Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


fale

capítulo LINGUAGENS












 

   
 

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Uma universidadeaberta ao diálogo intercultural:

subsídiospara a elaboração de umprograma da UFMG para as populaçõesindígenas

Relatório da ComissãoEspecial designada pela Reitora emexercício (Portaria n. 02786, de 26/12/2001) paracolhersubsídios e coordenariniciativas destinadas à elaboração de umprograma institucional da UFMG para as populaçõesindígenas.

Maria Inês de Almeida

Presidente da ComissãoDocente da FALE

Ana Maria Rabelo Gomes – Docente da FAE

Eliana Lourenço de LimaReisDocente da FALE

Rosângela Pereira de Tugny – Docente da EM

Ruben Caixeta Queiroz – Docente da FAFICH

Sônia Queiroz – Docente da FALE

 

BeloHorizonte

julho de 2002

 

Sumário

Introdução

1 – A constituição da diferença

2 – Uma prática da diversidade

3 – A implantação da escola diferenciada  em Minas

4 – Abertura e experimentação: uma universidade  possível

5 – Somos iguais e diferentes

6 – A universidade: uma condiçãopara o diálogo?

7 – As populações indígenas e as universidades brasileiras

8 – Alternativas e propostas surgidas  na UFMG

9 – Parcerias e cooperação para um programa institucional da UFMG

Referências bibliográficas

Anexos

 


Introdução

Num textofamoso, encomendado pela UNESCO e publicado em 1952, o antropólogo Claude Lévi-Strauss dizia que os grandes aperfeiçoamentos tecnológicos e morais da humanidade se produziram pormeio da colaboraçãoentre as diversas sociedades e culturas e não, como diziam os partidários da segregação racial, do isolamento. Nenhuma grandedescoberta foi fruto do acaso, de umgênio pensando sozinho no seugabinete, mas, sim, do cruzamento de categorias, de saberes, de tradições, de razões produzidas emdiferentesperíodoshistóricos e diferentessociedades. O Ocidente, porexemplo, "mestre das máquinas, tem conhecimentosmuitoelementaressobre a utilização e os recursos da máquinasupremaque é o corpohumano. Neste domínio, ao contrário, bemcomo naquele outroconexo das relaçõesentre o físico e o moral, o Oriente e o ExtremoOriente estão algunsmilênios à suafrente; produziram estas vastas sumas teóricas e práticasquesão a ioga da Índia, as técnicas de respiração chinesas ou a ginástica visceral dos antigos Maori.” Neste sentido, Lévi-Strauss cita diversosoutrosconhecimentos, adquiridos e transmitidos por outras tradições (emque os índios das Américas ocupam umlugar de destaque), sem os quais o Ocidenteainda estaria engatinhando no seuprogresso”, paradefender a tese de que a idéia de civilização implica a “coexistência de culturas oferecendo entresi o máximo de diversidade, e consiste mesmo nesta coexistência. A civilização mundial poderiaser a coligação, emescala mundial, de culturas, preservando cadaqualsuaoriginalidade.”[1]

Nesta mesmaperspectiva, críticaemrelação à ciênciaocidental, que dá as costas e desmerece outras fontes do saber e da técnica e que desconhece porignorânciaouporpreconceito outras artes do pensar, disse o físico Ilya Prigogine: "No momentoemque aprendemos o 'respeito' que a teoria da física impõe paracom a natureza, devemos aprenderigualmente a respeitar as outras abordagensintelectuais, quer sejam as tradicionais, dos marinheiros e camponeses, quer as criadas pelas outras ciências. Devemos aprender, nãomaisjulgar a população dos saberes, das práticas, das culturas produzidas pelas sociedades humanas, mas cruzá-las, e estabelecerentreelascomunicações inéditas."[2]

Esta é uma profunda recusa da distinçãoentreNós (ocidentais) e Eles (os outros). Pois sabemos que foi esta divisãoque possibilitou a partilha do mundoentre as potências econômicas, bemcomo possibilitou o aparecimento de umconhecimentoobjetivo” e “científicoemoposição à “magia” e às religiões “primitivas”. De formapropositadaounão, taldistinção produziu (e continua produzindo) uma camada de privilegiados, do ponto de vista sócio-econômico, entreaquelesque detêm o conhecimentooficial (ocidental); e, ao mesmotempo, excluiu e marginalizou aquelesque detêm umoutrotipo de conhecimento e que, ao mesmotempo, num mecanismoperverso, são impedidos, quasesempre, de teracesso aos “lugaresoficiais de aquisição e transmissão do saberhegemônico.

Nãoraro, antropólogosemcampo, muitas vezes a serviço da empresa colonial, se depararam comessesoutrossaberes e técnicas (expressas na taxinomia de plantas e animais, nas obras de artes, nosritos e mitos, nas terminologias de parentesco etc.), que revelaram o aspectorelativo e circunstancial da ciência e dos valoresocidentais. Mas, muitorecentemente, os portadores daqueles saberes “tradicionais” começaram a sair de suasaldeias” e, assim, tiveram a oportunidade de questionar o poder (implantado na ciênciaoficial, na política e no direito) dos privilegiados. Os africanos, os aborígenes australianos, os índios do Brasil nãomais desejam apenasver os seusmitosimpressosemlivros, os seusritos e imagensemfilmes e fotos, não desejam quesuascerâmicas e restos de antepassados sejam desenterrados apenasparacomprovar, porexemplo, a evolução da espéciehumana; enfim, não querem quesuasmáscarasrituais sejam (apenas) expostas emmuseus. Eles desejam entrar nesses museus e bibliotecas, tornar-se cientes de seusdireitos, modificar as leis, aprenderfísica e matemática, enfim, dominar o saberoficialsemperder o conhecimento tradicional. Se hojenosEstados Unidos ou na Europa é admissível umIndiano, ornamentado comseuturbante e portando uma caneta Parker, freqüentarumlaboratório de física, porque o índioou o negro permanecem tãodistantes da universidadebrasileira?

E, no entanto, temos uma dívidatãolonga e tãograndeparacomeles! Os índios, no Brasil, antes da chegada dos europeus, somavam cerca de cincomilhões de pessoas, representando mais de 1.200 etnias.[3] Até a década de 70, a curva destes números fez declinar. Mas, a partir daí, a confluência de váriosfatoresentreeles o apelo de parte da sociedade envolvente parasalvarnossosíndios”, a maiorassistência à saúde, o aparecimento das organizaçõespolíticas nativas e a elevação da auto-estima do índio – tem contribuído paraaumentaresse contigente de pessoas. Uma recentepesquisa, realizada na UFMG, estimaquecerca de 30% da população do País é portadora de cargagenética de origemindígena. Ao lado disso, constata-se o importantefatosocial da emergênciaétnica, isto é, do aparecimento de umgrupo de pessoasou de uma comunidadeque, outrora considerada neo-brasileira, reivindica agora a condição de indígena.

Um relatório recente da Fundação Nacional do Índio[4] revela que somente no médio rio São Francisco, na faixa dos estados de Minas Gerais e Bahia, na bacia do rio Doce e na faixa úmida do litoral sul da Bahia, encontramos 12 etnias: kaxixó, xakriabá, pankararu, xukuru-kariri, atikum, kiriri, tuxá, krenak, maxacali, pataxó, tupinambá e tupinikim. No Nordeste Brasileiro, geralmente desconhecidas do grande público, estão localizadas outras 34 sociedades indígenas.[5] Ao todo, segundo dados disponibilizados pelo Instituto Socioambiental, de São Paulo, existem, atualmente, 218 sociedades indígenas no Brasil.[6]

Estas sociedades[7] já manifestaram por diversas vezes o desejo de ter acesso ao nosso sistema de educação e, mesmo assim, ou por isso mesmo, o desejo de viabilizar a manutenção de sua particularidade cultural. Sabemos que a Assembléia Constituinte incluiu no texto da Constituição Brasileira, promulgada em 1988, esse entendimento sobre o respeito às diferenças como condição da democracia. Mas, até hoje, parece não existir vontade política no cumprimento deste dispositivo legal: os quatro primeiros índios brasileiros que se tornarão médicos só conseguiram ingressar numa Escola de Medicina de Cuba! Como disseram José Jorge de Carvalho e Rita Segato, uma faculdade cubana, que não dispõe nem minimamente dos recursos com que contam as importantes universidades do Brasil, está ajudando este país a saldar a sua dívida de cinco séculos para com os índios![8]

1 – A constituição da diferença

O contemporâneo traz em si não só a consciência das diferenças, mas também o apelo pelo respeito às necessidades particulares de cada grupo que reivindica seu reconhecimento como uma entidade marcada por uma história e uma visão de mundo específica. As chamadas políticas de identidade, surgidas na segunda metade do século XX, contribuíram para chamar a atenção dos cidadãos e dos poderes públicos para as conseqüências negativas das políticas de homogeneização e assimilação que marcaram a criação das nações. Assim, o estágio em que o mundo contemporâneo se encontra demanda, para seu próprio e constante progresso, ou mesmo para assegurar sua existência, um novo olhar sobre o outro. Esse olhar implica o reconhecimento da riqueza representada pelas formas singulares dos grupos não-hegemônicos, acompanhado pela busca da manutenção da diversidade cultural, ao mesmo tempo em que se procura integrar – e não assimilar – esses grupos ao todo social.

Desse modo, mantém-se a diversidade cultural, buscando também remover as hierarquias étnicas e a disparidade de oportunidades, bem como estimulando as contribuições de todos os grupos para o conjunto da sociedade. Ao contrário da assimilação, o processo de integração não visa promover a absorção de uma cultura por outra, pois depende da preservação ou mesmo do fortalecimento dos grupos étnicos, já que, de certa forma, os grupos étnicos acabam por se tornar também grupos de pressão política, que competem pela participação nos bens da sociedade. A integração, assim, significa mais do que a coexistência das diferenças, pois implica a participação ativa de todos os grupos em busca de uma distribuição mais justa dos bens econômicos, culturais e políticos.

No caso especifico do Brasil, a educação intercultural pode enriquecer as várias partes envolvidas, abrindo a cultura majoritária, oficial, para contribuições importantes, antes ignoradas ou menosprezadas. As histórias e as imagens que são trazidas pelas singularidades representam um manancial de informações – pluralidade de vozes, que, expressas e em circulação, revelam para muitos, na contemporaneidade, uma possibilidade concreta de democracia. Já se pode, atualmente, perceber os frutos do trabalho dos movimentos negros que, a despeito de todas as dificuldades e discriminações sofridas, já se mostram na revalorização de determinados traços culturais dos afro-descendentes e na sua incorporação à vida cultural, política e religiosa do país. No entanto, outro grupo minoritário brasileiro, os indígenas, acha-se ainda em fase inicial de consolidação de sua política de identidade.

Um passo importante foi dado pela reinstauração do processo democrático no Brasil, que levou à necessidade de se rever o próprio texto da Lei Magna, a Constituição, deixando nela o traço de todos os grupos que participaram, naquele momento, do que se configurava como a sociedade civil. Com a participação dos índios, a Assembléia Constituinte incluiu no texto da Constituição Brasileira, esse entendimento sobre o respeito às diferenças como condição da democracia. Referindo-se à sociodiversidade, essa Constituição protege o direito de cada etnia manter sua integridade, podendo cultivar e transmitir suas tradições e particularidades. A valorização das 180 línguas faladas, das diversas cosmologias, das práticas religiosas e medicinais, das relações com a terra, tudo isto, pela Constituição, faz parte dos direitos à integridade das etnias. E, no que se refere à educação dos brasileiros, torna-se dever do ensino público abranger a diversidade etno-cultural do país.

Ocorre porém que, de fato, a universidade brasileira só agora, e em conseqüência do trabalho efetuado por professores indígenas e seus assessores, assim como pela discussão trazida pelas propostas de inclusão de negros através do sistema de cotas, está se tornando sensível ao problema da discriminação e atentando para a urgência de a universidade pública atender à própria Constituição Federal. E foi em uma proposta elaborada por uma equipe de professores da UnB que encontramos a referência sobre a história da exclusão das chamadas, de forma inadequada, minorias:

Em que pese ainda o pioneirismo da proposta de Darcy Ribeiro e o grande legado para o ensino brasileiro deixado por Anísio Teixeira, nenhum questionamento sobre essa desigualdade racial foi colocado desde a criação da Universidade de Brasília na década de 1960 até os dias de hoje. Ampliando mais esse quadro, as demais universidades federais, independente da região do país em que se instalaram, jamais colocaram em questão a exclusão racial por elas mesmas reproduzidas. Chegamos então ao século XXI com um grande passivo de reflexão sobre o tema e às vezes até uma recusa em admiti-lo. Isso nos deixou despreparados para reagir diante de uma nova agenda internacional de reparação dos excluídos e já retirou de nós, acadêmicos cuja missão deveria ser produzir conhecimento para guiar a nação em direção à igualdade e à justiça social, o papel de vanguarda. Claro que esse vazio de análise e proposta não foi causado por um despreparo de nossa academia e sim por uma decisão, bastante consciente, ao longo de mais de meio século, de construir um conceito particular de brasilidade que foi cristalizado na obra de Gilberto Freyre e destinado a encobrir o mais possível o escândalo (agora exposto como nunca antes) da discriminação sistemática sofrida pelos negros no Brasil. Esse discurso oficial do Brasil, desde a década de trinta até recentemente, consistiu numa celebração culturalista da mestiçagem e de uma suposta cordialidade de convívio inter-racial, paralelas a um silenciamento sistemático da desigualdade de vantagens imposta aos negros e aos índios. Meditar sobre a ausência atual de negros e índios na universidade é ousar revisar os pressupostos dessa brasilidade que ocultou deliberadamente um de nossos problemas mais profundos como nação.[9]

2 – Uma prática da diversidade

Uma educação escolar que contribua para que os povos indígenas conquistem o pleno desenvolvimento de suas culturas e de suas expressões é, agora, um direito garantido em lei. A Constituição assegura, além do direito ao uso da língua materna, os processos próprios de aprendizagem, possibilitando, assim, a escola indígena diferenciada, específica, bilíngüe e intercultural: "O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”.[10]

Em 1993, concretizando os direitos conquistados na Constituição, o Ministério da Educação publica o documento intitulado “Diretrizes para a Política Nacional de Educação Escolar Indígena”, elaborado para servir de referência básica aos planos operacionais dos estados e municípios em relação à educação escolar indígena. Este documento retrata a principal mudança quanto ao caráter da legislação brasileira, que passa a reconhecer o direito à diferença e a proteger as organizações sociais, os costumes, as línguas, as crenças e as tradições próprias das populações indígenas:

A educação escolar indígena deve ser intercultural e bilíngüe, específica e diferenciada.

a) cada povo tem o direito constitucional de utilizar sua língua materna indígena na escola, isto é, no processo educativo oral e escrito, de todos os conteúdos curriculares, assim como no desenvolvimento e reelaboração dinâmica do conhecimento de sua língua;

b) cada povo tem o direito de aprender na escola o português como segunda língua, em suas modalidades oral e escrita, em seus vários registros - formal, coloquial, etc.

c) a língua materna de uma comunidade é parte integrante de sua cultura e, simultaneamente, o código com que se organiza e se mantém integrado todo o conhecimento acumulado ao longo das gerações, que assegura a vida de todos os indivíduos na comunidade. Novos conhecimentos são mais natural e efetivamente incorporados através da língua materna, inclusive o conhecimento de outras línguas.

Para as sociedades indígenas a preservação da identidade étnica significa a garantia da própria existência, e a escola passa a ser, nessa perspectiva, espaço positivo de sua reconstrução. Para que isto de fato ocorra, faz-se necessária a formação de recursos humanos indígenas, que assumam o papel de pesquisadores de suas próprias culturas.

A Lei n° 9394/96 de Diretrizes e Bases, em seu Art. 78, também garante:

Criação de programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos:

I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades étnicas, a valorização de suas línguas e ciências;

II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações e conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não indígenas.

A mesma Lei de Diretrizes e Bases, em seu Art. 79, determina que a União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa, destacando ainda, em seu inciso 1°, que “os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas”.

Desse modo, qualquer incentivo a esses programas servirá para pôr em prática um direito dos índios, assegurado pela Constituição: a participação ativa no planejamento de sistemas alternativos de educação, bem como na produção e divulgação de conhecimentos diferenciados – o que não deverá significar a exclusão dos indígenas do sistema educacional tradicional.

3 – A implantação da escola diferenciada em Minas

Em 1995, lideranças indígenas pataxós, krenaks, maxakalis e xacriabás passaram a se reunir com professores da UFMG, agentes da FUNAI, antropólogos e funcionários da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, para que, neste estado, fossem garantidos os direitos constitucionais à educação escolar específica. A partir de então, a Secretaria da Educação, em parceria com os povos indígenas do estado e em convênio com a UFMG, o IEF (Instituto Estadual de Florestas) e a Administração Regional de Governador Valadares da FUNAI, vem desenvolvendo o Programa de Implantação de Escolas Indígenas de Minas Gerais, que se baseia na autonomia didática e no respeito à identidade cultural, promovendo uma ação continuada de pesquisa, estudo e produção.

Nos sete anos de atuação, este Programa criou seis escolas (funcionando em 34 endereços, nas aldeias pataxós, no município de Carmésia; krenaks, em Resplendor; maxakalis, em Santa Helena; e xacriabás, em São João das Missões). O Programa continua monitorando essas escolas específicas, diferenciadas, interculturais e bilíngües nas aldeias; apoiando e participando da produção e edição de material didático/pedagógico adequado para essas escolas; promovendo encontros e seminários de educação escolar indígena em Minas Gerais e participando de encontros em outros estados.

Para possibilitar nas aldeias um ensino diferenciado e de qualidade, o Programa realizou um curso de magistério, para os professores indígenas, cuja proposta curricular foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação em novembro de 1998. O Curso foi estruturado em 8 (oito) módulos de ensino presencial no Parque do Rio Doce, 7 (sete) módulos de ensino presencial e 7 (sete) módulos de ensino não presencial, no território indígena.

Foram impressas duas publicações para divulgação e reflexão sobre a educação escolar indígena em Minas Gerais e oito livros de autoria dos professores indígenas. Dois destes livros foram selecionados pelo MEC para distribuição em todas as escolas indígenas do Brasil. Um outro, O Povo Pataxó e sua História, foi distribuído para toda a rede pública de ensino.

Um Centro de Estudos e Pesquisas Indígenas (CEPI) foi criado pelas professoras Miriam Martins (PUC-Minas) e Lilavate Romanelli (UFMG) para abrigar a documentação produzida e coletada pelos participantes do PIEIMG (Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais). Este Centro ocupou, na época, uma das salas disponíveis no prédio do CECIMIG, anexo da FAE. A documentação – teses, monografias, fotografias, filmes, livros, periódicos, material didático, etc. – passou para a biblioteca da FAE e, atualmente, está sendo catalogada no projeto de extensão Banco de Dados, coordenado pelo professor Rogério Cunha.

