O número 62 da literafro novidades reúne doze resenhas que tomam como ponto de partida obras representativas da produção literária africana e afro-brasileira contemporânea. Em diferentes gêneros (conto, romance, poesia, ensaio, literatura infantojuvenil e outras formas), os textos percorrem um campo de leitura atento às relações entre memória, arquivo, ancestralidade e alguns motivos que acompanham às publicações de autoria negra. O conjunto inclui A cor da pele: poesia reunida, de Adão Ventura; Ensaios de despedida, de Elisama Santos; O acumulador, de João Melo; Mamãe aprendeu a ler, de Luana Tolentino; Nossos passos vêm de longe, com textos de Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Ana Paula Lisboa e Luciana Nabuco; a reedição da Revista Níger, editada por José Correia Leite; A água é uma máquina do tempo, de Aline Motta; A primeira pedra, de Pedro Machado; O rio infinito, de Mia Couto; Diáspora não é lar, de Nina Rizzi; Publica, preta!, de Débora da Silva e Elizandra de Souza; e Fora di nos: nhara sikidu – textos poéticos, de Helena Neves Abrahamsson. Ao colocar essas obras em relação, a atual edição propõe aos leitores a escuta e o deslocamento do olhar, sem limitar a complexidade das tessituras que se inscrevem nos livros. Aos colaboradores fica o agradecimento pela construção deste número. Aos leitores, o convite à leitura.

 

 

Adão Ventura

Lara Carvalho Cipriano e Bruna Carla apresentam A cor da pele: poesia reunida (Círculo de Poemas, 2025), de Adão Ventura, destacando a relevância de sua presença na poesia brasileira. Organizado por Fabrício Marques, o volume reúne textos fundamentais e inéditos, permitindo aos leitores acompanhar a consciência estética e política do autor. A escrita de Ventura se propõe à experimentação formal, à crítica social e à valorização da memória negra, aspectos que reafirmam a centralidade de um dos nomes de maior destaque da literatura mineira.

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Elisama Santos

Rannyson da Silva Moura lê o romance Ensaios de despedida (Editora Record, 2025), de Elisama Santos, dando destaque ao modo como a narrativa expõe as pressões que cercam a vida de mulheres negras. Por meio de cartas, acompanha-se Cristina em um movimento de retorno ao passado, marcado por silêncios, frustrações e desejos adiados. Ao questionar os papéis que lhe foram impostos, a protagonista sugere as expectativas sociais com relação ao cuidado e à submissão imposta aos corpos negros femininos.

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João Melo

Rogério Faria Tavares apresenta O acumulador (Editora Caminho, 2024), de João Melo, um coletânea de contos que exploram a sociedade angolana pós-independência. As narrativas evidenciam práticas de oportunismo, desigualdade, relações de poder e acompanham personagens que transitam entre diferentes esferas sociais. Ao mesmo tempo, o livro investiga contextos mais subjetivos, a partir da memória e do desejo.

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Luana Tolentino

A leitura de Mamãe aprendeu a ler (Editora Mazza, 2025), de Luana Tolentino, apresentada por Elisângela Aparecida Lopes Fialho, destaca a alfabetização como experiência de transformação das personagens. A narrativa acompanha Dora na reconstrução da vivências da mãe, em grande parte marcada pela exclusão escolar. A leitura surge então, mais tarde, na vida da figura materna, que vê nesse gesto uma prática de liberdade e um direito historicamente negado.

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Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Ana Paula Lisboa, Luciana Nabuco

Loiany Camile Gomes analisa a coletânea Nossos passos vêm de longe e outras histórias ancestrais (Nova Fronteira, 2025), dando ênfase à potência das vozes negras femininas contemporâneas. Os contos versam sobre a memória, a ancestralidade, além de tecerem críticas ao contexto social, por meio da abordagem de temas como o trabalho, o território e o pertencimento. A leitura evidencia a escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, e a oralidade como práticas de resistência.

