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Uma Maria Inês de Almeida Eliana Lourenço de Rosângela Ruben Sônia Queiroz –
1 – A 2 – Uma 3 – A 4 – 6 – A 7 – As 8 – 9 –
Num Nesta Esta é uma E, no Um relatório recente da Fundação Nacional do Índio[4] revela que somente no médio rio São Francisco, na faixa dos estados de Minas Gerais e Bahia, na bacia do rio Doce e na faixa úmida do litoral sul da Bahia, encontramos 12 etnias: kaxixó, xakriabá, pankararu, xukuru-kariri, atikum, kiriri, tuxá, krenak, maxacali, pataxó, tupinambá e tupinikim. No Nordeste Brasileiro, geralmente desconhecidas do grande público, estão localizadas outras 34 sociedades indígenas.[5] Ao todo, segundo dados disponibilizados pelo Instituto Socioambiental, de São Paulo, existem, atualmente, 218 sociedades indígenas no Brasil.[6] Estas sociedades[7] já manifestaram por diversas vezes o desejo de ter acesso ao nosso sistema de educação e, mesmo assim, ou por isso mesmo, o desejo de viabilizar a manutenção de sua particularidade cultural. Sabemos que a Assembléia Constituinte incluiu no texto da Constituição Brasileira, promulgada em 1988, esse entendimento sobre o respeito às diferenças como condição da democracia. Mas, até hoje, parece não existir vontade política no cumprimento deste dispositivo legal: os quatro primeiros índios brasileiros que se tornarão médicos só conseguiram ingressar numa Escola de Medicina de Cuba! Como disseram José Jorge de Carvalho e Rita Segato, uma faculdade cubana, que não dispõe nem minimamente dos recursos com que contam as importantes universidades do Brasil, está ajudando este país a saldar a sua dívida de cinco séculos para com os índios![8] 1 – A constituição da diferença O contemporâneo traz em si não só a consciência das diferenças, mas também o apelo pelo respeito às necessidades particulares de cada grupo que reivindica seu reconhecimento como uma entidade marcada por uma história e uma visão de mundo específica. As chamadas políticas de identidade, surgidas na segunda metade do século XX, contribuíram para chamar a atenção dos cidadãos e dos poderes públicos para as conseqüências negativas das políticas de homogeneização e assimilação que marcaram a criação das nações. Assim, o estágio em que o mundo contemporâneo se encontra demanda, para seu próprio e constante progresso, ou mesmo para assegurar sua existência, um novo olhar sobre o outro. Esse olhar implica o reconhecimento da riqueza representada pelas formas singulares dos grupos não-hegemônicos, acompanhado pela busca da manutenção da diversidade cultural, ao mesmo tempo em que se procura integrar – e não assimilar – esses grupos ao todo social. Desse modo, mantém-se a diversidade cultural, buscando também remover as hierarquias étnicas e a disparidade de oportunidades, bem como estimulando as contribuições de todos os grupos para o conjunto da sociedade. Ao contrário da assimilação, o processo de integração não visa promover a absorção de uma cultura por outra, pois depende da preservação ou mesmo do fortalecimento dos grupos étnicos, já que, de certa forma, os grupos étnicos acabam por se tornar também grupos de pressão política, que competem pela participação nos bens da sociedade. A integração, assim, significa mais do que a coexistência das diferenças, pois implica a participação ativa de todos os grupos em busca de uma distribuição mais justa dos bens econômicos, culturais e políticos. No caso especifico do Brasil, a educação intercultural pode enriquecer as várias partes envolvidas, abrindo a cultura majoritária, oficial, para contribuições importantes, antes ignoradas ou menosprezadas. As histórias e as imagens que são trazidas pelas singularidades representam um manancial de informações – pluralidade de vozes, que, expressas e em circulação, revelam para muitos, na contemporaneidade, uma possibilidade concreta de democracia. Já se pode, atualmente, perceber os frutos do trabalho dos movimentos negros que, a despeito de todas as dificuldades e discriminações sofridas, já se mostram na revalorização de determinados traços culturais dos afro-descendentes e na sua incorporação à vida cultural, política e religiosa do país. No entanto, outro grupo minoritário brasileiro, os indígenas, acha-se ainda em fase inicial de consolidação de sua política de identidade. Um passo importante foi dado pela reinstauração do processo democrático no Brasil, que levou à necessidade de se rever o próprio texto da Lei Magna, a Constituição, deixando nela o traço de todos os grupos que participaram, naquele momento, do que se configurava como a sociedade civil. Com a participação dos índios, a Assembléia Constituinte incluiu no texto da Constituição Brasileira, esse entendimento sobre o respeito às diferenças como condição da democracia. Referindo-se à sociodiversidade, essa Constituição protege o direito de cada etnia manter sua integridade, podendo cultivar e transmitir suas tradições e particularidades. A valorização das 180 línguas faladas, das diversas cosmologias, das práticas religiosas e medicinais, das relações com a terra, tudo isto, pela Constituição, faz parte dos direitos à integridade das etnias. E, no que se refere à educação dos brasileiros, torna-se dever do ensino público abranger a diversidade etno-cultural do país. Ocorre porém que, de fato, a universidade brasileira só agora, e em conseqüência do trabalho efetuado por professores indígenas e seus assessores, assim como pela discussão trazida pelas propostas de inclusão de negros através do sistema de cotas, está se tornando sensível ao problema da discriminação e atentando para a urgência de a universidade pública atender à própria Constituição Federal. E foi em uma proposta elaborada por uma equipe de professores da UnB que encontramos a referência sobre a história da exclusão das chamadas, de forma inadequada, minorias: Em que pese ainda o pioneirismo da proposta de Darcy Ribeiro e o grande legado para o ensino brasileiro deixado por Anísio Teixeira, nenhum questionamento sobre essa desigualdade racial foi colocado desde a criação da Universidade de Brasília na década de 1960 até os dias de hoje. Ampliando mais esse quadro, as demais universidades federais, independente da região do país em que se instalaram, jamais colocaram em questão a exclusão racial por elas mesmas reproduzidas. Chegamos então ao século XXI com um grande passivo de reflexão sobre o tema e às vezes até uma recusa em admiti-lo. Isso nos deixou despreparados para reagir diante de uma nova agenda internacional de reparação dos excluídos e já retirou de nós, acadêmicos cuja missão deveria ser produzir conhecimento para guiar a nação em direção à igualdade e à justiça social, o papel de vanguarda. Claro que esse vazio de análise e proposta não foi causado por um despreparo de nossa academia e sim por uma decisão, bastante consciente, ao longo de mais de meio século, de construir um conceito particular de brasilidade que foi cristalizado na obra de Gilberto Freyre e destinado a encobrir o mais possível o escândalo (agora exposto como nunca antes) da discriminação sistemática sofrida pelos negros no Brasil. Esse discurso oficial do Brasil, desde a década de trinta até recentemente, consistiu numa celebração culturalista da mestiçagem e de uma suposta cordialidade de convívio inter-racial, paralelas a um silenciamento sistemático da desigualdade de vantagens imposta aos negros e aos índios. Meditar sobre a ausência atual de negros e índios na universidade é ousar revisar os pressupostos dessa brasilidade que ocultou deliberadamente um de nossos problemas mais profundos como nação.[9] 2 – Uma prática da diversidade Uma educação escolar que contribua para que os povos indígenas conquistem o pleno desenvolvimento de suas culturas e de suas expressões é, agora, um direito garantido em lei. A Constituição assegura, além do direito ao uso da língua materna, os processos próprios de aprendizagem, possibilitando, assim, a escola indígena diferenciada, específica, bilíngüe e intercultural: "O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”.[10] Em 1993, concretizando os direitos conquistados na Constituição, o Ministério da Educação publica o documento intitulado “Diretrizes para a Política Nacional de Educação Escolar Indígena”, elaborado para servir de referência básica aos planos operacionais dos estados e municípios em relação à educação escolar indígena. Este documento retrata a principal mudança quanto ao caráter da legislação brasileira, que passa a reconhecer o direito à diferença e a proteger as organizações sociais, os costumes, as línguas, as crenças e as tradições próprias das populações indígenas: A educação escolar indígena deve ser intercultural e bilíngüe, específica e diferenciada. a) cada povo tem o direito constitucional de utilizar sua língua materna indígena na escola, isto é, no processo educativo oral e escrito, de todos os conteúdos curriculares, assim como no desenvolvimento e reelaboração dinâmica do conhecimento de sua língua; b) cada povo tem o direito de aprender na escola o português como segunda língua, em suas modalidades oral e escrita, em seus vários registros - formal, coloquial, etc. c) a língua materna de uma comunidade é parte integrante de sua cultura e, simultaneamente, o código com que se organiza e se mantém integrado todo o conhecimento acumulado ao longo das gerações, que assegura a vida de todos os indivíduos na comunidade. Novos conhecimentos são mais natural e efetivamente incorporados através da língua materna, inclusive o conhecimento de outras línguas. Para as sociedades indígenas a preservação da identidade étnica significa a garantia da própria existência, e a escola passa a ser, nessa perspectiva, espaço positivo de sua reconstrução. Para que isto de fato ocorra, faz-se necessária a formação de recursos humanos indígenas, que assumam o papel de pesquisadores de suas próprias culturas. A Lei n° 9394/96 de Diretrizes e Bases, em seu Art. 78, também garante: Criação de programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades étnicas, a valorização de suas línguas e ciências; II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações e conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não indígenas. A mesma Lei de Diretrizes e Bases, em seu Art. 79, determina que a União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa, destacando ainda, em seu inciso 1°, que “os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas”. Desse modo, qualquer incentivo a esses programas servirá para pôr em prática um direito dos índios, assegurado pela Constituição: a participação ativa no planejamento de sistemas alternativos de educação, bem como na produção e divulgação de conhecimentos diferenciados – o que não deverá significar a exclusão dos indígenas do sistema educacional tradicional. 3 – A implantação da escola diferenciada em Minas Em 1995, lideranças indígenas pataxós, krenaks, maxakalis e xacriabás passaram a se reunir com professores da UFMG, agentes da FUNAI, antropólogos e funcionários da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, para que, neste estado, fossem garantidos os direitos constitucionais à educação escolar específica. A partir de então, a Secretaria da Educação, em parceria com os povos indígenas do estado e em convênio com a UFMG, o IEF (Instituto Estadual de Florestas) e a Administração Regional de Governador Valadares da FUNAI, vem desenvolvendo o Programa de Implantação de Escolas Indígenas de Minas Gerais, que se baseia na autonomia didática e no respeito à identidade cultural, promovendo uma ação continuada de pesquisa, estudo e produção. Nos sete anos de atuação, este Programa criou seis escolas (funcionando em 34 endereços, nas aldeias pataxós, no município de Carmésia; krenaks, em Resplendor; maxakalis, em Santa Helena; e xacriabás, em São João das Missões). O Programa continua monitorando essas escolas específicas, diferenciadas, interculturais e bilíngües nas aldeias; apoiando e participando da produção e edição de material didático/pedagógico adequado para essas escolas; promovendo encontros e seminários de educação escolar indígena em Minas Gerais e participando de encontros em outros estados. Para possibilitar nas aldeias um ensino diferenciado e de qualidade, o Programa realizou um curso de magistério, para os professores indígenas, cuja proposta curricular foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação em novembro de 1998. O Curso foi estruturado em 8 (oito) módulos de ensino presencial no Parque do Rio Doce, 7 (sete) módulos de ensino presencial e 7 (sete) módulos de ensino não presencial, no território indígena. Foram impressas duas publicações para divulgação e reflexão sobre a educação escolar indígena em Minas Gerais e oito livros de autoria dos professores indígenas. Dois destes livros foram selecionados pelo MEC para distribuição em todas as escolas indígenas do Brasil. Um outro, O Povo Pataxó e sua História, foi distribuído para toda a rede pública de ensino. Um Centro de Estudos e Pesquisas Indígenas (CEPI) foi criado pelas professoras Miriam Martins (PUC-Minas) e Lilavate Romanelli (UFMG) para abrigar a documentação produzida e coletada pelos participantes do PIEIMG (Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais). Este Centro ocupou, na época, uma das salas disponíveis no prédio do CECIMIG, anexo da FAE. A documentação – teses, monografias, fotografias, filmes, livros, periódicos, material didático, etc. – passou para a biblioteca da FAE e, atualmente, está sendo catalogada no projeto de extensão Banco de Dados, coordenado pelo professor Rogério Cunha. Formou-se, em dezembro de 1999, a primeira turma do magistério, constituída de 66 (sessenta e seis) professores indígenas maxakalis, pataxós, krenaks e xacriabás. Em novembro de 2000, uma nova turma de 70 (setenta) alunos iniciou seu processo de formação. O aprendizado sobre o que seriam as relações interculturais na escola, graças à convivência com os professores em formação e com suas comunidades, mas também graças ao diálogo constante com a longa experiência dos que coordenaram inicialmente esse curso de magistério, é o elemento que, na base, sedimenta a construção das idéias que presidem o trabalho desta Comissão. 4 – Abertura e experimentação: uma universidade possível Os professores indígenas de Minas foram formados através de um programa – o PIEIMG – que teve por princípio básico a construção teórica e conceitual conjunta, a partir da experimentação e da pesquisa, sempre com um sentido de processo em direção à criação coletiva. Desse processo participaram os professores indígenas e suas respectivas comunidades, professores e estudantes da UFMG, professores da rede pública e privada de ensino de Belo Horizonte. Um dos aspectos mais significativos desse projeto de educação escolar é garantir a autoria indígena, através do esforço para se imprimirem as marcas das diferentes tradições étnicas nos seus métodos pedagógicos. Os programas curriculares, os projetos pedagógicos centrados nos elementos Língua Indígena e Terra, as diferentes formas de organização escolar (em que tempos e espaços correspondem à lógica da aldeia e não à da cidade), o material didático (livros, cartilhas, jogos, vídeos, discos, cd-roms, feitos pelos próprios professores) e outros instrumentos pedagógicos (constantes reuniões com as respectivas comunidades; professores de língua e cultura indígenas contratados para atuar na escola, devido a sua representação política/espiritual e a sua sabedoria lingüística ou medicinal), tudo isso exemplifica uma prática que, na realidade, aponta um caminho para uma forma mais eficiente de conjugar as tradições orais de cada povo com as tradições escolares vigentes. Ao longo dos quatro anos de duração do curso de magistério indígena, uma metodologia baseada na pesquisa e na experiência a cada momento era repensada e reestruturada a partir de informações da prática didática dos cursitas, já contratados pelo estado e em exercício do magistério, mesmo antes de se formarem. Suas técnicas de ensino, suas conversas com as lideranças e com os velhos da aldeia, suas práticas escriturais, seus contatos interculturais (com os formadores, na maioria docentes da UFMG; com técnicos de órgãos públicos; com os colegas de outras etnias; com editores e jornalistas, etc.) são algumas das práticas novas que a criação da escola indígena transformou em laboratório do conhecimento sobre a interculturalidade e o plurilingüismo. Os 66 professores indígenas assim formados foram os que trouxeram à tona, em Minas Gerais, a discussão sobre a abertura das universidades para suas comunidades. Isso porque a implantação de suas escolas específicas e diferenciadas proporcionou a eles uma experiência metodológica em direção à consolidação de um paradigma educacional inclusivo, o que indica a possibilidade de novas formas de conhecimento, válidas diante, por exemplo, da comunidade científica internacional. Esse sonho, para ser realizado, necessariamente, deverá ser incorporado pela Universidade. 5 – Somos iguais e diferentes Para nós, pataxós, em primeiro lugar é a terra. Os nossos filhos vão sempre para a cidade estudar, trabalhar. Eles devem permanecer na terra. Como a terra, temos vários saberes a desenvolver e algumas coisas para o desenvolvimento das cidades. Através do meio ambiente podemos fazer um trabalho importante dentro da terra. Acho importante estudar medicina indígena, os saberes da ciência do nosso povo e saber tirar o recurso dali para garantir a sobrevivência do povo. Ter ele também, ali, o seu meio de vida. O espírito do povo tá ligado à terra, à poesia, à música e isto é muito importante como complemento da educação. As crianças podem vir e mostrar o valor destas coisas futuramente. O jeito de ensinar também é importante, isto faz a gente pensar na continuação do curso. Hoje é difícil você ver um índio antropólogo, nós precisamos disso aí. Estes cursos devem ter um jeito de ensino com a alma do índio. Outra coisa importante é o jeito da alma do povo, esta energia que vem de longe. O que está no universo? Saber lidar com o mundo lá de cima. Lá, o céu também pertence a nós. Um estudo para a integração da cultura, religião, filosofia... Saber lidar com estes caminhos, projetos de preservação da terra, identificar os principais problemas. Kanatyo Pataxó. Parque Estadual do Rio Doce,1999. A presença de representantes das comunidades indígenas na universidade brasileira é importante porque significa uma oportunidade de abertura ao diálogo entre as diferentes formas de expressão que denotam a diversidade cultural do país. Os variados matizes do que se denomina genericamente cultura brasileira têm como substrato pensamentos que jamais foram considerados por nossa tradição acadêmica. Para que isso acontecesse seria preciso ter dado voz aos que não escrevem. Seria preciso ter visto seus corpos para além da possível força de trabalho braçal, ter escutado suas vozes como portadoras de ciências, buriladas pela transmissão por centenas de gerações. As várias maneiras de acontecer dos processos coloniais: assimilação, mestiçagem, denegação, extinção, são como os povos historicamente se relacionaram. Refugados, muitas vezes no âmago de uma floresta, ficam entretanto os resíduos, objetos ou corpos inexplicáveis na sua inteireza, indícios de que ali mesmo persiste o outro. São esquecidos, às vezes intocados, mas continuam como signos ou potências periféricas onde se nutre, curiosamente, a totalidade forjada pelas forças que compõem o centro. A história do Brasil jamais deixou de recorrer a essas fontes, sem, no entanto, deixar que elas se configurassem como lugares de produção de sentido. O espaço nacional, desde o início da República, foi traçado do ponto de vista dos centros de poder. A universidade brasileira, em grande parte, é responsável pela escrita dessa história, e as comunidades periféricas – desses que não escrevem – apenas estiveram presentes na sua cadeia discursiva como objetos. Imediatamente após a entrada de um membro destas comunidades na condição de ator, ele se torna um transmigrado, uma exceção que foge à regra, um novo senhor a subtrair de seu grupo de origem uma força produtiva. A primeira condição para esse deslocamento é o abandono da própria língua como veículo de expressão do trabalho intelectual; a segunda é o afastamento da própria terra. No presente, os índios, cujas marcas da diferença paradoxalmente denunciam a anulação que sofreram no processo colonizador, podem trazer para a universidade brasileira, junto com seus conhecimentos tradicionais, os elementos básicos de seu aprendizado nos últimos anos, quando finalmente puderam criar com seus assessores não-índios suas escolas, nos seus próprios territórios e em suas linguagens próprias. Esse entrelugar, um litoral onde as periferias e o centro da nacionalidade se tangenciam e que se denomina interculturalidade, é o lugar da “possibilidade de um encontro impossível, que só se pode dar na radicalidade da diferença e da impossibilidade de se continuar ignorando a diferença ou de se fazer dela um eterno obstáculo”.