Apresentação

 

Objetivo

O objetivo do III Encontro sobre a diversidade linguística em Minas Gerais - DIVERMINAS é congregar pesquisadores (professores, estudantes de pós-graduação e de graduação) que têm se dedicado ao estudo da diversidade linguística em Minas Gerais, seja em seu sentido estrito – a diversidade da língua portuguesa no estado, contemporânea e pretérita –, seja em seu sentido lato – outras presenças linguísticas que não da língua portuguesa. Nesse sentido, pretende-se dar prosseguimento às discussões empreendidas nas duas versões anteriores do evento – I e II DIVERMINAS, realizados, respectivamente em Ouro Preto e em Mariana, em 2010 e 2015.

Histórico

A idealização desta série de encontros surgiu da constatação, por parte de pesquisadores da FALE/UFMG e do ICHS/UFOP, de já existir, à época do I Encontro (2010), um volume considerável de trabalhos científicos sobre a diversidade linguística de Minas Gerais, produzidos por pesquisadores (docentes e discentes) das Universidades acima nomeadas e também de outras. Tais trabalhos, contudo, careciam de uma reunião e de uma organização que possibilitassem a obtenção de: 3 (a) maior visibilidade do que vinha sendo produzido pelos pesquisadores esparsos pelo estado de Minas Gerais e de outros pesquisadores sobre Minas Gerais; (b) o estabelecimento de novas metas, que permitissem uma continuidade do trabalho já realizado, com refinamento de metodologia e discussão de conceitos fundamentais, além de se firmarem parcerias entre as instituições participantes, no sentido de se constituir uma rede de pesquisas sobre o tema. Esse evento deveria servir, pois, como um espaço destinado à discussão desses aspectos e ao fomento de novas pesquisas, dando apoio à criação do mestrado em Letras do ICHS/UFOP, principalmente à linha de pesquisa Linguagem e Memória Cultural.

O I e II Encontros sobre a Diversidade Linguística em Minas Gerais foram realizados com sucesso em 2010 (8 a 10 de setembro, Ouro Preto/Mariana) e 2015 (22 a 24 de setembro, Mariana), respectivamente, conforme publicações (Cohen et al. 2011) e  vol. 4 (2016), no. especial do periódico Caletroscópio. Este III Encontro será sediado na Faculdade de Letras da UFMG e por seu programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos em parceria como o Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos da Linguagem, ICHS/UFOP em Mariana, já mencionado, e participação de docentes de outras universidades mineiras, como a UNIMONTES.

Devido à diversidade dos simpósios temáticos, que incluirão trabalhos de áreas diversas tanto da descrição linguística quanto da influência e repercussão das pesquisas de variação na Educação Básica, espera-se não só atrair um público diversificado, mas contribuir para a formação inicial e continuada de docentes no que se refere à variação linguística. Os estudos sobre a língua portuguesa no Brasil têm sido alvo de inúmeros grupos de pesquisa no país, desde a década de 1990, tendo se intensificado no início dos anos 2000. Muitos eventos vêm sendo realizados sobre o português brasileiro em geral, incluindo-se sua história. O evento que ora se propõe, em sua 3ª. edição, é o que atualmente congrega os trabalhos sobre o português mineiro, sua história e sua diversidade, além de outras manifestações linguísticas no estado, incluindo-se também trabalhos com dados de outras localidades, fora do estado, que dialoguem com os elaborados sobre dados mineiros.

Links dos eventos anteriores

1º Encontro sobre a diversidade linguística de Minas Gerais: cultura e memória (Ouro Preto, 8 a 10 de setembro de 2010)

II DIVERMINAS - Encontro sobre a diversidade linguística de Minas Gerais: cultura e memória (Mariana, 22 a 24 de setembro de 2015)

 

 

Breve histórico sobre os estudos a respeito das manifestações linguísticas em Minas Gerais

A abordagem dialetológica da situação de Minas Gerais, iniciada por Mário Roberto Zágari nos anos 1970 – que culminou no Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais, vol. 1 de 1977 (Ribeiro et al., 1977) – além de já ter propiciado muitas outras frentes de trabalho, como os de cunho mais sociolinguístico, constituiu elemento fundamental na concepção e iniciativa de criação do Diverminas.