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José Correia Leite

Kelvin Jorge Batista Silva analisa a edição fac-similar da revista Niger (Ciclo Contínuo Editorial, 2025), tendo em vista a importância histórica da revista, editada por José Correia Leite. A publicação resgata a imprensa negra como espaço de resistência e de memória, que tinha (e tem) como finalidade o combate ao apagamento colonial. Os leitores terão acesso à presença negra em diferentes campos de atuação, numa obra que reafirma o fortalecimento das identidades negras no Brasil.

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Aline Motta

Felippe Nildo de Lima propõe a leitura de A água é uma máquina do tempo (Círculo de Poemas, 2022), de Aline Motta, a partir da memória e da ancestralidade. A obra reúne imagens, documentos e fragmentos para reconstruir trajetórias familiares, sobretudo de mulheres negras. Ao problematizar o arquivo, a autora propõe outras formas de narrar o passado e evidencia experiências assinaladas pela violência e pelo silenciamento.

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Pedro Machado

Rodrigo Pires apresenta A primeira pedra (Malê, 2024), de Pedro Machado, destacando as tensões entre fé, identidade e pertencimento sociocultural. As narrativas se organizam em torno de conflitos morais, como a culpa e os desejos silenciados. O evangelismo protestante surge como campo de disputa e controle, ao apontar as contradições associadas às heranças coloniais e os limites impostos pela religiosidade.

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Mia Couto

Érica Luciana de Souza Silva escreve sobre O rio infinito (Companhia das Letrinhas, 2025), de Mia Couto, dando destaque à inserção desse escritor à literatura infantojuvenil africana. Em sua leitura, a professora evidencia a presença da oralidade, da memória e das relações comunitárias, que marcam a convivência e a diferença, a partir da ética baseada no diálogo e na partilha.

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Nina Rizzi

Mikaella Pereira da Silva lê Diáspora não é lar (Pallas Editora, 2025), de Nina Rizzi, destacando uma poesia que confronta o racismo e as desigualdade advindas deste. Os poemas abordam experiências de não pertencimento e as vivências de mulheres negras, por meio de uma linguagem que incorpora as formas da oralidade, num processo de ruptura com uma linguagem mais formal.

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Débora da Silva e Elizandra de Souza

Luiz Henrique Silva de Oliveira escreve sobre a obra Publica, preta! (Edição do autor/Sarau das Pretas, 2022), uma importante contribuição de Débora da Silva e Elizandra Souza para o campo editorial negro brasileiro. Trata-se de um guia prático e político para a autopublicação, incentivando a presença de mulheres negras no mercado editorial, por meio também de uma orientação técnica. Nele, evidenciam-se os desafios e as possibilidades de inserção editorial, numa proposta que amplia o acesso à produção literária.

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Helena Neves Abrahamsson

 

Wellington Marçal de Carvalho apresenta Fora di nos: nhara sikidu – textos poéticos (Nimba edições, 2021), de Helena Neves Abrahamsson, autora nascida em Bissau e atuante no campo dos Direitos Humanos. O livro reúne textos que partem de experiências pessoais e coletivas, trazendo à cena a ancestralidade, a identidade e os conflitos que marcam a Guiné-Bissau. A poesia dá forma à dor, mas também à permanência e à força. Entre lembrança e perda, os poemas constroem um espaço de reconhecimento contínuo.

 

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literafro novidades, n. 62 – março, 2026.

