ENTRE O GÊNERO E A RAÇA: UMA LEITURA DE A COR DA TERNURA, DE GENI GUIMARÃES
Maurício Silva
Introdução
Resultado de um complexo cultural em que a tradição popular serve‑lhe de base, e a sociedade na qual ela se insere de motivação criativa, a literatura infanto-juvenil apresenta-se ao leitor a partir de um contexto histórico-social específico, dialogando de perto com a historicidade que determina seus atos de enunciação, bem como com a voz autoral que condiciona seus pressupostos ideológicos.
Considerando a especificidade da sociedade brasileira contemporânea, em que traços residuais de um patriarcalismo renitente - que pode ser traduzido como machismo ‑ e marcas ora veladas, ora visíveis de uma contundente discriminação - que pode ser traduzida como racismo - surgem como tônica de uma mal composta “identidade nacional”, a literatura de Geni Guimarães ganha estatuto de obra “elucidadora” de nossa realidade. Dessa forma, ela auxilia, para dizer o mínimo, não apenas no âmbito do imaginário social brasileiro, mas também em sua prática cotidiana, dos conceitos de sociedade multicultural e de sociedade pluriétnica, ambos direta ou indiretamente relacionados a práticas sociais voltadas para a valorização da diversidade, conceito que acaba incidindo sobre todos os planos da sociedade, do étnico ao religioso, do cultural ao político, valorizando saberes, culturas e atitudes historicamente marginalizadas, sejam elas relacionadas à figura da mulher, do negro ou de ambas.
A nosso ver, portanto, a literatura infanto-juvenil - e em especial a produção literária de Geni Guimarães ‑ pode desempenhar, além de todos os atributos estéticos próprios de sua natureza enquanto manifestação artística, papel decisivo no incentivo de uma sociedade que, por se afirmar como multicultural e pluriétnica, tende a valorizar seus componentes culturais marginalizados, tornando-os não apenas visíveis ao grosso da sociedade, mas, sobretudo, atuantes, dentro de um dinamismo social que preza pela justiça e pela equidade.
Natural da cidade paulista de São Manoel, Geni Guimarães afirma-se como escritora publicando poemas em jornais do interior paulista, logo destacando‑se como prosadora de talento, especialmente preocupada pelas questões de “gênero” e de “raça”, na medida em que sua produção literária destaca‑se, como ponto de vista temático, por assuntos relativos ao papel desempenhado pela mulher na sociedade brasileira e à posição que o negro ocupada nessa mesma sociedade, via de regra unindo essas duas preocupações na figura recorrente, em sua literatura, da mulher negra.
Assim, desde seus primeiros livros de poemas (Terceiro Filho, 1979; Da flor o afeto, da pedra o protesto, 1981), em que se tematiza, com aguçado estro poético, o motivo literário do ser negra, até sua prosa mais recente (Leite do peito, 1988), com destaque para A cor da ternura (1989), que já ultrapassou uma dezena de edições, questões relacionadas à mulher e ao negro tornaram-se verdadeiros Leitmotive de sua produção literária. O objetivo deste artigo é analisar seu romance infanto-juvenil A cor da ternura, destacando aspectos relacionados tanto à questão racial - como a afirmação identitária do negro - quanto à questão do gênero ‑ como o papel da mulher na sociedade brasileira.
A cor da ternura: entre o gênero e a raça
A cor da ternura é uma obra que transita, de modo dinâmico e participativo, em pelo menos três “vertentes” de nossa produção literária: na literatura infanto-juvenil, na medida em que, por motivos diversos, não apenas expressa uma visão de mundo “própria” da criança e do adolescente, em seu processo de crescimento e desenvolvimento psicológico e social, mas também por apresentar, do ponto de vista estético, aspectos mais ou menos comuns às narrativas produzidas dentro do horizonte de expectativa do leitor jovem e mirim; na literatura afro-brasileira, já que, além de abordar uma temática recorrente a essa “vertente” de nossa produção, a questão do negro na sociedade brasileira, e além de apresentar elementos estruturais que justificam essa filiação, por exemplo, a centralidade de personagens negros ou a assunção de um eu negro como voz autoral, insere-se num arcabouço ideológico marcadamente vinculado ao universo da afrodescendência; na literatura feminina, uma vez que, seja por meio da autora, seja por meio da protagonista, além de trazer para o plano da narrativa temas relativos à questão de gênero, exprime, ao longo de toda a trama, uma voz feminina, responsável por sua condução, definindo, de certo modo, o feitio da própria narração e impondo ao leitor uma espécie de visão da mulher sobre uma sociedade de tradição patriarcal.
Nesse sentido e resumindo, A cor da ternura consiste numa narrativa protagonizada por uma menina negra que, inserida num determinado contexto social e a partir de uma mundividência singular, exprime os anseios, os desafios e as necessidades de seu grupo social e de seu meio familiar, mesclando, para usar um jargão técnico da Teoria Literária, aspectos do Bindungsroman e da Autoficção. Assim, sob a perspectiva do eu-enunciador, na narrativa de Geni Guimarães as questões racial e de gênero se interpõem de modo deliberado, resultando num discurso literário em que a mulher negra torna‑se o centro da narração e do enredo.
É o que se percebe, por exemplo, ao atentarmos para o tratamento dado pela autora à questão de gênero no “romance”, surgido logo de início, nas conversas entre Geni (a protagonista) e seu pai, que, ao responder à pergunta da filha - “Pai, o que mulher pode estudar?” (GUIMARÃES, 1991, p. 72), afirma, numa autêntica reprodução das relações de gênero assimétricas, presentes em nossa sociedade: “Pode ser costureira, professora...” (GUIMARÃES, 1998 p. 72), completando seu raciocínio de modo inesperado: “Deixemos de sonho” (GUIMARÃES, 1998 p. 72). O auge dessa questão, contudo, evidencia‑se quando Geni ‑ seja por meio dos seios que crescem, seja por meio da experiência da menarca - descobre-se mulher, em capítulo homônimo; e, num trecho que sintetiza poeticamente essa revelação, encerrando a passagem da infância/adolescência para a fase adulta, expõe, em palavras contundentes:
A questão de gênero, em especial na obra aqui analisada, antecipa a questão racial, uma vez que a ela se vincula quase que naturalmente, sobretudo por se tratar, como dissemos acima, de autora e personagem negras. Com efeito, não é incomum que ambos os universos (o da mulher e o do negro) se encontrem de modo mais ou menos orgânico, numa sociedade, como também assinalamos acima, historicamente machista e racista como é a brasileira.
Em estudo sobre a literatura afro-brasileira feminina no Brasil contemporâneo, Maria Aparecida Salgueiro (2003, p. 803), lamentando o fato de as escritoras afro-brasileiras contemporâneas (entre elas, Geni Guimarães) não terem obtido, ainda, o reconhecimento merecido por seu trabalho, destaca o tratamento dado por elas à temática da identidade, a partir da qual buscam retratar, entre outras coisas, “a razão e o coração da mulher negra brasileira” e discutir, de modo mais sistemático, assuntos mais abrangentes e complexas, dentro do universo da mulher negra:
escrevendo da perspectiva da ‘mulher’ e ‘negra’, nossas escritoras de origem africana examinam a individualidade e as relações pessoais como uma forma de compreensão de questões sociais complexas. Analisando dados como racismo e sexismo, institucionalizados não só na sociedade mas também na própria família e relações íntimas, as referidas autoras focalizam dilemas que atingem a todos, independente de raça ou sexo (SALGUEIRO, 2003, p. 798).
Assim vinculada à reflexão acerca do gênero, que desde o início se impõe à narrativa brasileira contemporânea, a questão racial ocupa, em A cor da ternura, um espaço relevante, como veremos na sequência.