Com base em dados do português de Minas Gerais há vários trabalhos, resultantes de dissertações/teses, alguns já reunidos em coletâneas como Cohen e Ramos (2002), Dogliani e Cohen (2011), Ramos e Coelho (2013), Viegas (2011; 2013) e outros. Mesas redondas em eventos já se dedicaram à língua portuguesa em Minas Gerais, como nos Congressos da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística) e em outros menores, locais, na UFMG, em Mariana e em Uberlândia.

Vários projetos retomam e redirecionam as atividades dialetológicas dos anos 1950-70, renovando-as, beneficiando-se de procedimentos da metodologia sociolinguística. Alguns se seguiram aos pioneiros Filologia Bandeirante (1998-2001 - Fapesp) e Pelas Trilhas de Minas: as bandeiras e a língua nas gerais (2002-2004, Fapemig). Surgiram também projetos como o ATEMIG (Atlas Toponímico de Minas Gerais) já com desdobramentos, e outros, como os de manuscritos mineiros, léxicos regionais, estudos da fala rural mineira (este em comparação à fala rural de outras localidades, como Goiás) que geraram/geram inúmeras dissertações/teses sobre a situação lingüística de Minas Gerais no presente e no passado.

Como atesta Salomão (2011, p. 202), o estado de Minas Gerais "tem se mostrado um celeiro para estudos voltados à documentação e constituição de um banco de dados relativo aos dialetos mineiros e à história do português brasileiro". E Amaral e Santos (2016, p. 1192), ao analisar os trabalhos que tratam do português falado em Minas Gerais durante o período de 1889 a 2014, verificam que "as pesquisas sobre o português falado no estado saíram de uma situação incipiente para outra de extrema fertilidade no início do século XXI".

A presente proposta está em consonância com as pesquisas atuais sobre a língua brasileira, propõe um aprofundamento do conhecimento sobre a língua portuguesa presente e passada do estado de Minas Gerais e abre a questão de outras línguas ou de seus remanescentes aqui existentes. Ao compararmos o conhecimento localizado que outras comunidades lingüísticas têm sobre si nas dimensões histórica, social e espacial, como o francês, o espanhol, o alemão ou mesmo o inglês, com o que dispomos sobre o português brasileiro, damo-nos conta da necessidade de preenchermos lacunas nos estudos sobre a língua do Brasil e no Brasil, particularmente em Minas Gerais.

 

Referências

 

AMARAL, Eduardo T. R. Estudo historiográfico de dissertações de mestrado sobre o português falado em Minas Gerais. Revista (Con)textos Linguísticos, v. 11, n. 18, p. 44-63, 2017.

AMARAL, Eduardo T. R.; SANTOS, Marcos P. As pesquisas sobre o português falado em Minas Gerais em 125 anos de história (1889-2014). Domínios de Lingu@gem, v. 10, n. 3, p. 1172-1201, 2016.

COHEN, M. A. A. de M. et al. Anais do 1º Encontro sobre a diversidade linguística de Minas Gerais: cultura e memória. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2011. 1 CD-ROM.

COHEN, M. A. A. de M.; RAMOS, J. (Orgs.). Dialeto mineiro: estudos de variação e mudança linguística. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2002.

DOGLIANI, E.; COHEN, M. A. A. de M. (Orgs.). Pelas trilhas de Minas: a língua nas Gerais. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2011.

RAMOS, J. M.; COELHO, S. M. Português brasileiro dialetal: temas gramaticais. Campinas: Mercado de Letras, 2013.

RIBEIRO, J. et al. Esboço de um atlas linguístico de Minas Gerais. Juiz de Fora: Fundação Casa Rui Barbosa/UFJF, 1977. vol.1.

SALOMÃO, Ana Cristina Biondo. Variação e mudança linguística: panorama e perspectivas da sociolinguística variacionista no Brasil. Fórum Linguístico, Florianópolis, v. 8, n. 2, p. 187-207, 2011.

VIEGAS, M. do C. (Org.). Minas é plural. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2011.

VIEGAS, M. do C. (Org.). Minas é singular. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2013.

 

 

 

 

 

 

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