[11] Aí se darão as condições para o desenvolvimento de uma nova episteme na produção acadêmica, por meio do reconhecimento de realidades outras – as terras e as línguas indígenas – que suscitarão novos olhares e novos deslocamentos, contribuindo para uma forma diversa de avanço nas ciências, nas artes, nas filosofias. Ao incorporar esses conhecimentos outros, a universidade estará dando mais um passo em direção a uma noção de conhecimento mais abrangente, o que poderá beneficiar a comunidade acadêmica como um todo. Assim, com a irrupção da oralidade dos povos originários do Brasil na escrita, na relação proposta com a comunidade acadêmica da UFMG, quando esta puder abrigar os legítimos representantes desses povos, teremos, contra o traço universalizante do Mesmo, o gesto organizado do Diverso (Édouard Glissant). A principal função social da universidade brasileira hoje, para nós, está na urgência de que as escritas da ciência e da história sejam irrigadas com a vitalidade do oral. As ciências e as artes, campos que se delinearam na chamada civilização ocidental através da escrita alfabética, e os saberes que, no seio mesmo dessa civilização, continuam a se desenvolver e a se transmitir oralmente, podem se colocar em diálogo, desde que se criem instâncias adequadas e produtivas. Gostaria de começar falando sobre esta questão da gente ter perdido o idioma. Aqui no parque perguntei para Ana Flávia porque o xacriabá deixou de falar no idioma. Eu pensava de achar um livro... e me mandou fazer uma pesquisa em vários livros que falavam da vida dos Xacriabás há muitos anos atrás.. Vinha da Bahia de Goiás e na época da invasão a igreja católica introduziu em 1728 o documento de doação da terra. Reuniu os índios ali, para ficar só naquele lugar, e eles eram proibidos de falar a língua, eram forçados a falar em português, iam ter de acompanhar religião católica e iam fazer tudo que era o costume. As crianças aprendiam desta maneira e foi perdendo.... Se nossos antepassados foram forçados a não fazer as danças, as pinturas, a falar na língua, nada que era da cultura deles. Fui conversar com minha mãe se ela saberia explicar, ela disse que não sabia, e também não podia teimar que eles até matavam. Aí eu fui entender toda a verdade que está registrada na memória dos mais velhos. A pesquisa bem analisada é muito boa, tem que verificar bem o sentido. Professor xacriabá. Parque Estadual do Rio Doce, 1999. O uso da língua representa a oportunidade de um jogo na vida social. Como um bem simbólico, dentre outros possíveis, a língua não visa somente à comunicação, mas antes é uma peça que se acrescenta no jogo comunicacional. Até mesmo a ressonância de um dado, uma cifra, como “180 línguas faladas, no Brasil, além do português”, veiculada pela mídia, modifica o contexto literário e cultural do país. Cria no leitor a expectativa de que novas linguagens poderão surgir no cenário cultural, porque outros sujeitos, diferenciados da porção hegemônica, estão ali. Fica então o convite para se tentar uma outra forma de aproximação. E somente o desenvolvimento dos diferentes estilos, ao invés da assimilação, garantiria a relação intercultural, em que novas formas apareceriam. Daí a importância da presença de outras vozes, outros corpos, outros textos. Quando, no concurso vestibular da UFMG de 2001 o livro bilíngüe Shenipabu Miyui fez parte da bibliografia indicada para a prova de literatura brasileira, o texto em língua kaxinawá, impossível de ser decifrado pelos candidatos, figurou como testemunho concreto da diversidade cultural brasileira e deu oportunidade aos estudantes de pensarem sobre o plurilingüismo como fator de enriquecimento de nossa literatura. Alguns indígenas, como os pataxós, os krenaks, os xacriabás, por exemplo, têm trabalhado para recuperar suas línguas nativas, através da pesquisa e da edição de textos orais realizadas por seus professores em formação. A universidade poderia participar desse processo como forma de: 1) colaborar na reconstituição de uma identidade que se sente como perdida, de uma diferença da qual restaram poucos sinais (no caso dos indígenas); 2) colaborar para mostrar que, em lugar de ser uma nação homogênea, o Brasil é formado por uma multiplicidade de grupos culturais e étnicos, que não são levados em conta, devido a seu caráter minoritário; que, para se pensar a nação como “muitos-como-um”, foi preciso apagar as diferenças internas que nos constituem. As formulações de Bhabha sobre a nação contemporânea podem iluminar um programa para as populações indígenas, pois ele chama a atenção para “a ambivalência da nação como uma narrativa estratégica – e como um aparato de poder”, o que “produz um deslizamento contínuo em direção a categorias análogas, ou mesmo metonímicas, como povo, minorias, ou ‘diferença cultural’, que se sobrepõem continuamente no ato de escrever a nação”. Assim, para se pensar o Brasil, como qualquer outra nação contemporânea, seria preciso estar consciente de sua liminaridade, “das interseções ambivalentes e quiasmáticas de tempo e lugar que constituem a problemática experiência ‘moderna’ da nação ocidental”. Em lugar do “todos-como-um”, como propõem as narrativas “pedagógicas” (homogeneizadoras) da nação, Bhabha propõe o “tempo performativo”, instável, mas sempre recriado, readaptado para o presente, de onde “emerge uma voz mais instantânea e subalterna do povo, um discurso de minoria que fala por entre os tempos e lugares.”[12] E fala também por meio de línguas e linguagens diversas, que, por sua vez, exigem uma abordagem diversa da educação. A questão lingüística, do modo como tem sido colocada pelas lideranças indígenas, foi um dos sentidos que norteou o Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais, ao investir, por exemplo, na produção de livros em krenak, xacriabá (português dialetal), pataxó e maxakali, dirigidos não só às escolas indígenas em criação, mas também ao público brasileiro em geral. Esses textos, ícones, prefiguram a presença corporal de um novo interlocutor, que, no entanto, sempre esteve ali, recalcado através das sobreposições de suas falas pelas escrita de outros. O que, para nós, garante a relação intercultural, porque se encontra na sua base, é o diálogo entre as diferentes vozes. Uma educação escolar baseada na produção textual e audiovisual, na autoria coletiva, no domínio das técnicas escriturais, eletrônicas e digitais nas suas diversas bases e instrumentos, não se justifica apenas pela necessidade de se viabilizar o acesso dos povos indígenas à universidade, mas, antes, pela oportunidade de produzirmos, conjuntamente, novos conhecimentos e metodologias. O que propomos com os indígenas, a inclusão de diferentes vozes, na Universidade, de certa maneira, se integra a um esforço das próprias vanguardas artísticas, de transformar em vantagem as supostas limitações de culturas que só tardiamente ingressaram no mundo da escrita. Acreditamos que as comunidades indígenas – pelas dificuldades de integração à sociedade brasileira, que lhe são impostas por todas as instituições que as cercam, inclusive Escola e Estado (sistematicamente escriturais), e pela impressionante resistência que soube conservar formas (míticas, artísticas), linguagens, princípios morais e religiosos – possuem hoje um enorme arsenal de conhecimentos tradicionais praticamente desconsierados pelas relações interculturais no Brasil. 6 – A universidade: uma condição para o diálogo? A partir de reuniões realizadas no último módulo do Curso de Magistério do PIEIMG, no Parque Estadual do Rio Doce, em julho de 1999, em que ficaram explícitos o desejo e a necessidade da continuidade de estudos dos professores em formação,[13] os professores formadores Kleber Gesteira e Matos, Marcia Spyer, Maria Inês de Almeida e Sônia Queiroz se encarregaram de trazer para a UFMG a demanda dos indígenas pelo ensino de nível superior. Essa demanda foi levada à Reitoria, naquele momento representada pela então Vice-Reitora, Profa. Dra. Ana Lúcia Almeida Gazzola. Imediatamente, foi proposta a elaboração de um projeto para criação de um curso experimental, específico e diferenciado, à distância, que poderia concorrer a um financiamento do Fundo FUNDEP. No ano de 2001, na UFMG, iniciou-se, portanto, um processo de negociações visando a atender às demandas por formação universitária dos indígenas nas diversas áreas de interesse, apontadas nas freqüentes conversas com os professores formados pelo PIEIMG: saúde, direito, educação, artes, meio ambiente, turismo, antropologia, administração, matemática, lingüística, geografia, saneamento, arquitetura. Um momento importante desse processo foi a realização de um seminário na FALE. Neste Seminário, em 22 de março de 2001, houve um encontro de representantes dos professores indígenas krenaks, maxakalis, xacriabás e pataxós com representantes da Secretaria de Educação e da UFMG – dentre os quais o então Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Nagib Cotrin Árabe –, em que foram explicitadas e discutidas as demandas que orientariam o início das negociações. Uma sessão foi dedicada à exposição do pensamento de cada sociedade indígena sobre o ensino universitário; outra, à descrição do sistema de ensino de graduação na UFMG; numa terceira, foi apresentada uma síntese das experiências brasileiras com o ensino universitário indígena. Formaram-se grupos de discussão em torno do seguinte roteiro: Roteiro para discussão nos grupos O que entendemos por educação universitária? O que o pessoal da aldeia espera da formação universitária dos seus jovens? Por que e para que buscamos a universidade, ou o que esperamos dela? Quais os caminhos os jovens das aldeias estão tomando para completar sua formação escolar? Quais os caminhos imaginados para chegar a uma profissão? O que entendemos por educação intercultural bilíngüe? Para quem deveria ser o curso a ser planejado por essa equipe que está se formando na UFMG? Quem seriam os parceiros para montar o curso? O que entendemos por ensino escolar diferenciado na universidade? Como imaginamos organizar o curso que estamos começando a planejar? Como seria a construção do currículo desse curso? Quais as ações devemos planejar para ajudar na elaboração do projeto de curso?[14] Considerou-se, a partir de então, de fundamental importância a construção processual de um programa institucional da UFMG para as populações indígenas, para não se correr o risco de perder a oportunidade de criar algo novo: uma educação que fosse fruto das parcerias estabelecidas com os sujeitos interessados e com os professores formadores. Foi considerada a demanda pela busca de autonomia por parte das sociedades indígenas, como bem expressam as palavras de Marcos Krenak: A comunidade não quer ver o branco, um enfermeiro, sem conhecer a nossa realidade. A gente quer que os próprios índios assumam o controle, não só da saúde, mas da agricultura, para fazer projetos com a Emater. Eu sou professor, mas existem outras funções que eu deveria exercer, ou um outro. Mas é preciso ter algum curso superior. Meu irmão sempre fala, um dia eu quero ser advogado, ele quer fazer um curso, e quem sabe ele vai ser mesmo um advogado e defender os direitos nossos? Existem outras pessoas com diferentes vontades também. Quantas vezes eu já cheguei perto de um parente lá e fiquei ouvindo ele falar: nós precisamos de um que lute por nós, que corra atrás dos problemas que temos. A gente precisa do branco também mas tem que ter alguém que tenha conhecimento lá fora. Como é que eu vou chegar num ministro da Cultura? Eu não tenho força, então, através de outros colegas brancos é que eu vou chegar lá. Nós fizemos um projeto com o ministério da agricultura que não foi adiante. Eles compraram uns tratores que, quando quebra uma peça, tem que buscar a tal peça lá num sei onde. Isto é porque não tem entre nós alguém que entenda, que vai lá, mexe, conserta. O branco chega lá e diz, vocês têm aqui um projeto de tantos mil reais, o que vocês vão fazer com o projeto? Nós vamos fazer plantio, eles vão lá para comprar adubo, não sei mais o quê, coisa que nem sequer precisa. Nós mesmos temos de conhecer, de tomar conta, de fazer da nossa maneira. Um técnico agrícola, um índio mesmo, pode ser um agrônomo, isto é que é importante para nós. (BH, UFMG, março de 2001) A discussão sobre a possibilidade de se acolherem os indígenas na universidade entusiasmou e ocupou professores e alunos da UFMG, de algumas unidades acadêmicas em que se situam áreas de interesse apontadas pelas comunidades indígenas. Na formação continuada dos professores recém-formados e em exercício, nas reuniões de coordenação geral e de coordenação de etnia do PIEIMG, em fóruns amplos como o Congresso pela Qualidade da Educação, no MEC, em outubro de 2001, nos módulos do IIº curso de Magistério no Parque do Rio Doce, essa discussão tornou-se constante. Derivada do projeto integrado de pesquisa Educação Ex-cêntrica: processos de produção simbólica coletivos e novas redes de conhecimento, sob a coordenação das Profas. Regina Mota (FAFICH), Ana Gomes (FAE) e Maria Inês de Almeida (FALE), foi elaborada a proposta para criação de um curso de graduação à distância para os professores indígenas. A proposta Intercultural e multilíngüe: formação universitária para os índios na UFMG, foi apresentada à ProGrad, recebeu parecer favorável na Câmara de Graduação, porém não chegou a ser examinada pelo CEPE. No entanto, a partir dessa tentativa de se atender imediatamente à exigência de graduação dos professores indígenas, houve a compreensão, pela equipe propulsora dessa discussão na Universidade, de que o caminho para a abertura desta para os índios seria antes o do diálogo entre as formas e os saberes, como bem observa André Prous no ensaio "A Couve-Flor e a Ostra", publicado no número 174 da revista Ciência Hoje, sobre o Encontro Internacional de Etnomusicologia. Realizado na UFMG, no ano de 2000, este encontro já havia dado uma importante pista de como a entrada dos índios no espaço da Universidade seria mais interessante pela via das manifestações culturais. Diante das aparentes dificuldades para a abertura de cursos de graduação na UFMG para os indígenas, apontadas em seminário realizado pela SEEMG – Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais – em outubro de 2001, as lideranças e professores indígenas presentes tomaram para si a responsabilidade de explicitar pessoalmente para o Reitor, eles próprios, a questão de suas necessidades de formação universitária, de inclusão de seus estudantes em cursos de graduação. O momento histórico em que se deu o encontro entre o então Reitor – Prof. Dr. Francisco César de Sá Barreto, seus Pró-Reitores de Extensão e de Graduação, três lideranças indígenas – Waldemar Adilson, José Terêncio Bráz, José Nunes de Oliveira – e alguns professores da UFMG, no dia 23 de outubro de 2001, selou o compromisso de que daí em diante haveria um esforço conjunto para o envolvimento efetivo da UFMG com as populações indígenas. No dia 29 de outubro de 2001 reuniram-se com o Pró-Reitor de Graduação, Prof. Nagib Cotrin Árabe, o Pró-Reitor de Extensão, Prof. Edison Corrêa; o representante xacriabá, Marcelo Pereira dos Santos; o cacique Bayara, pataxó; a Profª Maria Inês de Almeida, com as informações sobre os krenaks[15]; a Profª Sônia Queiroz, chefe do Departamento de Letras Vernáculas da FALE; o Prof. Alloua Saadi, coordenador da implantação do curso de Turismo da UFMG; e a Profª Lúcia Helena Garcia Bernardes, doutoranda da FAE, como relatora. A reunião teve como objetivo discutir a proposta de ensino superior para os índios, apresentada ao Reitor em 23 de outubro. Foram analisadas as demandas dos povos indígenas de Minas Gerais pelo ensino superior e as possibilidades de sua implantação. Nesse encontro, a partir da orientação do Pró-Reitor de Graduação, ficou definida a necessidade de se criar uma Comissão para pensar a formação universitária para os índios na UFMG, usando dos benefícios da flexibilização curricular. E decidiu-se também, a partir da orientação do Pró-Reitor de Extensão, ampliar as ações da UFMG para os indígenas de Minas Gerais, através de um Programa de Extensão que articulasse as diferentes ações já em andamento, bem como novas propostas que surgissem. Desses primeiros encontros, surgiram as propostas que foram, algum tempo depois, retomadas pela Comissão que ora relata seus trabbalhos: 1- formatação de uma Proposta de Programa de Extensão, integrando as diferentes ações direcionadas às populações indígenas mineiras, já em andamento na UFMG, com novas ações propostas a partir da demanda por ensino superior; 2- encaminhamento de proposta de programa de extensão para o trâmite institucional necessário – aprovação na Congregação da Unidade e Câmara de Extensão – dentro dos prazos estabelecidos; 4- encaminhamento às aldeias, pelos coordenadores de etnias do PIEIMG, de uma ficha de inscrição de candidatos ao ensino superior, visando a um primeiro diagnóstico sobre a demanda dos indígenas; 5- análise da fichas pelos coordenadores de etnia e pelos professores da UFMG; 6- contatos institucionais e interinstitucionais para a concretização das ações propostas no Programa apresentado à ProEx. Em 20 de janeiro de 2002, o CENEX da FALE, encaminhou à ProEx, para registro e pedido de bolsas para estudantes, a proposta do Programa de Extensão Culturas Indígenas na UFMG, sob a coordenação das Profas. Maria Inês de Almeida e Rosângela Pereira de Tugny, em cujo âmbito se realizará o projeto das oficinas para estudantes indígenas, descrito adiante, como uma das tentativas de se iniciar um diálogo produtor das relações interculturais na UFMG. Em 26 de dezembro de de 2001, a Reitora em exercício designou uma comissão para “colher subsídios e coordenar iniciativas para a criação de um programa institucional da UFMG para as populações indígenas”. Esta comissão foi formada por professores de diversas unidades (Maria Cristina Magro – substituída depois por Eliana Lourenço de Lima Reis, Maria Inês de Almeida e Sônia Queiroz, da FALE; Ana Maria Gomes Rabelo, da FAE; Ruben Caixeta Queiróz, da FAFICH; e Rosângela Pereira de Tugny, da Escola de Música) e assessorada, a pedido de sua presidente, pela doutoranda da FAE, Lúcia Helena Garcia Bernardes, e pelo então coordenador do PIEIMG e consultor permanente da CGAEI/MEC, Kleber Gesteira e Matos. Basicamente, seu trabalho consistiu em: – Mapear as ações da UFMG envolvendo os povos indígenas; a situação dos índios brasileiros com relação ao ensino superior; as universidades nas Américas espanhola e inglesa que acolhem membros das comunidades indígenas; as instituições que se interessam por financiar ações da universidade voltadas para os povos indígenas do Brasil; as instituições nacionais e internacionais que poderiam ser parceiras do futuro programa da UFMG. – Coordenar iniciativas de aproximação entre a comunidade universitária e as comunidades indígenas, para garantir a interculturalidade e o plurilingüismo do futuro programa a ser criado. – Pensar e discutir os fundamentos políticos, filosóficos, científicos e artísticos para a criação de um programa abrangente, que, envolvendo membros das comunidades indígenas, contenha projetos de extensão, de pesquisa, de ensino. 