Formou-se, em dezembro de 1999, a primeira turma do magistério, constituída de 66 (sessenta e seis) professores indígenas maxakalis, pataxós, krenaks e xacriabás. Em novembro de 2000, uma nova turma de 70 (setenta) alunos iniciou seu processo de formação.

O aprendizado sobre o que seriam as relações interculturais na escola, graças à convivência com os professores em formação e com suas comunidades, mas também graças ao diálogo constante com a longa experiência dos que coordenaram inicialmente esse curso de magistério, é o elemento que, na base, sedimenta a construção das idéias que presidem o trabalho desta Comissão.

4 – Abertura e experimentação: uma universidade possível

Os professores indígenas de Minas foram formados através de um programa – o PIEIMG – que teve por princípio básico a construção teórica e conceitual conjunta, a partir da experimentação e da pesquisa, sempre com um sentido de processo em direção à criação coletiva. Desse processo participaram os professores indígenas e suas respectivas comunidades, professores e estudantes da UFMG, professores da rede pública e privada de ensino de Belo Horizonte.

Um dos aspectos mais significativos desse projeto de educação escolar é garantir a autoria indígena, através do esforço para se imprimirem as marcas das diferentes tradições étnicas nos seus métodos pedagógicos. Os programas curriculares, os projetos pedagógicos centrados nos elementos Língua Indígena e Terra, as diferentes formas de organização escolar (em que tempos e espaços correspondem à lógica da aldeia e não à da cidade), o material didático (livros, cartilhas, jogos, vídeos, discos, cd-roms, feitos pelos próprios professores) e outros instrumentos pedagógicos (constantes reuniões com as respectivas comunidades; professores de língua e cultura indígenas contratados para atuar na escola, devido a sua representação política/espiritual e a sua sabedoria lingüística ou medicinal), tudo isso exemplifica uma prática que, na realidade, aponta um caminho para uma forma mais eficiente de conjugar as tradições orais de cada povo com as tradições escolares vigentes.

Ao longo dos quatro anos de duração do curso de magistério indígena, uma metodologia baseada na pesquisa e na experiência a cada momento era repensada e reestruturada a partir de informações da prática didática dos cursitas, já contratados pelo estado e em exercício do magistério, mesmo antes de se formarem. Suas técnicas de ensino, suas conversas com as lideranças e com os velhos da aldeia, suas práticas escriturais, seus contatos interculturais (com os formadores, na maioria docentes da UFMG; com técnicos de órgãos públicos; com os colegas de outras etnias; com editores e jornalistas, etc.) são algumas das práticas novas que a criação da escola indígena transformou em laboratório do conhecimento sobre a interculturalidade e o plurilingüismo.

Os 66 professores indígenas assim formados foram os que trouxeram à tona, em Minas Gerais,  a discussão sobre a abertura das universidades para suas comunidades. Isso porque a implantação de suas escolas específicas e diferenciadas proporcionou a eles uma experiência metodológica em direção à consolidação de um paradigma educacional inclusivo, o que indica a possibilidade de novas formas de conhecimento, válidas diante, por exemplo, da comunidade científica internacional. Esse sonho, para ser realizado, necessariamente, deverá ser incorporado pela Universidade.

5 – Somos iguais e diferentes

Para nós, pataxós, em primeiro lugar é a terra. Os nossos filhos vão sempre para a cidade estudar, trabalhar. Eles devem permanecer na terra.

Como a terra, temos vários saberes a desenvolver e algumas coisas para o desenvolvimento das cidades. Através do meio ambiente podemos fazer um trabalho importante dentro da terra. Acho importante estudar medicina indígena, os saberes da ciência do nosso povo e saber tirar o recurso dali para garantir a sobrevivência do povo. Ter ele também, ali, o seu meio de vida. O espírito do povo tá ligado à terra, à poesia, à música e isto é muito importante como complemento da educação. As crianças podem vir e mostrar o valor destas coisas futuramente. O jeito de ensinar também é importante, isto faz a gente pensar na continuação do curso. Hoje é difícil você ver um índio antropólogo, nós precisamos disso aí. Estes cursos devem ter um jeito de ensino com a alma do índio.

Outra coisa importante é o jeito da alma do povo, esta energia que vem de longe. O que está no universo? Saber lidar com o mundo lá de cima. Lá, o céu também pertence a nós. Um estudo para a integração da cultura, religião, filosofia... Saber lidar com estes caminhos, projetos de preservação da terra, identificar os principais problemas.

Kanatyo Pataxó. Parque Estadual do Rio Doce,1999.

A presença de representantes das comunidades indígenas na universidade brasileira é importante porque significa uma oportunidade de abertura ao diálogo entre as diferentes formas de expressão que denotam a diversidade cultural do país. Os variados matizes do que se denomina genericamente cultura brasileira têm como substrato pensamentos que jamais foram considerados por nossa tradição acadêmica. Para que isso acontecesse seria preciso ter dado voz aos que não escrevem. Seria preciso ter visto seus corpos para além da possível força de trabalho braçal, ter escutado suas vozes como portadoras de ciências, buriladas pela transmissão por centenas de gerações.

As várias maneiras de acontecer dos processos coloniais: assimilação, mestiçagem, denegação, extinção, são como os povos historicamente se relacionaram. Refugados, muitas vezes no âmago de uma floresta, ficam entretanto os resíduos, objetos ou corpos inexplicáveis na sua inteireza, indícios de que ali mesmo persiste o outro. São esquecidos, às vezes intocados, mas continuam como signos ou potências periféricas onde se nutre, curiosamente, a totalidade forjada pelas forças que compõem o centro. A história do Brasil jamais deixou de recorrer a essas fontes, sem, no entanto, deixar que elas se configurassem como lugares de produção de sentido. O espaço nacional, desde o início da República, foi traçado do ponto de vista dos centros de poder.

A universidade brasileira, em grande parte, é responsável pela escrita dessa história, e as comunidades periféricas – desses que não escrevem – apenas estiveram presentes na sua cadeia discursiva como objetos. Imediatamente após a entrada de um membro destas comunidades na condição de ator, ele se torna um transmigrado, uma exceção que foge à regra, um novo senhor a subtrair de seu grupo de origem uma força produtiva. A primeira condição para esse deslocamento é o abandono da própria língua como veículo de expressão do trabalho intelectual; a segunda é o afastamento da própria terra.

No presente, os índios, cujas marcas da diferença paradoxalmente denunciam a anulação que sofreram no processo colonizador, podem trazer para a universidade brasileira, junto com seus conhecimentos tradicionais, os elementos básicos de seu aprendizado nos últimos anos, quando finalmente puderam criar com seus assessores não-índios suas escolas, nos seus próprios territórios e em suas linguagens próprias. Esse entrelugar, um litoral onde as periferias e o centro da nacionalidade se tangenciam e que se denomina interculturalidade, é o lugar da “possibilidade de um encontro impossível, que só se pode dar na radicalidade da diferença e da impossibilidade de se continuar ignorando a diferença ou de se fazer dela um eterno obstáculo”.[11] Aí se darão as condições para o desenvolvimento de uma nova episteme na produção acadêmica, por meio do reconhecimento de realidades outras – as terras e as línguas indígenas – que suscitarão novos olhares e novos deslocamentos, contribuindo para uma forma diversa de avanço nas ciências, nas artes, nas filosofias. Ao incorporar esses conhecimentos outros, a universidade estará dando mais um passo em direção a uma noção de conhecimento mais abrangente, o que poderá beneficiar a comunidade acadêmica como um todo.

Assim, com a irrupção da oralidade dos povos originários do Brasil na escrita, na relação proposta com a comunidade acadêmica da UFMG, quando esta puder abrigar os legítimos representantes desses povos, teremos, contra o traço universalizante do Mesmo, o gesto organizado do Diverso (Édouard Glissant). A principal função social da universidade brasileira hoje, para nós, está na urgência de que as escritas da ciência e da história sejam irrigadas com a vitalidade do oral. As ciências e as artes, campos que se delinearam na chamada civilização ocidental através da escrita alfabética, e os saberes que, no seio mesmo dessa civilização, continuam a se desenvolver e a se transmitir oralmente, podem se colocar em diálogo, desde que se criem instâncias adequadas e produtivas.

Gostaria de começar falando sobre esta questão da gente ter perdido o idioma. Aqui no parque perguntei para Ana Flávia porque o xacriabá deixou de falar no idioma. Eu pensava de achar um livro... e me mandou fazer uma pesquisa em vários livros que falavam da vida dos Xacriabás há muitos anos atrás.. Vinha da Bahia de Goiás e na época da invasão a igreja católica introduziu em 1728 o documento de doação da terra. Reuniu os índios ali, para ficar só naquele lugar, e eles eram proibidos de falar a língua, eram forçados a falar em português, iam ter de acompanhar religião católica e iam fazer tudo que era o costume. As crianças aprendiam desta maneira e foi perdendo.... Se nossos antepassados foram forçados a não fazer as danças, as pinturas, a falar na língua, nada que era da cultura deles.

Fui conversar com minha mãe se ela saberia explicar, ela disse que não sabia, e também não podia teimar que eles até matavam. Aí eu fui entender toda a verdade que está registrada na memória dos mais velhos. A pesquisa bem analisada é muito boa, tem que verificar bem o sentido.

Professor xacriabá. Parque Estadual do Rio Doce, 1999.

O uso da língua representa a oportunidade de um jogo na vida social. Como um bem simbólico, dentre outros possíveis, a língua não visa somente à comunicação, mas antes é uma peça que se acrescenta no jogo comunicacional. Até mesmo a ressonância de um dado, uma cifra, como “180 línguas faladas, no Brasil, além do português”, veiculada pela mídia, modifica o contexto literário e cultural do país. Cria no leitor a expectativa de que novas linguagens poderão surgir no cenário cultural, porque outros sujeitos, diferenciados da porção hegemônica, estão ali. Fica então o convite para se tentar uma outra forma de aproximação. E somente o desenvolvimento dos diferentes estilos, ao invés da assimilação, garantiria a relação intercultural, em que novas formas apareceriam. Daí a importância da presença de outras vozes, outros corpos, outros textos. Quando, no concurso vestibular da UFMG de 2001 o livro bilíngüe Shenipabu Miyui fez parte da bibliografia indicada para a prova de literatura brasileira, o texto em língua kaxinawá, impossível de ser decifrado pelos candidatos, figurou como testemunho concreto da diversidade cultural brasileira e deu oportunidade aos estudantes de pensarem sobre o plurilingüismo como fator de enriquecimento de nossa literatura.

Alguns indígenas, como os pataxós, os krenaks, os xacriabás, por exemplo, têm trabalhado para recuperar suas línguas nativas, através da pesquisa e da edição de textos orais realizadas por seus professores em formação. A universidade poderia participar desse processo como forma de: 1) colaborar na reconstituição de uma identidade que se sente como perdida, de uma diferença da qual restaram poucos sinais (no caso dos indígenas); 2) colaborar para mostrar que, em lugar de ser uma nação homogênea, o Brasil é formado por uma multiplicidade de grupos culturais e étnicos, que não são levados em conta, devido a seu caráter minoritário; que, para se pensar a nação como “muitos-como-um”, foi preciso apagar as diferenças internas que nos constituem.

As formulações de Bhabha sobre a nação contemporânea podem iluminar um programa para as populações indígenas, pois ele chama a atenção para “a ambivalência da nação como uma narrativa estratégica – e como um aparato de poder”, o que “produz um deslizamento contínuo em direção a categorias análogas, ou mesmo metonímicas, como povo, minorias, ou ‘diferença cultural’, que se sobrepõem continuamente no ato de escrever a nação”. Assim, para se pensar o Brasil, como qualquer outra nação contemporânea, seria preciso estar consciente de sua liminaridade, “das interseções ambivalentes e quiasmáticas de tempo e lugar que constituem a problemática experiência ‘moderna’ da nação ocidental”. Em lugar do “todos-como-um”, como propõem as narrativas “pedagógicas” (homogeneizadoras) da nação, Bhabha propõe o “tempo performativo”, instável, mas sempre recriado, readaptado para o presente, de onde “emerge uma voz mais instantânea e subalterna do povo, um discurso de minoria que fala por entre os tempos e lugares.”[12] E fala também por meio de línguas e linguagens diversas, que, por sua vez, exigem uma abordagem diversa da educação.

A questão lingüística, do modo como tem sido colocada pelas lideranças indígenas, foi um dos sentidos que norteou o Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais, ao investir, por exemplo, na produção de livros em krenak, xacriabá (português dialetal), pataxó e maxakali, dirigidos não só às escolas indígenas em criação, mas também ao público brasileiro em geral. Esses textos, ícones, prefiguram a presença corporal de um novo interlocutor, que, no entanto, sempre esteve ali, recalcado através das sobreposições de suas falas pelas escrita de outros.

O que, para nós, garante a relação intercultural, porque se encontra na sua base, é o diálogo entre as diferentes vozes. Uma educação escolar baseada na produção textual e audiovisual, na autoria coletiva, no domínio das técnicas escriturais, eletrônicas e digitais nas suas diversas bases e instrumentos, não se justifica apenas pela necessidade de se viabilizar o acesso dos povos indígenas à universidade, mas, antes, pela oportunidade de produzirmos, conjuntamente, novos conhecimentos e metodologias.

O que propomos com os indígenas, a inclusão de diferentes vozes, na Universidade, de certa maneira, se integra a um esforço das próprias vanguardas artísticas, de transformar em vantagem as supostas limitações de culturas que só tardiamente ingressaram no mundo da escrita. Acreditamos que as comunidades indígenas – pelas dificuldades de integração à sociedade brasileira, que lhe são impostas por todas as instituições que as cercam, inclusive Escola e Estado (sistematicamente escriturais), e pela impressionante resistência que soube conservar formas (míticas, artísticas), linguagens, princípios morais e religiosos – possuem hoje um enorme arsenal de conhecimentos tradicionais praticamente desconsierados pelas relações interculturais no Brasil.

6 – A universidade: uma condição para o diálogo?

A partir de reuniões realizadas no último módulo do Curso de Magistério do PIEIMG, no Parque Estadual do Rio Doce, em julho de 1999, em que ficaram explícitos o desejo e a necessidade da continuidade de estudos dos professores em formação,[13] os professores formadores Kleber Gesteira e Matos, Marcia Spyer, Maria Inês de Almeida e Sônia Queiroz se encarregaram de trazer para a UFMG a demanda dos indígenas pelo ensino de nível superior.

Essa demanda foi levada à Reitoria, naquele momento representada pela então Vice-Reitora, Profa. Dra. Ana Lúcia Almeida Gazzola. Imediatamente, foi proposta a elaboração de um projeto para criação de um curso experimental, específico e diferenciado, à distância, que poderia concorrer a um financiamento do Fundo FUNDEP.

No ano de 2001, na UFMG, iniciou-se, portanto, um processo de negociações visando a atender às demandas por formação universitária dos indígenas nas diversas áreas de interesse, apontadas nas freqüentes conversas com os professores formados pelo PIEIMG: saúde, direito, educação, artes, meio ambiente, turismo, antropologia, administração, matemática, lingüística, geografia, saneamento, arquitetura. Um momento importante desse processo foi a realização de um seminário na FALE.

Neste Seminário, em 22 de março de 2001, houve um encontro de representantes dos professores indígenas krenaks, maxakalis, xacriabás e pataxós com representantes da Secretaria de Educação e da UFMG – dentre os quais o então Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Nagib Cotrin Árabe –, em que foram explicitadas e discutidas as demandas que orientariam o início das negociações. Uma sessão foi dedicada à exposição do pensamento de cada sociedade indígena sobre o ensino universitário; outra, à descrição do sistema de ensino de graduação na UFMG; numa terceira, foi apresentada uma síntese das experiências brasileiras com o ensino universitário indígena. Formaram-se grupos de discussão em torno do seguinte roteiro:

Roteiro para discussão nos grupos

O que entendemos por educação universitária?

O que o pessoal da aldeia espera da formação universitária dos seus jovens?

Por que e para que buscamos a universidade, ou o que esperamos dela?

Quais os caminhos os jovens das aldeias estão tomando para completar sua formação escolar?

Quais os caminhos imaginados para chegar a uma profissão?

O que entendemos por educação intercultural bilíngüe?

Para quem deveria ser o curso a ser planejado por essa equipe que está se formando na UFMG?

Quem seriam os parceiros para montar o curso?

O que entendemos por ensino escolar diferenciado na universidade?

Como imaginamos organizar o curso que estamos começando a planejar?

Como seria a construção do currículo desse curso?

Quais as ações devemos planejar para ajudar na elaboração do projeto de curso?[14]

Considerou-se, a partir de então, de fundamental importância a construção processual de um programa institucional da UFMG para as populações indígenas, para não se correr o risco de perder a oportunidade de criar algo novo: uma educação que fosse fruto das parcerias estabelecidas com os sujeitos interessados e com os professores formadores. Foi considerada a demanda pela busca de autonomia por parte das sociedades indígenas, como bem expressam as palavras de Marcos Krenak:

A comunidade não quer ver o branco, um enfermeiro, sem conhecer a nossa realidade. A gente quer que os próprios índios assumam o controle, não só da saúde, mas da agricultura, para fazer projetos com a Emater. Eu sou professor, mas existem outras funções que eu deveria exercer, ou um outro. Mas é preciso ter algum curso superior. Meu irmão sempre fala, um dia eu quero ser advogado, ele quer fazer um curso, e quem sabe ele vai ser mesmo um advogado e defender os direitos nossos? Existem outras pessoas com diferentes vontades também. Quantas vezes eu já cheguei perto de um parente lá e fiquei ouvindo ele falar: nós precisamos de um que lute por nós, que corra atrás dos problemas que temos. A gente precisa do branco também mas tem que ter alguém que tenha conhecimento lá fora. Como é que eu vou chegar num ministro da Cultura? Eu não tenho força, então, através de outros colegas brancos é que eu vou chegar lá.

Nós fizemos um projeto com o ministério da agricultura que não foi adiante. Eles compraram uns tratores que, quando quebra uma peça, tem que buscar a tal peça lá num sei onde. Isto é porque não tem entre nós alguém que entenda, que vai lá, mexe, conserta.

O branco chega lá e diz, vocês têm aqui um projeto de tantos mil reais, o que vocês vão fazer com o projeto? Nós vamos fazer plantio, eles vão lá para comprar adubo, não sei mais o quê, coisa que nem sequer precisa. Nós mesmos temos de conhecer, de tomar conta, de fazer da nossa maneira. Um técnico agrícola, um índio mesmo, pode ser um agrônomo, isto é que é importante para nós. (BH, UFMG, março de 2001)

A discussão sobre a possibilidade de se acolherem os indígenas na universidade entusiasmou e ocupou professores e alunos da UFMG, de algumas unidades acadêmicas em que se situam áreas de interesse apontadas pelas comunidades indígenas. Na formação continuada dos professores recém-formados e em exercício, nas reuniões de coordenação geral e de coordenação de etnia do PIEIMG, em fóruns amplos como o Congresso pela Qualidade da Educação, no MEC, em outubro de 2001, nos módulos do IIº curso de Magistério no Parque do Rio Doce, essa discussão tornou-se constante.

