literafro novidades n. 64 – setembro de 2026

 

O número 64 da literafro novidades reúne oito leituras de obras que circulam por diferentes gêneros, formas e territórios das literaturas afro-brasileira e africanas de língua portuguesa, aproximando, neste percurso, o literafro e o literÁfricas. Esta seleção agrupa os livros: Escreviventes - Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, de Estevão Ribeiro; Roteiros provinciais, de João Paulo Borges Coelho; Memórias do meu quilombo, de Dona Rosinha; Cadernos Negros 46: Contos Afrobrasileiros; Escrevo para ser esquecido, de Hamilton Borges; Janela para o Índico, de Ana Mafalda Leite; A outra face: contos afrofantásticos, de Sandra Menezes e Um preto muito português, de Telma Tvon. Nesta edição, memória, pertencimento, ancestralidade, violência, deslocamento, oralidade e fabulação aparecem não como temas isolados, mas como questões que atravessam experiências históricas e projetos literários distintos. Ao longo do número, esse diálogo se realiza sem apartar as produções em blocos estanques: Brasil, Moçambique, Portugal e outros espaços da diáspora entram em relação por meio dos arquivos, das memórias coletivas, das tradições literárias, dos conflitos raciais e das experimentações formais. As resenhas aqui reunidas mostram, assim, modos diversos de lembrar, narrar, interrogar e imaginar a experiência negra na literatura. Agradecemos às pesquisadoras e aos pesquisadores que colaboraram com esta edição e convidamos nossas leitoras e nossos leitores a percorrer essas diferentes entradas críticas. Boa leitura!

 

Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz

O pesquisador Túlio Romualdo Magalhães lê Escreviventes a partir do encontro entre duas trajetórias de escrita marcadas por memória, ancestralidade, pobreza, racismo, afetos e formação literária. A resenha acompanha as aproximações entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz sem apagar as diferenças de geração e de percurso, destacando como experiências vividas se transformam em matéria de criação.

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João Paulo Borges Coelho

No literÁfricas, a professora e pesquisadora Roberta Maria Ferreira Alves volta-se para Roteiros provinciais a partir da relação entre literatura, história e memória. Sua leitura se detém nos arquivos, mapas, testemunhos e silêncios que atravessam as quatro novelas, mostrando como a obra põe em suspeição a ideia de um passado plenamente recuperável.

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Dona Rosinha

Ao apresentar Memórias do meu quilombo, Conceição Evaristo lê a escrita de Dona Rosinha como gesto de preservação da memória pessoal e coletiva. A resenha destaca a presença da oralidade, do falar mineiro e das formas comunitárias de cuidado, aproximando essa escrita de outras narrativas de mulheres negras que fizeram da palavra um modo de registrar a própria experiência.

 

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Cadernos Negros 46

Eduardo de Assis Duarte e Elizângela Fialho percorrem o volume 46 de Cadernos Negros observando tanto a permanência histórica da série quanto sua capacidade de renovação. Os resenhistas chamam a atenção para a presença expressiva de mulheres na coletânea e para contos em que raça, classe, gênero, trabalho e violência aparecem fortemente imbricados.

 

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Hamilton Borges

Na leitura de Loiany Camile Gomes, Escrevo para ser esquecido se revela como obra em que escrita, militância e memória se tensionam continuamente. A pesquisadora não se detém apenas nos textos de Hamilton Borges, mas também na composição gráfica do volume, nas fotografias e na própria contradição entre o desejo anunciado de esquecimento e a insistência da escrita em deixar marcas.

 

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Ana Mafalda Leite

Também no literÁfricas, a professora e pesquisadora Luciana Brandão Leal acompanha Janela para o Índico pelo eixo dos deslocamentos. Sua resenha lê o Índico como espaço poético de trânsito entre geografias, línguas, memórias e pertencimentos, recusando uma identidade fixa como horizonte da obra.

 

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Sandra Menezes

Douglas Sacramento lê A outra face: contos afrofantásticos a partir da espiralidade do tempo. Em sua análise, ancestralidade, fantástico e experiência negra permitem que passado, presente e futuro se cruzem, deslocando uma concepção linear da temporalidade e aproximando o livro de debates sobre afrofuturismo e cosmovisões negras.