7 – As populações indígenas e as universidades brasileiras Até os anos 80 do século passado as populações indígenas no Brasil só “penetravam” na academia como objetos de estudo (assim mesmo em poucas especialidades acadêmicas e em muito poucas academias). Naquela época poucos indígenas conseguiam acesso ao ensino superior, quase sempre com o auxílio da FUNAI, que pagava mensalidades escolares, alojamento e alimentação, em geral nas capitais dos estados. As etnias que conseguiram colocar um maior número de seus jovens em universidades foram os makuxis (RO), kaingangs (RS, SC e PR) e terenas (MS). Nos anos 90, mais e mais jovens indígenas passam a freqüentar escolas superiores particulares com despesas custeadas através de recursos públicos. Como exemplo podemos citar o Espírito Santo, que atualmente conta com 34 jovens tupinikins e guaranis em faculdades particulares cujas mensalidades superam a cifra de R$100.000,00/ano. Atualmente dezenas de indígenas estão nessa situação em quase todos os 24 estados brasileiros que possuem população indígena em seu território. O acesso de indígenas a vagas de universidades públicas é muito raro. O único caso de destaque é Santa Catarina, onde cerca de uma dezena de jovens kaingangs e xoklengs, egressos de uma escola indígena estadual, conseguiram aprovação em vestibulares de escolas públicas locais. No Nordeste, alguns poucos indivíduos conseguiram cursar faculdades públicas e particulares com recursos próprios. Temos exemplos entre os tuxás da Bahia, potiguaras da Paraíba, pankararus e xukurus de Pernambuco e potiguaras do Ceará. Outras formas de acesso dos indígenas à educação superior começam a ser esboçadas a partir de 1997. Podemos distinguir as seguintes “categorias” de acesso: Cursos especiais de magistério indígena em nível superior O único curso em funcionamento é o da Universidade do estado do Mato Grosso – UNEMAT – que, em abril de 2001, através de um vestibular específico, admitiu a entrada de 180 professores indígenas do Mato Grosso e 20 outros professores indígenas dos demais estados, em cursos de licenciatura em letras, ciências humanas e ciências biológicas e exatas. Os cursos alternam dois períodos, de 30 dias, de ensino presencial no campus de Barra do Bugres (MT) com períodos de estudos autônomos nas aldeias em cada um dos seus 5 anos de duração. Até o momento a UNEMAT não se manifestou a respeito da possibilidade de entrada para uma segunda turma. Existem duas propostas semelhantes em andamento, sem, no entanto, data fixada para início dos cursos: um projeto da Universidade Federal de Roraima e outro da Universidade Estadual do Amazonas. Ambos destinam-se a professores indígenas e pretendem oferecer cursos de licenciatura. Ainda voltados para a formação de professores indígenas em nível superior existem propostas em fase inicial na Universidade Federal do Acre e na Universidade Federal do Espírito Santo. Formas alternativas de acesso para indígenas Das várias intenções de cotas para indígenas em universidades públicas, a única que se concretizou até o momento foi a do Paraná, onde uma lei estadual reservou, a partir de 2002, três vagas em cada um dos cinco campi de faculdades do estado (Ponta Grossa, Guarapuava, Londrina, Maringá e Cascavel) para jovens kaingangs e guaranis cursarem odontologia, direito, pedagogia, história, enfermagem e agronomia. Estão prometidas para 2003 dezoito vagas para novos egressos do ensino médio. Todo o custo da manutenção desses estudantes nas cidades é assumido pela FUNAI. No Paraná, as escolas em áreas indígenas só oferecem ensino até a 4ª série, e os jovens indígenas prosseguem seus estudos em escolas das cidades. 8 – Alternativas e propostas surgidas na UFMG Levantamento de ações – de pesquisa, extensão e ensino – realizadas na UFMG envolvendo populações indígenas (1997-2002) Procuramos identificar, inicialmente, as atividades e iniciativas desenvolvidas no âmbito da UFMG, nos últimos 5 anos, que envolvem direta ou indiretamente as populações indígenas. Procuramos também identificar ações que no momento não prevêem a participação ou atuação junto às populações indígenas, mas que, potencialmente, poderiam serem ampliadas de modo a atingi-las. A coleta seguiu diferentes procedimentos, de acordo com as indicações recebidas em cada Pró-Reitoria. Assim os procedimentos foram os seguintes:
De forma geral, o levantamento evidenciou a existência de relativamente poucas iniciativas. Cabe ressaltar que os procedimentos previstos para consulta (sistemas informatizados) não permitiram a identificação de algumas atividades existentes, muitas vezes em função do tipo de detalhamento da informação que a ferramenta informatizada oferecia para a consulta. Há programas de pós-graduação que ainda não se interessaram minimamente pela questão indígena, como é o caso da arquitetura. Segundo nos informou a secretária do Programa, "das 45 dissertações defendidas junto ao Curso de Mestrado do Núcleo de Pós-Graduação em arquitetura e urbanismo nenhuma tratava do tema 'Indígenas brasileiros'." Informou, ainda, que "nenhuma das dissertações, ora em andamento, tem este tema como objeto de estudo." Esse é o caso da grande amioria dos nossos cursos de pós-graduação. Identificamos apenas 5 dissertações na área de ciências humanas e sociais, nos programas de história, sociologia, psicologia e educação; 4 nas áreas de biologia e saúde: 2 dissertações de Mestrado na odontologia, 1 na microbiologia, e 1 tese de Doutorado em enfermagem. Nessa área pudemos identificar até mesmo o interesse em colaborar com o programa institucional a ser implementado: Sou professora da Escola de Enfermagem do Departamento de Enfermagem Aplicada e doutoranda da Escola Nacional de Saúde Publica/Fiocruz. A minha tese de doutorado está focalizada na Educação e Promoção da Saúde para indígenas com doenças crônicas, em especial Diabetes Melliltus. Estou indo para uma comunidade indígena no Canadá para trabalhar a avaliaçãono contexto da promoção da saúde. Tenho interesse em participar desse programa, caso seja do interesse de vcs, coloco-me à disposição – escreveu-nos Heloisa de Carvalho Torres. No programa de saneamento, meio ambiente e recursos hídricos, realiza-se no momento a primeira dissertação envolvendo populações indígenas (mais diretamente os xacriabás). Em sondagem feita em reunião com a Profa. Cristina Augustin, Pró-Reitora de Graduação, foram sugeridos nomes de professores que poderiam opinar sobre os trabalhos com populações indígenas, e que poderiam ser convidados a uma reunião futura para consulta sobre seus interesses e discussão de propostas. As informações levantadas na ProEx e os dados colhidos em visita à área xakriabá evidenciaram mais uma vez a necessidade de se colocar em rede as ações relacionadas com a UFMG e parcerias com outras instituições. Além das atividades desenvolvidas no processo de formação dos professores indígenas e de implantação das escolas diferenciadas, em parceria com a SEE, FUNAI e IEF, foram identificadas outras possibilidades: · contato com prefeituras sobre hipótese do Internato Rural · contato com a FUNASA, para tratar da necessidade de profissionais da área médica para atuar nas reservas · contato com ONGs que atuam nas diferentes áreas indígenas, como o CIMI, na produção e distribuição de medicamentos preparados com matéria-prima local A estruturação de um percurso de formação universitária indígena: por um projeto de ensino de caráter intercultural e plurilíngüe Durante o trabalho da Comissão, foram discutidas alternativas para que o Programa Institucional da UFMG para as Populações Indígenas a ser criado atenda à demanda, explicitada pelas lideranças na mencionada reunião com o Reitor, qual seja, a de que a Universidade passe a atender às necessidades de formação superior dessas populações. Dentre as formas de inclusão de membros das comunidades indígenas em cursos de graduação da UFMG, pensadas pela Comissão, encontra-se uma proposta de formação específica (são diversas as etnias), diferenciada (cada sociedade tem cultura própria) e intercultural (a educação escolar como diálogo e tradução), que leve em consideração o princípio de que a sociedade brasileira é plurilíngüe (esse conceito lingüístico, oriundo das formulações do russo Mikail Bakhtin, se aplica no campo da sociologia, já que pressupõe a polifonia e o dialogismo como modos de as vozes se colocarem nas realizações que se querem democráticas. Para esse teórico, as bases sociais e as superestruturas sempre interagem). Uma proposta dessa natureza, ainda em forma embrionária, ao ser detalhada futuramente, deverá buscar em primeiro lugar responder aos projetos comunitários dos índios, envolvendo questões da atualidade das aldeias: reconhecimento, reconquista, revitalização e manejo do território; saúde e educação; revitalização das línguas, bilingüismo, notação e registro das tradições culturais orais; etc., que podem ser relacionadas às diferentes áreas de conhecimento encampadas pela universidade. Em segundo lugar, ao se tentar atender com precisão à especificidade dos projetos prioritários das populações indígenas, trazidos ao cerne desse tipo de formação, esta proposta visa a introduzir nos currículos de diferentes cursos da UFMG e nos seus diferentes projetos institucionais a abordagem intercultural, incluindo o princípio do plurilingüismo. É possível e necessário que um programa de formação destinado às populações indígenas apresente em seus princípios propostas de diálogo entre formas diferentes de produção de saberes, formalizando e legitimando a valorização das diferenças culturais. A experiência bem sucedida do Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais (mencionada em páginas anteriores deste relatório) coloca-se como ponto de partida para esta proposta. Este Programa, do qual a UFMG participou como instituição conveniada desde a criação, constituiu a fonte experimental para o conhecimento do processo de formação escolar específica e diferenciada para populações indígenas, bem como, em Minas Gerais, tem sido uma referência para a chamada educação intercultural. Através desta experiência, vislumbramos uma alternativa metodológica que, construída coletivamente nesse Programa, tornou possível a formação de professores indígenas (nível médio de ensino). Uma alternativa que possibilitasse também a abertura do ensino superior às comunidades indígenas teria, certamente, que levar em conta a criação de metodologias de ensino adequadas, o que, a nosso ver, é irrealizável sem a presença dos principais interessados. Na base dessa proposta de criação conjunta, está justamente a interculturalidade: o diálogo entre as formas, no processo coletivo de construção simbólica, em que as diferentes vozes podem se expressar. Portanto, a idéia de processo e a divisão de poderes e saberes fundamentam tal ensino. Não é o caso de se definir a priori os objetos e as formas do conhecimento, mas sim de se compartilhar com as populações indígenas, através de mecanismos que caberia à universidade proporcionar, questões e buscas de respostas, com vistas ao entendimento sobretudo do processo histórico que foi moldando a paisagem e seus agentes, na formação da nação brasileira. A elaboração e implementação desse projeto universitário baseado na interculturalidade poderia, em suas linhas gerais, se estruturar sobre algumas instâncias e mecanismos: – Criação de um núcleo, centro, ou instituto, destinado a promover projetos integrados de pesquisa, ensino e extensão, e a buscar parcerias para garantir a formação superior de representantes dos povos indígenas. Este núcleo deveria também acompanhar o processo de admissão e o percurso acadêmico específico de alunos indígenas; – Instituição de programas semelhantes ao “artista visitante” visando a contratação de mestres ou xamãs das diferentes comunidades indígenas brasileiras, para ministrarem palestras, cursos ou oficinas que beneficiem pesquisadores e estudantes (ver Anexo 5, sobre a experiência da USP); – Realização de laboratórios interculturais modulares (2 meses plenos por ano: 320 horas), podendo beneficiar alunos índios e não-índios regularmente matriculados na UFMG; – Realização de módulos presenciais nas aldeias e/ou realização de convênios com universidades próximas às aldeias indígenas, para a consolidação de parte da formação curricular dos seus estudantes universitários incluídos em projeto de formação específico; – Construção no campus da UFMG de instalações apropriadas para realização dos laboratórios interculturais e para alojamento dos representantes das populações indígenas em momentos presenciais de sua formação. Percursos de formação Com esta proposta, pretende-se oferecer aos alunos indígenas as formações e os diplomas de graduação correspondentes a cursos com percursos e áreas temáticas diferentes daqueles já implantados na UFMG, ainda que absorvendo grande parte de suas características e contando com o corpo docente já efetivado. Até o presente momento, segundo os levantamentos realizados por esta Comissão, existe na UFMG um potencial, que deve ser ampliado, para se oferecer aos alunos indígenas percursos formadores que atendam às suas especificidades e indiquem a abertura de novos horizontes de atuação social e comunitária para os representantes selecionados nas diferentes aldeias. Como proposta inicial, e de acordo com o interesse dos indígenas, expresso nos vários momentos de discussão sobre a formação de nível superior, poder-se-ia pensar a estruturação curricular do ensino intercultural em três grandes áreas, cada uma correspondendo a diferentes possibilidades de percurso: - Vidas (biologia, medicina, farmácia, educação); - Territórios (direito, geografia, arqueologia, antropologia, geologia); - Linguagens (línguas, história, música, matemática, artes-plásticas). A consolidação de uma proposta de formação universitária adequada aos povos indígenas demandaria uma participação mais efetiva da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG, bem como uma constante interlocução com representantes indígenas. Uma experiência piloto A realização, pelo projeto de extensão Culturas Indígenas na UFMG, de um laboratório intercultural previsto para as duas primeiras semanas de agosto de 2002, representa, aos olhos desta Comissão, uma experiência importante para se verificar um modo de iniciar o diálogo com os representantes indígenas. A maioria dos inscritos neste projeto já está envolvida com a implantação da educação escolar em suas aldeias, sendo professores contratados pelo estado, interlocutores privilegiados no sentido de se delinear conjuntamente os contornos do que poderá vir a ser uma proposta de formação universitária intercultural. Cerca de 12 (doze) professores da UFMG ministrarão aulas e coordenarão atividades com 60 alunos indígenas de quatro etnias de Minas Gerais (xacriabá, pataxó, krenak e maxacali), que permanecerão por duas semanas em Belo Horizonte, vivenciando práticas acadêmicas. Além dos candidatos indígenas ao ensino universitário, o referido projeto de extensão conta com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação da UFMG, matriculados nos cursos de letras, pedagogia, ciências sociais, belas artes, música, medicina, comunicação social, geografia. De acordo com os projetos comunitários de cada etnia, foram determinadas algumas áreas do conhecimento pertinentes e constituídas as propostas de oficinas. Levaram-se em conta as etnias dos candidatos ao ensino superior, que se inscreveram através de uma ficha encaminhada às aldeias (referida na p. 15 deste relatório) e, após seleção feita pela coordenação do projeto de extensão, formaram-se os grupos: 39 xacriabás, 7 maxakalis, 8 krenaks e 6 pataxós. Pela realização desse primeiro laboratório, estruturado de forma interdisciplinar, são responsáveis os seguintes docentes da UFMG (que, por sua vez, contam com a monitoria de cerca de 20 bolsistas e voluntários, estudantes dos cursos acima mencionados): André Prous (oficina de Arqueologia), Sônia Maria de Melo Queiroz, Maria Inês de Almeida e Inês Teixeira (oficinas de História oral e de edição), Cristina Magro (oficina de Lingüística), Ana Gomes e Marildes Marinho (oficina de produção de material didático para alfabetização), Rosângela Pereira de Tugny (oficina de Música), Daisy Turrer e William Quintal (oficina de Ilustração e Xilogravura), Allaoua Saadi (oficina de Sustentabilidade), Ruben Queiroz (oficina de Antropologia), Eloisa Santos e Lúcia Helena Bernardes (oficina de Gestão Escolar). Um aspecto importante desse laboratório intercultural é a oportunidade que os indígenas presentes no campus da UFMG terão de conhecer o cotidiano da vida universitária, com o deslocamento pelas várias unidades acadêmicas onde se realizarão as oficinas, a visita a laboratórios e a instalações diversas, a freqüência aos restaurantes, a ida a campo onde pesquisam alguns docentes, e a convivência com os estudantes não-índios. Assim, poderão efetivamente empreender uma escuta de saberes que, embora aparentemente distantes da vida nas aldeias, são formulados a partir de questões que muitas vezes partem de experiências concretas, perfeitamente compartilháveis com quem tem o privilégio de observar de perto fenômenos culturais, naturais, históricos e lingüísticos, mesmo que não tenha igualmente o privilégio de dominar alguns instrumentos inerentes ao desenvolvimento científico, por exemplo, a escrita alfabética. Finalmente, após duas semanas de atividades, prevê-se uma plenária entre professores e alunos indígenas para avaliação do laboratório e discussão de propostas para o prosseguimento ou para a criação de novas iniciativas dessa natureza. Sugerimos que essa plenária conte com a presença de representantes da administração central da UFMG, para que se enseje da parte institucional, não-indígena, também uma efetiva escuta do que aqueles que estão muito distantes do dia-a-dia da Universidade têm dela a dizer. Seleção, avaliação, abrangência e duração do percurso acadêmico dos indígenas Cumpre-nos ressaltar que os critérios de seleção de alunos, a abrangência dos cursos, as formas de avaliação, a infra-estrutura necessária para o ensino específico e diferenciado, que levem em conta a diversidade étnica/cultural/lingüística dos índios brasileiros, são temas a serem debatidos e definidos em instâncias mais amplas. Além da Reitoria ou administração central da UFMG, do CEPE, das câmaras de extensão, graduação e pesquisa, a discussão desses temas deveria envolver órgãos governamentais (como a FUNAI, a FUNASA, o MEC, o MinC, as secretarias estaduais de Educação e de cultura, as prefeituras municipais), organizações não-governamentais (ONGs que na maioria dos estados brasileiros cuidam da educação escolar indígena, e de outros projetos indigenistas) e, sobretudo, lideranças e intelectuais indígenas. Um projeto de formação universitária para populações até hoje totalmente dependentes do Estado, tendo como principal objetivo a busca de autonomia intelectual, econômica, e de auto-sustentabilidade destas populações, aponta para uma real necessidade de abertura da Universidade pública a novos caminhos, ela também, para garantir a sustentabilidade de seus projetos especiais. Para implementar a proposta que neste item sumariamente descrevemos, dever-se-á buscar cooperação nacional e internacional, parcerias e convênios que proporcionem os recursos financeiros sem os quais a plena realização se inviabiliza. Proposta de realização do “Veredas Multicultural”, como desdobramento da realização do “Veredas - Formação Superior para professores” A implantação das escolas estaduais indígenas em Minas Gerais, em 1997, juntamente com a realização do primeiro Curso de Formação de Professores Indígenas (1995-1999), deu início a um progressivo processo de instituição da educação escolar indígena no estado. Temos hoje seis escolas criadas em quatro diferentes áreas indígenas, como se pode ver no Quadro Escolas Estaduais Indígenas de Minas Gerais – 2002. Além das informações contidas no quadro, cabe ressaltar o fato de que na área indígena xacriabá estão atualmente em funcionamento turmas de 1a a 7a séries, com previsão de implantação da 8a série em 2003. Existe a previsão da ampliação de séries também na área pataxó. Os professores indígenas que atuam nessas turmas, todos diplomados no ensino médio, têm sido acompanhados em área pela equipe do PIEIMG, de forma a responder à demanda emergencial de formação. Escolas Estaduais Indígenas de Minas Gerais – 2002
Fonte: Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais – SEE/MG – maio 2002. *44 professores contratados/87 turmas de alunos. Dados fornecidos pela 17a SRE e pelo Diretor José Nunes.