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
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Editorial – Elisângela Lopes Fialho e Giovanna Soalheiro Pinheiro
Revisores – Elisângela Lopes Fialho e Giovanna Soalheiro Pinheiro
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literafro novidades n. 61 – Dezembro de 2025

 

A edição número 61 da literafro novidades encerra o ano de 2025 reforçando o compromisso de destacar a pluralidade e relevância da literatura afro-brasileira, com ênfase na valorização das trajetórias negras apresentadas por autoras e autores ao longo dessas publicações. A edição de dezembro apresenta sete obras que representam uma ampla diversidade de gêneros literários. No segmento poético, Nascente (Heleine Fernandes de Souza) e Satori na Laje: orikais, poemínimos e outros cantos (Edson Cruz) abordam temas relacionados à memória ancestral e ao enfrentamento cotidiano do racismo. Na ficção, Tatiana Nascimento (Água de Maré), Itamar Vieira Júnior (Coração sem medo) e Eliana Alves Cruz (Meridiana) apresentam narrativas centradas no protagonismo feminino, explorando questões de opressão social e autoconfiança na classe média brasileira. O livro Maria Firmina dos Reis: mulheres e poder no Brasil, de Régia Agostinho, oferece uma análise aprofundada sobre a intelectualidade de Maria Firmina dos Reis. Por fim, Verbetes para um dicionário afetivo, elaborado por Ana Paula Tavares, Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção, reúne reflexões que evidenciam elementos da memória e da cultura africana de língua portuguesa. Os textos e suas resenhas oferecem um olhar sensível e crítico sobre a cultura afro-diaspórica na sua complexa e instigante diversidade. Agradecemos a todas e todos que colaboraram com o n. 61 da nossa Newsletter e desejamos uma ótima leitura.

 

 

Eliana Alves Cruz

Rannyson da Silva Moura nos apresenta o romance Meridiana, de Eliana Alves Cruz. A trama narra a trajetória de uma família negra que vivencia a mobilidade social ao sair da periferia para o centro da cidade, abordando diferentes perspectivas de seus membros e os desafios de pertencimento, racismo e construção do lar. Com foco nas experiências de Ernesto, Aurora, Zuleica e seus filhos, o livro ressalta as tensões entre acesso e inclusão, bem como as sobrecargas históricas atribuídas às mulheres negras, propondo uma reflexão sobre o significado de lar, identidade e esperança diante das adversidades sociais. Uma leitura valiosa!

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Heleine Fernandes de Souza

A resenha de Kétely Silva Oliveira examina a obra Nascente de Heleine Fernandes de Souza, destacando como a memória ancestral e a oralidade afro-diaspórica se manifestam poeticamente no corpo e na linguagem. Por meio dos versos e das performances da autora, a poesia ativa sentidos múltiplos – som, cheiro, tato e paladar – revelando saberes preservados e reterritorializados, especialmente aqueles silenciados pelo sistema escravista. Uma leitura emocionante, confira!

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Ana Paula Tavares, Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção

Maria Nazateh Fonseca apresenta o livro Verbetes para um dicionário afetivo. A obra é uma proposta de encontro entre amigos e um louvor à amizade. Cada autor explora verbetes que abordam temas como “árvores”, “casas”, “húmido”, “uanga” (feitiço) e “ziguezagues”, acionando memórias, percepções pessoais e estilos próprios para criar definições subjetivas e poéticas. Ao longo do livro, os autores revisitam lugares, sensações e histórias vividas ou inventadas, atribuem novos significados a termos da língua portuguesa, e exploram as riquezas culturais e afetivas de diferentes geografias e sotaques. Imperdível!

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Edson Cruz

Giovanna Soalheiro Pinheiro nos apresenta uma análise da obra Satori na Laje: orikais, poemínimos e outros cantos. Cruz funde tradições, especialmente o haicai japonês e os orikis iorubás, criando os “orikais”, e explora a poética da relação entre espiritualidade afrodiaspórica, experiência urbana e memória cultural. O livro é visto como uma proposta inovadora que transcende fronteiras culturais e literárias, afirmando a literatura como um ato político e de abertura ao novo. Vale a leitura!

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Régia Agostinho

A obra Maria Firmina dos Reis: mulheres e poder no Brasil aqui apresentada por Melissa Rosa Teixeira Mendes é uma preciosa pesquisa historiográfica que parte dos textos literários como fontes históricas e dialoga com jornais do Maranhão oitocentista para nos apresentar a escritora Maria Firmina dos Reis no contexto de debates e disputas do período. Ao longo de seis capítulos, Agostinho revela a centralidade das personagens escravizadas de Firmina, a luta e a memória do povo negro escravizado, consolidando a importância da autora no cenário literário e histórico brasileiro do século XIX. Não perca essa leitura!