Derivada do projeto integrado de pesquisa Educação Ex-cêntrica: processos de produção simbólica coletivos e novas redes de conhecimento, sob a coordenação das Profas. Regina Mota (FAFICH), Ana Gomes (FAE) e Maria Inês de Almeida (FALE), foi elaborada a proposta para criação de um curso de graduação à distância para os professores indígenas. A proposta Intercultural e multilíngüe: formação universitária para os índios na UFMG, foi apresentada à ProGrad, recebeu parecer favorável na Câmara de Graduação, porém não chegou a ser examinada pelo CEPE.

No entanto, a partir dessa tentativa de se atender imediatamente à exigência de graduação dos professores indígenas, houve a compreensão, pela equipe propulsora dessa discussão na Universidade, de que o caminho para a abertura desta para os índios seria antes o do diálogo entre as formas e os saberes, como bem observa André Prous no ensaio "A Couve-Flor e a Ostra", publicado no número 174 da revista Ciência Hoje, sobre o Encontro Internacional de Etnomusicologia. Realizado na UFMG, no ano de 2000, este encontro já havia dado uma importante pista de como a entrada dos índios no espaço da Universidade seria mais interessante pela via das manifestações culturais.

Diante das aparentes dificuldades para a abertura de cursos de graduação na UFMG para os indígenas, apontadas em seminário realizado pela SEEMG – Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais – em outubro de 2001, as lideranças e professores indígenas presentes tomaram para si a responsabilidade de explicitar pessoalmente para o Reitor, eles próprios, a questão de suas necessidades de formação universitária, de inclusão de seus estudantes em cursos de graduação.

O momento histórico em que se deu o encontro entre o então Reitor – Prof. Dr. Francisco César de Sá Barreto, seus Pró-Reitores de Extensão e de Graduação, três lideranças indígenas – Waldemar Adilson, José Terêncio Bráz, José Nunes de Oliveira – e alguns professores da UFMG, no dia 23 de outubro de 2001, selou o compromisso de que daí em diante haveria um esforço conjunto para o envolvimento efetivo da UFMG com as populações indígenas.

No dia 29 de outubro de 2001 reuniram-se com o Pró-Reitor de Graduação, Prof. Nagib Cotrin Árabe, o Pró-Reitor de Extensão, Prof. Edison Corrêa; o representante xacriabá, Marcelo Pereira dos Santos; o cacique Bayara, pataxó; a Profª Maria Inês de Almeida, com as informações sobre os krenaks[15]; a Profª Sônia Queiroz, chefe do Departamento de Letras Vernáculas da FALE; o Prof. Alloua Saadi, coordenador da implantação do curso de Turismo da UFMG; e a Profª Lúcia Helena Garcia Bernardes, doutoranda da FAE, como relatora. A reunião teve como objetivo discutir a proposta de ensino superior para os índios, apresentada ao Reitor em 23 de outubro. Foram analisadas as demandas dos povos indígenas de Minas Gerais pelo ensino superior e as possibilidades de sua implantação. Nesse encontro, a partir da orientação do Pró-Reitor de Graduação, ficou definida a necessidade de se criar uma Comissão para pensar a formação universitária para os índios na UFMG, usando dos benefícios da flexibilização curricular. E decidiu-se também, a partir da orientação do Pró-Reitor de Extensão, ampliar as ações da UFMG para os indígenas de Minas Gerais, através de um Programa de Extensão que articulasse as diferentes ações já em andamento, bem como novas propostas que surgissem.

Desses primeiros encontros, surgiram as propostas que foram, algum tempo depois, retomadas pela Comissão que ora relata seus trabbalhos: 1- formatação de uma Proposta de Programa de Extensão, integrando as diferentes ações direcionadas às populações indígenas mineiras, já em andamento na UFMG, com  novas ações propostas a partir da demanda por ensino superior; 2- encaminhamento de proposta de programa de extensão para o trâmite institucional necessário – aprovação na Congregação da Unidade e Câmara de Extensão – dentro dos prazos estabelecidos; 4- encaminhamento às aldeias, pelos coordenadores de etnias do PIEIMG, de uma ficha de inscrição de candidatos ao ensino superior, visando a um primeiro diagnóstico sobre a demanda dos indígenas; 5- análise da fichas pelos coordenadores de etnia e pelos professores da UFMG; 6- contatos institucionais e interinstitucionais para a concretização das ações propostas no Programa apresentado à ProEx.

Em 20 de janeiro de 2002, o CENEX da FALE, encaminhou à ProEx, para registro e pedido de bolsas para estudantes, a proposta do Programa de Extensão Culturas Indígenas na UFMG, sob a coordenação das Profas. Maria Inês de Almeida e Rosângela Pereira de Tugny, em cujo âmbito se realizará o projeto das oficinas para estudantes indígenas, descrito adiante, como uma das tentativas de se iniciar um diálogo produtor das relações interculturais na UFMG.

Em 26 de dezembro de de 2001, a Reitora em exercício designou uma comissão para “colher subsídios e coordenar iniciativas para a criação de um programa institucional da UFMG para as populações indígenas”. Esta comissão foi formada por professores de diversas unidades (Maria Cristina Magro – substituída depois por Eliana Lourenço de Lima Reis, Maria Inês de Almeida e Sônia Queiroz, da FALE; Ana Maria Gomes Rabelo, da FAE; Ruben Caixeta Queiróz, da FAFICH; e Rosângela Pereira de Tugny, da Escola de Música) e assessorada, a pedido de sua presidente, pela doutoranda da FAE, Lúcia Helena Garcia Bernardes, e pelo então coordenador do PIEIMG e consultor permanente da CGAEI/MEC, Kleber Gesteira e Matos. Basicamente, seu trabalho consistiu em:

– Mapear as ações da UFMG envolvendo os povos indígenas; a situação dos índios brasileiros com relação ao ensino superior; as universidades nas Américas espanhola e inglesa que acolhem membros das comunidades indígenas; as instituições que se interessam por financiar ações da universidade voltadas para os povos indígenas do Brasil; as instituições nacionais e internacionais que poderiam ser parceiras do futuro programa da UFMG.

– Coordenar iniciativas de aproximação entre a comunidade universitária e as comunidades indígenas, para garantir a interculturalidade e o plurilingüismo do futuro programa a ser criado.

– Pensar e discutir os fundamentos políticos, filosóficos, científicos e artísticos para a criação de um programa abrangente, que, envolvendo membros das comunidades indígenas, contenha projetos de extensão, de pesquisa, de ensino.

7 – As populações indígenas e as universidades brasileiras

Até os anos 80 do século passado as populações indígenas no Brasil só “penetravam” na academia como objetos de estudo (assim mesmo em poucas especialidades acadêmicas e em muito poucas academias). Naquela época poucos indígenas conseguiam acesso ao ensino superior, quase sempre com o auxílio da FUNAI, que pagava mensalidades escolares, alojamento e alimentação, em geral nas capitais dos estados. As etnias que conseguiram colocar um maior número de seus jovens em universidades foram os makuxis (RO), kaingangs (RS, SC e PR) e terenas (MS).

Nos anos 90, mais e mais jovens indígenas passam a freqüentar escolas superiores particulares com despesas custeadas através de recursos públicos. Como exemplo podemos citar o Espírito Santo, que atualmente conta com 34 jovens tupinikins e guaranis em faculdades particulares cujas mensalidades superam a cifra de R$100.000,00/ano.  Atualmente dezenas de indígenas estão nessa situação em quase todos os 24 estados brasileiros que possuem população indígena em seu território. O acesso de indígenas a vagas de universidades públicas é muito raro. O único caso de destaque é Santa Catarina, onde cerca de uma dezena de jovens kaingangs e xoklengs, egressos de uma escola indígena estadual, conseguiram aprovação em vestibulares de escolas públicas locais. No Nordeste, alguns poucos indivíduos conseguiram cursar faculdades públicas e particulares com recursos próprios. Temos exemplos entre os tuxás da Bahia, potiguaras da Paraíba, pankararus e xukurus de Pernambuco e potiguaras do Ceará.

Outras formas de acesso dos indígenas à educação superior começam a ser esboçadas a partir de 1997. Podemos distinguir as seguintes “categorias” de acesso:

Cursos especiais de magistério indígena em nível superior

O único curso em funcionamento é o da Universidade do estado do Mato Grosso – UNEMAT – que, em abril de 2001, através de um vestibular específico, admitiu a entrada de 180 professores indígenas do Mato Grosso e 20 outros professores indígenas dos demais estados, em cursos de licenciatura em letras, ciências humanas e ciências biológicas e exatas. Os cursos alternam dois períodos, de 30 dias, de ensino presencial no campus de Barra do Bugres (MT) com períodos de estudos autônomos nas aldeias em cada um dos seus 5 anos de duração.  Até o momento a UNEMAT não se manifestou a respeito da possibilidade de entrada para uma segunda turma.

Existem duas propostas semelhantes em andamento, sem, no entanto, data fixada para início dos cursos: um projeto da Universidade Federal de Roraima e outro da Universidade Estadual do Amazonas.   Ambos destinam-se a professores indígenas e pretendem oferecer cursos de licenciatura.

Ainda voltados para a formação de professores indígenas em nível superior existem propostas em fase inicial na Universidade Federal do Acre e na Universidade Federal do Espírito Santo.

Formas alternativas de acesso para indígenas

Das várias intenções de cotas para indígenas em universidades públicas, a única que se concretizou até o momento foi a do Paraná, onde uma lei estadual reservou, a partir de 2002, três vagas em cada um dos cinco campi de faculdades do estado (Ponta Grossa, Guarapuava, Londrina, Maringá e Cascavel) para jovens kaingangs e guaranis cursarem odontologia, direito, pedagogia, história, enfermagem e  agronomia. Estão prometidas para 2003 dezoito vagas para novos egressos do ensino médio. Todo o custo da manutenção desses estudantes nas cidades é assumido pela FUNAI. No Paraná, as escolas em áreas indígenas só oferecem ensino até a 4ª série, e os jovens indígenas prosseguem seus estudos em escolas das cidades.

8 – Alternativas e propostas surgidas na UFMG

Levantamento de ações – de pesquisa, extensão e ensino – realizadas na UFMG envolvendo populações indígenas (1997-2002)

Procuramos identificar, inicialmente, as atividades e iniciativas desenvolvidas no âmbito da UFMG, nos últimos 5 anos, que envolvem direta ou indiretamente as populações indígenas. Procuramos também identificar ações que no momento não prevêem a participação ou atuação junto às populações indígenas, mas que, potencialmente, poderiam serem ampliadas de modo a atingi-las.

A coleta seguiu diferentes procedimentos, de acordo com as indicações recebidas em cada Pró-Reitoria. Assim os procedimentos foram os seguintes:

  • Consulta on line Produção em C&T no Lattes, 1997-2002
  • Consulta via e-mail PROPG aos programas de pós-graduação da UFMG
  • Levantamento bibliográfico pelo Setor de Referência da BFALE
  • Levantamento de dados na ProEx (Sistema SIEX), com consulta aos anais das Semanas de Extensão, seguida de análise do processo dos projetos considerados pertinentes ao tema.
  • Consulta à planilha dos projetos apresentados à ProGrad para solicitação de bolsas, e seleção dos projetos considerados pertinentes ao tema.

De forma geral, o levantamento evidenciou a existência de relativamente poucas iniciativas. Cabe ressaltar que os procedimentos previstos para consulta (sistemas informatizados) não permitiram a identificação de algumas atividades existentes, muitas vezes em função do tipo de detalhamento da informação que a ferramenta informatizada oferecia para a consulta.

Há programas de pós-graduação que ainda não se interessaram minimamente pela questão indígena, como é o caso da arquitetura. Segundo nos informou a secretária do Programa, "das 45 dissertações defendidas junto ao Curso de Mestrado do Núcleo de Pós-Graduação em arquitetura e urbanismo nenhuma tratava do tema 'Indígenas brasileiros'." Informou, ainda, que "nenhuma das dissertações, ora em andamento, tem este tema como objeto de estudo." Esse é o caso da grande amioria dos nossos cursos de pós-graduação.

Identificamos apenas 5 dissertações na área de ciências humanas e sociais, nos programas de história, sociologia, psicologia e educação; 4 nas áreas de biologia e saúde: 2 dissertações de Mestrado na odontologia, 1 na microbiologia, e 1 tese de Doutorado em enfermagem. Nessa área pudemos identificar até mesmo o interesse em colaborar com o programa institucional a ser implementado:

Sou professora da Escola de Enfermagem do Departamento de Enfermagem Aplicada e doutoranda da Escola Nacional de Saúde Publica/Fiocruz. A minha tese de doutorado está focalizada na Educação e Promoção da Saúde para indígenas com doenças crônicas, em especial Diabetes Melliltus. Estou indo para uma comunidade indígena no Canadá para trabalhar a avaliaçãono contexto da promoção da saúde. Tenho interesse em participar desse programa, caso seja do interesse de vcs, coloco-me à disposição – escreveu-nos Heloisa de Carvalho Torres.

No programa de saneamento, meio ambiente e recursos hídricos, realiza-se no momento a primeira dissertação envolvendo populações indígenas (mais diretamente os xacriabás).

Em sondagem feita em reunião com a Profa. Cristina Augustin, Pró-Reitora de Graduação, foram sugeridos nomes de professores que poderiam opinar sobre os trabalhos com populações indígenas, e que poderiam ser convidados a uma reunião futura para consulta sobre seus interesses e discussão de propostas.

As informações levantadas na ProEx e os dados colhidos em visita à área xakriabá evidenciaram mais uma vez a necessidade de se colocar em rede as ações relacionadas com a UFMG e parcerias com outras instituições. Além das atividades desenvolvidas no processo de formação dos professores indígenas e de implantação das escolas diferenciadas, em parceria com a SEE, FUNAI e IEF, foram identificadas outras possibilidades:

·         contato com prefeituras sobre hipótese do Internato Rural

·         contato com a FUNASA, para tratar da necessidade de profissionais da área médica para atuar nas reservas

·         contato com ONGs que atuam nas diferentes áreas indígenas, como o CIMI, na produção e distribuição de medicamentos preparados com matéria-prima local

A estruturação de um percurso de formação universitária indígena: por um projeto de ensino de caráter intercultural e plurilíngüe

Durante o trabalho da Comissão, foram discutidas alternativas para que o Programa Institucional da UFMG para as Populações Indígenas a ser criado atenda à demanda, explicitada pelas lideranças na mencionada reunião com o Reitor, qual seja, a de que a Universidade passe a atender às necessidades de formação superior dessas populações.

Dentre as formas de inclusão de membros das comunidades indígenas em cursos de graduação da UFMG, pensadas pela Comissão, encontra-se uma proposta de formação específica (são diversas as etnias), diferenciada (cada sociedade tem cultura própria) e intercultural (a educação escolar como diálogo e tradução), que leve em consideração o princípio de que a sociedade brasileira é plurilíngüe (esse conceito lingüístico, oriundo das formulações do russo Mikail Bakhtin, se aplica no campo da sociologia, já que pressupõe a polifonia e o dialogismo como modos de as vozes se colocarem nas realizações que se querem democráticas. Para esse teórico, as bases sociais e as superestruturas sempre interagem).

Uma proposta dessa natureza, ainda em forma embrionária, ao ser detalhada futuramente, deverá buscar em primeiro lugar responder aos projetos comunitários dos índios, envolvendo questões da atualidade das aldeias: reconhecimento, reconquista, revitalização e manejo do território; saúde e educação; revitalização das línguas, bilingüismo, notação e registro das tradições culturais orais; etc., que podem ser relacionadas às diferentes áreas de conhecimento encampadas pela universidade.

Em segundo lugar, ao se tentar atender com precisão à especificidade dos projetos prioritários das populações indígenas, trazidos ao cerne desse tipo de formação, esta proposta visa a introduzir nos currículos de diferentes cursos da UFMG e nos seus diferentes projetos institucionais a abordagem intercultural, incluindo o princípio do plurilingüismo. É possível e necessário que um programa de formação destinado às populações indígenas apresente em seus princípios propostas de diálogo entre formas diferentes de produção de saberes, formalizando e legitimando a valorização das diferenças culturais.

A experiência bem sucedida do Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais (mencionada em páginas anteriores deste relatório) coloca-se como ponto de partida para esta proposta. Este Programa, do qual a UFMG participou como instituição conveniada desde a criação, constituiu a fonte experimental para o conhecimento do processo de formação escolar específica e diferenciada para populações indígenas, bem como, em Minas Gerais, tem sido uma referência para a chamada educação intercultural. Através desta experiência, vislumbramos uma alternativa metodológica que, construída coletivamente nesse Programa, tornou possível a formação de professores indígenas (nível médio de ensino).

Uma alternativa que possibilitasse também a abertura do ensino superior às comunidades indígenas teria, certamente, que levar em conta a criação de metodologias de ensino adequadas, o que, a nosso ver, é irrealizável sem a presença dos principais interessados.

Na base dessa proposta de criação conjunta, está justamente a interculturalidade: o diálogo entre as formas, no processo coletivo de construção simbólica, em que as diferentes vozes podem se expressar. Portanto, a idéia de processo e a divisão de poderes e saberes fundamentam tal ensino. Não é o caso de se definir a priori os objetos e as formas do conhecimento, mas sim de se compartilhar com as populações indígenas, através de mecanismos que caberia à universidade proporcionar, questões e buscas de respostas, com vistas ao entendimento sobretudo do processo histórico que foi moldando a paisagem e seus agentes, na formação da nação brasileira.

A elaboração e implementação desse projeto universitário baseado na interculturalidade poderia, em suas linhas gerais, se estruturar sobre algumas instâncias e mecanismos:

– Criação de um núcleo, centro, ou instituto, destinado a promover projetos integrados de pesquisa, ensino e extensão, e a buscar parcerias para garantir a formação superior de representantes dos povos indígenas. Este núcleo deveria também acompanhar o processo de admissão e o percurso acadêmico específico de alunos indígenas;

– Instituição de programas semelhantes ao “artista visitante” visando a contratação de mestres ou xamãs das diferentes comunidades indígenas brasileiras, para ministrarem palestras, cursos ou oficinas que beneficiem pesquisadores e estudantes (ver Anexo 5, sobre a experiência da USP);

– Realização de laboratórios interculturais modulares (2 meses plenos por ano: 320 horas), podendo beneficiar alunos índios e não-índios regularmente matriculados na UFMG;

– Realização de módulos presenciais nas aldeias e/ou realização de convênios com universidades próximas às aldeias indígenas, para a consolidação de parte da formação curricular dos seus estudantes universitários incluídos em projeto de formação específico;

– Construção no campus da UFMG de instalações apropriadas para realização dos laboratórios interculturais e para alojamento dos representantes das populações indígenas em momentos presenciais de sua formação.