 

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Telma Tvon

A pesquisadora Aleízy Aparecida Barati Domingos lê Um preto muito português pelo conflito entre pertencimento e racialização. Sua resenha acompanha o momento em que a crença do narrador numa igualdade abstrata se desfaz diante da violência e do racismo, evidenciando a condição paradoxal de sujeitos negros que pertencem a Portugal, mas continuam sendo tratados como estrangeiros.

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literafro novidades, n. 64 – setembro de 2026
Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte
Editorial – Glauciane Aparecida dos Santos e Gustavo Tanus
Revisão – Glauciane Aparecida dos Santos e Gustavo Tanus
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG).

 

 

literafro novidades, n. 63 – junho de 2026

 

 

O número 63 da literafro novidades reúne dez resenhas que tomam como ponto de partida obras representativas da produção literária afro-brasileira e africana contemporânea. A partir de diferentes gêneros (conto, romance, poesia, ensaio e outras formas), os textos aqui reunidos se relacionam com temas diversos que discutem as narrativas e poéticas negras, associando os campos das afetividades, ancestralidades, identidades, memórias, outras visões enunciativas e ensaísticas das literaturas afrorreferenciadas. O conjunto de resenhas inclui leituras das obras Contos reunidos, de Fábio Mandingo; Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros, de Cidinha da Silva; Monstruosa, de Amanda Julieta; Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo; Vozes de mulheres negras, de Ludmilla Lis; Eu perdi minha mãe na praia, de Gabriela Conrado; Zumbidos, de Josemar Ferreira, obras da literatura afro-brasileira; e Paraíso, de Abdulrazak Gurnah; A contagem dos sonhos, de Chimamanda Ngozi Adichie; e Tudo-está-ligado, de Pepetela, livros de autores africanos.

A partir do conjunto de leituras analíticas reunidas, esta edição busca oferecer aos leitores e interessados um leque de possibilidades, olhares e perspectivas de interpretações oferecidas pelos estudos afro. Agradecemos a todas as pessoas que se envolveram na construção deste número, em especial, aos colaboradores que nos brindaram com suas contribuições textuais.

 

 

Fábio Mandingo

 

Douglas Sacramento nos apresenta a obra Contos reunidos, de Fábio Mandingo, na qual o autor realiza um compilado de sua produção de contos, acrescida de cinco textos inéditos ou publicados de forma esparsa. O volume compila os livros Salvador negro rancor (2011), Morte e vida virgulina (2013) e Muito como um rei (2015), além da seção “Esparsos e inéditos”.

 

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Cidinha da Silva

 

Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros, livro de Cidinha da Silva recebe o olhar analítico de Carolina de Vasconcelos Silva, que explicita que a obra descasula as inquietações, os ardis e a resistência furiosa que atravessam a experiência literária e editorial das escritoras negras. A obra é composta por 16 ensaios organizados em três eixos comprometidos com a ruptura das contenções que secularmente tentam enlaçar as asas de mulheres negras escritoras: “Casulo”, “Lagarta” e “Borboleta”.

 

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Amanda Julieta

 

Kétely da Silva Oliveira escreve sobre Monstruosa, de Amanda Julieta, livro de contos composto por doze textos. Segundo a resenhista, o conflito principal que tece as histórias é voltado para trajetória de mulheres negras e lésbicas em diferentes estágios da vida, condições materiais e vias urbanas. Os contos de Monstruosa poderiam ser traduzidos como o movimento e o trânsito ressignificador de memórias, de palavras e de desejos.

 

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 Conceição Evaristo

 

Yasmin Santos nos apresenta sua leitura do livro Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo, e expõe a trajetória acadêmica e literária da autora. Santos explicita que o livro, publicado pela editora Pallas, mantém o texto em seu estado original: “Conceição expõe no prefácio que a intenção é permitir uma pesquisa arqueológica dos estudos críticos sobre a literatura negra. Consigo vislumbrar, no destaque dado à afro-brasilidade no subtítulo, a ideia de salientar a nossa nacionalidade hifenizada, conjugada erraticamente à herança africana de que fomos destituídos. Esse hífen guarda silêncios, elos irreparáveis, estilhaços ancestrais”.

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Ludmilla Lis

 

Fabiane Cristine Rodrigues nos oferece a sua leitura do livro de Ludmilla Liz, Vozes de mulheres negras, que resulta de uma adaptação da dissertação da autora defendida no CEFET/RJ, dentro do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais. Rodrigues destaca que a própria escritora explicita que se trata de um livro-pesquisa que “atravessa, escreve e inscreve sua autora”.