O encontro entre a literatura infanto-juvenil e as relações étnico-raciais resulta num complexo conjunto de manifestações artístico-literárias que Luiz Fernando França (2008) subdividiu da seguinte maneira: obras que tematizam o universo da cultura africana e afro-brasileira; obras que tematizam o preconceito racial diante da realidade social contemporânea; obras que tematizam a escravidão; obras que tematizam a identidade negra e a diversidade cultural do Brasil; e obras que, sem abordar diretamente a questão racial, apresentam o negro como personagem literária, em situação de igualdade com os outros personagens. Seu quadro exprime bem a diversidade de perspectivas que podem ser adotadas para se tratar da conjunção entre a literatura infanto-juvenil e as relações étnico‑raciais, revelando o quanto semelhante abordagem pode ser rica e complexa. Sem entrarmos no mérito da subdivisão proposta ‑ já que as subdivisões e historicizações literárias delas resultantes nunca estão isentas de críticas ‑, vale ressaltar que esta discussão pode‑se adensar ainda mais se levarmos em consideração a dificuldade em simplesmente se caracterizar essa literatura, que para a crítica especializada se define ora como uma literatura negra, ora como afro-brasileira, ora ainda como afrodescendente. A exposição sucinta da ques tão, como fazem Florentina Souza e Maria Nazaré Lima (2006, p. 24), nos dá uma ideia mais precisa de sua complexidade do tema:
a denominação ‘literatura negra’, ao procurar se integrar às lutas pela conscientização da população negra, busca dar sentido a processos de formação da identidade de grupos excluídos do modelo social pensado por nossa sociedade. Nesse percurso, se fortalece a reversão das imagens negativas que o termo ‘negro’ assumiu ao longo da história. Já a expressão ‘literatura afro-brasileira’ procura assumir as ligações entre o ato criativo que o termo ‘literatura’ indica e a relação dessa criação com a África, seja aquela que nos legou a imensidão de escravos trazida para as Américas, seja a África venerada como berço da civilização. Por outro lado, a expressão ‘literatura afro-descendente’ parece se orientar num duplo movimento: insiste na constituição de uma visão vinculada à matizes culturais africanas e, ao mesmo tempo, procura traduzir as mutações inevitáveis que essas heranças sofreram na diáspora.
De qualquer maneira, independentemente da “divisão” que se faça da produção literária vinculada às questões étnico-raciais e da “definição” que suas diversas manifestações podem assumir, o fato é que essa produção não prescinde de uma agency que resulta numa conscientização da identidade negra (BERND, 2010), por isso mesmo inserindo-se no contexto da formação da sociedade brasileira.
Se pensarmos especificamente na questão da personagem negra presente na literatura infanto-juvenil brasileira, tal como a percebemos no livro aqui analisado, não será difícil detectar, entre outras coisas, um tratamento diferenciado dado a brancos e negros, como revela a célebre pesquisa de Fúlvia Rosemberg (1985), que, analisando 168 livros infanto-juvenis brasileiros (num total de 626 histórias), no período de 1955 a 1975, aponta ‑ nos textos e nas ilustrações ‑ para a ocorrência de personagens brancas como as mais frequentemente representadas como modelos da espécie humana, apresentando atividades profissionais mais diversificadas, recebendo melhor acabamento estético, representando figuras e personagens históricos mais relevantes etc., o que pode resultar, por fim, não apenas na instauração de um processo discriminatório de fato, mas também de uma violência simbólica (LIMA, 2005). Contudo, é preciso lembrar que, ao se pensar nessa questão de forma similar, mais de duas décadas depois, perce be-se, por exemplo, que, embora a figura do negro continue pejorativamente marcada no imaginário brasileiro, gerando preconceitos diversos, há atualmente uma produção literária infanto-juvenil que já aponta para um movimento de transformação desse padrão, com a publicação de obras que procuram valorizar a figura do negro e realçar uma identidade construída a partir da diversidade (KNOP, 2010).
A cor da ternura afirma-se, a nosso ver, como uma obra que vem ao encontro dessa atual tendência em revelar a importância sociocultural do negro para a sociedade brasileira, mas o faz não a partir de uma perspectiva otimista e entusiástica, optando, antes, por uma representação um tanto crítica da posição que o negro – e, no caso aqui apresentado, a mulher negra – assume em nossa dinâmica social. A importância da personagem negra na obra em tela é alcançada, portanto, por meio da exposição dos preconceitos e discriminações vivenciadas pelo/a negro/a em nossa sociedade, como a demonstrar, por contraste, o absurdo dessa situação na contemporaneidade.
Assim, verifica-se, ao longo da narrativa, toda uma representação dos estereótipos e preconceitos em torno do negro, retratando desde problemas relativos à identidade afrodescendente, a protagonista, por exemplo, afirma que gostaria que a água da chuva retirasse sua “tinta”, até preconceitos que nascem de crendices populares, como a ideia de que as galinhas pretas só servem para despachos. A consciência da “diferença” racial, socialmente representada e sustentada por modos diversos de discriminação, já começa na infância, dentro de casa, como quando, ao se referir a uma colega da escola de Geni, protagonista da história, sua mãe afirma peremptoriamente: “- Mas Janete é branca...” (GUIMARÃES, 1991, p. 48), afirmação que levaria, mais tarde, a mesma protagonista a uma reflexão semelhante: “Eu era negra... a Janete branca...” (GUIMARÃES, 1991, p. 52). A questão do negro, em A cor da ternura, passa ainda pela “discussão” acerca dos ícones e religiões africanas, já que, a certa altura, afirma-se que o “espírito maligno” de Zumbi deveria ser afastado e substituído pelo da menina Izildinha.
Vítima de xingamentos preconceituosos, como “boneca de pixe”, “cabelo de bom-bril” etc., Geni precisa constantemente lidar com o dilema entre a afirmação identitária e a simulação de que nada estava acontecendo. Essa é uma questão que, vinculada diretamente à cor da pele, diz respeito à identidade negra:
com efeito, em A cor da ternura, a cor da pele ganha foros de tema fundamental, estruturante mesmo, do livro de Geni Guimarães. Desse modo, essa história simples de uma menina negra, que relata sua vida da infância à idade adulta, traz como tema recorrente não apenas a questão da cor da pele, mas principalmente a superação do preconceito sofrido em razão dela, apesar do tom dramático que, às vezes, a narrativa alcança: “assim que terminou a arrumação, ela voltou para casa, e eu juntei o pó restante e com ele esfreguei a barriga da perna. Esfreguei, esfreguei e vi que diante de tanta dor era impossível tirar todo o negro da pele” (GUIMARÃES, 1991, p. 69).
Esse tom dramático, contudo, que não dispensa, aliás, uma abordagem do problema pela ótica “religiosa”, como em “Mãe, se chover água de Deus, será que sai a minha tinta?” (GUIMARÃES, 1991, p. 10), e em “me vi descompromissada de chamá-lo de menino Jesus [...] Era negro” (GUIMARÃES, 1991, p. 22), é atenuado pela adoção do olhar da criança que, sensível, desvela o mundo ao redor. E para além desse olhar sensível, tem-se o conflito instaurado entre o mundo infantil e o adulto, em geral, mas não necessariamente, mediado pela questão étnico‑racial:
o Zezinho se misturou nas besteiras dos homens e estes, do tamanho natural, não me davam espaço para alcançá-los, nem faziam nada para que eu, no mínimo, pudesse ter passadas mais longas [...] Quando eu perguntava de que cor era o céu, me respondiam o óbvio: bonito, grande, azul etc. Não entendiam que eu queria saber do céu de dentro. Eu queria a polpa, que a casca era visível. Por isso foi que resolvi manter contato com as pessoas só em casos de extrema necessidade (GUIMARÃES, 1991, p. 35).
Assim, pode-se dizer que um dos méritos do livro é tratar de temas tão contundentes e polêmicos, como o da negritude, do racismo, dos preconceitos etc., geralmente vinculados à questão de gênero, sem decair no proselitismo ideológico; a narrativa ganha, assim, em leveza e fluência, e o texto consegue defender uma causa sem ser tendencioso. Boa parte dessa peculiaridade advém, com certeza, do fato de a autora ter escolhido para protagonista da trama uma criança, além de tudo aparentemente tímida e insegura. E, como complemento, pode-se dizer que poucas obras de nossa literatura - mesmo a “adulta”! - possuem um final tão sensível, poético e exemplar quanto esse de A cor da ternura:
E sentimentos placentários escaparam do útero, meu útero das minhas raízes, grafaram as leis regentes de todos os meus dias [...] Sou, desde ontem da minha infância, bagagem esfolada, curando feridas no arquitetar conteúdo para o cofre dos redutos [...] Messias dos meus jeitos, sou pastora do meu povo cumprindo prazerosa o direito e o dever de conduzi-lo para lugares de harmonias. Meu porte de arma tenho‑o descoberto e limpo entre, em cima, embaixo e no meio do cordel das palavras (GUIMARÃES, 1991, p. 93).
Meu útero... minhas raízes... meus dias... meus jeitos... meu povo... sou... tudo parece ser uma questão de identidade, em especial, a identidade negra e feminina. Como lembra Gabriela Araújo e Rosilda Bezerra (2014), essa perspectiva da construção identitária negra mostra-se de modo recorrente em A cor da ternura, tema igualmente destacado por Luciani Capelin e Rosângela Marquezi (2015, p. 576), para quem “a forma positiva com que as personagens são apresentadas na obra A cor da ternura faz com que a identidade afrodescendente seja observada positivamente, valorizando-se a cultura negra e o respeito às raízes ancestrais”.
Considerações finais
Buscando refletir acerca dos vínculos entre a literatura infanto-juvenil e questões de natureza étnico-racial, partimos do princípio de que, como já se afirmou mais de uma vez (JAMIR E SILVA, s.d.), assumir/incluir posicionamentos éticos nos textos literários para crianças e jovens, especialmente voltados para as relações étnico-raciais, não significa limitar o potencial estético das obras. A partir desse ponto de vista, não hesitamos em afirmar que a literatura infanto-juvenil direta ou indiretamente vinculada às relações étnico‑raciais pauta‑se ou deveria pautar-se por atitudes de valorização da cultura afro-brasileira, de estímulo à (re)construção de uma identidade afrodescendente, de resgate da autoestima, dos valores culturais, dos direitos, da memória e da identidade do negro, desfazendo injustiças seculares e ressemantizando o conceito de negritude a partir de um agenciamento afro-brasileiro, atitudes, por fim, norteadas pelos princípios genéricos de multiculturalismo e pluralidade étnica.
Sendo mulher e negra, Geni, a protagonista da narrativa em causa, e Geni, sua autora, compõem, em conjunto, uma única e mesma identidade, convivendo num mundo em que, embora a figura masculina seja prevalente, é a mulher, no final das contas, em especial a mulher negra que faz a grande diferença na luta contra os preconceitos e discriminações que permeiam as relações sociais no Brasil contemporâneo. E A cor da ternura, para além de todo o seu inquestionável valor literário, torna-se, nesse contexto, uma importante referência de luta e resistência étnico‑racial.
* Texto originalmente publicado na revista Via Atlântica, da USP, em novembro de 2024. A publicação foi gentilmente autorizada pelo autor. Disponível em https://revistas.usp.br/viaatlantica/pt_BR/article/view/145838/216376 - acesso em 11 agosto 2026.