Percursos de formação

Com esta proposta, pretende-se oferecer aos alunos indígenas as formações e os diplomas de graduação correspondentes a cursos com percursos e áreas temáticas diferentes daqueles já implantados na UFMG, ainda que absorvendo grande parte de suas características e contando com o corpo docente já efetivado. Até o presente momento, segundo os levantamentos realizados por esta Comissão, existe na UFMG um potencial, que deve ser ampliado, para se oferecer aos alunos indígenas percursos formadores que atendam às suas especificidades e indiquem a abertura de novos horizontes de atuação social e comunitária para os representantes selecionados nas diferentes aldeias.

Como proposta inicial, e de acordo com o interesse dos indígenas, expresso nos vários momentos de discussão sobre a formação de nível superior, poder-se-ia pensar a estruturação curricular do ensino intercultural em três grandes áreas, cada uma correspondendo a diferentes possibilidades de percurso:

- Vidas (biologia, medicina, farmácia, educação);

- Territórios (direito, geografia, arqueologia, antropologia, geologia);

- Linguagens (línguas, história, música, matemática, artes-plásticas).

A consolidação de uma proposta de formação universitária adequada aos povos indígenas demandaria uma participação mais efetiva da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG, bem como uma constante interlocução com representantes indígenas.

Uma experiência piloto

A realização, pelo projeto de extensão Culturas Indígenas na UFMG, de um laboratório intercultural previsto para as duas primeiras semanas de agosto de 2002, representa, aos olhos desta Comissão, uma experiência importante para se verificar um modo de iniciar o diálogo com os representantes indígenas. A maioria dos inscritos neste projeto já está envolvida com a implantação da educação escolar em suas aldeias, sendo professores contratados pelo estado, interlocutores privilegiados no sentido de se delinear conjuntamente os contornos do que poderá vir a ser uma proposta de formação universitária intercultural.

Cerca de 12 (doze) professores da UFMG ministrarão aulas e coordenarão atividades com 60 alunos indígenas de quatro etnias de Minas Gerais (xacriabá, pataxó, krenak e maxacali), que permanecerão por duas semanas em Belo Horizonte, vivenciando práticas acadêmicas. Além dos candidatos indígenas ao ensino universitário, o referido projeto de extensão conta com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação da UFMG, matriculados nos cursos de letras, pedagogia, ciências sociais, belas artes, música, medicina, comunicação social, geografia.

De acordo com os projetos comunitários de cada etnia, foram determinadas algumas áreas do conhecimento pertinentes e constituídas as propostas de oficinas. Levaram-se em conta as etnias dos candidatos ao ensino superior, que se inscreveram através de uma ficha encaminhada às aldeias (referida na p. 15 deste relatório) e, após seleção feita pela coordenação do projeto de extensão, formaram-se os grupos: 39 xacriabás, 7 maxakalis, 8 krenaks e 6 pataxós.

Pela realização desse primeiro laboratório, estruturado de forma interdisciplinar, são responsáveis os seguintes docentes da UFMG (que, por sua vez, contam com a monitoria de cerca de 20 bolsistas e voluntários, estudantes dos cursos acima mencionados): André Prous (oficina de Arqueologia), Sônia Maria de Melo Queiroz, Maria Inês de Almeida e Inês Teixeira (oficinas de História oral e de edição), Cristina Magro (oficina de Lingüística), Ana Gomes e Marildes Marinho (oficina de produção de material didático para alfabetização), Rosângela Pereira de Tugny (oficina de Música), Daisy Turrer e William Quintal (oficina de Ilustração e Xilogravura), Allaoua Saadi (oficina de Sustentabilidade), Ruben Queiroz (oficina de Antropologia), Eloisa Santos e Lúcia Helena Bernardes (oficina de Gestão Escolar).

Um aspecto importante desse laboratório intercultural é a oportunidade que os indígenas presentes no campus da UFMG terão de conhecer o cotidiano da vida universitária, com o deslocamento pelas várias unidades acadêmicas onde se realizarão as oficinas, a visita a laboratórios e a instalações diversas, a freqüência aos restaurantes, a ida a campo onde pesquisam alguns docentes, e a convivência com os estudantes não-índios. Assim, poderão efetivamente empreender uma escuta de saberes que, embora aparentemente distantes da vida nas aldeias, são formulados a partir de questões que muitas vezes partem de experiências concretas, perfeitamente compartilháveis com quem tem o privilégio de observar de perto fenômenos culturais, naturais, históricos e lingüísticos, mesmo que não tenha igualmente o privilégio de dominar alguns instrumentos inerentes ao desenvolvimento científico, por exemplo, a escrita alfabética.

Finalmente, após duas semanas de atividades, prevê-se uma plenária entre professores e alunos indígenas para avaliação do laboratório e discussão de propostas para o prosseguimento ou para a criação de novas iniciativas dessa natureza. Sugerimos que essa plenária conte com a presença de representantes da administração central da UFMG, para que se enseje da parte institucional, não-indígena, também uma efetiva escuta do que aqueles que estão muito distantes do dia-a-dia da Universidade têm dela a dizer.

Seleção, avaliação, abrangência e duração do percurso acadêmico dos indígenas

Cumpre-nos ressaltar que os critérios de seleção de alunos, a abrangência dos cursos, as formas de avaliação, a infra-estrutura necessária para o ensino específico e diferenciado, que levem em conta a diversidade étnica/cultural/lingüística dos índios brasileiros, são temas a serem debatidos e definidos em instâncias mais amplas. Além da Reitoria ou administração central da UFMG, do CEPE, das câmaras de extensão, graduação e pesquisa, a discussão desses temas deveria envolver órgãos governamentais (como a FUNAI, a FUNASA, o MEC, o MinC, as secretarias estaduais de Educação e de cultura, as prefeituras municipais), organizações não-governamentais (ONGs que na maioria dos estados brasileiros cuidam da educação escolar indígena, e de outros projetos indigenistas) e, sobretudo, lideranças e intelectuais indígenas.

Um projeto de formação universitária para populações até hoje totalmente dependentes do Estado, tendo como principal objetivo a busca de autonomia intelectual, econômica, e de auto-sustentabilidade destas populações, aponta para uma real necessidade de abertura da Universidade pública a novos caminhos, ela também, para garantir a sustentabilidade de seus projetos especiais. Para implementar a proposta que neste item sumariamente descrevemos, dever-se-á buscar cooperação nacional e internacional, parcerias e convênios que proporcionem os recursos financeiros sem os quais a plena realização se inviabiliza.

Proposta de realização do “Veredas Multicultural”, como desdobramento da realização do “Veredas - Formação Superior para professores”

A implantação das escolas estaduais indígenas em Minas Gerais, em 1997, juntamente com a realização do primeiro Curso de Formação de Professores Indígenas (1995-1999), deu início a um progressivo processo de instituição da educação escolar indígena no estado.

Temos hoje seis escolas criadas em quatro diferentes áreas indígenas, como se pode ver no Quadro Escolas Estaduais Indígenas de Minas Gerais – 2002.

Além das informações contidas no quadro, cabe ressaltar o fato de que na área indígena xacriabá estão atualmente em funcionamento turmas de 1a a 7a séries, com previsão de implantação da 8a série em 2003. Existe a previsão da ampliação de séries também na área pataxó. Os professores indígenas que atuam nessas turmas, todos diplomados no ensino médio, têm sido acompanhados em área pela equipe do PIEIMG, de forma a responder à demanda emergencial de formação.

Escolas Estaduais Indígenas de Minas Gerais – 2002

Área Indígena

Nome da escola

município

SRE

Locais de funcionamento

Nº alunos matriculados

Professores contratados/

Turmas de alunos

Krenak

E.E. Reserva Indígena Krenak

Resplendor

13ª

02

33

03

Pataxó

E.E. Indígena Pataxó Bakumuxá

Carmésia

14ª

02

95

09

Xacriabá

E.E. Indígena Bukimuju

S.João das Missões

17ª

 

1.038

44/87*

E.E. Indígena Xukurang

 

807

34

Maxakali

E.E. Indígena Maxakali

Sta. Helena de Minas

37ª

06

200

06

E.E. Indígena Capitãozinho Maxakali

Bertópolis

01

175

05

TOTAL

 

 

 

 

2.348

101/144

Fonte: Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais – SEE/MG – maio 2002.

*44 professores contratados/87 turmas de alunos. Dados fornecidos pela 17a SRE e pelo Diretor José Nunes.

 

Quanto ao Curso de Formação de Professores Indígenas, sua segunda turma, atualmente em processo de formação, recebe também professores dos grupos kaxixó, pankararu e xukuru-kariri.

Diante do quadro apresentado, a proposta do “Veredas: Formação Superior de Professores Indígenas” vem se constituir em uma primeira resposta à demanda já existente de formação de professores do ensino fundamental (1a a 8a séries).

A proposta da formação de uma turma de professores em nível superior vem oferecer uma ocasião para dar continuidade ao processo de qualificação dos professores que atuam no ensino fundamental e que já são diplomados no Magistério Indígena, nível médio. O processo continuado de qualificação tem se demonstrado necessário como parte do percurso de implantação das escolas indígenas. Os primeiros resultados obtidos com a criação das escolas levaram as populações indígenas a se equipararem aos índices de escolarização existentes no estado, com o aumento significativo das matrículas e a regularização da freqüência da maior parte dos alunos. Com isto, passa-se, no entanto, à fase de consolidação da oferta escolar, em que a qualidade do ensino se torna o objetivo principal, que se coloca para todas as escolas públicas do estado, e do país.

A demanda de formação e qualificação dos professores tem sido atendida nas atividades de formação continuada que, desde a diplomação da primeira turma do curso (ocorrida em 1999), são desenvolvidas em área pela equipe do PIEIMG com os professores indígenas. Essas atividades, ao mesmo tempo, vêm respondendo à necessidade de formação mínima para os professores das séries finais do ensino fundamental. Cabe ressaltar que cerca de 40% dos professores contratados são os que estão atualmente em processo de formação em nível médio.

A formação dos professores indígenas no Veredas vem responder, assim, a diferentes exigências:

– a qualificação dos professores que possuem diploma de ensino médio (como uma das etapas do processo de formação continuada);

– a formação específica de professores de 5a a 8a série, etapa do ensino fundamental que já está funcionando em escolas de algumas das áreas indígenas.

Princípios norteadores da proposta de formação de professores indígenas

A realização do Veredas para professores indígenas não pretende definir de modo conclusivo a proposta de formação de professores indígenas, mas pretende ser uma resposta às demandas emergentes. Tal resposta, no entanto, não se limita a oferecer recursos imediatos, mas deverá ser uma ocasião de construção, uma contribuição para a definição das diretrizes e para o desenvolvimento das ações que vêm se realizando no estado, objetivando a consolidação da educação escolar indígena.

A possibilidade de se valer da estrutura já proposta no Veredas para a formação dos professores em todo o estado nasceu, em um primeiro momento, da avaliação feita pela Coordenação Geral do PIEIMG de algumas das características da proposta pedagógica do Projeto Veredas. Consideraram-se em particular dois aspectos. Em primeiro lugar, o fato de se tratar de educação à distância, voltada para professores em serviço, o que possibilita a formação dos professores em concomitância com as atividades docentes por eles realizadas (o calendário e o estilo de atividades são compatíveis com o funcionamento das escolas públicas). Em segundo lugar, pelo fato de a proposta pedagógica do Veredas ser caracterizada pela centralidade da experiência do professor no processo de formação. Neste sentido, são previstas diversas ocasiões e procedimentos em que a especificidade do contexto escolar e da atuação de cada professor é chamada em causa, como ponto de partida para a reflexão, análise e, neste processo, para a criação de novas proposições.

A proposta de formação no Veredas se orienta, então, a partir das duas considerações iniciais, para um processo de reapropriação do projeto pedagógico original, redesenhando-o em função das especificidades da formação dos professores indígenas. Como delineamento inicial, propõe-se que o percurso de formação seja constituído em dois âmbitos: um âmbito comum, de formação superior para professores das séries iniciais; um âmbito específico, com acréscimo de carga horária, materiais e atividades específicas, voltadas para a formação do professor indígena de 5a a 8a série.

Como demarcações que norteiam a elaboração da nova proposta, estão alguns dos princípios que vêm orientando a formação dos professores indígenas, assim como a prática educativa e a gestão das escolas: a definição de conteúdos específicos em eixos curriculares próprios para a parte de formação específica; a atenção às características específicas de cada comunidade e à dimensão da gestão comunitária, que caracteriza, com modalidades diversas, o funcionamento das escolas indígenas nas diferentes áreas; um estilo próprio de tutoria e de acompanhamento dos alunos, a ser definido a partir das experiências de formação já realizadas/em realização (tal escolha implica, por ex., no desenvolvimento de uma maior carga horária de atividades presenciais nas áreas indígenas).

A proposta se orienta, assim, para uma carga horária complementar, equivalente a dois módulos de formação, onde seriam trabalhados os conteúdos e atividades específicas. Tal carga horária seria desenvolvida ao longo de todo o percurso de formação. Da mesma forma, o desenvolvimento da parte comum sofreria alterações na sua forma de implementação, a serem definidas a partir das indicações acima apresentadas.

O percurso de formação, no seu conjunto, será reformulado e reproposto para aprovação nas diferentes instâncias institucionais, da universidade e do estado. Nesta reformulação, a participação dos próprios professores é decisiva para a discussão de suas demandas de formação, das concretas possibilidades de desenvolvimento das atividades e das escolhas a serem encaminhadas para discussão mais ampla com as lideranças e com as comunidades.

O projeto encontra-se atualmente em discussão pelas duas equipes da SEE/MG envolvidas na sua elaboração –  a equipe do Veredas, coordenada pelas Profas Glaura Vasquez e Umbelina Caiafa Salgado, e a equipe do PIEIMG, coordenada pelas Profas Zélia Rezende e Macaé Evaristo – em articulação com a UFMG, através da coordenação do Veredas na Faculdade de Educação e da equipe do PIEI na UFMG.

A formação de professores que atuam em comunidades remanescentes de quilombos: uma nova hipótese de trabalho

Ao lado da proposta da formação de professores indígenas, colocou-se também a hipótese de se propor a atenção à formação de professores que atuam nas comunidades remanescentes de quilombos.

Foi realizada uma reunião com a participação da Coordenação do PIEIMG, da Profa Glaura Vasquez e das Profas da UFMG, Ana Maria Gomes e Nilma L. Gomes, para se fazer uma avaliação inicial da possibilidade de se atender a essa demanda.

Embora a temática seja pertinente e de grande importância, constatou-se que o percurso de elaboração de uma possível proposta seria mais longo e, necessariamente, diferenciado do percurso para elaboração da proposta de formação dos professores indígenas. A hipótese está sendo avaliada pelas equipes da SEE/MG, que deverão se manifestar quanto às possibilidades de seu encaminhamento.

Sugestão para se iniciar a elaboração de um programa da UFMG para as populações indígenas

As propostas que esta Comissão ora encaminha para apreciação não devem ser vistas como um substitutivo de outras medidas afirmativas que promovam o acesso de negros, índios e outras minorias sociais à nossa Universidade. Ao contrário, julgamos que nossa proposta é apenas uma dentre outras medidas que devem ser discutidas e, se possível, implementadas.

Nesse sentido, entendemos que deve ser amplamente discutido o tema da reserva de cotas para os índios – assim como para negros, estudantes de escolas públicas, e outras minorias – na universidade. Silenciar sobre esse tema significa, no nosso entendimento, incorrer no mesmo erro daqueles que pensam que a melhor forma de combater o racismo é não se pronunciar sobre o mesmo. Se a Universidade Federal de Minas Gerais não se pronunciar, em breve, sobre o tema, descobrirá que, apesar do expressivo contingente de negros residentes neste estado, foram outras universidades e instituições públicas que discutiram ou começaram a implementar a política de cotas para negros e/ou índios, como: Universidade de Brasília, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Estadual Norte-Fluminense, Universidade do Estado do Mato Grosso, Universidade Estadual do Paraná, Universidade Estadual do Tocantins, Supremo Tribunal Federal, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Justiça.

Como afirmam os antropólogos José Jorge de Carvalho e Rita Laura Segato em proposta apresentada ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB, no dia 8 de março de 2002, "o que não podemos é continuar convivendo com um sistema informal de cotas que reserva 98% dos melhores empregos e posições de mando na sociedade exclusivamente para os brancos e ainda chamar essa proteção de meritocracia".[16]

Alguns poderão levantar questões sobre os efeitos da educação diferenciada e bilíngüe proposta por esta Comissão. Poderiam perguntar, por exemplo: Ao se buscar preparar os índios para servir melhor às suas comunidades de origem, estarão sendo criados mediadores culturais que “traduzem” os conhecimentos/hábitos/leis da cultura hegemônica. Isto é positivo ou negativo? Ou: A educação diferenciada poderia servir para isolar ainda mais esses grupos, reforçando seu isolamento ou marginalização?

Quais argumentos poderiam ser usados para o estimulo à educação bilíngüe em casos em que a língua nativa estiver em desuso? Até que ponto a idéia de desaparecimento da língua nativa como perda vem dos acadêmicos não-índios, indiretamente culpados pelo genocídio dos indígenas – este, sim, uma perda real? Será que, ainda que na melhor das intenções, não estaríamos projetando neles nossas próprias visões de cultura?

No entendimento da Comissão, essas e outras questões devem ser discutidas num amplo seminário a ser realizado na UFMG, reunindo docentes e estudantes desta universidade, lideranças, professores e candidatos indígenas ao ensino superior, bem como especialistas em educação indígena, brasileiros e estrangeiros.

Esse seminário significaria, a nosso ver, o primeiro passo no sentido da elaboração do programa da UFMG para as populações indígenas. Nele se poderia fazer um balanço da situação da educação escolar indígena, discutir temas pertinentes à relação da universidade com os índios, à relação entre tradições orais e escrita, à formação universitária de indígenas. Seria uma oportunidade de ouvir os representantes das comunidades indígenas, os especialistas em educação intercultural e bilíngüe, os órgãos governamentais e não-governamentais que se ocupam das questões indígenas, as universidades que estão trabalhando com a idéia de acolhimento de populações periféricas e da diversidade cultural, a coordenação do Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais, os coordenadores de projetos de pesquisa, extensão e ensino da UFMG, voltados para as populações indígenas, os prováveis parceiros do Programa a ser criado.

Abaixo, sugerimos profissionais, alguns já contactados, que poderiam ser convidados a participar do seminário que propomos:

Aldir Santos de Paula – lingüista assessor dos professores krenaks na escrita de sua língua materna

Ana Flávia Santos – antropóloga, trabalha na Procuradoria Geral da República

Bartomeu Meliá – especialista em educação intercultural bilíngüe do Paraguai, autor de vários libros sobre o assunto

Beleni Grado – educadora, professora do Curso Superior de Magistério Indígena da UNEMAT

Betty Mindlin – tradutora e editora de literatura indígena, coordenadora de programa de educação em Rondônia

Chiquinha Pareci – liderança indígena do Mato Grosso, professora do Curso Superior de Magistério Indígena da UNEMAT, membro do Conselho Federal de Educação

Denny Moore - PhD CUNY, funcionário do Museu Goeldi/PA. Especialista em línguas Gavião e em Nenheegatu.