 

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 Gabriela Conrado

 

Eu perdi minha mãe na praia, de Gabriela Conrado, recebe o olhar analítico de Anna Luara da Silveira, que analisa a poética da autora, dividida em seis partes. Segundo Silveira, a escrita de Conrado é “fluída e delicada. Entretanto, seus versos entrecortados impõem um ritmo que nos obriga a olhar a linguagem de um ponto de vista renovado, de estranhamento, mesmo quando as palavras parecem simples e corriqueiras”.

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 Josemar Ferreira

 

Marcos Antônio Alexandre nos apresenta Zumbidos, livro de Josemar Ferreira, um poemário em que o autor apresenta 52 poemas, compostos, em sua maioria, de textos curtos. Várias de suas composições poéticas são formadas por dísticos, quadras e poemas monostróficos. Além disso, tem-se uma linguagem coloquial, econômica, próxima da oralidade e, sobretudo, muito sugestiva e integrada por uma forte carga imagética, por um tom confessional e por uma linguagem irônica e reflexiva.

 

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Abdulrazak Gurnah

 

Wílson Barreto Frois atém-se à leitura do romance Paraíso, do autor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, publicado em 2023 pela Companhia das Letras. Segundo Frois, Paraíso foi a obra mais aclamada pela crítica. Ele ainda descreve que a linguagem se distingue por um acentuado refinamento formal, pontuando que, em sua textura, é perceptível a presença criativa de zoomorfizações, símiles, metáforas e sinestesias, criadoras de exuberantes efeitos expressivos.

 

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Chimamanda Ngozi Adichie

 

O romance A contagem dos sonhos, de Chimamanda Ngozi Adichie, recebe a mirada analítica de Roberta Maria Ferreira Alves e Manuela Luiza de Souza. Para as pesquisadoras, a obra já nasce atravessada por expectativas – tanto pelo reconhecimento internacional da autora quanto pelo modo como se insinua como deslocamento em relação à sua produção anterior. O livro se estrutura em cinco partes – “Chiamaka”, “Zikora”, “Kadiatou”, “Omelogor” e, novamente, “Chiamaka” –, sugerindo uma circularidade narrativa em que as experiências não se encerram de forma linear, mas se reconfiguram.

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Pepetela

 

Kétely da Silva Oliveira investe o seu olhar analítico no romance de Pepetela, Tudo-está-ligado. Em suas palavras: “o livro coloca em destaque diferentes tradições face ao apagamento e à imposição colonial, mas é notório o destaque dado a dois elementos: a valorização da tradição oral como documento histórico e a crença no mundo sensível. Do mesmo modo, esses dois principais elementos são colocados como reflexão individual e coletiva, em especial, para dois de seus personagens: o major reformado Santiago e a bancária Ofeka”.

 

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literafro novidades, n. 63 – junho, 2026.

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira – UFMG

Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte

Editorial – Adélcio de Sousa Cruz, Giovanna Soalheiro Pinheiro e Marcos Antônio Alexandre

Revisores – Giovanna Soalheiro Pinheiro e Marcos Antônio Alexandre

Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)

Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG)

 

 

literafro novidades n. 61 – Dezembro de 2025

 

A edição número 61 da literafro novidades encerra o ano de 2025 reforçando o compromisso de destacar a pluralidade e relevância da literatura afro-brasileira, com ênfase na valorização das trajetórias negras apresentadas por autoras e autores ao longo dessas publicações. A edição de dezembro apresenta sete obras que representam uma ampla diversidade de gêneros literários. No segmento poético, Nascente (Heleine Fernandes de Souza) e Satori na Laje: orikais, poemínimos e outros cantos (Edson Cruz) abordam temas relacionados à memória ancestral e ao enfrentamento cotidiano do racismo. Na ficção, Tatiana Nascimento (Água de Maré), Itamar Vieira Júnior (Coração sem medo) e Eliana Alves Cruz (Meridiana) apresentam narrativas centradas no protagonismo feminino, explorando questões de opressão social e autoconfiança na classe média brasileira. O livro Maria Firmina dos Reis: mulheres e poder no Brasil, de Régia Agostinho, oferece uma análise aprofundada sobre a intelectualidade de Maria Firmina dos Reis. Por fim, Verbetes para um dicionário afetivo, elaborado por Ana Paula Tavares, Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção, reúne reflexões que evidenciam elementos da memória e da cultura africana de língua portuguesa. Os textos e suas resenhas oferecem um olhar sensível e crítico sobre a cultura afro-diaspórica na sua complexa e instigante diversidade. Agradecemos a todas e todos que colaboraram com o n. 61 da nossa Newsletter e desejamos uma ótima leitura.

