literafro novidades n. 64 – setembro de 2026
literafro novidades n. 64 – setembro de 2026
O número 64 da literafro novidades reúne oito leituras de obras que circulam por diferentes gêneros, formas e territórios das literaturas afro-brasileira e africanas de língua portuguesa, aproximando, neste percurso, o literafro e o literÁfricas. Esta seleção agrupa os livros: Escreviventes - Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, de Estevão Ribeiro; Roteiros provinciais, de João Paulo Borges Coelho; Memórias do meu quilombo, de Dona Rosinha; Cadernos Negros 46: Contos Afrobrasileiros; Escrevo para ser esquecido, de Hamilton Borges; Janela para o Índico, de Ana Mafalda Leite; A outra face: contos afrofantásticos, de Sandra Menezes e Um preto muito português, de Telma Tvon. Nesta edição, memória, pertencimento, ancestralidade, violência, deslocamento, oralidade e fabulação aparecem não como temas isolados, mas como questões que atravessam experiências históricas e projetos literários distintos. Ao longo do número, esse diálogo se realiza sem apartar as produções em blocos estanques: Brasil, Moçambique, Portugal e outros espaços da diáspora entram em relação por meio dos arquivos, das memórias coletivas, das tradições literárias, dos conflitos raciais e das experimentações formais. As resenhas aqui reunidas mostram, assim, modos diversos de lembrar, narrar, interrogar e imaginar a experiência negra na literatura. Agradecemos às pesquisadoras e aos pesquisadores que colaboraram com esta edição e convidamos nossas leitoras e nossos leitores a percorrer essas diferentes entradas críticas. Boa leitura!
Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz
O pesquisador Túlio Romualdo Magalhães lê Escreviventes a partir do encontro entre duas trajetórias de escrita marcadas por memória, ancestralidade, pobreza, racismo, afetos e formação literária. A resenha acompanha as aproximações entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz sem apagar as diferenças de geração e de percurso, destacando como experiências vividas se transformam em matéria de criação.
João Paulo Borges Coelho
No literÁfricas, a professora e pesquisadora Roberta Maria Ferreira Alves volta-se para Roteiros provinciais a partir da relação entre literatura, história e memória. Sua leitura se detém nos arquivos, mapas, testemunhos e silêncios que atravessam as quatro novelas, mostrando como a obra põe em suspeição a ideia de um passado plenamente recuperável.

Dona Rosinha
Ao apresentar Memórias do meu quilombo, Conceição Evaristo lê a escrita de Dona Rosinha como gesto de preservação da memória pessoal e coletiva. A resenha destaca a presença da oralidade, do falar mineiro e das formas comunitárias de cuidado, aproximando essa escrita de outras narrativas de mulheres negras que fizeram da palavra um modo de registrar a própria experiência.
Cadernos Negros 46
Eduardo de Assis Duarte e Elizângela Fialho percorrem o volume 46 de Cadernos Negros observando tanto a permanência histórica da série quanto sua capacidade de renovação. Os resenhistas chamam a atenção para a presença expressiva de mulheres na coletânea e para contos em que raça, classe, gênero, trabalho e violência aparecem fortemente imbricados.
Hamilton Borges
Na leitura de Loiany Camile Gomes, Escrevo para ser esquecido se revela como obra em que escrita, militância e memória se tensionam continuamente. A pesquisadora não se detém apenas nos textos de Hamilton Borges, mas também na composição gráfica do volume, nas fotografias e na própria contradição entre o desejo anunciado de esquecimento e a insistência da escrita em deixar marcas.
Ana Mafalda Leite
Também no literÁfricas, a professora e pesquisadora Luciana Brandão Leal acompanha Janela para o Índico pelo eixo dos deslocamentos. Sua resenha lê o Índico como espaço poético de trânsito entre geografias, línguas, memórias e pertencimentos, recusando uma identidade fixa como horizonte da obra.
Sandra Menezes
Douglas Sacramento lê A outra face: contos afrofantásticos a partir da espiralidade do tempo. Em sua análise, ancestralidade, fantástico e experiência negra permitem que passado, presente e futuro se cruzem, deslocando uma concepção linear da temporalidade e aproximando o livro de debates sobre afrofuturismo e cosmovisões negras.
Telma Tvon
A pesquisadora Aleízy Aparecida Barati Domingos lê Um preto muito português pelo conflito entre pertencimento e racialização. Sua resenha acompanha o momento em que a crença do narrador numa igualdade abstrata se desfaz diante da violência e do racismo, evidenciando a condição paradoxal de sujeitos negros que pertencem a Portugal, mas continuam sendo tratados como estrangeiros.
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Expediente
literafro novidades, n. 64 – setembro de 2026
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Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte
Editorial – Glauciane Aparecida dos Santos e Gustavo Tanus
Revisão – Glauciane Aparecida dos Santos e Gustavo Tanus
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG).