Domingos de Oliveira - Presidente da Associação Indígena Xacriabá

Euclides Macuxi - Presidente da Associação nacional das Escolas Indígenas

Gilvan Muller – lingüista, trabalha com formação de professores indígenas do sul do Brasil

Inge Sichra – assessora do PROEIB/ANDES (Programa de Formação em Educação Intercultural Bilíngüe para os Países Andinos)

João Pacheco Filho - antropólogo

José Augusto Laranjeira – antropólogo, membro da ONG ANAÍ, que promove a educação escolar indígena na Bahia

Jussara Gruber - artista plástica, coordenadora do programa de formação dos professores ticunas do AM.

Kleber Gesteira e Matos – educador, consultor permanente da CGAEI/MEC, presidente da BAÍ – Educação, Arte e Meio Ambiente, ONG que se dedica à educação indígena em Minas Gerais.

Leda Leonel – arquiteta, especialista em arquitetua indígena, autora de vários projetos de prédios escolares e hospitalares em áreas indígenas

Luis Donizete Benzi Grupioni – antropólogo, consultor permanente da CGAEI/MEC

Macaé Evaristo – coordenadora do PIEIMG

Marcia Spyer Resende – educadora, fundadora do PIEIMG, consultora para a área de uso do territória e geografia de vários projetos de educação indígena no Brasil, membro da BAÍ

Maria Cristina Troncarelli – membro do Instituto Socioambiental - ISA, coordena projeto de educação dos povos do Xingu

Maria Helena Fialho – Diretora do Departamento de Educação da FUNAI

Marilda Cavalcanti – lingüista, coordena projeto de formação continuada de professores indígenas na UNICAMP

Neide Siqueira – funcionária do Departamento de Educação da FUNAI

Nicanor Rebolledo – antropólogo, especialista em educação intercultural bilíngüe, da UPN/ México

Nietta Lindenberg Monte – lingüista, consultora do MEC, coordenadora pedagógica da CPI-AC , ONG que se dedica à educação indígena no Acre

Ruth Monserrat – lingüista, assessora vários projetos de educação indígena no Brasil

Sérgio Farias - professor da UFBA. Participa de um núcleo de pesquisas sobre índios e negros (afro-americanos) na UFBA. Coordena programa de formação de 70 professores tuxá, kariri, pankararé, pataxó, pataxó há há hãe. Organizou o Seminário: A escola e a aldeia.

Suzana Grillo – responsável por longo tempo pelo Departamento de Educação da FUNAI

Teresa Maher – lingüista, professora da UNICAMP, assessora de vários projetos de educação indígena no Brasil

Valdemar Adilson - Presidente da Associação Indígena Krenak

Vanessa Mara Dutra – indigenista, assessora vários projetos do FNMA em áreas indígenas

Vera Olinda - funcionária do Departamento de Educação da FUNAI, membro da CPI/AC

Vincent Carelli – Coordenador do projeto Vídeo nas Aldeias, presidente da ONG do mesmo nome.

Zélia Resende – Coodenadora do PIEIMG

 

9 – Parcerias e cooperação para um programa institucional da UFMG

Algumas possíveis parcerias poderão ser efetivadas a partir dos primeiros contatos, realizados como parte das iniciativas coordenadas pela Comissão. Em 16 de maio de 2002, foi realizada uma reunião com a participação dos Profs. Drs. Nicanor Rebolledo e Sérgio Ricco (UPN – México), Luciano Giannelli (Universita S. di Siena) e Maria Inês de Almeida (UFMG), para discussão e esboço, em linhas gerais, conforme procedimento indicado no “Roteiro para formalização de acordos e parcerias internacionais” do Setor de Cooperação Internacional da UFMG:

A- Identificação das partes:

- Universidade Pedagógica Nacional (México)

- Università Studi di Siena (Itália)

- Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil)

B- Os principais objetivos desta cooperação seriam:

- Fortalecer o desenvolvimento da área de educação intercultural bilíngüe na UFMG

- Promover o intercâmbio de informações e experiências sobre a educação indígena, no México e no Brasil

- Promover o intercâmbio de docentes, pesquisadores e estudantes entre as três instituições envolvidas

- Promover o intercâmbio entre professores indígenas do México e do Brasil

- Produzir publicações conjuntas (pelo menos um caderno multilíngüe sobre a educação indígena, nas áreas do conhecimento concernentes aos pesquisadores envolvidos na cooperação: antropologia, lingüística e literatura).

- Elaborar conjuntamente um projeto integrado de pesquisa e/ou ensino e/ou extensão, visando à busca de fomento junto a agências de financiamento nos três países envolvidos.

C- Atividades previstas:

- Elaboração de projeto integrado de pesquisa e/ou ensino e/ou extensão

- Realização de seminário sobre “Pensamento indígena e Universidade”

- Intercâmbio de pesquisadores e estudantes (indígenas ou não)

- Organização conjunta de publicações sobre “Relações interculturais e diversidade lingüística”.

D- Financiamento:

- Encaminhamento de projeto integrado à UNESCO e à ONU para que os funcionários contactados (Linda King e Gerardo Bamonte, respectivamente) orientem busca de apoio financeiro internacional

-          Encaminhamento de projeto às agências de fomento do Brasil, México e Itália, bem como a entidades públicas e privadas que tradicionalmente, nos dois países, subsidiam ações relativas às populações indígenas.

Contactamos diversos especialistas, pesquisadores e agentes governamentais dedicados à educação intercultural, com o objetivo de promover a cooperação científica e institucional em futura oportunidade de consolidação da proposta de ensino intercultural. Apresentamos a seguir a relação dos profissionais que manifestaram interesse em colaborar com a UFMG num Programa para as Populações Indígenas.

Nicanor Rebolledo – antropólogo professor da Universidade Pedagógica Nacional (do México). Especialista em educação intercultural bilíngüe. Elaborou conosco uma minuta de proposta de cooperação internacional entre a UPN, a UFMG e a Università Studi di Siena. Dispõe-se a encaminhar esta proposta em sua universidade e a elaborar conjuntamente um projeto de pesquisa/ensino/extensão e buscar subsídios para sua realização.

Gerardo Bamonte – trabalha com Direitos Indígenas pela ONU e pertence à Fondazione Internazionale Lelio Basso per Diritto e la Libeazione dei Popolo. Disponibilizou os meios cabíveis em seu setor da ONU para subsidiar a elaboração de Programa institucional da UFMG para as Populações Indígenas.

Linda King – Responsável pelas populações indígenas no escritório da UNESCO de Paris. Disponibilizou os meios cabíveis em seu setor da UNESCO para ajudar a buscar financiamentos para futuros programas de inclusão de indígenas na Universidade.

Nietta Lindenberg Monte – Coordenação pedagógica da Comissão Pró-Indio - ACRE. Propõe parcerias em atividades que beneficiem as etnias da família Pano.

Beleni Grando – Docente no curso superior de magistério indígena da UNEMAT. Propõe troca de experiências e se disponibiliza para trabalhar como convidada em momentos pontuais do processo de criação de projetos de ensino na UFMG.

Maurizio Gnerre – lingüista especialista no estudo de línguas indígenas do Brasil da Università di Roma La Sapienza. Ex-professor da UNICAMP, interessa-se em discutir e participar da elaboração de propostas relativas ao bilingüismo no Brasil e está aberto a propostas de cooperação/parceria entre a Universidade de Roma e a UFMG.

João Batista Borges Pereira – presidente da Comissão Permanente de políticas Públicas para populações Negras da Reitoria da USP. Dispõe-se a trocas de experiências e a discutir parcerias UFMG/USP para programas de interculturalidade.

Galina Erchova – arqueóloga pesquisadora dos Olmecas (México) do Institut Archeologii Rossiyskoi Akademii Naul. Diretora do Centro de Estudos Mesoamericanos Yuri Knorosov da Univ. Estadual de Ciências Humanas da Rússia. Comprometeu-se a nos ajudar a conseguir, no Museu Nacional de São Petesburgo, pelo menos microfilmes dos manuscritos de Manizer (etnólogo russo que viveu com os botocudos/kenaks em 1914/1915).

Roberto Messias – Presidente da Fundação Biodiversitas.

Sergio Dominguez – antropólogo professor da UNESP, pesquisa a cultura material de timbiras e outra etnias. Pretende trabalhar pela formação de núcleo de pesquisa integrado (estética, epistemologia, linguagem) e propõe publicações conjuntas.

Marie Carmem de Saavedra – responsável pelo programa de educação e gestão ambiental dos mapuches no Chile pela Deutscher Entwiklungsdienst (DED)/ Cooperação Técnica e de Desenvolvimento Alemã (GTZ). Coloca-se à disposição para encaminhar pedidos de financiamento a esta agência alemã.

Luciano Giannelli – lingüista do Departamento de Filologia e Crítica Literária do Centro Interdisciplinar di Studi Sull’ America Indigena da Universidade Studi di Siena. Dispõe-se a encaminhar proposta de cooperação ou criação de projeto integrado de pesquisa na sua universidade.

Giulia Pedone – pesquisadora da educação intercultural bilíngüe do Chile (mapuche e aymara) da Università di Roma La Sapienza. Interessa-se em participar de pesquisas integradas.

Fillippo Lenzi Grillini – estudante recém-graduado no Departamento de Antropologia da Università Studi di Siena, com uma tese sobre a implantação da educação escolar entre os xacriabás, MG. Dispõe-se a intercâmbio de pesquisas e participação em futuros projetos relacionados a essa etnia.

Sergio Neuenschwander – pesquisador em neurociência do Max-Planck- Inst Fuer Hirnforschung. Dispõe-se a participar de núcleo de pesquisa integrada e interdisciplinar e a encaminhar propostas de cooperação internacional junto ao Instituto Max-Planck, de Frankfurt – Alemanha.


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RIBEIRO, Joaquim. Folklore brasileiro. Rio de janeiro: Z. Valverde, 1944.

ROSTKOWISKI, JOËLLE. Le renouveau indien aux États-Unis. Paris: L’Harmattan, 1986.

SCHADEN, Egon. A mitologia heróica de tribos indígenas do Brasil. 3. ed. São Paulo: EDUSP, 1989. (1ª edição: 1945)

SCHULER, Evelyn. Pelos olhos de Kasiripinã: revisitando a experiência waiãpi do “Vídeo nas aldeias”. Sexta feira. Revista do Curso de Pós-Graduação em Sociologia da USP.São Paulo: Edusp, 1999.

SOCIÉTÉ AFRICAINE DE CULTURE. Le critique africain et son peuple comme producteur de civilisation. Colloque de Yaoundé (16-20 avril 1973). Paris: Présence Africaine, 1977.

SOUZA, Lynn-Mário. Voices on paper: literacy discourse in indigenous education in Brazil. Textoinédito fotocopiado.

STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1972.

THEVET, André. Singularitez de la France Antarctique. Paris, 1878.

VANSINA, Jan. La tradición oral.Barcelona: EditorialLabor, 1966.           

VARELA, Maria Helena. O heterologos em língua portuguesa: elementos para uma antropologia situada. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1986.


Anexos

1. Trechos de tanscrição de reuniões realizadas no Parque Estadual do Rio Doce, no módulo VIII do Curso de Magistério do PIEIMG – 1999

2. Ações – de pesquisa, extensão e ensino – realizadas na UFMG envolvendo populações indígenas (1997–2002)

3. Nomes e endereços de possíveis parceiros

4. Organizações indígenas brasileiras

5. Sociedades indígenas de Minas Gerais

6. Índios dão aulas na USP para  pesquisadores


Trechos de tanscrição de reuniões realizadas no Parque Estadual do Rio Doce, no módulo VIII do Curso de Magistério do PIEIMG – 1999

 

Kanátio

A nossa própria escola é diferenciada, a gente tendo em mente qual cidadão queremos formar, a partir daí temos a decisão de qual pesquisa deve ser feita.

Durante os trabalhos na escola eu achei importante escrever a história do meu povo que nunca tinha sido escrita – eu nunca tinha visto um livro que falasse do meu povo, quem é ele, de onde ele veio, isto era o coração da minha escola. A escola tem um objetivo muito grande para construir este caminho do saber do povo. A  nossa escola tá ligada ao cosmos, ao mundo animal, ao mundo vegetal. Isto é que faz meu povo Pataxó buscar esta sabedoria através dos nossos antepassados – pessoas que tem a alma do que é ser índio. Para se pensar uma escola, tem que ter aquele caminho de estudar, desenvolver uma pesquisa. Os mais velhos são os nossos livros, os livros de fora ajudam, mas, os importantes são os velhos, ser índio, buscar suas histórias, sua mata, suas terras. Como era a vida do meu povo antes, antigamente, ele vivia como outros do mesmo tronco, hoje, estamos...

Só os pensadores indígenas, os nossos professores, vão pensar esta história para escrever ela. Junto com os mais velhos.

Temos aí os heróis que morreram pela pátria, tornaram-se heróis, mas, aqui, também tem. Só que ninguém nunca viu um herói indígena, não tá lá no livro dos brancos. Então, se a gente não escrever isto, esta história vai ficar escondida e vai ser mal contada. O importante de um cidadão é ele se relacionar logo com a família, a criança aprender logo os costumes de casa. Depois da escola, onde todos tem uma idéia comum, ele vai viver na comunidade. Pensar num bem comum. Hoje as nossas crianças estão muito felizes na nossa escola, na nossa aldeia. A escola tem que ser um lugar onde a pessoa se sente bem. Então eu sei qual o cidadão que eu quero formar ali. Depois que ele formar, ele vai para a cidade – um brasileiro, um índio Pataxó – sem perder o que ele é. Estamos tentando escrever as histórias que estão se apagando, os mitos, suas crenças. Isto é o que nos motiva a fazer uma escola com estas características. Quanto a pesquisa, nós trabalhamos com dois professores, contam histórias, um trabalho integrado, um trabalho que não é fechado, falando sobre muitas coisas que possam ser mostradas para a comunidade.

 

José Alves

Pesquisa sobre o vocabulário Xacriabá que eu pesquiso com meu livro dentro de casa e com os mais velhos da reserva. A minha avó tem quase 100 anos  e sabe um pouco da língua Xacriabá. A pesquisa não é só dentro da sala de aula, a casa da gente é uma aula. Isto já é uma diferença. Pesquisa sai de escola de não índio, tem coisas que tá guardado. Comecei a pesquisar em 1993 com o vocabulário hoje já sei falar um pouquinho, quando eu colocar no papel vai dar para fazer um livrinho pequeno.

 

FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA INDÍGENA

Kanatio

Eu conversei com alguns professores da nossa aldeia e percebi que para fazer a escola que a gente sonha, não podemos chegar até onde chegamos e ficar parado. O caminho da educação indígena a gente tem que ter este  terceiro grau como avanço deste projeto. Os professores de fora devem pensar como fazer este curso diferenciado, ver como cada povo quer.

 

Márcia

Por falar em curso diferenciado, qual é a real demanda dos Pataxós?

 

Kanatio

Para nós, Pataxós, em primeiro lugar é a terra. Os nossos filhos vão sempre para a cidade estudar, trabalhar etc. Eles devem permanecer na terra.

...........

Como a terra, temos vários saberes e desenvolver algumas coisas para o desenvolvimento das cidades. Através do meio ambiente podemos fazer um trabalho importante dentro da terra. Acho importante ele estudar medicina indígena, os saberes da ciência do nosso povo e saber tirar o recurso dali para garantir a sobrevivência do povo. Ter ele também, ali, o seu meio de vida. O espírito do povo tá ligado à terra, a poesia, à música e isto é muito importante como complemento da educação. As crianças podem vir e mostrar o valor destas coisas futuramente. O Jeito de ensinar também é importante, isto faz a gente pensar na continuação de um curso. Hoje é difícil você ver um índio antropólogo, nós precisamos disso aí. Estes cursos devem ter um jeito de ensino com a  alma do índio.

 

Márcia

Eu vi então quatro áreas, uma o terceiro grau – território e meio ambiente (produção e conservação do território), a cultura (o pesquisador de seu próprio povo, o antropólogo), outro é a arte (música, livros). A raiz e o tronco da árvore que daria estes galhos é o território?

 

Kanatio

É o povo, e a terra.

O povo sem a terra não vive e ele tem que saber viver dali, da terra. Não adianta eu formar num estudo em que eu vou para a cidade. Eu esqueci o meu povo. O índio tá ligado à terra. Ali ele deve capacitar estes professores e o nosso povo. Isto vai nos fazer fortes. A escola é que vai construir o povo, ela tem que pensar nisto, no povo que ele quer construir. Formar o povo para viver na terra dele, usufruir da terra e dos conhecimentos do seu povo. Sem se desligar dali

 

Márcia

Outra área que você falou foi a da pedagogia, voltada para a pedagogia, pensando uma escola voltada para dentro do território. A última coisa, o que você acha de ter o ensino à distância? Mista (computadores e internet) e presencial?

 

Kanatio

Isto deve ser  pensado junto da comunidade. Este ensino deve ser de maneira que os professores se sintam mais seguros, quando ele estiver tendo um curso em área, tem alguém para ajudar. Ao mesmo tempo o acompanhamento em área é muito importante. O ensino à distância ele pode estar fazendo dentro da sua própria comunidade. Ficar muito tempo fora de casa é sempre meio complicado, mas o que vale a pena é o esforço de cada um...

Na universidade não se dificulta, porque é cidade, o mais viável  seria um lugar onde ele possa discutir... o parque mesmo.

 

Márcia

O coração de um curso Pataxó seria este? Esquecemos dos direitos indígenas.

 

Kanatio

Seria importante ter uma pessoa de cada povo que conhecesse estes direitos.

 

Márcia

Um antropólogo, um pedagogo, um advogado... o que mais?

 

Kanatio

Outra coisa importante é o jeito da alma do povo, esta energia que vem de longe. O que está no universo? Saber lidar com o mundo lá de cima. Lá, o céu também pertence a nós. Um estudo para a integração da cultura, religião, filosofia...Saber lidar com estes caminhos, projetos de preservação da terra, identificar os principais problemas.

 

Toninho

Precisamos ter informação sobre temas gerais. No Xacriabá, a gente não sabe nem como começar. Saber onde tá o começo do desenvolvimento, das melhorias, não entendendo, as coisas ficam soltas.

Conseguir um projeto de criação de gado, uma lavoura... uma saída... por onde começar.

 

Márcia

É preciso formar pessoas com capacidade de que?

 

Toninho

Vamos supor, um projeto de criação de gado, como fazer um projeto de irrigação, dar condição e apoio para poder começar, administrar um projeto. Na área da arte, tem muita coisa, mas, não gera renda... eles vão é prá roça.

 

Márcia

E a idéia do ensino à distância, pelo computador? É possível ter um telefone por lá?

 

Toninho

Lá não tem nem energia..