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Itamar Vieira Junior

Coração sem medo é o mais recente romance de Itamar Vieira Júnior e encerra a Trilogia da Terra. A obra narra a trajetória de Rita Preta, mulher e mãe, marcada pela dor do desaparecimento do filho e pela luta contra o racismo e a opressão social. Túlio Magalhães e Vitória Viana nos apresentam o protagonismo feminino de Itamar Vieira Junior, na persistência da memória ancestral que expõe, com linguagem inovadora, as adversidades enfrentadas por mulheres negras no Brasil, refletindo sobre abandono, precariedade e resistência diante de uma realidade dura e excludente. Vale a pena conferir!

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Tatiana Nascimento

Água de maré, romance de Tatiana Nascimento, narra a vida de mulheres negras em Salvador, abordando temas como afetividade, identidade de gênero, dissidências religiosas e raciais, e críticas ao patriarcado e ao racismo estrutural. Loyany Gomes nos apresenta como a narrativa poética e não linear de Nascimento protagoniza as vivências de Antonia e Nereci, suas relações familiares, afetivas e a resistência frente à opressão, valorizando a potência de existir em comunidade. Imperdível!

 

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literafro novidades, n. 61 – dezembro de 2025

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literafro novidades n. 59 – Junho de 2025

 

O número 59 da Newsletter apresenta oito obras que evidenciam a produção da literatura afro-brasileira, com resenhas de ficção, crônica e poesia. São elas: 23 minutos, de Waldson Souza; Vamos falar de relações raciais?, de Cidinha da Silva; Na nossa pele: continuando a conversa, de Lázaro Ramos; Anastácia e a máscara, de Henrique Marques Samyn; Sílex, de Eliane Marques; Virgínia mordida, de Jeovanna Vieira; e Construção, de Andressa Marques, Ivandro Menezes e Elisângela Aparecida Lopes Fialho. Além delas, temos duas obras da literatura africana contemporânea: Urdindo palavras no silêncio dos dias, da poeta cabo-verdiana Vera Duarte e O bebedor de vinho de palma, de Amos Tutuola, romancista nigeriano. Os textos abordam temas como racismo estrutural, memória, identidade, ancestralidade e relações de gênero, oferecendo um olhar sensível e crítico sobre a cultura afro-diaspórica. Agradecemos a todos os colaboradores e desejamos uma ótima leitura.

 

 

Waldson Souza

Na ficção especulativa desta obra, Waldson Souza cria um enredo que reinventa o tempo e expõe, de forma potente, o ciclo de violências que atravessa a juventude negra brasileira. A resenha de Kétely da Silva Oliveira traz uma análise de como a narrativa afrofuturista tensiona o realismo capitalista e opera uma crítica profunda ao trauma colonial e à repetição da morte como herança histórica. Um texto necessário sobre literatura, dor e reinvenção. Confira!

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Henrique Marques Samyn

A pesquisadora Giovanna Soalheiro apresenta Anastácia e a máscara, poemário de Henrique Marques Samyn, e destaca o modo como o poeta revisita o passado em sua poética decolonial. Por meio do apuro formal, Samyn elabora uma forma que, em certo sentido, denuncia, quebra silêncios e rearticula a memória por meio da linguagem, tensionando o visível e o oculto, o dito e o negado. Imperdível!

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Cidinha da Silva

Em Vamos falar de relações raciais?, a  pesquisadora Fabiana Oliveira de Jesus apresenta a obra de Cidinha da Silva, que utiliza o gênero crônica para abordar o racismo e o antirracismo na sociedade brasileira contemporânea. O livro reúne 27 textos que exploram temas como violência racial, cotas, estereótipos e representatividade negra. Cada crônica é acompanhada de sugestões de atividades e recursos multimídia, que ampliam o debate e estimulam a reflexão crítica. Vale a pena conferir!   