Quanto ao Curso de Formação de Professores Indígenas, sua segunda turma, atualmente em processo de formação, recebe também professores dos grupos kaxixó, pankararu e xukuru-kariri. Diante do quadro apresentado, a proposta do “Veredas: Formação Superior de Professores Indígenas” vem se constituir em uma primeira resposta à demanda já existente de formação de professores do ensino fundamental (1a a 8a séries). A proposta da formação de uma turma de professores em nível superior vem oferecer uma ocasião para dar continuidade ao processo de qualificação dos professores que atuam no ensino fundamental e que já são diplomados no Magistério Indígena, nível médio. O processo continuado de qualificação tem se demonstrado necessário como parte do percurso de implantação das escolas indígenas. Os primeiros resultados obtidos com a criação das escolas levaram as populações indígenas a se equipararem aos índices de escolarização existentes no estado, com o aumento significativo das matrículas e a regularização da freqüência da maior parte dos alunos. Com isto, passa-se, no entanto, à fase de consolidação da oferta escolar, em que a qualidade do ensino se torna o objetivo principal, que se coloca para todas as escolas públicas do estado, e do país. A demanda de formação e qualificação dos professores tem sido atendida nas atividades de formação continuada que, desde a diplomação da primeira turma do curso (ocorrida em 1999), são desenvolvidas em área pela equipe do PIEIMG com os professores indígenas. Essas atividades, ao mesmo tempo, vêm respondendo à necessidade de formação mínima para os professores das séries finais do ensino fundamental. Cabe ressaltar que cerca de 40% dos professores contratados são os que estão atualmente em processo de formação em nível médio. A formação dos professores indígenas no Veredas vem responder, assim, a diferentes exigências: – a qualificação dos professores que possuem diploma de ensino médio (como uma das etapas do processo de formação continuada); – a formação específica de professores de 5a a 8a série, etapa do ensino fundamental que já está funcionando em escolas de algumas das áreas indígenas. Princípios norteadores da proposta de formação de professores indígenas A realização do Veredas para professores indígenas não pretende definir de modo conclusivo a proposta de formação de professores indígenas, mas pretende ser uma resposta às demandas emergentes. Tal resposta, no entanto, não se limita a oferecer recursos imediatos, mas deverá ser uma ocasião de construção, uma contribuição para a definição das diretrizes e para o desenvolvimento das ações que vêm se realizando no estado, objetivando a consolidação da educação escolar indígena. A possibilidade de se valer da estrutura já proposta no Veredas para a formação dos professores em todo o estado nasceu, em um primeiro momento, da avaliação feita pela Coordenação Geral do PIEIMG de algumas das características da proposta pedagógica do Projeto Veredas. Consideraram-se em particular dois aspectos. Em primeiro lugar, o fato de se tratar de educação à distância, voltada para professores em serviço, o que possibilita a formação dos professores em concomitância com as atividades docentes por eles realizadas (o calendário e o estilo de atividades são compatíveis com o funcionamento das escolas públicas). Em segundo lugar, pelo fato de a proposta pedagógica do Veredas ser caracterizada pela centralidade da experiência do professor no processo de formação. Neste sentido, são previstas diversas ocasiões e procedimentos em que a especificidade do contexto escolar e da atuação de cada professor é chamada em causa, como ponto de partida para a reflexão, análise e, neste processo, para a criação de novas proposições. A proposta de formação no Veredas se orienta, então, a partir das duas considerações iniciais, para um processo de reapropriação do projeto pedagógico original, redesenhando-o em função das especificidades da formação dos professores indígenas. Como delineamento inicial, propõe-se que o percurso de formação seja constituído em dois âmbitos: um âmbito comum, de formação superior para professores das séries iniciais; um âmbito específico, com acréscimo de carga horária, materiais e atividades específicas, voltadas para a formação do professor indígena de 5a a 8a série. Como demarcações que norteiam a elaboração da nova proposta, estão alguns dos princípios que vêm orientando a formação dos professores indígenas, assim como a prática educativa e a gestão das escolas: a definição de conteúdos específicos em eixos curriculares próprios para a parte de formação específica; a atenção às características específicas de cada comunidade e à dimensão da gestão comunitária, que caracteriza, com modalidades diversas, o funcionamento das escolas indígenas nas diferentes áreas; um estilo próprio de tutoria e de acompanhamento dos alunos, a ser definido a partir das experiências de formação já realizadas/em realização (tal escolha implica, por ex., no desenvolvimento de uma maior carga horária de atividades presenciais nas áreas indígenas). A proposta se orienta, assim, para uma carga horária complementar, equivalente a dois módulos de formação, onde seriam trabalhados os conteúdos e atividades específicas. Tal carga horária seria desenvolvida ao longo de todo o percurso de formação. Da mesma forma, o desenvolvimento da parte comum sofreria alterações na sua forma de implementação, a serem definidas a partir das indicações acima apresentadas. O percurso de formação, no seu conjunto, será reformulado e reproposto para aprovação nas diferentes instâncias institucionais, da universidade e do estado. Nesta reformulação, a participação dos próprios professores é decisiva para a discussão de suas demandas de formação, das concretas possibilidades de desenvolvimento das atividades e das escolhas a serem encaminhadas para discussão mais ampla com as lideranças e com as comunidades. O projeto encontra-se atualmente em discussão pelas duas equipes da SEE/MG envolvidas na sua elaboração – a equipe do Veredas, coordenada pelas Profas Glaura Vasquez e Umbelina Caiafa Salgado, e a equipe do PIEIMG, coordenada pelas Profas Zélia Rezende e Macaé Evaristo – em articulação com a UFMG, através da coordenação do Veredas na Faculdade de Educação e da equipe do PIEI na UFMG. A formação de professores que atuam em comunidades remanescentes de quilombos: uma nova hipótese de trabalho Ao lado da proposta da formação de professores indígenas, colocou-se também a hipótese de se propor a atenção à formação de professores que atuam nas comunidades remanescentes de quilombos. Foi realizada uma reunião com a participação da Coordenação do PIEIMG, da Profa Glaura Vasquez e das Profas da UFMG, Ana Maria Gomes e Nilma L. Gomes, para se fazer uma avaliação inicial da possibilidade de se atender a essa demanda. Embora a temática seja pertinente e de grande importância, constatou-se que o percurso de elaboração de uma possível proposta seria mais longo e, necessariamente, diferenciado do percurso para elaboração da proposta de formação dos professores indígenas. A hipótese está sendo avaliada pelas equipes da SEE/MG, que deverão se manifestar quanto às possibilidades de seu encaminhamento. Sugestão para se iniciar a elaboração de um programa da UFMG para as populações indígenas As propostas que esta Comissão ora encaminha para apreciação não devem ser vistas como um substitutivo de outras medidas afirmativas que promovam o acesso de negros, índios e outras minorias sociais à nossa Universidade. Ao contrário, julgamos que nossa proposta é apenas uma dentre outras medidas que devem ser discutidas e, se possível, implementadas. Nesse sentido, entendemos que deve ser amplamente discutido o tema da reserva de cotas para os índios – assim como para negros, estudantes de escolas públicas, e outras minorias – na universidade. Silenciar sobre esse tema significa, no nosso entendimento, incorrer no mesmo erro daqueles que pensam que a melhor forma de combater o racismo é não se pronunciar sobre o mesmo. Se a Universidade Federal de Minas Gerais não se pronunciar, em breve, sobre o tema, descobrirá que, apesar do expressivo contingente de negros residentes neste estado, foram outras universidades e instituições públicas que discutiram ou começaram a implementar a política de cotas para negros e/ou índios, como: Universidade de Brasília, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Estadual Norte-Fluminense, Universidade do Estado do Mato Grosso, Universidade Estadual do Paraná, Universidade Estadual do Tocantins, Supremo Tribunal Federal, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Justiça. Como afirmam os antropólogos José Jorge de Carvalho e Rita Laura Segato em proposta apresentada ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB, no dia 8 de março de 2002, "o que não podemos é continuar convivendo com um sistema informal de cotas que reserva 98% dos melhores empregos e posições de mando na sociedade exclusivamente para os brancos e ainda chamar essa proteção de meritocracia".[16] Alguns poderão levantar questões sobre os efeitos da educação diferenciada e bilíngüe proposta por esta Comissão. Poderiam perguntar, por exemplo: Ao se buscar preparar os índios para servir melhor às suas comunidades de origem, estarão sendo criados mediadores culturais que “traduzem” os conhecimentos/hábitos/leis da cultura hegemônica. Isto é positivo ou negativo? Ou: A educação diferenciada poderia servir para isolar ainda mais esses grupos, reforçando seu isolamento ou marginalização? Quais argumentos poderiam ser usados para o estimulo à educação bilíngüe em casos em que a língua nativa estiver em desuso? Até que ponto a idéia de desaparecimento da língua nativa como perda vem dos acadêmicos não-índios, indiretamente culpados pelo genocídio dos indígenas – este, sim, uma perda real? Será que, ainda que na melhor das intenções, não estaríamos projetando neles nossas próprias visões de cultura? No entendimento da Comissão, essas e outras questões devem ser discutidas num amplo seminário a ser realizado na UFMG, reunindo docentes e estudantes desta universidade, lideranças, professores e candidatos indígenas ao ensino superior, bem como especialistas em educação indígena, brasileiros e estrangeiros. Esse seminário significaria, a nosso ver, o primeiro passo no sentido da elaboração do programa da UFMG para as populações indígenas. Nele se poderia fazer um balanço da situação da educação escolar indígena, discutir temas pertinentes à relação da universidade com os índios, à relação entre tradições orais e escrita, à formação universitária de indígenas. Seria uma oportunidade de ouvir os representantes das comunidades indígenas, os especialistas em educação intercultural e bilíngüe, os órgãos governamentais e não-governamentais que se ocupam das questões indígenas, as universidades que estão trabalhando com a idéia de acolhimento de populações periféricas e da diversidade cultural, a coordenação do Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais, os coordenadores de projetos de pesquisa, extensão e ensino da UFMG, voltados para as populações indígenas, os prováveis parceiros do Programa a ser criado. Abaixo, sugerimos profissionais, alguns já contactados, que poderiam ser convidados a participar do seminário que propomos: Aldir Santos de Paula – lingüista assessor dos professores krenaks na escrita de sua língua materna Ana Flávia Santos – antropóloga, trabalha na Procuradoria Geral da República Bartomeu Meliá – especialista em educação intercultural bilíngüe do Paraguai, autor de vários libros sobre o assunto Beleni Grado – educadora, professora do Curso Superior de Magistério Indígena da UNEMAT Betty Mindlin – tradutora e editora de literatura indígena, coordenadora de programa de educação em Rondônia Chiquinha Pareci – liderança indígena do Mato Grosso, professora do Curso Superior de Magistério Indígena da UNEMAT, membro do Conselho Federal de Educação Denny Moore - PhD CUNY, funcionário do Museu Goeldi/PA. Especialista em línguas Gavião e em Nenheegatu. Domingos de Oliveira - Presidente da Associação Indígena Xacriabá Euclides Macuxi - Presidente da Associação nacional das Escolas Indígenas Gilvan Muller – lingüista, trabalha com formação de professores indígenas do sul do Brasil Inge Sichra – assessora do PROEIB/ANDES (Programa de Formação em Educação Intercultural Bilíngüe para os Países Andinos) João Pacheco Filho - antropólogo José Augusto Laranjeira – antropólogo, membro da ONG ANAÍ, que promove a educação escolar indígena na Bahia Jussara Gruber - artista plástica, coordenadora do programa de formação dos professores ticunas do AM. Kleber Gesteira e Matos – educador, consultor permanente da CGAEI/MEC, presidente da BAÍ – Educação, Arte e Meio Ambiente, ONG que se dedica à educação indígena em Minas Gerais. Leda Leonel – arquiteta, especialista em arquitetua indígena, autora de vários projetos de prédios escolares e hospitalares em áreas indígenas Luis Donizete Benzi Grupioni – antropólogo, consultor permanente da CGAEI/MEC Macaé Evaristo – coordenadora do PIEIMG Marcia Spyer Resende – educadora, fundadora do PIEIMG, consultora para a área de uso do territória e geografia de vários projetos de educação indígena no Brasil, membro da BAÍ Maria Cristina Troncarelli – membro do Instituto Socioambiental - ISA, coordena projeto de educação dos povos do Xingu Maria Helena Fialho – Diretora do Departamento de Educação da FUNAI Marilda Cavalcanti – lingüista, coordena projeto de formação continuada de professores indígenas na UNICAMP Neide Siqueira – funcionária do Departamento de Educação da FUNAI Nicanor Rebolledo – antropólogo, especialista em educação intercultural bilíngüe, da UPN/ México Nietta Lindenberg Monte – lingüista, consultora do MEC, coordenadora pedagógica da CPI-AC , ONG que se dedica à educação indígena no Acre Ruth Monserrat – lingüista, assessora vários projetos de educação indígena no Brasil Sérgio Farias - professor da UFBA. Participa de um núcleo de pesquisas sobre índios e negros (afro-americanos) na UFBA. Coordena programa de formação de 70 professores tuxá, kariri, pankararé, pataxó, pataxó há há hãe. Organizou o Seminário: A escola e a aldeia. Suzana Grillo – responsável por longo tempo pelo Departamento de Educação da FUNAI Teresa Maher – lingüista, professora da UNICAMP, assessora de vários projetos de educação indígena no Brasil Valdemar Adilson - Presidente da Associação Indígena Krenak Vanessa Mara Dutra – indigenista, assessora vários projetos do FNMA em áreas indígenas Vera Olinda - funcionária do Departamento de Educação da FUNAI, membro da CPI/AC Vincent Carelli – Coordenador do projeto Vídeo nas Aldeias, presidente da ONG do mesmo nome. Zélia Resende – Coodenadora do PIEIMG