 

Márcia

Uma vez por semana, ir até o Brejo Mata Fome, ter uma aula no computador, o que você acha?

 

Toninho

Acho boa idéia... a reserva é muito grande...é perto, uma hora a pé ...fazer cerâmica em algumas áreas, outras milho, feijão quando tem chuva, projetos de irrigação, plantar no brejo... precisa ser muito bem pensado.

 

Márcia

A sua pesquisa de língua, você recebe também pelo sonho, você recebe uma entidade na língua, gravar esta língua para o estudo da língua..

 

Toninho

Quando começar o estudo.. eu penso mais na língua....

 

ENSINO SUPERIOR PARA OS XACRIABÁ

 

Sr. Emílio

O que a gente pensa é em crescer o nosso povo, na área da saúde formar um médico, uma escola agrícola para os nossos filhos, ter um chefe de posto que seja formado, tocar o nosso trabalho indígena, passar nossa cultura e arte para os outros. Caminhar com as nossa próprias pernas O que os professores estão fazendo me deixa muito satisfeito vendo eles ensinarem os próprios filhos. Foi combinado com a FUNAI virem 3 médicos para cá. Este dinheiro que estes médicos ganham seria repassado aos índios, que, trabalhando, ganhando seu próprio dinheiro,  seria mais bem distribuído com a comunidade.

 

Márcia

Como deve ser a escola de 5a a 8a ?

 

Emílio

Ver como pode se seguir um projeto, como pedir um recurso, cultura, a língua que nós não estamos conseguindo resolver, encontrar nossa língua, ter um lingüista que possa entender, tem que ter uma disciplina de arte de cultura.

 

Márcia

E a agricultura, o plantio?

 

Emílio

Formar um técnico agrícola, um da área de saúde e da cultura são as três principais. O direito também é bom saber, formar um advogado.

 

Márcia

Quando os meninos vão para a escola de 5a a 8a , é pra quê?

 

Helena

Pra ser qualquer coisa, arrumar um serviço.

 

Maria Conceição

Não tem enfermeiro, motorista, técnico agrícola, costureira tem pouca, cantor pior, formar para um serviço mesmo aqui dentro da área, pro nosso benefício, eu tenho muita vontade dos meus meninos se formarem, serem professores. Aqui o serviço que mais aparece é roça e depois ser professor indígena. A área é muito grande, Deve ter também professor de arte e cultura, só os mais velhos é que sabem alguma coisa, tem que ter outros estudos ligados ao trabalho.

Tem muita criança sem interesse na escola, parece que os pais não ligam pras crianças, os professores, às vezes, chegam atrasados, não olham se tem tarefa. Dar um livro para cada criança desperta muito, ler uma história bonita, tudo isso é bom.

Cuidar também das turmas de repetência, até as professoras ficam sem graça de ter muita repetência.


Ações – de pesquisa, extensão e ensino – realizadas na UFMG envolvendo populações indígenas (1997-2002)

A seguir apresentamos uma síntese das informações coletadas, organizadas por áreas temáticas de acordo com a definição de áreas do Sistema de Dados e Informações utilizado pela ProEx. Teremos então iniciativas em quatro áreas temáticas: Saúde, Educação, Cultura e Meio-Ambiente. A concentração de trabalhos na área da Saúde é significativa, embora os projetos não tenham articulação entre si. Nas áreas de Cultura e Educação encontram-se os projetos estruturados, voltados para as populações indígenas de Minas Gerais. A área de Direitos Humanos poderia entrar como área temática complementar em alguns dos projetos.

Ainda segundo a proposta da ProEx, a linha programática onde se enquadram os projetos existentes seria a de “Direitos de Grupos Sociais”. Segue uma apresentação, por área temática, das informações coletadas.

1) Área de Saúde:

COELHO, Erika de Aguiar Miranda. Epidemiologia das lesões traumáticas da dentição permanente de crianças e adolescentes nas Tribos Maxakali e Krenak. Belo Horizonte: Faculdade de Odontologia da UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Odontologia. Orientadora: Profa. Maria Ilma de Souza Côrtes)

CUNHA, Roberto Penna de Almeida. Infecção pelo Helicobacter pylori em Populações Autóctones da Amazônia Ocidental Brasileira. Belo Horizonte: ICB/UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Microbioologia. Orientadora: Dulciene Maria de Magalhães Queiroz.)

CURSINO, L., SOUZA, E. C., NASCIMENTO, A. M. A. Frequência de bacteriocinogenia em isolados de sítios do Ribeirão do Carmo-MG contaminados em sua maioria por mercúrio e de fezes de seringueiros e índios do Amazonas. In: I Semana de Pós Graduação da UFMG, 1999, Belo Horizonte-MG. Resumos, 1999. p.15.

FARIAS, L. M., RIBAS, P. S. Susceptibilidade a antimicrobianos de periodontopatógenos indígenas isolados de adultos humanos sadios e de pacientes com periodontite de início precoce. 1999. Banca de Mestrado em Odontologia (Periodontia), da Escola de Odontologia da UFMG.

GOMES, Maria Aparecida, SILVA, Edward Felix. Controle de Parasitoses intestinais aplicadas aos índios Xakriabá. Projeto de Extensão ICB, Depto. de Parasitologia. Atuação em área com bolsista ProEx, de março a outubro de 2000; suspenso por falta de alojamento em área.

MARQUES, V. R. B. Medicamentos Indígenas na Terra de Santa Cruz. In: XIX Simpósio Nacional de História, 1997, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Imprensa Universitária UFMG, 1997. p. 289-289.

NASCIMENTO, A. M. A. Freqüência de bacteriocinogenia em isolados de sítios do Ribeirão do Carmo-MG, contaminados em sua maioria por mercúrio, e de fezes de seringueiros e índios do Amazonas. In: VIII Semana de Iniciação Científica e I Semana de Pós-Graduação da UFMG, 1999, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 1999. p.15 - 15.

PENA, João Luiz. Avaliação do Impacto das Intervenções em Saneamento na Saúde das Populações Indígenas do Brasil: um estudo de caso na população xakriabá. Dissertação de Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Engenharia Sanitária. Orientador: Professor Léo Heller Co-orientadora: Antropóloga Alba L. G. Figueroa. Data prevista para a defesa: junho de 2003.)

SANTOS, Paulo José Benevides dos. Estudo da Prevalência de alterações da mucosa bucal entre os Indígenas Waimiri-Atroari. Belo Horizonte: UFMG, 2002. (Dissertação de Mestrado em Odontologia. Orientadora: Profa. Maria Auxiliadora Vieira do Carmo.)

TORRES, Heloisa de Carvalho. Educação e Promoção da Saúde para indígenas com doenças crônicas, em especial Diabetes Melliltus. Rio de Janeiro? Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz. (Tese de doutorado em Enfermagem, em andamento em 2002.

Programa Saúde da Família (consultoria e apoio à distância para profissionais que atuariam nas áreas indígenas).

2) Área de Educação

ALMEIDA, Maria Inês de et alii. Intercultural e multilíngüe: formação universitária para os índios na UFMG graduação à distância para professores indígenas, 2001.

ALVES, Vânia de Fátima Noronha. O corpo lúdico maxakali: desvelando os segredos de um "programa de índio". Belo Horizonte: UFMG, 1999. (Dissertação de Mestrado em Educação. Orientador: Luiz Alberto Oliveira Gonçalves).

CAMPOS, Rogerio Cunha, SALGADO, A. C. Banco de Dados sobre Educação Indígena. Sub-projeto Extensão, 2002.

CASTRO, M. G. Cultura Escolar: Uma Investigação Da Experiência Escolar Dos Professores Indígenas Xakriabá. 2002. In: II Semana do Conhecimento da UFMG/ X Semana de Iniciação Científica, 2002, Belo Horizonte. Anais da X Semana de Iniciação Científica Belo Horizonte: Publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais/ Pró Reitoria de Pesquisa, 2002. p.262 - 262. Orientadora: Profa. Ana Maria R. Gomes.

GOMES, Ana Maria R. Programa de Implantação da Escolas Indígenas. Projeto Extensão, parceria SEE/MG, FUNAI, IEF. Coordenadora, 2001.

GOMES, Ana Maria R., GERKEN, Carlos Henrique Sousa; ALVARES Myriam Martins. Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa registrado CNPq, parceria FUNREI, 2000-2003.

LAS CASAS Rachel, Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa, Bolsista Aperfeiçoamento FAPEMIG, 2002. Orientador: Prof. Carlos Henrique S. Gerken.

MATOS, Kleber Gesteria, Sujeitos socioculturais na Educação Indígena. Grupo de Pesquisa, Bolsista Aperfeiçoamento FAPEMIG, 2002. Orientador: Profa. Ana Maria R. Gomes.

MENDES, Verônica. Cultura escolar ou escolarização da cultura. Uma investigação junto à comunidade Xacriabá. Dissertação de Mestrado em Educação. Faculdade de Educação. Orientadora: Profa Ana Maria R. Gomes. Data prevista para defesa: agosto 2003.

MENEZES Karina, Produção de Material Didático a partir do acervo do Banco de Dados em Educação Indígena. Subprojeto do Promad (Laboratório de Produção de Material Didático), Bolsa PAE-FaE. 2000- 2002. orientadora: Profa. Ana Maria R. Gomes

3) Área de Cultura:

ALMEIDA, Maria Inês de. Culturas Indígenas na UFMG. Programa de Extensão, 2002. Coord. Profa. Dra. Maria Inês de Almeida e Profa. Dra. Rosangela Tugny.

ALMEIDA, Maria Inês de. Ensaios sobre a literatura indígena contemporânea no Brasil. São Paulo: PUC-SP, 1999. (Tese de Doutoramento em Comunicação e Semiótica. Orientador: Amálio Pinheiro.)

ALMEIDA, Maria Inês de. Formação continuada de professores indígenas como etapa para a graduação. Subprojeto de extensão/Programa Culturas Indígenas na UFMG, 2002.

BAETA, Alenice Motta. A memória indígena no Médio Vale do Rio Doce: arte rupestre e identidade krenak. Belo Horizonte: UFMG, 1998. (Dissertação de Mestrado em Educação. Orientadora: Márcia Spyer Rezende)

BARROS, J. A. M. Argüição à autora da dissertação intitulada Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, 2000. Membro suplente da banca examinadora da dissertação de Mestrado intitulada Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, apresentada ao Curso de Mestrado do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG) por Laura Nogueira Oliveira. Data da defesa: 18 de fevereiro de 2000.

BASTOS, R. J. M., KAMAYURA, Índios. Experiência Musical no Alto Xingu In: Músicas Africanas e Indígenas em 500 Anos de Brasil, 2000, Belo Horizonte. Músicas Africanas e Indígenas em 500 Anos de Brasil: Encontro Internacional de Etnomusicologia Belo Horizonte: Escola de Música - UFMG, 2000. p.11.

CHRISTIANE, Bárbara - Autoria coletiva na produção literária dos professores indígenas. Bolsa Probic PAPEMIG. Orientadora: Prof. Maria Inês Almeida.

FIGUEIREDO, Paulo Roberto Maia. Economia Simbólica da Alteridade: ensaio de Ontologia Ameríndia. Belo Horizonte: FAFICH, 1999. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Ruben Caixeta de Queiroz).

MAGRO Cristina - Examinando a inter-relação entre linguagem, cognição e cultura: em busca de procedimentos adequados para o tratamento de línguas indígenas em Minas Gerais. Projeto PAD – FALE. 2002.

MEYER, Monica. Exposição Artes do coração do Brasil. Museu de História Natural da UFMG, Subprojeto de Extensão/Programa Culturas Indígenas na UFMG, 2002.

MONTEIRO, J. M. Entre o Gabinete e o Sertão: inclusão e exclusão dos índios durante o Império In: XIX Simpósio Nacional de História, 1997, Belo Horizonte. Programa e Resumos. Belo Horizonte MG: Editora da UFMG, 1997.

NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Almofala dos Tremembé: a terra da santa In: II Seminário de Psicologia e Senso Religioso, 1998, Belo Horizonte. Caderno de Resumos, Belo Horizonte: UFMG, 1998. p. 7. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida no mestrado da UFMG, sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. Em 1702, começou a ser construída uma igreja em Almofala, distrito de Itarema-CE, dando origem ao aldeamento dos índios Tremembé. Em 1898, essa igreja foi soterrada e permaneceu sob as dunas durante 45 anos. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade e fez-se uma primeira análise de conteúdo. Conclui-se que a igreja de Almofala é um símbolo do caráter sagrado desse território indígena e que a resistência a tudo que a ameaça identifica-se com a resistência em defesa da própria história e identidade do povo Tremembé.

NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Objetos sagrados e anteparos simbólicos dos conflitos interétnicos na Almofala dos Tremembé. In: XXIX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, 1999, Campinas. Caderno de Resumos. Campinas: SBP, 1999. p. 284. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida no mestrado da UFMG sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. o objetivo deste trabalho é apreender os significados de alguns objetos que os Tremembé cuidam de maneira especial: uma pequena cruz de madeira, tijolos da igreja e o cruzeiro do pátio dessa igreja, e como esses significados são utilizados nas relações intra e interétnicas. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade. Ao fazer uma análise de conteúdo desse material, observou-se, no trabalho da memória coletiva, a relação dos Tremembé com o sagrado articulado com a sua relação de pertença ao grupo étnico.

NASCIMENTO, E. S., MAHFOUD, M. Tremembé e pesquisadores: um encontro entre tradição e modernidade In: I Semana de Pós-Graduação, 1999, Belo Horizonte. Caderno de Resumo Belo horizonte: UFMG, 1999. p.131. Este trabalho faz parte da pesquisa: A terra da santa de ouro: memória coletiva e identidade étnica dos índios Tremembé de Almofala, desenvolvida durante no mestrado da UFMG, sob a orientação do Dr. Miguel Mahfoud. Com este trabalho busca-se apreender como os pesquisadores são compreendidos no conjunto das relações interétnicas. Colheu-se histórias de vida e depoimentos de 6 índios Tremembé com mais de 50 anos de idade. A análise fenomenológica revela que o trabalho da memória coletiva se dá dentro das preocupações com o reconhecimento da identidade étnica e demarcação de suas terras numa situação de fricção interétnica. Neste contexto, os pesquisadores são vistos como apoiando a dinamização da memória coletiva e da identidade étnica quando sintonizados com o dinamismo da tradição e coerentes com as necessidades concretas desse grupo indígena no seu contato com a modernidade.

NASCIMENTO, Edileusa Santiago do. Memória coletiva e identidade étnica dos Tremembé. de Almofala: os índios da terra da Santa de Ouro. Belo Horizonte: UFMG,2001. (Dissertação de Mestrado em Psicologia. Orientador: Prof. Miguel Mahfoud.)

NICOLAU, Eunice Maria das Dores- Documentação de línguas escritas e falados no Brasil. Projeto PAE- FALE. 2002.

OLIVEIRA, Laura Nogueira. Os Índios Bravos e o Sr. Visconde: os indígenas brasileiros na obra de Francisco Adolfo de Varnhagen. Belo Horizonte: UFMG,2000. (Dissertação de Mestrado em História. Orientador: Prof. Ciro Flávio de Castro Bandeira Melo.)

PENA, João Luiz. Os Maxakali e a domesticação do kaxmuk: a propósito do consumo de bebidas de alto teor alcoólico. Belo Horizonte: FAFICH, 2000. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Eduardo Viana Vargas).

QUEIROZ, Carlos Caixeta de. Punição e etnicidade: estudo de uma "Colônia Penal Indígena". Belo Horizonte: UFMG, 1999. (Dissertação de Mestrado em Sociologia. Orientador: Leonardo Hipólito Genaro Fígoli.)

SILVEIRA Elza - Gêneros literários na tradição oral xacriabá. Bolsa PIBIC- CNPq. 2001. Orientadora: Prof. Maria Inês Almeida.

WENCESLAU, M. E. As Histórias de Antigamente, sob o olhar do não-índio, no mundo e na vida Guarani. In: V Encontro Nacional de História Oral, 1999, Belo Horizonte. Resumo. Belo Horizonte: UFMG, 1999. v.1. As histórias de antigamente do índios são consideradas pelos índios como sua verdade, enquanto para o não índio é considerada como mito.

ZANETTI, Andrey Prote. Identidade, Tradição e"'Performance": um estudo dos pataxó da Fazenda Guarani (Carmésia - MG). Belo Horizonte: FAFICH,  2001. (Monografia de Bacharelado em Ciências Sociais – ênfase em Antropologia. Orientação de Leonardo H. G. Figoli).

4) Área de Meio-Ambiente:

Projeto “Educação ambiental em cavernas: uma proposta pedagógica”. Coordenador Prof. Rogério Parentoni Martins, ICB. Formação de uma associação de municípios mineiros onde existem grutas, criação do “Circuito das Grutas de MG”. Projeto de Educação ambiental do visitantes das grutas (uso sustentável das cavernas); bolsista de 03 a 12/2000.

FREITAS, F. O. Arqueologia de Plantas Cultivadas - Uma abordagem morfológica e genética no estudo sobre a origem de algumas das plantas cultivadas encontradas nas cavernas de Januária e propostas de possíveis rotas migratórias do homem na América do Sul. 2000.

FREITAS, F. O., BARTH, O. M. Análise Palinológica em amostras arqueológicas de própolis de Januária, MG. 2000.


Nomes e endereços de possíveis parceiros

Nicanor Rebolledo –UniversidadePedagógicaNacional (do México). Tel 56309744 - Fax 56454469  e-mail nrebolle@upn.mx

Gerardo Bamonte – ONU e Fondazione Internazionale Lelio Basso per Diritto e la Libeazione dei Popolo. e-mail filb@iol.it   site web http://www.grisnet.it/filb

Linda King – UNESCO de Paris.

Nietta Lindenberg MonteComissãoPró Indio - ACRE. Tel: 021-5564142, 068-2241426   e-mail cpi@mdnet.com.br

Beleni Grando – UNEMAT. e-mail beleni@ig.com.br

Maurizio Gnerre – Università di Roma La Sapienza. Tel: 06.69920857 (Roma) e-mail: m-gnerre@hotmail.com

João Batista Borges Pereira – Comissão Permanente de Políticas Públicas para Populações Negras da Reitoria da USP. Tel: 011- 30914612 (secretária Viviane)   e    55420842 (resid. em Moema)

Galina Erchova – Institut Archeologii Rossiyskoi Akademii Naul. Centro de Estudos Mesoamericanos Yuri Knorosov da Univ. Estadual de Ciências Humanas da Rússia. Tel: 095-4376926  e-mail billy96@online.ru ou mesoamerica@mail.ru

Sergio Dominguez – UNESP e-mailwohoty@msn.com

Marie Carmem de Saavedra – responsável pelo programa de educação e gestão ambiental dos mapuches no Chile pela Deutscher Entwiklungsdienst (DED)/ Cooperação Técnica e de Desenvolvimento Alemã (GTZ). Coloca-se à disposição para encaminhar pedidos de financiamento a esta agência alemã.

Tel/fax: 00493085602178

Luciano Giannelli – Centro Interdisciplinar di Studi Sull’ America Indigena da Universidade Studi di Siena. Tel: 0039.0577.232.580 Fax: 0338.0577.232.546 e-mail: giannelli@unisi.it

Giulia Pedone – Università di Roma La Sapienza.

Fillippo Lenzi Grillini – Università Studi di Siena e-mailfilippo113@hotmail.com

Sergio Neuenschwander – Instituto Max-Planck – Inst Fuer Hirnforschung. Endereço: Deutschordenstrasse 46, 60528 – Frankfurt/M e-mail neuenschwand@mpih_frankfurt.mpg.de


Organizações indígenas brasileiras

Acre

APIWTXA - Associação Ashaninka do Rio Amônea

   Rua Afonso Pena, 801

   Cruzeiro do Sul-AC - CEP 69980-000

   Tel: 68-322-3805

  e-mail- apitwxa@nauanet.com.br

ASPIRH - Associação dos Povos Indígenas do Rio Humaitá

   Rua Maria da Liberdade

   Cidade:Tarauacá/AC - CEP: 69.970.000

   Tel: 068 - 462-1782

ASKARJ - ASSOCIAÇÃO DOS SERINGUEIROS KAXINAWÁ DO RIO JORDÃO

   Rua João de Paiva, 665

   Bairro Senador Pompeu

   Tarauacá - AC CEP: 69.900-000 -

   Tel. 068-462-1195

MAMA - Movimento Articulado das Mulheres da Floresta Amazônica

   Caixa Postal 334

   69.908-970 - Rio Branco - AC

   Tel/Fax: 068-224-8607

MOPIJ - Movimento dos povos indígenas do rio juruá

   tel. 068-322-2789

OAEYRG - Organização de Agricultores Extrativista Yawanawá do Rio

  Gregório

   Rua Floriano Peixoto, 473

   69.970-000 - Tarauacá - AC

   Tel: 068-462-1477

   E-mail: oaeyrg@mdnet.com.br

OPIRJ - Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá

   Av. 28 de Setembro, 728 (OU 782?)

   Morro da Gloria

   69980-000 - Cruzeiro do Sul - AC

   Tel: 068-322-2822 e 068-322-2058

   Fax: 068-322-2942

OPIRE - Organizaçao dos Povos Indigenas do Rio Envira

   Av.Presidente Castelo Branco, 374 2º Distrito

   69.960-000 Feijó- AC Tel.: 068-463-2592

OPITARJ - Organização dos Povos Indígenas de Tarauacá e Rio Jordão

   Av.Antonio Frota - Al.Ana 109 Centro

   69.970-000 Tarauacá /AC (068) 462-1361

  Rua João de Paiva, 665

UNI-AC - União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas

   Rua Amazonas, 158

   69900-390 - Rio Branco - AC

   Tel: 068-223-1973

   Fax: 068-223-2400

   E-mail: uni@mdnet.com.br

Alagoas

APOINME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste,

  Minas Gerais e Espírito Santo

   Caixa Postal 04

   57600-970 - Palmeira dos Índios - AL

   Tel: 082-421-3336 e 984-1163

AICO - Associação Indígena Cocal

   Aldeia Indígena Wassul Cocal

   Posto Indígena Cocal

   57.000-000 - Joaquim - AL

Amapá

APINA - Conselho das Aldeias Waiãpi

   Rua São José, 1570 - Bairro Central

   68906-270 - Macapá - AP

   Tel: 096-212-9146 - Fax: 096-212-6145

   E-mail: apina@tvsom.com.br

APIO - Associação dos Povos Indígenas do Oiapoque

   Rua Honório Silva, s/n

   68980-000 - Oiapoque - AP

   (096) 521-1518

APITU - Associação Indígena do Parque do Tumucumaque

   Rua Azarias Neto, s/n - Beira Rio

   Anexo a Casa do Artesão

   68.900-000 - Macapá - AP

   (096) 212-5196 e (096) 222-4329

APIWA-TA - Associação do Povo Indígena Waiãpi do Triângulo do Amapari

   A/c ADR Funai - Macapá

   Av. Mendonça Furtado, 333

   68.906-350 - Macapá - AP

   Tel: 096-222-1830 e 222-1395

   Fax: 096-222-2248

CCPWA - Centro de Cultura dos Povos Wayana e Apalai

   Rua Azarias Neto, s/n - Beira Rio

   Anexo a Casa do Artesão

   68.900-000 - Macapá - AP

   Tel: 096-212-8528

Amazonas

AAISARN - Associação dos Agentes Indígenas de Saúde do Alto Rio Negro

  Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIBRN - Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (ex-COIMRN)

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

    ACIRA - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Aiari

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIRU - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Umari

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACITRUT - Associação das Comunidades Indígenas de Taracuá, Rios Vauapés e Tiquié

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIRC - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Castanho

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIMRN - Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro

   Rua Monsenhor Giordane, 158 - CEP:69.740-000

   Santa Isabel do Rio Negro, /AM

  Tel: (097) 441-1001 FAX (092) 441-1002

ACIRNE - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Negro

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIRX - Associação das Comunidades Indígenas do Rio Xié

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

   ACWA - Associação Comunidade Waimiri-Atroari

  Rua Recife, 2.305 Parque Dez

   69.57-02 Manaus/AM

   Tel: 097- 236-1229

   AEDI- Associação dos Educadores Indígenas do Distrito de Iauaretê

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AILCTDI- Associação Indígena Língua e Cultura dos Tariano do Distrito de

   Iauaretê

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AINBAL - Associação Indígena do Balaio

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AIBRI - Associação Indígena do Baixo Rio Içana

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ACIPK - Associação das Comunidades Indígenas Potyra-Kapuano

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AISP- Associação Indígena de Saúde Pública de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AMAI - Associação das Mulheres de Assunção do Içana

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AMARN - Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro

   Rua 06, casa 156 - Conjunto Villar Câmara - Estrada do Aleixo

  69.065/020 fone/fax (092)644-2480 - Manaus

  amarn@hotmail.com

AMIDI - Associação das Mulheres Indígenas do Distrito de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AMISM - Associação das Mulheres Indígenas Sateré Maué

   Beco Santa Isabel, 1525A

   Cachoeirinha I

   69.650-160 - Manaus - AM

AMITRUT - Associação das Mulheres Indígenas de Taracuá, Rios Uaupés e Tiquié

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

APIARN - Associação dos Professores Indígenas do Alto Rio Negro

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

APIT - Associação do Povo Indígena Torá

   Rua Monteiro, 2.895

   69.800-000 - Humaitá - AM

   Tel: 097-373-1974

APITIPRE - Associação do Povo Indígena Tenharim do Igarapé Preto

   Rua Monteiro, 2.895

   69.800-000 - Humaitá - AM

   Tel: 097-373-1974

APMCIESM- Associação de Pais e Mestres das Comunidades Indígenas da

  Escola São Miguel

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ASIBA - Associação Indígena de Barcelos

   R. Clovis Gadelha, S/N

   São Sebastião - Igarapé Salgado

   69.700-000 Barcelos (AM)

   tel. (97) 721-1485 (para contato)

ASSAI/SGC - Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ATIDI - Associação dos Trabalhadores Indígenas do distrito de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ATRIART- Associação das Tribos Indígenas do Alto Rio Tiquié (ex-Cretiart)

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

AYRCA - Associação Yanomami do Rio Cauaboris e Afluentes

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

CACIR - Conselho de Articulação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas de Santa Isabel

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

CGTSM - Conselho Geral da Tribo Satere-Mawé

   Rua Cametá, 936

   São Judas Tadeu

   69.160-000 - Barreirinha - AM

   Tel: 097-988-9837

CGTT - Conselho Geral da Tribo Ticuna

   Av. Castelo Branco, 396

   69630-000 - Benjamin Constant - AM

   Tel: 097-415-5624

    CIM - Conselho Indígena Mura

   Rua Raimundo Cavalcanti, 793

   Centro

   69.240-000 - Autazes - AM

   Tel: 097-717-1600

CIPAC - Comunidade Indígena de Pari-Cachoeira

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

CIVAJA - Conselho Indigena do Vale do Javari

   Rua Cunha Gomes, s/n

   69650-000 - Atalaia do Norte - AM

   Tel/fax: 097-417-1128

COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira

   Av. Ayrão, 235 - Presidente Vargas

   Caixa Postal: 1081

   69025-290 - Manaus - AM

   Tel: 092-233-0548 e 092-232-7396

   Fax: 092-233-0209

   E-Mail: coiab@ax.ibase.org.br

COIAMA - Coordenação de Apoio aos Índios Cocama

   Rua Emílio Moreira, 336

  Centro - Manaus - AM

COIDI - Coordenadoria das 0rganizações Indígenas do Distrito de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

COPIAM - Comissão dos Professores Indígenas da Amazônia - (ex COPIAR)

   Av.Ayrão, 235 Presidente Vargas

   CEP 69.025-290 Manaus - AM

   Tel: 92- 233-9548 Fax - 092-233-0209

COOPERÍNDIO - Cooperativa de Produção dos Índios do Alto Rio Negro

   Av. 7 de setembro, 314 - Praia

   69.750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 92-471-1430

FDDI/SGC - Fórum de Debates de Direitos Indígenas de São Gabriel da

  Cachoeira

   FIUPAM – Federação Indígena Pela Unificação e Paz Mundial

  Rua Duarte Coelho, 10 - Portobrás

  69640-000 – Tabatinga – AM

  Tel/Fax: 92-412-2949 e 412-4484

   E-mail: fiupam@yahoo.com.br - fiupam@uol.com.br

FOCCITT - Federação das Organizações e dos Caciques e Comunidades Indígenas da Tribo Ticuna

   Rua Dautchitape'e, s/n.

   Comunidade Ticuna Filadélfia

   69.630-000 - Benjamin Constant - AM

FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

   Av. Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel/Fax: 097-471-1349 e-mail: Foirn@uol.com.br

GNBI - Grupo Nhengatu do Baixo Içana

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

GETEC - Grupo de Estudos e Trabalho em Ecoturismo

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

MEIAM - Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas

   Rua 03, n. 25 - Quadra "L"

   Jd. Oriental - Parque 10

   69.055-210 - Manaus - AM

Museu Maguta

   Av. Castelo Branco, 396

   69630-000 - Benjamin Constant - AM

   Tel: 097-415-5624

OCIARNE - Organização das Comunidades Indígenas do Alto Rio Negro

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

OCIDAI- Organização das Comunidades Indígena de Assunção do Içana

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira/AM

   Tel: 092- 471-1349

OGCCIPC - Organização Geral dos Caciques das Comunidades Indígenas do Povo Kokama

   Rua Almirante Tamadaré, 411 - Dom Pedro I

  69.640 - 000 - Tabatinga/ AM

   Tel: 97- 400-7253/ 498-9900

OGMSPT - Organização Geral dos Monitores de Saúde do Povo Ticuna

  Av. Castelo Branco, 396

   69.630-000 - Benjamin Constant - AM

   Tel/fax: 092-415-5624

OGPTB - Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngues

   Caixa Postal 0023

   69.630-000 - Benjamin Constant - AM

   Tel: 092-415-5527 e092- 415-5623

OIBI - Organização Indígena da Bacia do Içan

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-2829 e-mail: oibiwatsa@poranganet.com.br

OIBV - Organização Indígena de Bela Vista

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

OICI - Organização Indígena do Centro Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ONIARP- Organização das Nações Indígenas do Alto Papuri

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

ONIMRP - Organização das Nações Indígenas do Médio Rio Papuri

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

OPIMP - ORGANIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO MÉDIO PURUS

   Av. Luiz Falcão, s/n

   Barra Limpa

   69.830-000 - Lábrea - AM

   Tel: 097-731-1467 Fax 092-731-1462

OPITEN MOROGETA - Associação do Povo Indígena Tenharim

   Rodovia Transamazônica, Km 130

   69.830-000 - Humaitá - AM

OPIPAN - Associação do Povo Indígena Parintintin do Amazonas

   Rua Monteiro, 2.895

   69.800-000 - Humaitá - AM

   Tel: 092-373-1974

OPISM - Organização dos Professores Indígenas Sateré-Maué Parintins - AM

   Organizaçao do Conselho Indígena Munduruku

   Paroquia Nossa Senhora de Nazaré

   69230-000 - Nova Olinda do Norte - AM

OSPTAS - Organização de Saúde do Povo Ticuna do Alto Solimões

   Av. Castelo Branco, 396

   69.630-000 - Benjamin Constant - AM

UCIDI - União das Comunidades Indígenas do Distrito de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UNIBI - União das Nações Indígenas do Baixo Içana

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UNIDI - União das Naçoes Indígenas do Distrito de Iauareté

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UNI-TEFÉ - União das Nações Indígenas do Médio Solimões de Tefé

   Praça Santa Tereza, 283

   Centro

   69.470-000 - Tefé - AM

   Tel: 092-743-2544

   Fax: 097-743-2663

UNIMRP- União das Nações Indígenas do Médio Rio Papuri

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UNIRT - União das Nações Indígenas do Rio Tiquié

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UNIRVA - União das Nações Indígenas do Rio Uaupés Acima

   Rua Alvaro Maia, 79

   Caixa Postal: 31

   69750-000 - São Gabriel da Cachoeira - AM

   Tel: 097-471-1349

UPISMM - União dos Povos Indígenas Sateré-Maué e Munduruku

   Rua 7 de setembro, 662

   Paróquia Nossa Senhora de Nazaré

   69.230-000 - Nova Olinda do Norte - AM

   Tel: 097-718-1350

AMK - Associação Massacará - Kaimbé

   Povoado de Massacará

   Quarteirão do Icó

   48.500-000 - Euclides da Cunha - BA

ACKSM - ASsociação Comunitária Kiriri do Saco dos Morcegos

   Povoado de Mirandela

   48.408-000 - Banzaê - BA

   Tel: 075-229-5062

ACIFRAN - Associação Comunitária Indígena Francisco Rodelas

  Tuxá de Ibotirama

   Aldeia Indígena Tuxá

   Fazenda Mourrinhos

   Posto Indígena da Funai

   47.520-000 - Ibotirama - BA

   Tel: 077-229-3291

ACIRVO - Associação Comunitária Indígena Raul Valério de Oliveira

   Aldeia Indígena Tuxá

   Fazenda Mourrinhos

   Posto Indígena da Funai

   47.520-000 - Ibotirama - BA

   Tel: 077-229-3291

ACIPACOVER - Associação Comunitária Indígena Pataxó de Coroa Vermelha

   Aldeia Indígena Pataxó da Coroa Vermelha

   Posto da Funai

   45.810-000 - Santa Cruz Cabrália - BA

Associação Comunitária Pankararé

   Aldeia Indígena Pankararé

   Posto da Funai

   48.610-000 - Glória - BA

CCP - Conselho de Caciques Pataxó

   A/c Cimi de Eunápolis

   Av. Paulino Mendes, 53 - Anexo

   45.825-000 - Eunápolis - BA

Ceará

ACIT - Associação das Comunidades dos Indios Tapeba

   A/c Equipe Arquidiocesana de apoio à questão indígena

   Travessa Sobral, s/n - Catedral

   60.030-030 - Fortaleza - CE

   Tel: 085-231-6951 e 342-2454 (Rec.)

CINCRA - Conselho Indígena de Crateus

   A/c Profa. Helena

   Rua Afonso Chaves, 1.253

   Fátima I

  63.700-000 - Crateus - CE

   Tel: 088-811-3003

CITA - Conselho Indígena Tremembé de Almofala

   Rua José Candido, 53

   Monte Castelo

   60.325-490 - Fortaleza - CE

   Tel/Fax: 085-283-2468

COIPY - Conselho Indígena Pitaguari

   Comunidade Santo Antonio do Pitaguari

   A/c Prof. Alencar

   Rua 44, casa 228 - Jereissat II

   61.900-000 - Maracanau - CE

   Conselho Indígena Kanindé de Aratuba

   Sítio Fernandes

   62.762-000 - Aratuba - CE

Distrito Federal

CAPOIB - conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do

  Brasil

   SDS Ed. Venâncio III, 1º Andar, sala 107

   70393-900 - Brasília - DF

   tel/fax: 061-322-4133

Comitê Intertribal

   SQS 109 - Bloco C-AP 508

   70.327-030 - Brasília - DF

   Tel: 061-347-1337

Espírito Santo

Comissão de Articulação Tupiniquim e Guarani

   Rua Principal s/n

   Aldeia Kaieiras Velhas

   29.195-000 - Aracruz - ES

Educadores Indígenas Tupinikim e Guarani

   A/C Caixa Post/al 30

   29.190-000 - Aracruz - ES

Maranhão

Associação dos Professores Timbira do Maranhão e Tocantins

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação Mãkraré

   Krahô - Aldeia Nova

  Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação WOKRAN

  Krahô - aldeias Rio Vemelho e Cachoeira

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação KrinduréAldeia Apinajé de São José e Patizal e Cocalinho

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação Apaniekra

   Aldeia Canela de Porquinhos

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação das Comunidades Indígenas Gavião

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Associação Indígena Angico-Torto

   Povo Indígena Guajajara

   Associação Pemp-Kahoc

  Aldeia São José Krikati

   BR 280

   65.936-000 - Montes Altos - MA

   Tel. 098-571-0143 (tel. da aldeia)

CIPK - Conselho Indígena dos Povos Krikati

   Rua Simplício Moreira, s/n

   65.907-190 - Imperatriz - MA

   Tel: 098-722-1762

   Fax: 098-722-2809

VYTY-CATI - Associação das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins

   Rua Gomes de Souza, 344

   65980-000 - Carolina - MA

   Tel. 098-531-2703

Mato Grosso

ACIF - Associação Comunidade Indígena de Fontoura

   Aldeia Fontoura (Karajá)

   Rua Mato Grosso, 366

   78.670-000 - São Félix do Araguaia - MT

ACIKAM - Associação Comunidade Indígena Karajá Aldeia Macaúba

   Aldeia Macaúba

   Parque Indígena do Araguaia

   78.650-000 - Santa Terezinha - MT

ACI - Associação Comunidade Itxala

  Aldeia Itxala (Karajá)

   Santa Terezinha - MT

ACOIMA - Associação Comunitária dos Índios Moradores da Dom Bosco

   Terra Indígena Sangradouro

   Poxoréu - MT

AHA - Associação Hhalitinã

   Aldeia Kotitiko

   BR 364, km 475

   Terra Indígena Pareci

   78.300-000 - Tangará da Serra - MT

   Tel: 065-726-1342

AIACP - Associação Indígena da Aldeia Cabeceira da Pedra

   General Carneiro - MT

    AIM - Associação Indígena Mavutsinin (Kamaiurá)

