de Amanda Julieta; Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo; Vozes de mulheres negras, de Ludmilla Lis; Eu perdi minha mãe na praia, de Gabriela Conrado; Zumbidos, de Josemar Ferreira, obras da literatura afro-brasileira; e Paraíso, de Abdulrazak Gurnah; A contagem dos sonhos, de Chimamanda Ngozi Adichie; e Tudo-está-ligado, de Pepetela, livros de autores africanos.
A partir do conjunto de leituras analíticas reunidas, esta edição busca oferecer aos leitores e interessados um leque de possibilidades, olhares e perspectivas de interpretações oferecidas pelos estudos afro. Agradecemos a todas as pessoas que se envolveram na construção deste número, em especial, aos colaboradores que nos brindaram com suas contribuições textuais.

Fábio Mandingo
Douglas Sacramento nos apresenta a obra Contos reunidos, de Fábio Mandingo, na qual o autor realiza um compilado de sua produção de contos, acrescida de cinco textos inéditos ou publicados de forma esparsa. O volume compila os livros Salvador negro rancor (2011), Morte e vida virgulina (2013) e Muito como um rei (2015), além da seção “Esparsos e inéditos”.
Cidinha da Silva
Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros, livro de Cidinha da Silva recebe o olhar analítico de Carolina de Vasconcelos Silva, que explicita que a obra descasula as inquietações, os ardis e a resistência furiosa que atravessam a experiência literária e editorial das escritoras negras. A obra é composta por 16 ensaios organizados em três eixos comprometidos com a ruptura das contenções que secularmente tentam enlaçar as asas de mulheres negras escritoras: “Casulo”, “Lagarta” e “Borboleta”.
Amanda Julieta
Kétely da Silva Oliveira escreve sobre Monstruosa, de Amanda Julieta, livro de contos composto por doze textos. Segundo a resenhista, o conflito principal que tece as histórias é voltado para trajetória de mulheres negras e lésbicas em diferentes estágios da vida, condições materiais e vias urbanas. Os contos de Monstruosa poderiam ser traduzidos como o movimento e o trânsito ressignificador de memórias, de palavras e de desejos.
Conceição Evaristo
Yasmin Santos nos apresenta sua leitura do livro Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo, e expõe a trajetória acadêmica e literária da autora. Santos explicita que o livro, publicado pela editora Pallas, mantém o texto em seu estado original: “Conceição expõe no prefácio que a intenção é permitir uma pesquisa arqueológica dos estudos críticos sobre a literatura negra. Consigo vislumbrar, no destaque dado à afro-brasilidade no subtítulo, a ideia de salientar a nossa nacionalidade hifenizada, conjugada erraticamente à herança africana de que fomos destituídos. Esse hífen guarda silêncios, elos irreparáveis, estilhaços ancestrais”.
Ludmilla Lis
Fabiane Cristine Rodrigues nos oferece a sua leitura do livro de Ludmilla Liz, Vozes de mulheres negras, que resulta de uma adaptação da dissertação da autora defendida no CEFET/RJ, dentro do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais. Rodrigues destaca que a própria escritora explicita que se trata de um livro-pesquisa que “atravessa, escreve e inscreve sua autora”.
Gabriela Conrado
Eu perdi minha mãe na praia, de Gabriela Conrado, recebe o olhar analítico de Anna Luara da Silveira, que analisa a poética da autora, dividida em seis partes. Segundo Silveira, a escrita de Conrado é “fluída e delicada. Entretanto, seus versos entrecortados impõem um ritmo que nos obriga a olhar a linguagem de um ponto de vista renovado, de estranhamento, mesmo quando as palavras parecem simples e corriqueiras”.
Josemar Ferreira
Marcos Antônio Alexandre nos apresenta Zumbidos, livro de Josemar Ferreira, um poemário em que o autor apresenta 52 poemas, compostos, em sua maioria, de textos curtos. Várias de suas composições poéticas são formadas por dísticos, quadras e poemas monostróficos. Além disso, tem-se uma linguagem coloquial, econômica, próxima da oralidade e, sobretudo, muito sugestiva e integrada por uma forte carga imagética, por um tom confessional e por uma linguagem irônica e reflexiva.
Abdulrazak Gurnah
Wílson Barreto Frois atém-se à leitura do romance Paraíso, do autor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, publicado em 2023 pela Companhia das Letras. Segundo Frois, Paraíso foi a obra mais aclamada pela crítica. Ele ainda descreve que a linguagem se distingue por um acentuado refinamento formal, pontuando que, em sua textura, é perceptível a presença criativa de zoomorfizações, símiles, metáforas e sinestesias, criadoras de exuberantes efeitos expressivos.
Chimamanda Ngozi Adichie
O romance A contagem dos sonhos, de Chimamanda Ngozi Adichie, recebe a mirada analítica de Roberta Maria Ferreira Alves e Manuela Luiza de Souza. Para as pesquisadoras, a obra já nasce atravessada por expectativas – tanto pelo reconhecimento internacional da autora quanto pelo modo como se insinua como deslocamento em relação à sua produção anterior. O livro se estrutura em cinco partes – “Chiamaka”, “Zikora”, “Kadiatou”, “Omelogor” e, novamente, “Chiamaka” –, sugerindo uma circularidade narrativa em que as experiências não se encerram de forma linear, mas se reconfiguram.
Pepetela
Kétely da Silva Oliveira investe o seu olhar analítico no romance de Pepetela, Tudo-está-ligado. Em suas palavras: “o livro coloca em destaque diferentes tradições face ao apagamento e à imposição colonial, mas é notório o destaque dado a dois elementos: a valorização da tradição oral como documento histórico e a crença no mundo sensível. Do mesmo modo, esses dois principais elementos são colocados como reflexão individual e coletiva, em especial, para dois de seus personagens: o major reformado Santiago e a bancária Ofeka”.
Expediente
literafro novidades, n. 63 – junho, 2026.
Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira – UFMG
Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte
Editorial – Adélcio de Sousa Cruz, Giovanna Soalheiro Pinheiro e Marcos Antônio Alexandre
Revisores – Giovanna Soalheiro Pinheiro e Marcos Antônio Alexandre
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG)