LIVROS E LIVROS
Dizia: “Nunca estamos sozinhos dentro da mata, Magrela. Bicho e árvore o tempo todo tão observando a gente. E não pense que eles são bobos. Falam entre si. Quando um madeireiro derruba uma árvore grande, uma castanheira, por dizer assim, ela tem raízes entranhadas terra abaixo, não morre sozinha. Leva junto as árvores do entorno, sua queda puxa as outras. A terra treme e ruge, e a árvore maior cai esperneando com as menor. A natureza ...
João Melo é reconhecido escritor e poeta angolano. Nasceu em Luanda e possui formação acadêmica bastante diversificada: estudou Direito, em Coimbra (Portugal) e em Luanda (Angola); licenciou-se em Jornalismo, na Universidade Federal Fluminense, e é mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, as duas últimas são reconhecidas Universidades brasileiras. Como jornalista, atuou em importantes veículos de comunicação, como a Rádio Nacional de Angola, o Jornal de Angola e a Agência Angola Press. Ent...
Todas as manhãs junto ao nascente [dia ouço a minha voz-banzo, âncora dos navios de nossa memória. E acredito, acredito sim que os nossos sonhos protegidos pelos lençóis da noite ao se abrirem um a um no varal de um novo tempo escorrem as nossas lágrimas fertilizando toda a terra onde negras sementes resistem reamanhecendo esperanças em nós. Conceição Evaristo A primeira edição do livro Escrevivências: identidade, gênero e violência na obra de Conceição Evaristo foi publicada ...
O gosto de Nilma Lino Gomes por ouvir e contar histórias é um traço herdado de sua mãe e presente em sua vida desde a infância. Ao tornar-se professora, interessou-se pela cultura negra no Brasil e em África a partir de trabalhos relacionados à origem das práticas da oralidade. Em sua trajetória conheceu pessoas que lutam e ensinam a lutar por uma sociedade mais igualitária e valorizam a cultura afro-brasileira. Inspirada pelos ensinamentos de sua mãe, Nilma p...
Trabalhando há mais de 15 anos nos campos do Maranhão e da Bahia e caminhando por lugares distantes que por vezes pareciam inatingíveis, fui convencido de que a história de grande parte de nossa sociedade permanece soterrada. Se por muito tempo ela foi escrita e documentada pelos “vencedores”, apagando ou reduzindo a nada o que não era considerado significante, podemos afirmar também que continuou a ser transmitida oralmente por famílias e comunidades como forma de resistir...