 

 

Eliana Alves Cruz

Rannyson da Silva Moura nos apresenta o romance Meridiana, de Eliana Alves Cruz. A trama narra a trajetória de uma família negra que vivencia a mobilidade social ao sair da periferia para o centro da cidade, abordando diferentes perspectivas de seus membros e os desafios de pertencimento, racismo e construção do lar. Com foco nas experiências de Ernesto, Aurora, Zuleica e seus filhos, o livro ressalta as tensões entre acesso e inclusão, bem como as sobrecargas históricas atribuídas às mulheres negras, propondo uma reflexão sobre o significado de lar, identidade e esperança diante das adversidades sociais. Uma leitura valiosa!

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Heleine Fernandes de Souza

A resenha de Kétely Silva Oliveira examina a obra Nascente de Heleine Fernandes de Souza, destacando como a memória ancestral e a oralidade afro-diaspórica se manifestam poeticamente no corpo e na linguagem. Por meio dos versos e das performances da autora, a poesia ativa sentidos múltiplos – som, cheiro, tato e paladar – revelando saberes preservados e reterritorializados, especialmente aqueles silenciados pelo sistema escravista. Uma leitura emocionante, confira!

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Ana Paula Tavares, Manuel Jorge Marmelo, Ondjaki e Paulinho Assunção

Maria Nazateh Fonseca apresenta o livro Verbetes para um dicionário afetivo. A obra é uma proposta de encontro entre amigos e um louvor à amizade. Cada autor explora verbetes que abordam temas como “árvores”, “casas”, “húmido”, “uanga” (feitiço) e “ziguezagues”, acionando memórias, percepções pessoais e estilos próprios para criar definições subjetivas e poéticas. Ao longo do livro, os autores revisitam lugares, sensações e histórias vividas ou inventadas, atribuem novos significados a termos da língua portuguesa, e exploram as riquezas culturais e afetivas de diferentes geografias e sotaques. Imperdível!

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Edson Cruz

Giovanna Soalheiro Pinheiro nos apresenta uma análise da obra Satori na Laje: orikais, poemínimos e outros cantos. Cruz funde tradições, especialmente o haicai japonês e os orikis iorubás, criando os “orikais”, e explora a poética da relação entre espiritualidade afrodiaspórica, experiência urbana e memória cultural. O livro é visto como uma proposta inovadora que transcende fronteiras culturais e literárias, afirmando a literatura como um ato político e de abertura ao novo. Vale a leitura!

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Régia Agostinho

A obra Maria Firmina dos Reis: mulheres e poder no Brasil aqui apresentada por Melissa Rosa Teixeira Mendes é uma preciosa pesquisa historiográfica que parte dos textos literários como fontes históricas e dialoga com jornais do Maranhão oitocentista para nos apresentar a escritora Maria Firmina dos Reis no contexto de debates e disputas do período. Ao longo de seis capítulos, Agostinho revela a centralidade das personagens escravizadas de Firmina, a luta e a memória do povo negro escravizado, consolidando a importância da autora no cenário literário e histórico brasileiro do século XIX. Não perca essa leitura!

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Itamar Vieira Junior

Coração sem medo é o mais recente romance de Itamar Vieira Júnior e encerra a Trilogia da Terra. A obra narra a trajetória de Rita Preta, mulher e mãe, marcada pela dor do desaparecimento do filho e pela luta contra o racismo e a opressão social. Túlio Magalhães e Vitória Viana nos apresentam o protagonismo feminino de Itamar Vieira Junior, na persistência da memória ancestral que expõe, com linguagem inovadora, as adversidades enfrentadas por mulheres negras no Brasil, refletindo sobre abandono, precariedade e resistência diante de uma realidade dura e excludente. Vale a pena conferir!

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Tatiana Nascimento

Água de maré, romance de Tatiana Nascimento, narra a vida de mulheres negras em Salvador, abordando temas como afetividade, identidade de gênero, dissidências religiosas e raciais, e críticas ao patriarcado e ao racismo estrutural. Loyany Gomes nos apresenta como a narrativa poética e não linear de Nascimento protagoniza as vivências de Antonia e Nereci, suas relações familiares, afetivas e a resistência frente à opressão, valorizando a potência de existir em comunidade. Imperdível!