9 – Parcerias e cooperação para um programa institucional da UFMG Algumas possíveis parcerias poderão ser efetivadas a partir dos primeiros contatos, realizados como parte das iniciativas coordenadas pela Comissão. Em 16 de maio de 2002, foi realizada uma reunião com a participação dos Profs. Drs. Nicanor Rebolledo e Sérgio Ricco (UPN – México), Luciano Giannelli (Universita S. di Siena) e Maria Inês de Almeida (UFMG), para discussão e esboço, em linhas gerais, conforme procedimento indicado no “Roteiro para formalização de acordos e parcerias internacionais” do Setor de Cooperação Internacional da UFMG: A- Identificação das partes: - Universidade Pedagógica Nacional (México) - Università Studi di Siena (Itália) - Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) B- Os principais objetivos desta cooperação seriam: - Fortalecer o desenvolvimento da área de educação intercultural bilíngüe na UFMG - Promover o intercâmbio de informações e experiências sobre a educação indígena, no México e no Brasil - Promover o intercâmbio de docentes, pesquisadores e estudantes entre as três instituições envolvidas - Promover o intercâmbio entre professores indígenas do México e do Brasil - Produzir publicações conjuntas (pelo menos um caderno multilíngüe sobre a educação indígena, nas áreas do conhecimento concernentes aos pesquisadores envolvidos na cooperação: antropologia, lingüística e literatura). - Elaborar conjuntamente um projeto integrado de pesquisa e/ou ensino e/ou extensão, visando à busca de fomento junto a agências de financiamento nos três países envolvidos. C- Atividades previstas: - Elaboração de projeto integrado de pesquisa e/ou ensino e/ou extensão - Realização de seminário sobre “Pensamento indígena e Universidade” - Intercâmbio de pesquisadores e estudantes (indígenas ou não) - Organização conjunta de publicações sobre “Relações interculturais e diversidade lingüística”. D- Financiamento: - Encaminhamento de projeto integrado à UNESCO e à ONU para que os funcionários contactados (Linda King e Gerardo Bamonte, respectivamente) orientem busca de apoio financeiro internacional - Encaminhamento de projeto às agências de fomento do Brasil, México e Itália, bem como a entidades públicas e privadas que tradicionalmente, nos dois países, subsidiam ações relativas às populações indígenas. Contactamos diversos especialistas, pesquisadores e agentes governamentais dedicados à educação intercultural, com o objetivo de promover a cooperação científica e institucional em futura oportunidade de consolidação da proposta de ensino intercultural. Apresentamos a seguir a relação dos profissionais que manifestaram interesse em colaborar com a UFMG num Programa para as Populações Indígenas. Nicanor Rebolledo – antropólogo professor da Universidade Pedagógica Nacional (do México). Especialista em educação intercultural bilíngüe. Elaborou conosco uma minuta de proposta de cooperação internacional entre a UPN, a UFMG e a Università Studi di Siena. Dispõe-se a encaminhar esta proposta em sua universidade e a elaborar conjuntamente um projeto de pesquisa/ensino/extensão e buscar subsídios para sua realização. Gerardo Bamonte – trabalha com Direitos Indígenas pela ONU e pertence à Fondazione Internazionale Lelio Basso per Diritto e la Libeazione dei Popolo. Disponibilizou os meios cabíveis em seu setor da ONU para subsidiar a elaboração de Programa institucional da UFMG para as Populações Indígenas. Linda King – Responsável pelas populações indígenas no escritório da UNESCO de Paris. Disponibilizou os meios cabíveis em seu setor da UNESCO para ajudar a buscar financiamentos para futuros programas de inclusão de indígenas na Universidade. Nietta Lindenberg Monte – Coordenação pedagógica da Comissão Pró-Indio - ACRE. Propõe parcerias em atividades que beneficiem as etnias da família Pano. Beleni Grando – Docente no curso superior de magistério indígena da UNEMAT. Propõe troca de experiências e se disponibiliza para trabalhar como convidada em momentos pontuais do processo de criação de projetos de ensino na UFMG. Maurizio Gnerre – lingüista especialista no estudo de línguas indígenas do Brasil da Università di Roma La Sapienza. Ex-professor da UNICAMP, interessa-se em discutir e participar da elaboração de propostas relativas ao bilingüismo no Brasil e está aberto a propostas de cooperação/parceria entre a Universidade de Roma e a UFMG. João Batista Borges Pereira – presidente da Comissão Permanente de políticas Públicas para populações Negras da Reitoria da USP. Dispõe-se a trocas de experiências e a discutir parcerias UFMG/USP para programas de interculturalidade. Galina Erchova – arqueóloga pesquisadora dos Olmecas (México) do Institut Archeologii Rossiyskoi Akademii Naul. Diretora do Centro de Estudos Mesoamericanos Yuri Knorosov da Univ. Estadual de Ciências Humanas da Rússia. Comprometeu-se a nos ajudar a conseguir, no Museu Nacional de São Petesburgo, pelo menos microfilmes dos manuscritos de Manizer (etnólogo russo que viveu com os botocudos/kenaks em 1914/1915). Roberto Messias – Presidente da Fundação Biodiversitas. Sergio Dominguez – antropólogo professor da UNESP, pesquisa a cultura material de timbiras e outra etnias. Pretende trabalhar pela formação de núcleo de pesquisa integrado (estética, epistemologia, linguagem) e propõe publicações conjuntas. Marie Carmem de Saavedra – responsável pelo programa de educação e gestão ambiental dos mapuches no Chile pela Deutscher Entwiklungsdienst (DED)/ Cooperação Técnica e de Desenvolvimento Alemã (GTZ). Coloca-se à disposição para encaminhar pedidos de financiamento a esta agência alemã. Luciano Giannelli – lingüista do Departamento de Filologia e Crítica Literária do Centro Interdisciplinar di Studi Sull’ America Indigena da Universidade Studi di Siena. Dispõe-se a encaminhar proposta de cooperação ou criação de projeto integrado de pesquisa na sua universidade. Giulia Pedone – pesquisadora da educação intercultural bilíngüe do Chile (mapuche e aymara) da Università di Roma La Sapienza. Interessa-se em participar de pesquisas integradas. Fillippo Lenzi Grillini – estudante recém-graduado no Departamento de Antropologia da Università Studi di Siena, com uma tese sobre a implantação da educação escolar entre os xacriabás, MG. Dispõe-se a intercâmbio de pesquisas e participação em futuros projetos relacionados a essa etnia. Sergio Neuenschwander – pesquisador em neurociência do Max-Planck- Inst Fuer Hirnforschung. Dispõe-se a participar de núcleo de pesquisa integrada e interdisciplinar e a encaminhar propostas de cooperação internacional junto ao Instituto Max-Planck, de Frankfurt – Alemanha. Referências Bibliográficas ALEXANDER, Hartley Burr. L'art et la philosophie des indiens de l'Amerique du Nord. Paris: Ed. Ernest Leroux, 1926. ALMEIDA, Maria Inês de (org.). Periferias: exercícios na fronteira do ensino. Belo Horizonte: Ed. UFMG/CAPE, 1994. ALMEIDA, Maria Inês de (Coord.) Bay – Educação Escolar Indígena em Minas Gerais. Belo Horizonte: SEEMG, abril de 1998. AMARAL, L. As Américas antes dos europeus. Biblioteca do Espirito Moderno. Série 3, XVIII, 1946. ANCHIETA, José de. Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, 1554-1594. Publicações da Academia Brasileira. Rio de Janeiro, 1933. 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Kanátio A nossa própria escola é diferenciada, a gente tendo em mente qual cidadão queremos formar, a partir daí temos a decisão de qual pesquisa deve ser feita. Durante os trabalhos na escola eu achei importante escrever a história do meu povo que nunca tinha sido escrita – eu nunca tinha visto um livro que falasse do meu povo, quem é ele, de onde ele veio, isto era o coração da minha escola. A escola tem um objetivo muito grande para construir este caminho do saber do povo. A nossa escola tá ligada ao cosmos, ao mundo animal, ao mundo vegetal. Isto é que faz meu povo Pataxó buscar esta sabedoria através dos nossos antepassados – pessoas que tem a alma do que é ser índio. Para se pensar uma escola, tem que ter aquele caminho de estudar, desenvolver uma pesquisa. Os mais velhos são os nossos livros, os livros de fora ajudam, mas, os importantes são os velhos, ser índio, buscar suas histórias, sua mata, suas terras. Como era a vida do meu povo antes, antigamente, ele vivia como outros do mesmo tronco, hoje, estamos... Só os pensadores indígenas, os nossos professores, vão pensar esta história para escrever ela. Junto com os mais velhos. Temos aí os heróis que morreram pela pátria, tornaram-se heróis, mas, aqui, também tem. Só que ninguém nunca viu um herói indígena, não tá lá no livro dos brancos. Então, se a gente não escrever isto, esta história vai ficar escondida e vai ser mal contada. O importante de um cidadão é ele se relacionar logo com a família, a criança aprender logo os costumes de casa. Depois da escola, onde todos tem uma idéia comum, ele vai viver na comunidade. Pensar num bem comum. Hoje as nossas crianças estão muito felizes na nossa escola, na nossa aldeia. A escola tem que ser um lugar onde a pessoa se sente bem. Então eu sei qual o cidadão que eu quero formar ali. Depois que ele formar, ele vai para a cidade – um brasileiro, um índio Pataxó – sem perder o que ele é. Estamos tentando escrever as histórias que estão se apagando, os mitos, suas crenças. Isto é o que nos motiva a fazer uma escola com estas características. Quanto a pesquisa, nós trabalhamos com dois professores, contam histórias, um trabalho integrado, um trabalho que não é fechado, falando sobre muitas coisas que possam ser mostradas para a comunidade.
José Alves Pesquisa sobre o vocabulário Xacriabá que eu pesquiso com meu livro dentro de casa e com os mais velhos da reserva. A minha avó tem quase 100 anos e sabe um pouco da língua Xacriabá. A pesquisa não é só dentro da sala de aula, a casa da gente é uma aula. Isto já é uma diferença. Pesquisa sai de escola de não índio, tem coisas que tá guardado. Comecei a pesquisar em 1993 com o vocabulário hoje já sei falar um pouquinho, quando eu colocar no papel vai dar para fazer um livrinho pequeno.
FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA INDÍGENA Kanatio Eu conversei com alguns professores da nossa aldeia e percebi que para fazer a escola que a gente sonha, não podemos chegar até onde chegamos e ficar parado. O caminho da educação indígena a gente tem que ter este terceiro grau como avanço deste projeto. Os professores de fora devem pensar como fazer este curso diferenciado, ver como cada povo quer.
Márcia Por falar em curso diferenciado, qual é a real demanda dos Pataxós?
Kanatio Para nós, Pataxós, em primeiro lugar é a terra. Os nossos filhos vão sempre para a cidade estudar, trabalhar etc. Eles devem permanecer na terra. ........... Como a terra, temos vários saberes e desenvolver algumas coisas para o desenvolvimento das cidades. Através do meio ambiente podemos fazer um trabalho importante dentro da terra. Acho importante ele estudar medicina indígena, os saberes da ciência do nosso povo e saber tirar o recurso dali para garantir a sobrevivência do povo. Ter ele também, ali, o seu meio de vida. O espírito do povo tá ligado à terra, a poesia, à música e isto é muito importante como complemento da educação. As crianças podem vir e mostrar o valor destas coisas futuramente. O Jeito de ensinar também é importante, isto faz a gente pensar na continuação de um curso. Hoje é difícil você ver um índio antropólogo, nós precisamos disso aí. Estes cursos devem ter um jeito de ensino com a alma do índio.
Márcia Eu vi então quatro áreas, uma o terceiro grau – território e meio ambiente (produção e conservação do território), a cultura (o pesquisador de seu próprio povo, o antropólogo), outro é a arte (música, livros). A raiz e o tronco da árvore que daria estes galhos é o território?
Kanatio É o povo, e a terra. O povo sem a terra não vive e ele tem que saber viver dali, da terra. Não adianta eu formar num estudo em que eu vou para a cidade. Eu esqueci o meu povo. O índio tá ligado à terra. Ali ele deve capacitar estes professores e o nosso povo. Isto vai nos fazer fortes. A escola é que vai construir o povo, ela tem que pensar nisto, no povo que ele quer construir. Formar o povo para viver na terra dele, usufruir da terra e dos conhecimentos do seu povo. Sem se desligar dali
Márcia Outra área que você falou foi a da pedagogia, voltada para a pedagogia, pensando uma escola voltada para dentro do território. A última coisa, o que você acha de ter o ensino à distância? Mista (computadores e internet) e presencial?
Kanatio Isto deve ser pensado junto da comunidade. Este ensino deve ser de maneira que os professores se sintam mais seguros, quando ele estiver tendo um curso em área, tem alguém para ajudar. Ao mesmo tempo o acompanhamento em área é muito importante. O ensino à distância ele pode estar fazendo dentro da sua própria comunidade. Ficar muito tempo fora de casa é sempre meio complicado, mas o que vale a pena é o esforço de cada um... Na universidade não se dificulta, porque é cidade, o mais viável seria um lugar onde ele possa discutir... o parque mesmo.
Márcia O coração de um curso Pataxó seria este? Esquecemos dos direitos indígenas.
Kanatio Seria importante ter uma pessoa de cada povo que conhecesse estes direitos.
Márcia Um antropólogo, um pedagogo, um advogado... o que mais?
Kanatio Outra coisa importante é o jeito da alma do povo, esta energia que vem de longe. O que está no universo? Saber lidar com o mundo lá de cima. Lá, o céu também pertence a nós. Um estudo para a integração da cultura, religião, filosofia...Saber lidar com estes caminhos, projetos de preservação da terra, identificar os principais problemas.
Toninho Precisamos ter informação sobre temas gerais. No Xacriabá, a gente não sabe nem como começar. Saber onde tá o começo do desenvolvimento, das melhorias, não entendendo, as coisas ficam soltas. Conseguir um projeto de criação de gado, uma lavoura... uma saída... por onde começar.
Márcia É preciso formar pessoas com capacidade de que?
Toninho Vamos supor, um projeto de criação de gado, como fazer um projeto de irrigação, dar condição e apoio para poder começar, administrar um projeto. Na área da arte, tem muita coisa, mas, não gera renda... eles vão é prá roça.
Márcia E a idéia do ensino à distância, pelo computador? É possível ter um telefone por lá?
Toninho Lá não tem nem energia..
Márcia Uma vez por semana, ir até o Brejo Mata Fome, ter uma aula no computador, o que você acha?
Toninho Acho boa idéia... a reserva é muito grande...é perto, uma hora a pé ...fazer cerâmica em algumas áreas, outras milho, feijão quando tem chuva, projetos de irrigação, plantar no brejo... precisa ser muito bem pensado.
Márcia A sua pesquisa de língua, você recebe também pelo sonho, você recebe uma entidade na língua, gravar esta língua para o estudo da língua..
Toninho Quando começar o estudo.. eu penso mais na língua....
ENSINO SUPERIOR PARA OS XACRIABÁ
Sr. Emílio O que a gente pensa é em crescer o nosso povo, na área da saúde formar um médico, uma escola agrícola para os nossos filhos, ter um chefe de posto que seja formado, tocar o nosso trabalho indígena, passar nossa cultura e arte para os outros. Caminhar com as nossa próprias pernas O que os professores estão fazendo me deixa muito satisfeito vendo eles ensinarem os próprios filhos. Foi combinado com a FUNAI virem 3 médicos para cá. Este dinheiro que estes médicos ganham seria repassado aos índios, que, trabalhando, ganhando seu próprio dinheiro, seria mais bem distribuído com a comunidade.
Márcia Como deve ser a escola de 5a a 8a ?
Emílio Ver como pode se seguir um projeto, como pedir um recurso, cultura, a língua que nós não estamos conseguindo resolver, encontrar nossa língua, ter um lingüista que possa entender, tem que ter uma disciplina de arte de cultura.
Márcia E a agricultura, o plantio?
Emílio Formar um técnico agrícola, um da área de saúde e da cultura são as três principais. O direito também é bom saber, formar um advogado.
Márcia Quando os meninos vão para a escola de 5a a 8a , é pra quê?
Helena Pra ser qualquer coisa, arrumar um serviço.
