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Publicações I Colóquio de Semiótica Organização: Prof. Luiz Claudio Vieira de Oliveira e Profa. Márcia Arbex Faça download dos arquivos que compõem o Livro do I Colóquio de Semiótica clicando nos links abaixo. O Primeiro Colóquio de Semiótica da Faculdade de Letras da UFMG, realizado pelo NES – Núcleo de Estudos Semiológicos, no ano de 2000, teve o mérito de trazer para o âmbito da Faculdade, de forma sistemática, a discussão de questões semióticas levantadas por pesquisadores com diversos interesses. Pode-se dizer que a marca desse Colóquio foi a diversidade e a heterogeneidade. Considerando-se a multiplicidade do objeto da Semiótica e a inexistência de um método único de abordagem desses objetos, pode-se dizer que tal pluralidade reafirma as proposições dessa disciplina, em suas diversas abordagens teóricas e em seus diversos campos de atuação, que oscilam da zoossemiótica à antropossemiótica, passando pelo estudo das linguagens musical e gestual, das linguagens fotográfica, cinematográfica e pictórica, bem como pela linguagem poética e publicitária. O objetivo básico do Primeiro Colóquio de Semiótica era o de trazer à tona as pesquisas realizadas no âmbito da Faculdade de Letras para, a partir daí, possibilitar a execução de projetos comuns, reunindo os diferentes pesquisadores. Esse era também o objetivo do NES – Núcleo de Estudos Semiológicos, fundado em 1999, e aberto a todos os pesquisadores da FALE, e de outras unidades da UFMG, interessados em realizar pesquisas nessa área. O Colóquio, além de professores e alunos da FALE, atraiu também pesquisadores de outras cidades de Minas Gerais, extrapolando sua intenção original, de caráter local. Os textos reunidos para esta publicação refletem a pluralidade de que falamos, sendo vários os objetos de estudo — sistemas verbais e não-verbais — e diferentes as abordagens metodológicas da Semiótica. Assim, torna-se possível, para o leitor, perceber a diversidade de seus objetos e a amplitude de seu campo, o que a torna atrativa, por um lado, e bastante difícil, por outro. Desde seus primórdios, seja com Ferdinand de Saussure, um dos primeiros a formalizar a necessidade de uma semiologia que desse conta do universo dos signos, seja com Julia Kristeva, que declara a inexistência de um objeto e de um método específicos para a semiótica, seja com John Deely ou com Umberto Eco, que teorizaram profundamente a semiótica, de origem peirceana ou saussureana, o que ressalta é a dificuldade de se trabalhar com a Semiótica/Semiologia. Como a ciência pretende ter um objeto específico e um método bem delimitado, a amplitude da Semiótica, cujo objeto é imprevisível e inumerável e cujo método é apropriado de métodos de outras ciências, parece, a muitos, como não científica. Quando se fala em Semiótica ou em Semiologia, não pretendemos discutir a primazia de um dos termos sobre o outro. Isso, além de estéril, é bizantinice. A nosso ver, o importante é a questão da semiose, ou seja, a produção de sentido. Dessa forma, consideramos, com Julia Kristeva, que "a semiótica torna-se o lugar em que a ciência se interroga sobre a concepção fundamental da linguagem, sobre o signo, os sistemas significantes, sua organização e sua mutação".[1] Portanto, cada texto desta publicação trata, com um enfoque semiótico particular, da forma como se produziu o sentido no objeto posto em análise. Esta é a questão que consideramos realmente relevante. Assim, o texto sobre Vicente Huidobro destaca o trabalho com o significante, com o espaço da página, com os caligramas como forma de ruptura de uma poética tradicional e de trabalho semiótico. O artigo sobre Guimarães Rosa irá enfocar a questão da polifonia, da enunciação, do humor e do absurdo como modos de romper o sentido esperado e de propor novas relações e novos sentidos. A tradução intersemiótica é abordada no artigo sobre Peter Greenaway, que compara os códigos fílmico e teatral e o processo de tradução e apropriação que o cinema fez da peça de William Shakespeare. O artigo sobre educação à distância e mediação semiótica irá abordar a estrutura discursiva do Telecurso 2000 (1º grau), utilizando instrumental teórico buscado à Semiolingüística, com o objetivo de estudar os processos de significação como condição dos processos de aprendizagem via educação a distância. Dois outros textos tratam das relações entre literatura e pintura. Um deles irá estudar tais relações no surrealismo, considerando a obra do pintor Max Ernst, ele próprio pintor e poeta, partindo da hipótese que ambas as artes utilizam o recurso da colagem. Assim, o processo de produção de sentido passaria pela intertextualidade e pela intericonicidade. O outro texto realiza um trabalho comparativo entre as obras de Orides Fontela, poeta brasileira, e de Piet Mondrian, a partir do questionamento dos conceitos de representação e de mimese. A publicidade, cuja potencialidade semiótica é notória, é analisada em dois textos. O primeiro deles trata da pontuação em textos publicitários da década de vinte e atuais, num trabalho comparativo, como um recurso de interlocução entre escrevente e leitor. O segundo texto irá pesquisar a representação feminina e a construção da identidade da mulher nos pequenos anúncios publicados em jornal, sob a rubrica de “Relax” ou “Massagem” através do levantamento e da análise dos signos eróticos presentes nesses anúncios. Apresentamos, portanto, ao leitor, algumas das pesquisas que foram divulgadas e discutidas durante o Primeiro Colóquio de Semiótica e que vêm sendo desenvolvidas por professores e pesquisadores desta Faculdade de Letras, em um amplo painel de análises semióticas, em que foram empregados enfoques teóricos e metodológicos diferentes. Os ensaios aqui apresentados são o resultado de um trabalho árduo e paciente na tentativa de se ligar os vários pontos e tecer os múltiplos fios que surgem a cada momento no processo da constituição do sentido. Este é um trabalho intertextual e, mais que isso, hipertextual, no sentido que Pierre Lévy atribui a hipertexto, como uma ligação sempre crescente de vários textos, um remetendo a outros, e mais outros, num processo semiótico sem fim, que Verón chamou de semiose infinita. Os textos que compõem esta publicação, na sua pluralidade, revelam apenas algumas das camadas de sentido possíveis cuja totalidade talvez nunca cheguemos a desvendar plenamente.
[1] KRISTEVA, Julia. Langage et langages. In: ________. Le langage, cet inconnu. Paris: Seuil, 1981, p. 292.
ARTIGOS Vicente Huidobro: a ruptura como impulso criativo - Mariana de L. Muniz A Polifonia em "Nós, os Temulentos" de Guimarães Rosa - Sídnei Cursino Guimarães A Última Tempestade de Peter Greenaway como tradução intersemiótica de A Tempestade de William Shakespeare - Érika V. Costa Poéticas do Silêncio: Orides Fontela e Mondrian - Alexandre Rodrigues Costa Educação a Distância e Mediação Semiótica: uma relação necessária - Maria Tereza da Cunha Coutinho O caráter enunciativo da pontuação na publicidade - Maria de Nazareth S. S. Guimarães Intertextualidade e Intericonicidade - Márcia Arbex Fragmentos de Mulher: leitura semiótica do corpo feminino em
anúncios de jornal - Luiz Claudio Vieira de
Oliveira Livro Completo (compactado)
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