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Lázaro Ramos

O livro Na nossa pele: continuando a conversa (2025) retoma reflexões que o ator Lázaro Ramos  faz sobre raça, família, arte e sociedade no Brasil contemporâneo. O pesquisador Túlio Romualdo Magalhães destaca a sensibilidade e a lucidez com que Ramos entrelaça memórias íntimas e temas coletivos, convidando o leitor a uma profunda travessia entre o individual e o social. Venha conferir!

 

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Eliane Marques

Em sua resenha sobre Sílex, novo livro de poemas de Eliane Marques, Adriano Moura destaca a potência criadora da linguagem. Com referências às culturas pré-colombianas e às matrizes africanas, a poeta constroi um universo mítico em que a palavra não apenas nomeia, mas funda mundos. Vale a leitura!

 

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Jeovanna Vieira

No romance de estreia de Jeovanna Vieira, Virgínia Mordida, o amor se revela uma armadilha ardilosa: o afeto encobre a violência e o desejo de acolhimento se confunde com submissão, como destaca Ivandro Menezes em sua resenha. A narrativa nos apresenta uma protagonista que, mesmo forte e bem-sucedida, vê-se tragada por um relacionamento abusivo. É uma história sobre afetos feridos, ancestralidade e a difícil travessia rumo à libertação. Vale a pena conferir!

 

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Andressa Marques

Nesta resenha, Elisangela Aparecida Lopes Fialho destaca A construção, romance de Andressa Marques que narra a jornada de Jordana, estudante negra que enfrenta os desafios do ingresso pelas cotas na UnB. A obra aborda o pertencimento, o resgate da ancestralidade e a luta contra o racismo institucional. Vale a leitura!

 

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Amos Tutuola

Com olhar atento à linguagem e ao contexto cultural da obra, Alice Botelho Peixoto apresenta a nova tradução de O bebedor de vinho de palma, de Amos Tutuola, publicada pela editora Carambaia. Ao destacar as escolhas da tradutora Fernanda Silva e Sousa, o texto discute como a obra preserva seu tom fantástico ao mesmo tempo em que se torna mais fluida e acessível ao leitor brasileiro. Imperdível!

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Vera Duarte

Em Urdindo Palavras no Silêncio dos Dias, Vera Duarte compõe uma poética que tece palavras e afetos no contexto da pandemia da Covid-19, unindo lirismo e crítica social. Nesta resenha, a pesquisadora Luciana Brandão Leal destaca a força dessa voz lírica que atravessa o silêncio dos dias difíceis, convidando o leitor a uma experiência poética profunda e multifacetada. Vale a pena conferir!

 

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Contatos

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Faculdade de Letras da UFMG, sala 3045.

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literafro novidades, n. 59 – junho de 2025

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
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Revisores – Elisangela Fialho, Giovanna Soalheiro e Gustavo Tanus
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
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literafro novidades n. 60 – setembro de 2025

 

 

O número 60 da Newsletter é composto de seis resenhas e de uma apresentação, escritas a partir de obras que evidenciam a produção das literaturas afro-brasileiras e africanas na contemporaneidade, com resenhas de ficção, poesia, ensaios e literatura infantojuvenil. São elas o Minidicionário Teórico Negro Brasileiro do Pensamento de Sueli Carneiro (ensaio), de Gilvaneide Santos; Os sonhos nunca são velhos, do escritor angolano João Melo (poema); De cabeça feita (infantojuvenil), de Neide Almeida; A biblioteca debaixo da cidade (romance), do autor moçambicano Adelino Timóteo; Vidas negras, vidas literárias (ensaio), de Vagner Amaro; Sob as árvores de udalas (romance), da nigeriana Chinelo Okparanta, e Santo de Casa, de Stefano Volp (romance). Os livros abordam temas como racismo estrutural, memória, identidade, ancestralidade e relações de gênero, trazendo aos leitores uma visão crítica e sensível sobre as tradições africanas e afro-brasileiras.  Agradecemos a todos os colaboradores e desejamos uma ótima leitura!

 

Sueli Carneiro

Doutoranda em Teoria e História Literária no Instituto de Estudos da Linguagem (UEL) da Unicamp, Gilvaneide Santos faz uma apresentação do Minidicionário Teórico Negro Brasileiro do Pensamento de Sueli Carneiro. No estudo de sua autoria, em 15 verbetes, registram-se conceitos utilizados pela filósofa e outras referências da luta antirracista no Brasil. Para Santos, também professora da rede municipal de ensino de Fortaleza/CE, o minidicionário publicado pela Casa Sueli Carneiro contribui para o combate ao racismo, sobretudo entre os jovens.

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João Melo

Luciana Brandão Leal escreve a respeito de Os sonhos nunca são velhos, do escritor angolano João Melo. Com título inspirado na famosa canção do cantor e compositor mineiro Lô Borges, os poemas que compõem o livro ofertam aos leitores temas associados a políticas e a questões sociais contemporâneas que atravessam o continente africano e o mundo. Nas palavras de Leal, trata-se de um livro que “desafia e arrebata, desde a capa”.

 

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Neide Almeida

Giovanna Soalheiro Pinheiro escreve sobre o livro infantojuvenil de De cabeça feita, de Neide Almeida, que narra as experiências de Dandara, uma criança negra – criativa e alegre – que se apaixona pelos cabelos crespos e pelos penteados que deles surgem. Para Pinheiro, “o livro não diz só às crianças: reinventa uma tradição, performatiza um lugar de pertencimento, de corpo-presente, de cabeça e cabelos de ontem e de hoje.”

 

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Adelino Timóteo

Neste texto, a professora e pesquisadora Eni Alves Rodrigues debruça-se sobre o romance moçambicano A biblioteca debaixo da cidade, de Adelino Timóteo, publicado em 2023 pela editora Rua do Sabão. Para Rodrigues, ganham destaque na obra os caminhos complexos da independência e da reconstrução de Moçambique, assim como a luta pela memória coletiva de seu povo.

 

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Vagner Amaro

Luiz Henrique de Oliveira discorre sobre Vidas negras, vidas literárias, do pesquisador e editor Vagner Amaro. Resultado de sua premiada tese de doutorado, o livro, publicado em 2024 pela editora Malê, traz uma análise rigorosa da trajetória existencial e literária de escritoras e escritores negros brasileiros. Para tanto, Amaro toma como ponto de partida 1978, ano de fundação da coletânea Cadernos Negros e do Movimento Negro Unificado (MNU), seguindo até 2020, ano que ficou marcado pelo Movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos.

 

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Chinelo Okparanta

Wilson Barreto Fróis resenha Sob as árvores de udalas, romance de estreia da escritora nigeriana Chinelo Okparanta. Dividido em capítulos curtos, a narrativa aborda a relação homoafetiva entre as amigas Ijeoma e Amina. Lançado recentemente no Brasil pela editora Kapulana (2023), em 2016, a obra venceu o prêmio “Lambda Literary Award”, na categoria “General Lesbian Fiction”.

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Stefano Volp

Kelvin Silva comenta o novo romance de Stefano Volp, Santo de Casa. Na obra, o autor apresenta a trajetória de uma família de cidade pequena que, de forma inesperada, perde o pai – e a esposa, o marido – em um inusitado ataque de onça. Esse é ponto de partida para um reencontro familiar, a partir do qual a narrativa explora temas como masculinidades, violência contra a mulher, transgeneridade, homossexualidade e a presença inquietante da morte.