 

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Expediente

literafro novidades, n. 61 – dezembro de 2025

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
Coordenação – Eduardo de Assis Duarte e Marcos Antônio Alexandre
Editorial – Cristiane Côrtes e Eduardo de Assis Duarte
Revisores – Cristiane Côrtes e Eduardo de Assis Duarte
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG)

O número 62 da literafro novidades reúne doze resenhas que tomam como ponto de partida obras representativas da produção literária africana e afro-brasileira contemporânea. Em diferentes gêneros (conto, romance, poesia, ensaio, literatura infantojuvenil e outras formas), os textos percorrem um campo de leitura atento às relações entre memória, arquivo, ancestralidade e alguns motivos que acompanham às publicações de autoria negra. O conjunto inclui A cor da pele: poesia reunida, de Adão Ventura; Ensaios de despedida, de Elisama Santos; O acumulador, de João Melo; Mamãe aprendeu a ler, de Luana Tolentino; Nossos passos vêm de longe, com textos de Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Ana Paula Lisboa e Luciana Nabuco; a reedição da Revista Níger, editada por José Correia Leite; A água é uma máquina do tempo, de Aline Motta; A primeira pedra, de Pedro Machado; O rio infinito, de Mia Couto; Diáspora não é lar, de Nina Rizzi; Publica, preta!, de Débora da Silva e Elizandra de Souza; e Fora di nos: nhara sikidu – textos poéticos, de Helena Neves Abrahamsson. Ao colocar essas obras em relação, a atual edição propõe aos leitores a escuta e o deslocamento do olhar, sem limitar a complexidade das tessituras que se inscrevem nos livros. Aos colaboradores fica o agradecimento pela construção deste número. Aos leitores, o convite à leitura.

 

 

Adão Ventura

Lara Carvalho Cipriano e Bruna Carla apresentam A cor da pele: poesia reunida (Círculo de Poemas, 2025), de Adão Ventura, destacando a relevância de sua presença na poesia brasileira. Organizado por Fabrício Marques, o volume reúne textos fundamentais e inéditos, permitindo aos leitores acompanhar a consciência estética e política do autor. A escrita de Ventura se propõe à experimentação formal, à crítica social e à valorização da memória negra, aspectos que reafirmam a centralidade de um dos nomes de maior destaque da literatura mineira.

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Elisama Santos

Rannyson da Silva Moura lê o romance Ensaios de despedida (Editora Record, 2025), de Elisama Santos, dando destaque ao modo como a narrativa expõe as pressões que cercam a vida de mulheres negras. Por meio de cartas, acompanha-se Cristina em um movimento de retorno ao passado, marcado por silêncios, frustrações e desejos adiados. Ao questionar os papéis que lhe foram impostos, a protagonista sugere as expectativas sociais com relação ao cuidado e à submissão imposta aos corpos negros femininos.

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João Melo

Rogério Faria Tavares apresenta O acumulador (Editora Caminho, 2024), de João Melo, um coletânea de contos que exploram a sociedade angolana pós-independência. As narrativas evidenciam práticas de oportunismo, desigualdade, relações de poder e acompanham personagens que transitam entre diferentes esferas sociais. Ao mesmo tempo, o livro investiga contextos mais subjetivos, a partir da memória e do desejo.

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Luana Tolentino

A leitura de Mamãe aprendeu a ler (Editora Mazza, 2025), de Luana Tolentino, apresentada por Elisângela Aparecida Lopes Fialho, destaca a alfabetização como experiência de transformação das personagens. A narrativa acompanha Dora na reconstrução da vivências da mãe, em grande parte marcada pela exclusão escolar. A leitura surge então, mais tarde, na vida da figura materna, que vê nesse gesto uma prática de liberdade e um direito historicamente negado.

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Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Ana Paula Lisboa, Luciana Nabuco

Loiany Camile Gomes analisa a coletânea Nossos passos vêm de longe e outras histórias ancestrais (Nova Fronteira, 2025), dando ênfase à potência das vozes negras femininas contemporâneas. Os contos versam sobre a memória, a ancestralidade, além de tecerem críticas ao contexto social, por meio da abordagem de temas como o trabalho, o território e o pertencimento. A leitura evidencia a escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, e a oralidade como práticas de resistência.

