LIVROS E LIVROS
No exato momento em que escrevo este texto ou que vocês, leitores e leitoras, lhe dão ouvidos, possivelmente passam despercebidos, quando não permanecem invisíveis à pressa dos paulistanos, os “lugares de memória”, assim chamados pelo historiador francês Pierre Nora, dedicados a Luiz Gama na cidade de São Paulo. Nascido em Salvador em 21 de junho de 1830, ao final da vida ele fora reconhecido como um dos mais “ilustres cidadãos” da capital paulista, onde residiu por mais de quarenta anos. Um passeio atento nos faria descobrir o imp...
33 emparedadas na lamaentre as frestas das paredesemparedadassobre o sândaloo mormaço tramado pelas ranhurascom as órbitas entalhadasemparedadas nesse poçopara que em suas fendastodo murmúrio seja rocaemparedadas nesse poçosustêm a brandura da água Eliane Marques2021 Quando se lê o novo poemário de Eliane Marques, intitulado O poço das marianas, publicado pelo selo Orisun Oro, da Escola de Poesia, está-se diante de uma explosão das camadas significantes, de uma poética que se cria, p...
Literatura, exclusão e desafios da crítica Regina Dalcastagnè*Laeticia Jensen Eble**
Em tempos de ruptura democrática e de recrudescimento dos discursos fascistas – que se estabelecem contra os direitos dos trabalhadores, mas também das mulheres, dos negros, dos índios, dos moradores das periferias, da população LGBT, contra sua inserção social e contra suas formas de expressão – refletir sobre as possibilidades da literatura é um gesto mais do que urgente. Não porque se acredite ingenuamente que a literatura possa, por si mesma, promover a transformação da sociedade e da política. Mas porq...
A rolinha e a raposa, de autoria de Elio Ferreira, com belíssima ilustração de Antonio Amaral, livro muito bem elaborado, com um projeto gráfico bem cuidado e perfeita sintonia entre o verbal e o não verbal, é uma obra que tem como destinatário preferencial o leitor criança. Trata-se, portanto, de literatura infantil com interface na cultura popular ou folclore. Na realidade, é um reconto, como o próprio autor informa em texto de abertura do livro que diz assim: “A rolinha e a raposa é uma entre muitas histór...
Carolina Maria de Jesus é um signo. Uma mulher preta insubmissa. Altaneira. Um caminho luminoso que se abriu na mata fechada. Uma clareira. Uma revolução. Sabe dela quem sabe das bifurcações de cada gesto, quem sabe dos desafios de si, quem colhe vento de mudança porque antes lutou pelas mudas de ousadia. Carolina é uma estrada. Sua grande marca na literatura é aquela que sinaliza a nossa cor, a nossa cara, a nossa resistência, a nossa herança. De tudo que ela nos deixou, ficou principalmente o sim, eu escrevo. “– ...