 

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literafro novidades, n. 60 – setembro de 2025

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Capa – Samira Maia

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Nesta 58ª edição do literafro novidades, o leitor irá se deparar com seis livros recentemente lançados e que se mostram imprescindíveis para o pensamento e a expressão afro-diaspórica. Este campo do saber – vasto e fecundo – está contemplado nesta amostra por diferentes gêneros, procedentes de autorias afro-brasileiras e africanas: prosa, poesia, literatura infantil e ensaio biográfico.

 

                                                                     Boa leitura!                     

 

 Yasmin Santos

A biógrafa apresenta a trajetória de Conceição Evaristo desde a infância na favela belorizontina até sua consagração literária. E destaca a influência familiar, especialmente da mãe lavadeira, e o impacto da discriminação racial na escola. Aborda ainda a relação da autora com a religião e os movimentos políticos que fortaleceram sua identidade negra. E evidencia como sua escrita, entre memória e ficção, transformou-se em ferramenta de resistência. A biografia traça um retrato profundo da autora e de seu legado e recebe a resenha da professora Samira da Silva Maia.

 

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 Jeferson Tenório

No novo romance de Jeferson Tenório, tema das apreciações da pesquisadora Julieta Kabalin Campos, conhecemos um jovem negro cotista que enfrenta desafios na universidade e na sociedade. O texto explora as tensões entre oportunidades e desigualdades, abordando temas como pertencimento, racismo estrutural e identidade. Tenório constrói uma narrativa densa e introspectiva, contrastando a literatura e a espiritualidade como caminhos de resistência. O romance propõe uma leitura autoficcional que rompe com lógicas eurocêntricas.

 

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Conceição Lima

Quando florirem salambás no tecto do pico, novo livro da são-tomense Conceição Lima destaca a fusão entre poesia, memória e identidade africana. A obra entrelaça elementos históricos e culturais de São Tomé e Príncipe, evocando diálogos entre África e América, com destaque para imagens simbólicas, como a casa, os rios e a ancestralidade. A linguagem, ao mesmo tempo densa e transparente, convoca o leitor a testemunhar e resistir. Essencial para estudiosos das relações entre poesia e identidade cultural, o livro motiva as reflexões da professora Assunção Sousa e Silva.

 

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Cuti

 Ritmo Humanegrítico, de Cuti, destaca a força da poética afro-identitária do autor, marcada pela crítica social e por uma linguagem marcada pela invenção. Dividido em cinco partes, aborda temas como racismo estrutural, identidade negra e dinâmicas contemporâneas, incluindo o impacto das redes sociais. E questiona o passado colonial e a opressão presente, utilizando a palavra como ferramenta de denúncia e resistência. O livro reafirma o compromisso da autoria negra com a memória e a luta política, elementos destacados pela resenha da pesquisadora Bruna Carla dos Santos.

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Tsitsi Dangarembga

A resenha de As condições nervosas, de Tsitsi Dangarembga, destaca a trajetória de Tambudzai, uma jovem shona em um Zimbábue colonizado, enfrentando racismo, patriarcado e pobreza. O romance explora a interseccionalidade, mostrando como gênero, classe e raça moldam a opressão das mulheres negras. Além disso, denuncia os efeitos psicológicos do colonialismo, bem como as táticas de resistência. Sua narrativa intensa e questionadora, essencial para a compreensão da literatura pós-colonial e das formas de dominação e luta na África, é objeto da leitura atenta do poeta Natalino Silva.

 

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Itamar Vieira Junior

Estreia do autor na prosa para pequenos leitores, Chupim põe em cena uma criança do meio rural que espanta aves nas plantações de arroz, tema que enseja a crítica social ao trabalho infantil nas condições precárias no campo, com a figura do pássaro chupim simbolizando os trabalhadores rurais e sua luta pela sobrevivência. As ilustrações de Manuela Navas enriquecem a obra com realismo e emoção. O livro confere densidade à literatura infantil, destacada na abordagem do pesquisador Kelvin Batista Silva.

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literafro novidades, n. 58 – março de 2025

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