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José Correia Leite

Kelvin Jorge Batista Silva analisa a edição fac-similar da revista Niger (Ciclo Contínuo Editorial, 2025), tendo em vista a importância histórica da revista, editada por José Correia Leite. A publicação resgata a imprensa negra como espaço de resistência e de memória, que tinha (e tem) como finalidade o combate ao apagamento colonial. Os leitores terão acesso à presença negra em diferentes campos de atuação, numa obra que reafirma o fortalecimento das identidades negras no Brasil.

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Aline Motta

Felippe Nildo de Lima propõe a leitura de A água é uma máquina do tempo (Círculo de Poemas, 2022), de Aline Motta, a partir da memória e da ancestralidade. A obra reúne imagens, documentos e fragmentos para reconstruir trajetórias familiares, sobretudo de mulheres negras. Ao problematizar o arquivo, a autora propõe outras formas de narrar o passado e evidencia experiências assinaladas pela violência e pelo silenciamento.

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Pedro Machado

Rodrigo Pires apresenta A primeira pedra (Malê, 2024), de Pedro Machado, destacando as tensões entre fé, identidade e pertencimento sociocultural. As narrativas se organizam em torno de conflitos morais, como a culpa e os desejos silenciados. O evangelismo protestante surge como campo de disputa e controle, ao apontar as contradições associadas às heranças coloniais e os limites impostos pela religiosidade.

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Mia Couto

Érica Luciana de Souza Silva escreve sobre O rio infinito (Companhia das Letrinhas, 2025), de Mia Couto, dando destaque à inserção desse escritor à literatura infantojuvenil africana. Em sua leitura, a professora evidencia a presença da oralidade, da memória e das relações comunitárias, que marcam a convivência e a diferença, a partir da ética baseada no diálogo e na partilha.

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Nina Rizzi

Mikaella Pereira da Silva lê Diáspora não é lar (Pallas Editora, 2025), de Nina Rizzi, destacando uma poesia que confronta o racismo e as desigualdade advindas deste. Os poemas abordam experiências de não pertencimento e as vivências de mulheres negras, por meio de uma linguagem que incorpora as formas da oralidade, num processo de ruptura com uma linguagem mais formal.

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Débora da Silva e Elizandra de Souza

Luiz Henrique Silva de Oliveira escreve sobre a obra Publica, preta! (Edição do autor/Sarau das Pretas, 2022), uma importante contribuição de Débora da Silva e Elizandra Souza para o campo editorial negro brasileiro. Trata-se de um guia prático e político para a autopublicação, incentivando a presença de mulheres negras no mercado editorial, por meio também de uma orientação técnica. Nele, evidenciam-se os desafios e as possibilidades de inserção editorial, numa proposta que amplia o acesso à produção literária.

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Helena Neves Abrahamsson

 

Wellington Marçal de Carvalho apresenta Fora di nos: nhara sikidu – textos poéticos (Nimba edições, 2021), de Helena Neves Abrahamsson, autora nascida em Bissau e atuante no campo dos Direitos Humanos. O livro reúne textos que partem de experiências pessoais e coletivas, trazendo à cena a ancestralidade, a identidade e os conflitos que marcam a Guiné-Bissau. A poesia dá forma à dor, mas também à permanência e à força. Entre lembrança e perda, os poemas constroem um espaço de reconhecimento contínuo.

 

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literafro novidades, n. 62 – março, 2026.

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte 
Editorial – Elisângela Lopes Fialho e Giovanna Soalheiro Pinheiro
Revisores – Elisângela Lopes Fialho e Giovanna Soalheiro Pinheiro
Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG)

 

literafro novidades n. 60 – setembro de 2025

 

 

O número 60 da Newsletter é composto de seis resenhas e de uma apresentação, escritas a partir de obras que evidenciam a produção das literaturas afro-brasileiras e africanas na contemporaneidade, com resenhas de ficção, poesia, ensaios e literatura infantojuvenil. São elas o Minidicionário Teórico Negro Brasileiro do Pensamento de Sueli Carneiro (ensaio), de Gilvaneide Santos; Os sonhos nunca são velhos, do escritor angolano João Melo (poema); De cabeça feita (infantojuvenil), de Neide Almeida; A biblioteca debaixo da cidade (romance), do autor moçambicano Adelino Timóteo; Vidas negras, vidas literárias (ensaio), de Vagner Amaro; Sob as árvores de udalas (romance), da nigeriana Chinelo Okparanta, e Santo de Casa, de Stefano Volp (romance). Os livros abordam temas como racismo estrutural, memória, identidade, ancestralidade e relações de gênero, trazendo aos leitores uma visão crítica e sensível sobre as tradições africanas e afro-brasileiras.  Agradecemos a todos os colaboradores e desejamos uma ótima leitura!