Maria Conceição Não tem enfermeiro, motorista, técnico agrícola, costureira tem pouca, cantor pior, formar para um serviço mesmo aqui dentro da área, pro nosso benefício, eu tenho muita vontade dos meus meninos se formarem, serem professores. Aqui o serviço que mais aparece é roça e depois ser professor indígena. A área é muito grande, Deve ter também professor de arte e cultura, só os mais velhos é que sabem alguma coisa, tem que ter outros estudos ligados ao trabalho. Tem muita criança sem interesse na escola, parece que os pais não ligam pras crianças, os professores, às vezes, chegam atrasados, não olham se tem tarefa. Dar um livro para cada criança desperta muito, ler uma história bonita, tudo isso é bom. Cuidar também das turmas de repetência, até as professoras ficam sem graça de ter muita repetência. Ações – de pesquisa, extensão e ensino – realizadas na UFMG envolvendo populações indígenas (1997-2002) A seguir apresentamos uma síntese das informações coletadas, organizadas por áreas temáticas de acordo com a definição de áreas do Sistema de Dados e Informações utilizado pela ProEx. Teremos então iniciativas em quatro áreas temáticas: Saúde, Educação, Cultura e Meio-Ambiente. A concentração de trabalhos na área da Saúde é significativa, embora os projetos não tenham articulação entre si. Nas áreas de Cultura e Educação encontram-se os projetos estruturados, voltados para as populações indígenas de Minas Gerais. A área de Direitos Humanos poderia entrar como área temática complementar em alguns dos projetos. Ainda segundo a proposta da ProEx, a linha programática onde se enquadram os projetos existentes seria a de “Direitos de Grupos Sociais”. Segue uma apresentação, por área temática, das informações coletadas. 1) Área de Saúde: COELHO, Erika de Aguiar Miranda. Epidemiologia das lesões traumáticas da dentição permanente de crianças e adolescentes nas Tribos Maxakali e Krenak. Belo Horizonte: Faculdade de Odontologia da UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Odontologia. Orientadora: Profa. Maria Ilma de Souza Côrtes) CUNHA, Roberto Penna de Almeida. Infecção pelo Helicobacter pylori em Populações Autóctones da Amazônia Ocidental Brasileira. Belo Horizonte: ICB/UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Microbioologia. Orientadora: Dulciene Maria de Magalhães Queiroz.) CURSINO, L., SOUZA, E. C., NASCIMENTO, A. M. A. Frequência de bacteriocinogenia em isolados de sítios do Ribeirão do Carmo-MG contaminados em sua maioria por mercúrio e de fezes de seringueiros e índios do Amazonas. In: I Semana de Pós Graduação da UFMG, 1999, Belo Horizonte-MG. Resumos, 1999. p.15. FARIAS, L. M., RIBAS, P. S. Susceptibilidade a antimicrobianos de periodontopatógenos indígenas isolados de adultos humanos sadios e de pacientes com periodontite de início precoce. 1999. Banca de Mestrado em Odontologia (Periodontia), da Escola de Odontologia da UFMG. GOMES, Maria Aparecida, SILVA, Edward Felix. Controle de Parasitoses intestinais aplicadas aos índios Xakriabá. Projeto de Extensão ICB, Depto. de Parasitologia. Atuação em área com bolsista ProEx, de março a outubro de 2000; suspenso por falta de alojamento em área. MARQUES, V. R. B. Medicamentos Indígenas na Terra de Santa Cruz. In: XIX Simpósio Nacional de História, 1997, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Imprensa Universitária UFMG, 1997. p. 289-289. NASCIMENTO, A. M. A. Freqüência de bacteriocinogenia em isolados de sítios do Ribeirão do Carmo-MG, contaminados em sua maioria por mercúrio, e de fezes de seringueiros e índios do Amazonas. In: VIII Semana de Iniciação Científica e I Semana de Pós-Graduação da UFMG, 1999, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 1999. p.15 - 15. PENA, João Luiz. Avaliação do Impacto das Intervenções em Saneamento na Saúde das Populações Indígenas do Brasil: um estudo de caso na população xakriabá. Dissertação de Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Engenharia Sanitária. Orientador: Professor Léo Heller Co-orientadora: Antropóloga Alba L. G. Figueroa. Data prevista para a defesa: junho de 2003.) SANTOS, Paulo José Benevides dos. Estudo da Prevalência de alterações da mucosa bucal entre os Indígenas Waimiri-Atroari. Belo Horizonte: UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Odontologia. Orientadora: Profa. Maria Auxiliadora Vieira do Carmo.) TORRES, Heloisa de Carvalho. Educação e Promoção da Saúde para indígenas com doenças crônicas, em especial Diabetes Melliltus. Rio de Janeiro? Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz. (Tese de doutorado em Enfermagem, em andamento em 2002. Programa Saúde da Família (consultoria e apoio à distância para profissionais que atuariam nas áreas indígenas). 2) Área de Educação ALMEIDA, Maria Inês de et alii. Intercultural e multilíngüe: formação universitária para os índios na UFMG graduação à distância para professores indígenas, 2001. ALVES, Vânia de Fátima Noronha. O corpo lúdico maxakali: desvelando os segredos de um "programa de índio". Belo Horizonte: UFMG, 1999. (Dissertação de Mestrado em Educação. Orientador: Luiz Alberto Oliveira Gonçalves). CAMPOS, Rogerio Cunha, SALGADO, A. C. Banco de Dados sobre Educação Indígena. Sub-projeto Extensão, 2002. CASTRO, M. G. Cultura Escolar: Uma Investigação Da Experiência Escolar Dos Professores Indígenas Xakriabá. 2002. In: II Semana do Conhecimento da UFMG/ X Semana de Iniciação Científica, 2002, Belo Horizonte. Anais da X Semana de Iniciação Científica Belo Horizonte: Publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais/ Pró Reitoria de Pesquisa, 2002. p.262 - 262. Orientadora: Profa. Ana Maria R. Gomes. GOMES, Ana Maria R. Programa de Implantação da Escolas Indígenas. Projeto Extensão, parceria SEE/MG, FUNAI, IEF. Coordenadora, 2001. GOMES, Ana Maria R., GERKEN, Carlos Henrique Sousa; ALVARES Myriam Martins. Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa registrado CNPq, parceria FUNREI, 2000-2003. LAS CASAS Rachel, Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa, Bolsista Aperfeiçoamento FAPEMIG, 2002. Orientador: Prof. Carlos Henrique S. Gerken. MATOS, Kleber Gesteria, Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa, Bolsista Aperfeiçoamento FAPEMIG, 2002. Orientador: Profa. Ana Maria R. Gomes. MENDES, Verônica. Cultura escolar ou escolarização da cultura. Uma investigação junto à comunidade Xacriabá. Dissertação de Mestrado em Educação. Faculdade de Educação. Orientadora: Profa Ana Maria R. Gomes. Data prevista para defesa: agosto 2003. MENEZES Karina, Produção de Material Didático a partir do acervo do Banco de Dados em Educação Indígena. Subprojeto do Promad (Laboratório de Produção de Material Didático), Bolsa PAE-FaE. 2000- 2002. orientadora: Profa. Ana Maria R. Gomes 3) Área de Cultura: ALMEIDA, Maria Inês de. Culturas Indígenas na UFMG. Programa de Extensão, 2002. Coord. Profa. Dra. Maria Inês de Almeida e Profa. Dra. Rosangela Tugny. ALMEIDA, Maria Inês de. Ensaios sobre a literatura indígena contemporânea no Brasil. São Paulo: PUC-SP, 1999. (Tese de Doutoramento em Comunicação e Semiótica. Orientador: Amálio Pinheiro.) ALMEIDA, Maria Inês de. Formação continuada de professores indígenas como etapa para a graduação. Subprojeto de extensão/Programa Culturas Indígenas na UFMG, 2002. BAETA, Alenice Motta. A memória indígena no Médio Vale do Rio Doce: arte rupestre e identidade krenak. Belo Horizonte: UFMG, 1998. (Dissertação de Mestrado em Educação. Orientadora: Márcia Spyer Rezende) BARROS, J. A. M. Argüição à autora da dissertação intitulada Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, 2000. Membro suplente da banca examinadora da dissertação de Mestrado intitulada Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, apresentada ao Curso de Mestrado do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG) por Laura Nogueira Oliveira. Data da defesa: 18 de fevereiro de 2000. BASTOS, R. J. M., KAMAYURA, Índios. Experiência Musical no Alto Xingu In: Músicas Africanas e Indígenas em 500 Anos de Brasil, 2000, Belo Horizonte. Músicas Africanas e Indígenas em 500 Anos de Brasil: Encontro Internacional de Etnomusicologia Belo Horizonte: Escola de Música - UFMG, 2000. p.11. CHRISTIANE, Bárbara - Autoria coletiva na produção literária dos professores indígenas. Bolsa Probic PAPEMIG. Orientadora: Prof. Maria Inês Almeida. FIGUEIREDO, Paulo Roberto Maia. Economia Simbólica da Alteridade: ensaio de Ontologia Ameríndia. Belo Horizonte: FAFICH, 1999. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Ruben Caixeta de Queiroz). MAGRO Cristina - Examinando a inter-relação entre linguagem, cognição e cultura: em busca de procedimentos adequados para o tratamento de línguas indígenas em Minas Gerais. Projeto PAD – FALE. 2002. MEYER, Monica. Exposição Artes do coração do Brasil. Museu de História Natural da UFMG, Subprojeto de Extensão/Programa Culturas Indígenas na UFMG, 2002. MONTEIRO, J. M. Entre o Gabinete e o Sertão: inclusão e exclusão dos índios durante o Império In: XIX Simpósio Nacional de História, 1997, Belo Horizonte. Programa e Resumos. Belo Horizonte MG: Editora da UFMG, 1997. NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Almofala dos Tremembé: a terra da santa In: II Seminário de Psicologia e Senso Religioso, 1998, Belo Horizonte. Caderno de Resumos, Belo Horizonte: UFMG, 1998. p. 7. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida no mestrado da UFMG, sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. Em 1702, começou a ser construída uma igreja em Almofala, distrito de Itarema-CE, dando origem ao aldeamento dos índios Tremembé. Em 1898, essa igreja foi soterrada e permaneceu sob as dunas durante 45 anos. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade e fez-se uma primeira análise de conteúdo. Conclui-se que a igreja de Almofala é um símbolo do caráter sagrado desse território indígena e que a resistência a tudo que a ameaça identifica-se com a resistência em defesa da própria história e identidade do povo Tremembé. NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Objetos sagrados e anteparos simbólicos dos conflitos interétnicos na Almofala dos Tremembé. In: XXIX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, 1999, Campinas. Caderno de Resumos. Campinas: SBP, 1999. p. 284. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida no mestrado da UFMG sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. o objetivo deste trabalho é apreender os significados de alguns objetos que os Tremembé cuidam de maneira especial: uma pequena cruz de madeira, tijolos da igreja e o cruzeiro do pátio dessa igreja, e como esses significados são utilizados nas relações intra e interétnicas. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade. Ao fazer uma análise de conteúdo desse material, observou-se, no trabalho da memória coletiva, a relação dos Tremembé com o sagrado articulado com a sua relação de pertença ao grupo étnico. NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Tremembé e pesquisadores: um encontro entre tradição e modernidade In: I Semana de Pós-Graduação, 1999, Belo Horizonte. Caderno de Resumo Belo horizonte: UFMG, 1999. p.131. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida durante no mestrado da UFMG, sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. Com este trabalho busca-se apreender como os pesquisadores são compreendidos no conjunto das relações interétnicas. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade. A análise fenomenológica revela que o trabalho da memória coletiva se dá dentro das preocupações com o reconhecimento da identidade étnica e demarcação de suas terras numa situação de fricção interétnica. Neste contexto, os pesquisadores são vistos como apoiando a dinamização da memória coletiva e da identidade étnica quando sintonizados com o dinamismo da tradição e coerentes com as necessidades concretas desse grupo indígena no seu contato com a modernidade. NASCIMENTO, Edileusa Santiago do. Memória coletiva e identidade étnica dos Tremembé. de Almofala: os índios da terra da Santa de Ouro. Belo Horizonte: UFMG,2001. (Dissertação de Mestrado em Psicologia. Orientador: Prof. Miguel Mahfoud.) NICOLAU, Eunice Maria das Dores- Documentação de línguas escritas e falados no Brasil. Projeto PAE- FALE. 2002. OLIVEIRA, Laura Nogueira. Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen. Belo Horizonte: UFMG,2000. (Dissertação de Mestrado em História. Orientador: Prof. Ciro Flávio de Castro Bandeira Melo.) PENA, João Luiz. Os Maxakali e a domesticação do kaxmuk: a propósito do consumo de bebidas de alto teor alcoólico. Belo Horizonte: FAFICH, 2000. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Eduardo Viana Vargas). QUEIROZ, Carlos Caixeta de. Punição e etnicidade: estudo de uma "Colônia Penal Indígena". Belo Horizonte: UFMG, 1999. (Dissertação de Mestrado em Sociologia. Orientador: Leonardo Hipólito Genaro Fígoli.) SILVEIRA Elza - Gêneros literários na tradição oral xacriabá. Bolsa PIBIC- CNPq. 2001. Orientadora: Prof. Maria Inês Almeida. WENCESLAU, M. E. As Histórias de Antigamente, sob o olhar do não-índio, no mundo e na vida Guarani. In: V Encontro Nacional de História Oral, 1999, Belo Horizonte. Resumo. Belo Horizonte: UFMG, 1999. v.1. As histórias de antigamente do índios são consideradas pelos índios como sua verdade, enquanto para o não índio é considerada como mito. ZANETTI, Andrey Prote. Identidade, Tradição e"'Performance": um estudo dos pataxó da Fazenda Guarani (Carmésia - MG). Belo Horizonte: FAFICH, 2001. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Leonardo H. G. Figoli). 4) Área de Meio-Ambiente: Projeto “Educação ambiental em cavernas: uma proposta pedagógica”. Coordenador Prof. Rogério Parentoni Martins, ICB. Formação de uma associação de municípios mineiros onde existem grutas, criação do “Circuito das Grutas de MG”. Projeto de Educação ambiental do visitantes das grutas (uso sustentável das cavernas); bolsista de 03 a 12/2000. FREITAS, F. O. Arqueologia de Plantas Cultivadas - Uma abordagem morfológica e genética no estudo sobre a origem de algumas das plantas cultivadas encontradas nas cavernas de Januária e propostas de possíveis rotas migratórias do homem na América do Sul. 2000. FREITAS, F. O., BARTH, O. M. Análise Palinológica em amostras arqueológicas de própolis de Januária, MG. 2000. Nomes e endereços de possíveis parceiros Nicanor Rebolledo – Gerardo Bamonte – ONU e Fondazione Internazionale Lelio Basso Linda King – UNESCO de Paris. Nietta Lindenberg Beleni Grando – UNEMAT. Maurizio Gnerre – Università di Roma La Sapienza. Tel: 06.69920857