 

Sueli Carneiro

Doutoranda em Teoria e História Literária no Instituto de Estudos da Linguagem (UEL) da Unicamp, Gilvaneide Santos faz uma apresentação do Minidicionário Teórico Negro Brasileiro do Pensamento de Sueli Carneiro. No estudo de sua autoria, em 15 verbetes, registram-se conceitos utilizados pela filósofa e outras referências da luta antirracista no Brasil. Para Santos, também professora da rede municipal de ensino de Fortaleza/CE, o minidicionário publicado pela Casa Sueli Carneiro contribui para o combate ao racismo, sobretudo entre os jovens.

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João Melo

Luciana Brandão Leal escreve a respeito de Os sonhos nunca são velhos, do escritor angolano João Melo. Com título inspirado na famosa canção do cantor e compositor mineiro Lô Borges, os poemas que compõem o livro ofertam aos leitores temas associados a políticas e a questões sociais contemporâneas que atravessam o continente africano e o mundo. Nas palavras de Leal, trata-se de um livro que “desafia e arrebata, desde a capa”.

 

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Neide Almeida

Giovanna Soalheiro Pinheiro escreve sobre o livro infantojuvenil de De cabeça feita, de Neide Almeida, que narra as experiências de Dandara, uma criança negra – criativa e alegre – que se apaixona pelos cabelos crespos e pelos penteados que deles surgem. Para Pinheiro, “o livro não diz só às crianças: reinventa uma tradição, performatiza um lugar de pertencimento, de corpo-presente, de cabeça e cabelos de ontem e de hoje.”

 

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Adelino Timóteo

Neste texto, a professora e pesquisadora Eni Alves Rodrigues debruça-se sobre o romance moçambicano A biblioteca debaixo da cidade, de Adelino Timóteo, publicado em 2023 pela editora Rua do Sabão. Para Rodrigues, ganham destaque na obra os caminhos complexos da independência e da reconstrução de Moçambique, assim como a luta pela memória coletiva de seu povo.

 

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Vagner Amaro

Luiz Henrique de Oliveira discorre sobre Vidas negras, vidas literárias, do pesquisador e editor Vagner Amaro. Resultado de sua premiada tese de doutorado, o livro, publicado em 2024 pela editora Malê, traz uma análise rigorosa da trajetória existencial e literária de escritoras e escritores negros brasileiros. Para tanto, Amaro toma como ponto de partida 1978, ano de fundação da coletânea Cadernos Negros e do Movimento Negro Unificado (MNU), seguindo até 2020, ano que ficou marcado pelo Movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos.

 

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Chinelo Okparanta

Wilson Barreto Fróis resenha Sob as árvores de udalas, romance de estreia da escritora nigeriana Chinelo Okparanta. Dividido em capítulos curtos, a narrativa aborda a relação homoafetiva entre as amigas Ijeoma e Amina. Lançado recentemente no Brasil pela editora Kapulana (2023), em 2016, a obra venceu o prêmio “Lambda Literary Award”, na categoria “General Lesbian Fiction”.

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Stefano Volp

Kelvin Silva comenta o novo romance de Stefano Volp, Santo de Casa. Na obra, o autor apresenta a trajetória de uma família de cidade pequena que, de forma inesperada, perde o pai – e a esposa, o marido – em um inusitado ataque de onça. Esse é ponto de partida para um reencontro familiar, a partir do qual a narrativa explora temas como masculinidades, violência contra a mulher, transgeneridade, homossexualidade e a presença inquietante da morte.

 

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Expediente

literafro novidades, n. 60 – setembro de 2025

Newsletter trimestral do literafro – Portal da literatura Afro-brasileira - UFMG
Coordenação – Marcos Antônio Alexandre e Eduardo de Assis Duarte
Editorial – Luana Tolentino e Marcos Alexandre
Revisores – Giovanna Soalheiro e Aline Arruda

Capa – Samira Maia

Apoio Técnico – Alex Anastácio (TI/UFMG)
Divulgação – Sandra Rinco (Assessoria de Comunicação FALE/UFMG)