(Roma) João Batista Borges Pereira – Comissão Permanente de Políticas Públicas para Populações Negras da Reitoria da USP. Tel: 011- 30914612 (secretária Viviane) e 55420842 (resid. em Moema) Galina Erchova – Institut Archeologii Rossiyskoi Akademii Naul. Sergio Dominguez – UNESP Marie Carmem de Saavedra – responsável pelo programa de educação e gestão ambiental dos mapuches no Chile pela Deutscher Entwiklungsdienst (DED)/ Cooperação Técnica e de Desenvolvimento Alemã (GTZ). Coloca-se à disposição para encaminhar pedidos de financiamento a esta agência alemã. Tel/fax: 00493085602178 Luciano Giannelli – Giulia Pedone – Università di Roma La Sapienza. Fillippo Lenzi Grillini – Università Studi di Siena Sergio Neuenschwander – Organizações indígenas brasileiras Acre APIWTXA - Associação Ashaninka do Rio Amônea Rua Afonso Pena, 801 Cruzeiro do Sul-AC - CEP 69980-000 Tel: 68-322-3805 e-mail- apitwxa@nauanet.com.br ASPIRH - Associação dos Povos Indígenas do Rio Humaitá Rua Maria da Liberdade Cidade:Tarauacá/AC - CEP: 69.970.000 Tel: 068 - 462-1782 ASKARJ - ASSOCIAÇÃO DOS SERINGUEIROS KAXINAWÁ DO RIO JORDÃO Rua João de Paiva, 665 Bairro Senador Pompeu Tarauacá - AC CEP: 69.900-000 - Tel. 068-462-1195 MAMA - Movimento Articulado das Mulheres da Floresta Amazônica Caixa Postal 334 69.908-970 - Rio Branco - AC Tel/Fax: 068-224-8607 MOPIJ - Movimento dos povos indígenas do rio juruá tel. 068-322-2789 OAEYRG - Organização de Agricultores Extrativista Yawanawá do Rio Gregório Rua Floriano Peixoto, 473 69.970-000 - Tarauacá - AC Tel: 068-462-1477 E-mail: oaeyrg@mdnet.com.br OPIRJ - Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá Av. 28 de Setembro, 728 (OU 782?) Morro da Gloria 69980-000 - Cruzeiro do Sul - AC Tel: 068-322-2822 e 068-322-2058 Fax: 068-322-2942 OPIRE - Organizaçao dos Povos Indigenas do Rio Envira Av.Presidente Castelo Branco, 374 2º Distrito 69.960-000 Feijó- AC Tel.: 068-463-2592 OPITARJ - Organização dos Povos Indígenas de Tarauacá e Rio Jordão Av.Antonio 69.970-000 Tarauacá /AC (068) 462-1361 Rua João de Paiva, 665 UNI-AC - União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas Rua Amazonas, 158 69900-390 - Rio Branco - AC Tel: 068-223-1973 Fax: 068-223-2400 E-mail: uni@mdnet.com.br Alagoas APOINME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo Caixa Postal 04 57600-970 - Palmeira dos Índios - AL Tel: 082-421-3336 e 984-1163 AICO - Associação Indígena Cocal Aldeia Indígena Wassul Cocal Posto Indígena Cocal 57.000-000 - Joaquim - AL Amapá APINA - Conselho das Aldeias Waiãpi Rua São José, 1570 - Bairro Central 68906-270 - Macapá - AP Tel: 096-212-9146 - Fax: 096-212-6145 E-mail: apina@tvsom.com.br APIO - Associação dos Povos Indígenas do Oiapoque Rua Honório Silva, s/n 68980-000 - Oiapoque - AP (096) 521-1518 APITU - Associação Indígena do Parque do Tumucumaque Rua Azarias Neto, s/n - Beira Rio Anexo a Casa do Artesão 68.900-000 - Macapá - AP (096) 212-5196 e (096) 222-4329 APIWA-TA - Associação do Povo Indígena Waiãpi do Triângulo do Amapari A/c ADR Funai - Macapá Av. Mendonça Furtado, 333 68.906-350 - Macapá - AP Tel: 096-222-1830 e 222-1395 Fax: 096-222-2248 CCPWA - Centro de Cultura dos Povos Wayana e Apalai Rua Azarias Neto, s/n - Beira Rio Anexo a Casa do Artesão 68.900-000 - Macapá - AP Tel: 096-212-8528 Amazonas AAISARN - Associação dos Agentes Indígenas de Saúde do Alto Rio Negro Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIBRN - Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (ex-COIMRN) Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIRA - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Aiari Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIRU - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Umari Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACITRUT - Associação das Comunidades Indígenas de Taracuá, Rios Vauapés e Tiquié Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIRC - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Castanho Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIMRN - Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro Rua Monsenhor Giordane, 158 - CEP:69.740-000 Santa Isabel do Rio Negro, /AM Tel: (097) 441-1001 FAX (092) 441-1002 ACIRNE - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Negro Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIRX - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Xié Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACWA - Associação Comunidade Waimiri-Atroari Rua Recife, 2.305 Parque Dez 69.57-02 Manaus/AM Tel: 097- 236-1229 AEDI- Associação dos Educadores Indígenas do Distrito de Iauaretê Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AILCTDI- Associação Indígena Língua e Cultura dos Tariano do Distrito de Iauaretê Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AINBAL - Associação Indígena do Balaio Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AIBRI - Associação Indígena do Baixo Rio Içana Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ACIPK - Associação das Comunidades Indígenas Potyra-Kapuano Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AISP- Associação Indígena de Saúde Pública de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AMAI - Associação das Mulheres de Assunção do Içana Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AMARN - Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro Rua 06, casa 156 - Conjunto Villar Câmara - Estrada do Aleixo 69.065/020 fone/fax (092)644-2480 - Manaus amarn@hotmail.com AMIDI - Associação das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AMISM - Associação das Mulheres Indígenas Sateré Maué Beco Santa Isabel, 1525A Cachoeirinha I 69.650-160 - Manaus - AM AMITRUT - Associação das Mulheres Indígenas de Taracuá, Rios Uaupés e Tiquié Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 APIARN - Associação dos Professores Indígenas do Alto Rio Negro Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 APIT - Associação do Povo Indígena Torá Rua Monteiro, 2.895 69.800-000 - Humaitá - AM Tel: 097-373-1974 APITIPRE - Associação do Povo Indígena Tenharim do Igarapé Preto Rua Monteiro, 2.895 69.800-000 - Humaitá - AM Tel: 097-373-1974 APMCIESM- Associação de Pais e Mestres das Comunidades Indígenas da Escola São Miguel Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ASIBA - Associação Indígena de Barcelos R. Clovis Gadelha, S/N São Sebastião - Igarapé Salgado 69.700-000 Barcelos (AM) tel. (97) 721-1485 (para contato) ASSAI/SGC - Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ATIDI - Associação dos Trabalhadores Indígenas do distrito de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ATRIART- Associação das Tribos Indígenas do Alto Rio Tiquié (ex-Cretiart) Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 AYRCA - Associação Yanomami do Rio Cauaboris e Afluentes Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 CACIR - Conselho de Articulação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas de Santa Isabel Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 CGTSM - Conselho Geral da Tribo Satere-Mawé Rua Cametá, 936 São Judas Tadeu 69.160-000 - Barreirinha - AM Tel: 097-988-9837 CGTT - Conselho Geral da Tribo Ticuna Av. Castelo Branco, 396 69630-000 - Benjamin Constant - AM Tel: 097-415-5624 CIM - Conselho Indígena Mura Rua Raimundo Cavalcanti, 793 Centro 69.240-000 - Autazes - AM Tel: 097-717-1600 CIPAC - Comunidade Indígena de Pari-Cachoeira Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 CIVAJA - Conselho Indigena do Vale do Javari Rua Cunha Gomes, s/n 69650-000 - Atalaia do Norte - AM Tel/fax: 097-417-1128 COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira Av. Ayrão, 235 - Presidente Vargas Caixa Postal: 1081 69025-290 - Manaus - AM Tel: 092-233-0548 e 092-232-7396 Fax: 092-233-0209 E-Mail: coiab@ax.ibase.org.br COIAMA - Coordenação de Apoio aos Índios Cocama Rua Emílio Moreira, 336 Centro - Manaus - AM COIDI - Coordenadoria das 0rganizações Indígenas do Distrito de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 COPIAM - Comissão dos Professores Indígenas da Amazônia - (ex COPIAR) Av.Ayrão, 235 Presidente Vargas CEP 69.025-290 Manaus - AM Tel: 92- 233-9548 Fax - 092-233-0209 COOPERÍNDIO - Cooperativa de Produção dos Índios do Alto Rio Negro Av. 7 de setembro, 314 - Praia 69.750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 92-471-1430 FDDI/SGC - Fórum de Debates de Direitos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira FIUPAM – Federação Indígena Pela Unificação e Paz Mundial Rua Duarte Coelho, 10 - Portobrás 69640-000 – Tabatinga – AM Tel/Fax: 92-412-2949 e 412-4484 E-mail: fiupam@yahoo.com.br - fiupam@uol.com.br FOCCITT - Federação das Organizações e dos Caciques e Comunidades Indígenas da Tribo Ticuna Rua Dautchitape'e, s/n. Comunidade Ticuna Filadélfia 69.630-000 - Benjamin Constant - AM FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro Av. Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel/Fax: 097-471-1349 e-mail: Foirn@uol.com.br GNBI - Grupo Nhengatu do Baixo Içana Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 GETEC - Grupo de Estudos e Trabalho em Ecoturismo Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 MEIAM - Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas Rua 03, n. 25 - Quadra "L" Jd. Oriental - Parque 10 69.055-210 - Manaus - AM Museu Maguta Av. Castelo Branco, 396 69630-000 - Benjamin Constant - AM Tel: 097-415-5624 OCIARNE - Organização das Comunidades Indígenas do Alto Rio Negro Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 OCIDAI- Organização das Comunidades Indígena de Assunção do Içana Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira/AM Tel: 092- 471-1349 OGCCIPC - Organização Geral dos Caciques das Comunidades Indígenas do Povo Kokama Rua Almirante Tamadaré, 411 - Dom Pedro I 69.640 - 000 - Tabatinga/ AM Tel: 97- 400-7253/ 498-9900 OGMSPT - Organização Geral dos Monitores de Saúde do Povo Ticuna Av. Castelo Branco, 396 69.630-000 - Benjamin Constant - AM Tel/fax: 092-415-5624 OGPTB - Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngues Caixa Postal 0023 69.630-000 - Benjamin Constant - AM Tel: 092-415-5527 e092- 415-5623 OIBI - Organização Indígena da Bacia do Içan Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-2829 e-mail: oibiwatsa@poranganet.com.br OIBV - Organização Indígena de Bela Vista Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 OICI - Organização Indígena do Centro Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ONIARP- Organização das Nações Indígenas do Alto Papuri Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 ONIMRP - Organização das Nações Indígenas do Médio Rio Papuri Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 OPIMP - ORGANIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO MÉDIO PURUS Av. Luiz Falcão, s/n Barra Limpa 69.830-000 - Lábrea - AM Tel: 097-731-1467 Fax 092-731-1462 OPITEN MOROGETA - Associação do Povo Indígena Tenharim Rodovia Transamazônica, Km 130 69.830-000 - Humaitá - AM OPIPAN - Associação do Povo Indígena Parintintin do Amazonas Rua Monteiro, 2.895 69.800-000 - Humaitá - AM Tel: 092-373-1974 OPISM - Organização dos Professores Indígenas Sateré-Maué Parintins - AM Organizaçao do Conselho Indígena Munduruku Paroquia Nossa Senhora de Nazaré 69230-000 - Nova Olinda do Norte - AM OSPTAS - Organização de Saúde do Povo Ticuna do Alto Solimões Av. Castelo Branco, 396 69.630-000 - Benjamin Constant - AM UCIDI - União das Comunidades Indígenas do Distrito de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UNIBI - União das Nações Indígenas do Baixo Içana Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UNIDI - União das Naçoes Indígenas do Distrito de Iauareté Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UNI-TEFÉ - União das Nações Indígenas do Médio Solimões de Tefé Praça Santa Tereza, 283 Centro 69.470-000 - Tefé - AM Tel: 092-743-2544 Fax: 097-743-2663 UNIMRP- União das Nações Indígenas do Médio Rio Papuri Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UNIRT - União das Nações Indígenas do Rio Tiquié Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UNIRVA - União das Nações Indígenas do Rio Uaupés Acima Rua Alvaro Maia, 79 Caixa Postal: 31 69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM Tel: 097-471-1349 UPISMM - União dos Povos Indígenas Sateré-Maué e Munduruku Rua 7 de setembro, 662 Paróquia Nossa Senhora de Nazaré 69.230-000 - Nova Olinda do Norte - AM Tel: 097-718-1350 AMK - Associação Massacará - Kaimbé Povoado de Massacará Quarteirão do Icó 48.500-000 - Euclides da Cunha - BA ACKSM - ASsociação Comunitária Kiriri do Saco dos Morcegos Povoado de Mirandela 48.408-000 - Banzaê - BA Tel: 075-229-5062 ACIFRAN - Associação Comunitária Indígena Francisco Rodelas Tuxá de Ibotirama Aldeia Indígena Tuxá Fazenda Mourrinhos Posto Indígena da Funai 47.520-000 - Ibotirama - BA Tel: 077-229-3291 ACIRVO - Associação Comunitária Indígena Raul Valério de Oliveira Aldeia Indígena Tuxá Fazenda Mourrinhos Posto Indígena da Funai 47.520-000 - Ibotirama - BA Tel: 077-229-3291 ACIPACOVER - Associação Comunitária Indígena Pataxó de Coroa Vermelha Aldeia Indígena Pataxó da Coroa Vermelha Posto da Funai 45.810-000 - Santa Cruz Cabrália - BA Associação Comunitária Pankararé Aldeia Indígena Pankararé Posto da Funai 48.610-000 - Glória - BA CCP - Conselho de Caciques Pataxó A/c Cimi de Eunápolis Av. Paulino Mendes, 53 - Anexo 45.825-000 - Eunápolis - BA Ceará ACIT - Associação das Comunidades dos Indios Tapeba A/c Equipe Arquidiocesana de apoio à questão indígena Travessa Sobral, s/n - Catedral 60.030-030 - Fortaleza - CE Tel: 085-231-6951 e 342-2454 (Rec.) CINCRA - Conselho Indígena de Crateus A/c Profa. Helena Rua Afonso Chaves, 1.253 Fátima I 63.700-000 - Crateus - CE Tel: 088-811-3003 CITA - Conselho Indígena Tremembé de Almofala Rua José Candido, 53 Monte Castelo 60.325-490 - Fortaleza - CE Tel/Fax: 085-283-2468 COIPY - Conselho Indígena Pitaguari Comunidade Santo Antonio do Pitaguari A/c Prof. Alencar Rua 44, casa 228 - Jereissat II 61.900-000 - Maracanau - CE Conselho Indígena Kanindé de Aratuba Sítio Fernandes 62.762-000 - Aratuba - CE Distrito Federal CAPOIB - conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil SDS Ed. Venâncio III, 1º Andar, sala 107 70393-900 - Brasília - DF tel/fax: 061-322-4133 Comitê Intertribal SQS 109 - Bloco C-AP 508 70.327-030 - Brasília - DF Tel: 061-347-1337 Espírito Santo Comissão de Articulação Tupiniquim e Guarani Rua Principal s/n Aldeia Kaieiras Velhas 29.195-000 - Aracruz - ES Educadores Indígenas Tupinikim e Guarani A/C Caixa Post/al 30 29.190-000 - Aracruz - ES Maranhão Associação dos Professores Timbira do Maranhão e Tocantins Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação Mãkraré Krahô - Aldeia Nova Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação WOKRAN Krahô - aldeias Rio Vemelho e Cachoeira Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação KrinduréAldeia Apinajé de São José e Patizal e Cocalinho Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação Apaniekra Aldeia Canela de Porquinhos Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação das Comunidades Indígenas Gavião Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Associação Indígena Angico-Torto Povo Indígena Guajajara Associação Pemp-Kahoc Aldeia São José Krikati BR 280 65.936-000 - Montes Altos - MA Tel. 098-571-0143 (tel. da aldeia) CIPK - Conselho Indígena dos Povos Krikati Rua Simplício Moreira, s/n 65.907-190 - Imperatriz - MA Tel: 098-722-1762 Fax: 098-722-2809 VYTY-CATI - Associação das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins Rua Gomes de Souza, 344 65980-000 - Carolina - MA Tel. 098-531-2703 Mato Grosso ACIF - Associação Comunidade Indígena de Fontoura Aldeia Fontoura (Karajá) Rua Mato Grosso, 366 78.670-000 - São Félix do Araguaia - MT ACIKAM - Associação Comunidade Indígena Karajá Aldeia Macaúba Aldeia Macaúba Parque Indígena do Araguaia 78.650-000 - Santa Terezinha - MT ACI - Associação Comunidade Itxala Aldeia Itxala (Karajá) Santa Terezinha - MT ACOIMA - Associação Comunitária dos Índios Moradores da Dom Bosco Terra Indígena Sangradouro Poxoréu - MT AHA - Associação Hhalitinã Aldeia Kotitiko BR 364, km 475 Terra Indígena Pareci 78.300-000 - Tangará da Serra - MT Tel: 065-726-1342 AIACP - Associação Indígena da Aldeia Cabeceira da Pedra General Carneiro - MT AIM - Associação Indígena Mavutsinin (Kamaiurá) Av. Paraná, 221 78.640-000 - Canarana - MT Tel: 065-478-1815 AKB - Associação Kura-Bakairi Aldeia Central Pakuera Terra indígena Bakairi Caixa Postal: 11 78.870-000 - Paranatinga - MT ANTAPAMA - Associações dos Povos Tupi do Mato Grosso, Amapá, Pará e Maranhão Aldeia Urubu Branco 78.650-000 - Santa Terezinha - MT Tel: 065-558-1125 Fax: 065-554-1110 ASALTYKA - Associação Aldeia Tytema Karajá Aldeia Tytema Santa Terezinha - MT ASIRIK - Associação Indígena Rikbaktsa Terra Indígena Rikbaktsa (Barranco Vermelho) Brasnorte - MT Associação da Comunidade Bororo Piebaga-Tugokur Aldeia Piebaga Rondonópolis - MT Associação Coroguedu Paru-Kejeu Aldeia Córrego Grande Santo Antonio do Leverger - MT Associação da Comunidade Bororo da Aldeia Kudorjare General Carneiro - MT Associação Comunidade Indígena de Santa Isabel do Morro Aldeia Santa Isabel do Morro Av. Araguaia, 588 78.670-000 - São Félix do Araguaia - MT Tel: 065-522-1155 Associação Indígena Tsorepre Xavante Caixa Postal 37 78.600-000 - Barra do Garças - MT Associação do Povo Mehinaku Parque Indígena do Xingu Associação Indígena Nambikwara Mamaindê Aldeia Capitão Pedro Comodoro - MT Associação Indígena odix (Xavante) Terra Indígena Parabubu Aldeia Betel Campinópolis - MT Associação Indígena Omohi Aldeia Novo Paraíso, Xavante Campinópolis - MT Associação Indígena Tsihorirã Terra Indígena Parabubure, Xavante Campinópolis - MT Associação Indígena Marãiwatsede Terra Indígena Pimentel Barbosa, Xavante Canarana - MT Associação Indígena Namunkurá (Xavante) Barra do Garças - MT Associação Indígena Umutina Aldeia Umutina Barra do Bugres - MT Associação Yemoriri Terra Indígena Bakairi de Santana De Nobres - MT Associação Jakui (Kalapalo) Rua Redentora, 837 Jardim Bela Vista 78.640-000 - Canarana - MT Tel: 065-478-1849 Associação Kolimaci Aldeia Aroeira (Sabanê) Comodoro - MT Associação 0ne Tilolazere Comunidade Indígena Paresi do Rio Formoso Tangará da Serra - MT Associação Tapirapé Petuti Santa Terezinha - MT Associação Wakliktsú Povo Nambiquara Aldeia Três Jacu Sapezal - MT Associação Watoholy Terra Indígena Irantxe Brasnorte - MT AXPB - Associação Xavante de Pimentel Barbosa Travessa Cabo Francisco, 07 Caixa Postal 77 78790-000 - Nova Xavantina - MT Tel: 065-438-1106 ATIX - Associação Terra Indígena Xingu Av. Mato Grosso, 688 78640-000 - Canarana - MT Tel/Fax: 066-478-1948 e-mail: atix@uol.com.br CIBAE - Associação da Comunidade Bororo de Meruri Terra Indígena Meruri Barra do Garças - MT Conselho de Administração da Comunidade de Iny Posto Indígena Krehawa (Karajá) Terra Indígena São Domingos 78.660-000 - Luciara - MT Tel: 065-528-1140 Tadarimana Tadawuge Eno-Associação Terra Indígena Tadarimana - Bororo Rondonópolis - MT Mato Grosso do Sul ACIRK - Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu Av. Samambaia, 601 Quadra 8, Lote 27 Conjunto Moreninha III 78.065-280 - Campo Grande - MS AITECA - Associação Indígena Terena de Cachoeirinha 79.380-000 - Miranda - MS Caixa Postal 100 AITEMO - Associação Indígena Terena de Moreira Posto Indígena Pílad Rebuá 78.380-000 - Miranda - MS AITEPA - Associação Indígena Terena de Passarinho Posto Indígena Pílad Rebuá 78.380-000 - Miranda - MS APROTEM - Associação dos Professores Terena de Miranda Posto Indígena Cachoeirinha 78.380-000 - Miranda - MS Tel: 67-242-2511 Associação Indígena Terena de Lalima Posto Indígena Lalima 78.380-000 - Miranda - MS Associação Mãos Unidas Posto Indígena Cachoeirinha (aldeia Babaçu) 78.380-000 - Miranda - MS Associação de Índios Desaldeados Kaguateca Marcal de Souza Rua Nicolau Frageli, 71 - fundos Centro 79008-570 - Campo Grande - MS Tel: 67-624-7729 Associação de Moradores da Aldeia de Ipege Câmara Municipal de Aquidauana 79.200-000 - Aquidauana - MS Tel: 67-241-2412 Associação dos Produtores Rurais de Argola Posto Indígena Cachoeirinha 78.380-000 - Miranda -MS Associação dos Produtores Indígenas Guarani e Kaiowá de Caarapó Área Indígena Caarapó 79.940-000 - Caarapó - MS Aty Guasú Guarani Rua Major Capilé, 3.681 Maxuel 79830-030 - Dourados - MS Tel/Fax: 67-424-1953 COCTEKD - Centro Organizacional da Cultura Tradicional da Etnia Kaiowá de Dourados R. Amael Pompeu Filho, 654 Pq. Alvorada 79823-370 - Dourados-MS Tel: 67-4269701 Comissão dos Professores Indígenas Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul Caixa Postal 682 78.830-970 - Dourados - MS Comitê Terena - Organização de Base do Povo Terena Caixa Postal 2004 79.002-070 - Campo Grande - MS Grupo de Trabalho de Pequenos Lavouristas de Argola Terena - Posto Indígena Cachoeirinha 78.380-000 - Miranda -MS Movimento dos Professores Indígenas Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul Caixa Postal 682 78.830-970 - Dourados - MS TEKO HA - Movimento dos Rezadores Kaiowá Caixa Postal 682 78.830-970 - Dourados - MS Minas Gerais ACIP - Associação das Comunidades Indígenas Pataxó Posto Indígena Fazenda Guarani 35.878 - 000 - Carmésia - MG Tel: 031-864-1172 ACOIPAVARI - Associação Comunitária Indígena Pataxó do Vale do Retirinho e Imbiruçu Posto Indígena Fazenda Guarani 35.878 - 000 - Carmésia - MG Tel: 031-864-1172 Associação das Mulheres Pataxó Posto Indígena Fazenda Guarani 35.878 - 000 - Carmésia - MG Tel: 031-864-1172 AIX - Associação Indígena Xacriabá Aldeia Brejo do Mata Fome Caixa Postal s/n - Manga 34.960 - 000 - São João das Missões - MG Tel: 038-615-1025 Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais (Pataxó, Maxakali, Xacriabá, Krenak, Kaxixó e Pankararu) 39.635-000 - Coronel Murta - MG Tel: 033-731-1732 (recados c/ Geralda) Núcleo de Cultura Indígena Tel: 031-3286-7202 e-mail: burum@terra.com.br Pará ABP - Associação Bep-Nói de Defesa do Xikrin do Cateté ADR Funai de Marabá Folha 31, Quadra 1, lotes 1 e 2 68.507-530 - Marabá - PA Tel/Fax: 091 -322-5086 AGITARGMA - Associação do Grupo Indígena Tembé do Alto Rio Guamá Tr. Nina Ribeiro, 254 Cx. Postal 12.097 - São Braz 66.090-970 - Belém - PA Tel/Fax: 091-226-5408 AIPU - Associação Indígena Pusuru Caixa Postal: 191 68.195-000 - Jacarecanga - PA AITTA - Associação Indígena dos Tembé de Tomé Açu Tr. Nina Ribeiro, 254 Cx. Postal 12.097 - São Braz 66.090-970 - Belém - PA Tel/Fax: 091-226-5408 (ou) Aldeia Turé Mariquita Caixa Postal 48 66.680-000 - Tomé Açu - PA AKA - Associação da Comunidade Kayapó- A´Ukre AMTAPAMA - Associação dos Povos de Língua Tupi do Mato Grosso, Pará, Amapá e Maranhão Tr. Nina Ribeiro, 254 Cx. Postal 12.097 - São Braz 66.090-970 - Belém - PA Tel/Fax: 091-226-5408 AIPATAK - Associação Indígena Parakategê Amijip Tár Kaxuwa ADR Funai de Marabá Folha 31, Quadra 1, lotes 1 e 2 68.507-530 - Marabá - PA Tel/Fax: 091 - 322-1799 CIMAT - Conselho Indígena Munduruku do Alto Tapajós Caixa Postal: 191 68.195-000 - Jacarecanga - PA Paraná UNAMI - União Nacional de Mulheres Indígenas Rua Eduardo C. Pereira, 126 Bloco 11 - Apto. 07 80.310-000 - Curitiba - PR Pernambuco ACIKA - Associação Comunitária Indígena Kapinawá de Pernambuco Clube Indígena Kapinawá Tabatinga 55.200-000 - Buique - PE Associação Cacique Sarapó Posto Indígena Fulni-ô 55.340-000 - Águas Belas - PE Tel: 081-775-1298 Associação Mista Comunaty Posto Indígena Fulni-ô 55.340-000 - Águas Belas - PE Tel: 081-775-1298 Associação Xukuru de Ororubá de Pernambuco Aldeia Pedra D´água 55.200-000 - Pesqueira - PE Tel: 081-835-3068 COPIXO - Conselho de Professores Indígenas Xucuru de Ororubá Rua Cel. Leonardo, 49 55.200-000 - Pesqueira - PE Tel. 081-835-3068 Organização Indígena Fulniô Aldeamento Indígena Fulniô Rua Santa Terezinha, 136 55.340-000 - Águas Belas - PE Tel: 081-775-1174 Rio de Janeiro ACIBRA - Associação Indígena de Bracuí A/c do Centro de Ação Comunitária Rua Benjamim Constant, 108 22.241-150 - Glória - RJ Tel: 021-242-9693 e 021-509-0263 GRUMIN - Grupo Mulher e Educação Indígena Rua Ambrosina, 82 - Tijuca 20.540-120 - Rio de Janeiro - RJ Tel: 021-567-2675 Fax: 021-208-6798 E-mail: grumin@ax.ibase.org.br Rio Grande do Sul APBKG - Associação dos Professores Bilingues Kaingang e Guarani Posto Indígena Inhacorá 98.595-000 - São Valério do Sul - RS Tel: 055-744-2391 Fax: 055-744-4018 Rondônia AAPIRB - Associação Agrária dos Povos Indígenas do Rio Branco Av.Vitória Régia, 900 São Bernardo 78.958-000 Ji-Panará (RO) 069- 421-2136 AAPIL - Associação Agrária do Povo Indígena do Igarapé Lourdes Rua Manoel Franco, 1820 78.963.0 Ji-Paraná-RO Tel: 069-423-5397 AAPIZ - PANGYJEJ - Associação do Povo Indígena Zoró A/c da Funai Rua Manoel Franco, 1820 Nova Brasília 78.963-000 - Ji-Panará - RO Tel: 069- 423-5397 AKOT PYTIM ADNIPA - Associação do Povo Karitiana A/c do Cimi Rua Dom Pedro II, 650 - Centro Caixa Postal 881 78.900-970 Porto Velho - RO 069-224-6373 APIA - Associação do Povo Indígena Arara A/c da Funai Rua Manoel Franco, 1820 78.964.0 Ji-Paraná-RO Tel: 069-423-5397 Associação Agrária do Povo Indígena de Rio Branco Av. Vitoria Regia, 900 São Bernardo 78958-000 - Ji-Paraná - RO Associação Indígena Sagarana A/c da Funai Av.Constituição, 542 78.957.000 Guajará-Mirim - RO Tel: 069- 541-2149 CUNPIR - Coordenação da União das Nações e Povos Indígenas de Rondônia, Norte do Mato Grosso e Sul do Amazonas Rua Alfazema, 181 Cohab Floresta II 78.900-000 - Porto Velho - RO Tel: 069-210-3798 MASSAKÁ - Associação dos dos Povos Indígenas Aikanã, Latundê e Kwazar Rua 826 - nº 6.535 - setor 08 Bairro Nova Vilhena 78.995-000 Vilhena-RO METAREILÁ - Organização do Povo Indígena Suruí Rua Capitão Rui Luís Teixeira, 1.666 Distrito do Riozinho 78.983-000 - Cacoal - RO Tel: 069-44l-3148 e 069-441-2019 OPICS - Organização dos Povos Indígenas Cassupá e Salamãi Rua D. Pedro II, 650 - Centro Caixa Postal 881 78.900-970 - Porto Velho - RO PAMARÉ - Associação do Povo Cinta Larga Rua Marcos da Luz, 5067 Riozinho 78.975-000 - Cacoal - RO 069- 441-3169 PANDEREJ - Organização das Associações Indígenas de Ji-Paraná Rua Manoel Franco, 1820 78.965.0 Ji-Paraná-RO Tel: 069-423-5397 Roraima APIR - Associação dos Povos Indígenas de Roraima Rua Carlos Nattrodt, 1737 Liberdade 69309-250 - Boa Vista - RR Tel: 095-225-1044 Fax: 095-224-3610 ARIKON - Associação Regional Indígena do Rio Kinô, Cotingo e Monte Roraima Rua Z2, n.1.857 Caimbé II 69.312-20 Boa Vista - RR CIR - Conselho Indígena de Roraima Av. Sebastião Diniz, 1672 W - São Vicente 69303-120 - Boa Vista - RR Tel/Fax: 095-224-5761 E-Mail: cir@technet.com.br OPIR - Organização dos Professores Indígenas de Roraima Av.Benjamin Constant, 1484 São Vicente 69303-090 - Boa Vista - RR Tel: 095-623-0892 Fax 095 - 224-5761 SODIUR - Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima Conjunto Totolandia Quadra 1 casa 1 Rua Y - 1 Caimbé 69.300-200 - Boa Vista - RR tel/fax: 095- 625-2833 TWM - Sociedade para o Desenvolvimento Comunitário e Qualidade Ambiental Rua Egito, 426 Cauamé 69.314-140 - Boa Vista - RR Santa Catarina APOIS - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Sul Rua Paulo Marques, 170E 89.803-010 - Chapecó - SC Tel: 049-722-1584 CONISC - Conselho Indígena de Santa Catarina Rua Borges de Medeiros, 1452Z 89.801-160 - Chapecó - SC Tel: 049-722-0024 São Paulo AICOP - Associação Indígena do Centro-Oeste Paulista A/c ADR Funai de Bauru Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis 17.013-191 - Bauru - SP Tel/Fax: 014-224-2955 AGUAI - Associação Guarani Indígena Rua Diogo de Quadros, 203 Santo Amaro 04710-010 - São Paulo - SP Tel: 011-241-0624 AIGAMS - Associação Indígena da Aldeia Morro da Saudade Estrada João Lang, 153 - Barragem São Paulo - SP Tel: 011-528-4251 AMICOP - Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista A/c ADR Funai de Bauru Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis 17.013-191 - Bauru - SP Tel/Fax: 014-224-2955 Associação Comunitária Indígena de Icatu A/c ADR Funai de Bauru Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis 17.013-191 - Bauru - SP Tel/Fax: 014-224-2955 Associação Comunitária Indígena Guarani Posto Indígena Araribá - Aldeia Nimuendajú A/c ADR Funai de Bauru Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis 17.013-191 - Bauru - SP Tel/Fax: 014-224-2955 Associação Guarani Nhe'em Porã Aldeia Krukutu Estrada do Curucutu s/n 04895-000 - São Paulo - SP Tel: 11- 5977-0025 (aldeia); 5973-5312 / 98459268 (associação) Fax: 5973-5312 E-mail: mailto:%20culturaguarani@ieg.com.br Site: http://www.culturaguarani.hpg.ig.com.br/index.html Associação Indígena Pankararu Rua Onório Serpa, 153 04174-090 - São Paulo - SP Tel: 011-6940-3532 Associação Indígena Tembiguai (Guarani) Aldeia Boa Vista Km 20 - Rodovia Rio-Santos Caixa Postal 149 11.680-970 - Ubatuba - SP Associação Xavante Warã Rua Fábia, 474 Vila Romana 05051-030 - São Paulo - SP Tel: 11-3873-5533 E-mail: xavantewara@uol.com.br Site: http://www.imaginario.com.br/questoe/xavante/index.shtml#topo IDETI -Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas Rua Augusta, 1.371, Loja 7 - Galeria Ouro Velho 01305-902 São Paulo - SP Tel: 011 - 283-4924 E-mail:mailto:%20idete.arte@bol.com.br Site: http://www.ideti.org.br/ Ñemboaty Guasu Guarani Organização Indígena da Aldeia Guarani Aguapeú Av. José Cesário Pereira Filho, 2.544 11.730-000 - Mongaguá - SP Tel: 013-972-9127 TJERO MIRIM BA'E KUAI - Associação Comunitária Indígena Guarani Aldeia Rio Silveira Tel: 012-467-9204 Tocantins APITO - Associação dos Povos Indígenas do Tocantins A/c ADR da Funai de Araguaína Rua 1º de Janeiro, 868 - Centro 77.803-140 - Araguaína - TO Tel: 063-814-2192 e 814-1733 Fax: 063-814-1733 AIX - Associação Indígena Xerente Travessa João amorim, 745-A 77.650-000 - Miracema - TO Tel: 063-866-1201 AAKIB - Associação das Aldeias Karajá da Ilha do Bananal Santa Isabel do Morro - TO CAPEJ - Associação da Aldeias Krahô A/c ADR da Funai de Araguaína Rua 1º de Janeiro, 868 - Centro 77.803-140 - Araguaína - TO Tel: 063-814-2192 e 814-1733 Fax: 063-814-1733 APT - Associação dos Povos Timbira Associação Kâwakmore Zase Comunidade Indígena das Aldeias Xerente Reserva Xerente - Aldeia Salto Tocantínia - TO Associação Kri kâwra Kurerê Krãinisdu Reserva Xerente - Aldeia Aldeinha Tocantínia - TO Organização Xerente Akuen Aldeia Bela Vista - TO
Sociedades indígenas de Minas Gerais
Índios dão aulas na USP para pesquisadores O Estado de São Paulo – 08/02/02 Durante uma semana, eles participaram de curso na Faculdade de Saúde Pública LUCIANA MIRANDA Quando tinha 1 ano, a pequena Lulu escapou por pouco das estatísticas de mortalidade infantil. Desnutrida e desidratada, ela foi atendida por Pablo, um jovem auxiliar de enfermagem. A menina sobreviveu e tem hoje 3 anos. A história seria comum não fosse por Lulu e Pablo serem índios da aldeia Morená, no Parque Indígena do Xingu, norte do Mato Grosso. Para contar experiências como essa, Pablo Kamaiurá, de 28 anos, e outros quatro índios estiveram na capital esta semana. Eles atuaram como professores em um curso de verão sobre saúde indígena, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Entre os alunos, estavam pesquisadores, enfermeiros e médicos. Cacique Adolfo Timóteo, de 32 anos, e Karai Tataendy, de 37, vieram de uma aldeia guarani, em Bertioga. Noel Patrocínio Terena, de 70 anos, veio de mais longe, de uma reserva no Mato Grosso do Sul. Vitorino Guajajara, de 46 anos, é da reserva de Araribóia, no Maranhão. Todos têm a mesma missão: trocar conhecimento com o homem branco para melhorar a qualidade de vida nas aldeias. Não importa qual é a tribo. Kamaiurás, terenas, guajajaras ou guaranis são unânimes: as ações de saúde só funcionam quando o índio participa. Para os indígenas, saúde não é apenas ausência de doença. Tratamento não é só feito com remédios. Na aldeia de Bertioga, onde vivem 300 índios, saúde é criar frango. O cacique explica: "A carne é alimento, as penas são usadas para fazer artesanato e as fezes da ave adubam a terra que fica boa para plantar." Na reserva de Noel, perfuração de poços e instalação de água encanada reduziram a mortalidade infantil. Lá, vivem 2,5 mil terenas. Em Araribóia, Vitorino luta para informar o índio sobre como se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis – principal problema que atinge os 6 mil índios da reserva, muito próxima da cidade. Projetos – A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mantém um projeto de saúde indígena no Xingu. A FSP-USP é responsável por outro, na aldeia guarani de Bertioga. Nos dois casos, índios e profissionais de saúde trabalham juntos. Os resultados: queda da mortalidade infantil. Pablo diz nem acreditar que Lulu seja a mesma criança que ele atendeu há dois anos. Satisfeito, Karai vê a população de sua aldeia crescer. "As crianças estão morrendo menos." O diretor da FSP-USP, João Yunes, explica que o curso de verão foi um "tubo de ensaio" para verificar o grau de interesse dos pesquisadores pelo assunto. A idéia é planejar uma especialização na área. O curso teve lotação completa. Adolfo, Karai, Noel, Vitorino e Pablo voltaram para suas aldeias com mais uma missão cumprida.
[1] LÉVI-STRAUSS, 1987. p. 347 e 363. [2] PRIGOGINE & STENGERS, 1986. [3] Estes números são controversos entre os estudiosos, mas, comparados com a população indígena atual, há um consenso: houve um grande extermínio no passado. Manuela Carneiro da Cunha (1998, p. 14) faz um balanço, que merece aqui ser resumido: “Rosenblat (1954:316) dá 1 milhão [de aborígenes, em 1492] para o Brasil como um todo, Moran (1974:137) dá uns modestos 500 mil para a Amazônia, ao passo que Denevan (1976:320) avalia em 6,8 milhões a população aborígene da Amazônia, Brasil Central e costa nordeste, com a altíssima densidade de 14,6 habitantes/km2 na área da várzea amazônica [...]. Alguns, como Rosenblat, avaliam que de 1492 a esse nadir (1650), a América perdeu um quarto de sua população; outros, como Dobyns, acham que a depopulação foi da ordem de 95% a 96%.” Sobre o massacre, Manuela Carneiro (1998:12) tem uma avaliação decisiva: “Povos e povos indígenas desapareceram da face da terra como consequência do que hoje se chama, num eufemismo envergonhado, ‘o encontro’ de sociedade do Antigo e do Novo Mundo. Este morticínio nunca visto foi fruto de um processo complexo cujos agentes foram homens e microrganismos mas cujos motores últimos poderiam ser reduzidos a dois: ganância e ambição, formas culturais da expansão do que se convencionou chamar o capitalismo mercantil. Motivos mesquinhos e não uma deliberada política de extermínio conseguiram esse resultado espantoso de reduzir uma população que estava na casa dos milhões em 1500 aos parcos 200 mil índios que hoje habitam o Brasil.” [4] Proposta de reestruturação do Departamento de Identificação e Delimitação com Base na atuação em árease etnográficas. FUNAI/DEID, 2002. Mimeo. [5] São elas: Kalankó, Karuazu, Wassu, Xucuru-Kariri de Alagoas, Jeripancó, Tingui-Boto, Kariri-Xocó, Karapotó, Atikum de Pernambuco, Tumbalalá, Tuxá, Pankararé, Kantaruré, Kiriri, Kaimbé, Xucuru-Kariri, Tabajara, Potiguara, Kalabaça, Tremembé, Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Pitaguary, Potiguara da Paraíba, Kambiwá, Pankaruru, Fulni-ô, Atikum, Truká, Tuxá de Inajá, Kapinawá, Pipipan e Xukuru de Pernambuco e Xocó. [6] Cf. Quadro Geral dos Povos indígenas no Brasil, no site do ISA – http:// www.socioambiental. [7] Empregamos até aqui, e o faremos até o final deste trabalho, ora o conceito de sociedade indígena, ora o conceito de etnia, para designar um conjunto de pessoas que se diferencia da sociedade nacional (envolvente). Evitamos com isso empregar a categoria cultura indígena, ou nação ou, ainda, povo. A primeira categoria é viciada pelo seu caráter a-histórico e essencialista, já a segunda e a terceira são devedoras de uma lógica do Estado Nação. Além disso, como aponta João Pacheco de Oliveira Filho (1999. p. 118), “a categoria jurídica que está em vias de afirmação é a de sociedades indígenas, e não a de culturas, povos ou nações.” [8] CARVALHO & SEGATO, 2002. p. 9-10. [9]Uma proposta de cotas para estudantes negros na Universidade de Brasília, p. 6-7. [10] Constituição Federal Brasileira, Cap. III - artigo 210, inciso 2. [11] CASTELLO BRANCO, 1994. [12] BHABHA, 1990. p. 293-295. [13] Ver Anexo 1. [14] Programa do Encontro com Professores Indígenas na UFMG. 2001. [15] Os índios representantes dos krenaks, Valdemar Krenak e Nadil Krenak, não puderam comparecer em decorrência de doença na aldeia. [16]Uma proposta de cotas para estudantes negros na Universidade de Brasília, p. 42. |