   Av. Paraná, 221

   78.640-000 - Canarana - MT

   Tel: 065-478-1815

AKB - Associação Kura-Bakairi

   Aldeia Central Pakuera

   Terra indígena Bakairi

   Caixa Postal: 11

   78.870-000 - Paranatinga - MT

ANTAPAMA - Associações dos Povos Tupi do Mato Grosso, Amapá, Pará e

  Maranhão

   Aldeia Urubu Branco

   78.650-000 - Santa Terezinha - MT

   Tel: 065-558-1125

   Fax: 065-554-1110

ASALTYKA - Associação Aldeia Tytema Karajá

   Aldeia Tytema

   Santa Terezinha - MT

ASIRIK - Associação Indígena Rikbaktsa

   Terra Indígena Rikbaktsa (Barranco Vermelho)

   Brasnorte - MT

Associação da Comunidade Bororo Piebaga-Tugokur

   Aldeia Piebaga

   Rondonópolis - MT

Associação Coroguedu Paru-Kejeu

   Aldeia Córrego Grande

   Santo Antonio do Leverger - MT

Associação da Comunidade Bororo da Aldeia Kudorjare

   General Carneiro - MT

Associação Comunidade Indígena de Santa Isabel do Morro

   Aldeia Santa Isabel do Morro

   Av. Araguaia, 588

   78.670-000 - São Félix do Araguaia - MT

   Tel: 065-522-1155

Associação Indígena Tsorepre Xavante

   Caixa Postal 37

   78.600-000 - Barra do Garças - MT

Associação do Povo Mehinaku

   Parque Indígena do Xingu

    Associação Indígena Nambikwara Mamaindê

   Aldeia Capitão Pedro

   Comodoro - MT

Associação Indígena odix (Xavante)

   Terra Indígena Parabubu

   Aldeia Betel

   Campinópolis - MT

Associação Indígena Omohi

   Aldeia Novo Paraíso, Xavante

   Campinópolis - MT

Associação Indígena Tsihorirã

   Terra Indígena Parabubure, Xavante

   Campinópolis - MT

Associação Indígena Marãiwatsede

   Terra Indígena Pimentel Barbosa, Xavante

   Canarana - MT

Associação Indígena Namunkurá

   (Xavante) Barra do Garças - MT

Associação Indígena Umutina

   Aldeia Umutina

   Barra do Bugres - MT

Associação Yemoriri

   Terra Indígena Bakairi de Santana

   De Nobres - MT

Associação Jakui (Kalapalo)

   Rua Redentora, 837

   Jardim Bela Vista

   78.640-000 - Canarana - MT

   Tel: 065-478-1849

Associação Kolimaci

   Aldeia Aroeira (Sabanê)

   Comodoro - MT

Associação 0ne Tilolazere

   Comunidade Indígena Paresi do Rio Formoso

   Tangará da Serra - MT

Associação Tapirapé Petuti

   Santa Terezinha - MT

Associação Wakliktsú

  Povo Nambiquara

   Aldeia Três Jacu

   Sapezal - MT

Associação Watoholy

   Terra Indígena Irantxe

   Brasnorte - MT

AXPB - Associação Xavante de Pimentel Barbosa

   Travessa Cabo Francisco, 07

   Caixa Postal 77

   78790-000 - Nova Xavantina - MT

   Tel: 065-438-1106

ATIX - Associação Terra Indígena Xingu

   Av. Mato Grosso, 688

   78640-000 - Canarana - MT

   Tel/Fax: 066-478-1948

   e-mail: atix@uol.com.br

CIBAE - Associação da Comunidade Bororo de Meruri

   Terra Indígena Meruri

   Barra do Garças - MT

Conselho de Administração da Comunidade de Iny

   Posto Indígena Krehawa (Karajá)

   Terra Indígena São Domingos

   78.660-000 - Luciara - MT

   Tel: 065-528-1140

    Tadarimana Tadawuge Eno-Associação

   Terra Indígena Tadarimana - Bororo

   Rondonópolis - MT

Mato Grosso do Sul

ACIRK - Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu

   Av. Samambaia, 601

   Quadra 8, Lote 27

   Conjunto Moreninha III

   78.065-280 - Campo Grande - MS

    AITECA - Associação Indígena Terena de Cachoeirinha

   79.380-000 - Miranda - MS

   Caixa Postal 100

AITEMO - Associação Indígena Terena de Moreira

   Posto Indígena Pílad Rebuá

   78.380-000 - Miranda - MS

    AITEPA - Associação Indígena Terena de Passarinho

   Posto Indígena Pílad Rebuá

   78.380-000 - Miranda - MS

APROTEM - Associação dos Professores Terena de Miranda

   Posto Indígena Cachoeirinha

   78.380-000 - Miranda - MS

   Tel: 67-242-2511

Associação Indígena Terena de Lalima

   Posto Indígena Lalima

   78.380-000 - Miranda - MS

Associação Mãos Unidas

   Posto Indígena Cachoeirinha (aldeia Babaçu)

   78.380-000 - Miranda - MS

Associação de Índios Desaldeados Kaguateca Marcal de Souza

   Rua Nicolau Frageli, 71 - fundos

   Centro

   79008-570 - Campo Grande - MS

   Tel: 67-624-7729

Associação de Moradores da Aldeia de Ipege

   Câmara Municipal de Aquidauana

   79.200-000 - Aquidauana - MS

   Tel: 67-241-2412

Associação dos Produtores Rurais de Argola

   Posto Indígena Cachoeirinha

  78.380-000 - Miranda -MS

Associação dos Produtores Indígenas Guarani e Kaiowá de Caarapó

   Área Indígena Caarapó

   79.940-000 - Caarapó - MS

   Aty Guasú Guarani

   Rua Major Capilé, 3.681

   Maxuel

   79830-030 - Dourados - MS

   Tel/Fax: 67-424-1953

COCTEKD - Centro Organizacional da Cultura Tradicional da Etnia Kaiowá

  de Dourados

  R. Amael Pompeu Filho, 654

  Pq. Alvorada

  79823-370 - Dourados-MS

  Tel: 67-4269701

Comissão dos Professores Indígenas Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul

   Caixa Postal 682

   78.830-970 - Dourados - MS

Comitê Terena - Organização de Base do Povo Terena

   Caixa Postal 2004

   79.002-070 - Campo Grande - MS

Grupo de Trabalho de Pequenos Lavouristas de Argola

   Terena - Posto Indígena Cachoeirinha

  78.380-000 - Miranda -MS

Movimento dos Professores Indígenas Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul

   Caixa Postal 682

   78.830-970 - Dourados - MS

TEKO HA - Movimento dos Rezadores Kaiowá

   Caixa Postal 682

   78.830-970 - Dourados - MS

Minas Gerais

ACIP - Associação das Comunidades Indígenas Pataxó

   Posto Indígena Fazenda Guarani

   35.878 - 000 - Carmésia - MG

   Tel: 031-864-1172

ACOIPAVARI - Associação Comunitária Indígena Pataxó do Vale do Retirinho

  e Imbiruçu

   Posto Indígena Fazenda Guarani

   35.878 - 000 - Carmésia - MG

   Tel: 031-864-1172

Associação das Mulheres Pataxó

   Posto Indígena Fazenda Guarani

   35.878 - 000 - Carmésia - MG

   Tel: 031-864-1172

AIX - Associação Indígena Xacriabá

  Aldeia Brejo do Mata Fome

   Caixa Postal s/n - Manga

  34.960 - 000 - São João das Missões - MG

   Tel: 038-615-1025

Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais (Pataxó, Maxakali,

  Xacriabá, Krenak, Kaxixó e Pankararu)

   39.635-000 - Coronel Murta - MG

   Tel: 033-731-1732 (recados c/ Geralda)

Núcleo de Cultura Indígena

   Tel: 031-3286-7202

   e-mail: burum@terra.com.br

Pará

ABP - Associação Bep-Nói de Defesa do Xikrin do Cateté

   ADR Funai de Marabá

   Folha 31, Quadra 1, lotes 1 e 2

   68.507-530 - Marabá - PA

   Tel/Fax: 091 -322-5086

AGITARGMA - Associação do Grupo Indígena Tembé do Alto Rio Guamá

   Tr. Nina Ribeiro, 254

   Cx. Postal 12.097 - São Braz

   66.090-970 - Belém - PA

   Tel/Fax: 091-226-5408

AIPU - Associação Indígena Pusuru

   Caixa Postal: 191

   68.195-000 - Jacarecanga - PA

AITTA - Associação Indígena dos Tembé de Tomé Açu

   Tr. Nina Ribeiro, 254

   Cx. Postal 12.097 - São Braz

   66.090-970 - Belém - PA

   Tel/Fax: 091-226-5408

   (ou)

   Aldeia Turé Mariquita

   Caixa Postal 48

   66.680-000 - Tomé Açu - PA

AKA - Associação da Comunidade Kayapó- A´Ukre

AMTAPAMA - Associação dos Povos de Língua Tupi do Mato Grosso, Pará, Amapá e Maranhão

   Tr. Nina Ribeiro, 254

   Cx. Postal 12.097 - São Braz

   66.090-970 - Belém - PA

   Tel/Fax: 091-226-5408

AIPATAK - Associação Indígena Parakategê Amijip Tár Kaxuwa

   ADR Funai de Marabá

   Folha 31, Quadra 1, lotes 1 e 2

   68.507-530 - Marabá - PA

   Tel/Fax: 091 - 322-1799

CIMAT - Conselho Indígena Munduruku do Alto Tapajós

   Caixa Postal: 191

   68.195-000 - Jacarecanga - PA

Paraná

UNAMI - União Nacional de Mulheres Indígenas

   Rua Eduardo C. Pereira, 126

   Bloco 11 - Apto. 07

   80.310-000 - Curitiba - PR

    Pernambuco

ACIKA - Associação Comunitária Indígena Kapinawá de Pernambuco

   Clube Indígena Kapinawá

   Tabatinga

   55.200-000 - Buique - PE

Associação Cacique Sarapó

   Posto Indígena Fulni-ô

   55.340-000 - Águas Belas - PE

   Tel: 081-775-1298

Associação Mista Comunaty

   Posto Indígena Fulni-ô

   55.340-000 - Águas Belas - PE

   Tel: 081-775-1298

Associação Xukuru de Ororubá de Pernambuco

  Aldeia Pedra D´água

   55.200-000 - Pesqueira - PE

   Tel: 081-835-3068

COPIXO - Conselho de Professores Indígenas Xucuru de Ororubá

   Rua Cel. Leonardo, 49

   55.200-000 - Pesqueira - PE

   Tel. 081-835-3068

Organização Indígena Fulniô

   Aldeamento Indígena Fulniô

   Rua Santa Terezinha, 136

   55.340-000 - Águas Belas - PE

   Tel: 081-775-1174

Rio de Janeiro

ACIBRA - Associação Indígena de Bracuí

   A/c do Centro de Ação Comunitária

   Rua Benjamim Constant, 108

   22.241-150 - Glória - RJ

   Tel: 021-242-9693 e 021-509-0263

GRUMIN - Grupo Mulher e Educação Indígena

   Rua Ambrosina, 82 - Tijuca

   20.540-120 - Rio de Janeiro - RJ

   Tel: 021-567-2675

   Fax: 021-208-6798

   E-mail: grumin@ax.ibase.org.br

Rio Grande do Sul

APBKG - Associação dos Professores Bilingues Kaingang e Guarani

   Posto Indígena Inhacorá

   98.595-000 - São Valério do Sul - RS

   Tel: 055-744-2391

   Fax: 055-744-4018

Rondônia

AAPIRB - Associação Agrária dos Povos Indígenas do Rio Branco

  Av.Vitória Régia, 900

   São Bernardo

  78.958-000 Ji-Panará (RO)

  069- 421-2136

AAPIL - Associação Agrária do Povo Indígena do Igarapé Lourdes

   Rua Manoel Franco, 1820

   78.963.0 Ji-Paraná-RO

   Tel: 069-423-5397

AAPIZ - PANGYJEJ - Associação do Povo Indígena Zoró

   A/c da Funai

   Rua Manoel Franco, 1820

   Nova Brasília

   78.963-000 - Ji-Panará - RO

   Tel: 069- 423-5397

AKOT PYTIM ADNIPA - Associação do Povo Karitiana

   A/c do Cimi

   Rua Dom Pedro II, 650 - Centro

   Caixa Postal 881

   78.900-970 Porto Velho - RO

   069-224-6373

APIA - Associação do Povo Indígena Arara

   A/c da Funai

   Rua Manoel Franco, 1820

   78.964.0 Ji-Paraná-RO

   Tel: 069-423-5397

Associação Agrária do Povo Indígena de Rio Branco

   Av. Vitoria Regia, 900

   São Bernardo

   78958-000 - Ji-Paraná - RO

Associação Indígena Sagarana

   A/c da Funai

  Av.Constituição, 542

   78.957.000 Guajará-Mirim - RO

   Tel: 069- 541-2149

CUNPIR - Coordenação da União das Nações e Povos Indígenas de Rondônia,

  Norte do Mato Grosso e Sul do Amazonas

   Rua Alfazema, 181

   Cohab Floresta II

   78.900-000 - Porto Velho - RO

   Tel: 069-210-3798

MASSAKÁ - Associação dos dos Povos Indígenas Aikanã, Latundê e Kwazar

   Rua 826 - nº 6.535 - setor 08

   Bairro Nova Vilhena

   78.995-000 Vilhena-RO

METAREILÁ - Organização do Povo Indígena Suruí

   Rua Capitão Rui Luís Teixeira, 1.666

   Distrito do Riozinho

   78.983-000 - Cacoal - RO

   Tel: 069-44l-3148 e 069-441-2019

OPICS - Organização dos Povos Indígenas Cassupá e Salamãi

   Rua D. Pedro II, 650 - Centro

   Caixa Postal 881

   78.900-970 - Porto Velho - RO

PAMARÉ - Associação do Povo Cinta Larga

   Rua Marcos da Luz, 5067

   Riozinho

   78.975-000 - Cacoal - RO

   069- 441-3169

PANDEREJ - Organização das Associações Indígenas de Ji-Paraná

   Rua Manoel Franco, 1820

   78.965.0 Ji-Paraná-RO

   Tel: 069-423-5397

Roraima

APIR - Associação dos Povos Indígenas de Roraima

   Rua Carlos Nattrodt, 1737

   Liberdade

   69309-250 - Boa Vista - RR

   Tel: 095-225-1044

   Fax: 095-224-3610

ARIKON - Associação Regional Indígena do Rio Kinô, Cotingo e Monte Roraima

   Rua Z2, n.1.857

   Caimbé II

   69.312-20 Boa Vista - RR

CIR - Conselho Indígena de Roraima

   Av. Sebastião Diniz, 1672 W - São Vicente

   69303-120 - Boa Vista - RR

   Tel/Fax: 095-224-5761

   E-Mail: cir@technet.com.br

OPIR - Organização dos Professores Indígenas de Roraima

   Av.Benjamin Constant, 1484 São Vicente

   69303-090 - Boa Vista - RR

   Tel: 095-623-0892 Fax 095 - 224-5761

SODIUR - Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima

   Conjunto Totolandia Quadra 1 casa 1

   Rua Y - 1

   Caimbé

   69.300-200 - Boa Vista - RR

   tel/fax: 095- 625-2833

TWM - Sociedade para o Desenvolvimento Comunitário e Qualidade Ambiental

   Rua Egito, 426

   Cauamé

   69.314-140 - Boa Vista - RR

Santa Catarina

APOIS - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Sul

   Rua Paulo Marques, 170E

   89.803-010 - Chapecó - SC

   Tel: 049-722-1584

CONISC - Conselho Indígena de Santa Catarina

   Rua Borges de Medeiros, 1452Z

   89.801-160 - Chapecó - SC

   Tel: 049-722-0024

São Paulo

AICOP - Associação Indígena do Centro-Oeste Paulista

   A/c ADR Funai de Bauru

   Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis

   17.013-191 - Bauru - SP

   Tel/Fax: 014-224-2955

AGUAI - Associação Guarani Indígena

   Rua Diogo de Quadros, 203

   Santo Amaro

   04710-010 - São Paulo - SP

   Tel: 011-241-0624

AIGAMS - Associação Indígena da Aldeia Morro da Saudade

   Estrada João Lang, 153 - Barragem

   São Paulo - SP

   Tel: 011-528-4251

AMICOP - Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista

   A/c ADR Funai de Bauru

   Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis

   17.013-191 - Bauru - SP

   Tel/Fax: 014-224-2955

Associação Comunitária Indígena de Icatu

   A/c ADR Funai de Bauru

   Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis

   17.013-191 - Bauru - SP

   Tel/Fax: 014-224-2955

Associação Comunitária Indígena Guarani

   Posto Indígena Araribá - Aldeia Nimuendajú

   A/c ADR Funai de Bauru

   Rua Anhanguera, 539 - Bairro Higienópolis

   17.013-191 - Bauru - SP

   Tel/Fax: 014-224-2955

Associação Guarani Nhe'em Porã

   Aldeia Krukutu

  Estrada do Curucutu s/n

   04895-000 - São Paulo - SP

   Tel: 11- 5977-0025 (aldeia); 5973-5312 / 98459268 (associação)

   Fax: 5973-5312

   E-mail: mailto:%20culturaguarani@ieg.com.br

   Site: http://www.culturaguarani.hpg.ig.com.br/index.html

Associação Indígena Pankararu

   Rua Onório Serpa, 153

   04174-090 - São Paulo - SP

   Tel: 011-6940-3532

Associação Indígena Tembiguai (Guarani)

   Aldeia Boa Vista

  Km 20 - Rodovia Rio-Santos

   Caixa Postal 149

   11.680-970 - Ubatuba - SP

Associação Xavante Warã

   Rua Fábia, 474

   Vila Romana

   05051-030 - São Paulo - SP

   Tel: 11-3873-5533

   E-mail: xavantewara@uol.com.br

   Site: http://www.imaginario.com.br/questoe/xavante/index.shtml#topo

IDETI -Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas

   Rua Augusta, 1.371, Loja 7 - Galeria Ouro Velho

   01305-902 São Paulo - SP

   Tel: 011 - 283-4924

   E-mail:mailto:%20idete.arte@bol.com.br

   Site: http://www.ideti.org.br/

   Ñemboaty Guasu Guarani

Organização Indígena da Aldeia Guarani Aguapeú

   Av. José Cesário Pereira Filho, 2.544

   11.730-000 - Mongaguá - SP

   Tel: 013-972-9127

TJERO MIRIM BA'E KUAI - Associação Comunitária Indígena Guarani

   Aldeia Rio Silveira

   Tel: 012-467-9204

Tocantins

APITO - Associação dos Povos Indígenas do Tocantins

   A/c ADR da Funai de Araguaína

   Rua 1º de Janeiro, 868 - Centro

   77.803-140 - Araguaína - TO

   Tel: 063-814-2192 e 814-1733

   Fax: 063-814-1733

AIX - Associação Indígena Xerente

   Travessa João amorim, 745-A

   77.650-000 - Miracema - TO

   Tel: 063-866-1201

AAKIB - Associação das Aldeias Karajá da Ilha do Bananal

   Santa Isabel do Morro - TO

CAPEJ - Associação da Aldeias Krahô

   A/c ADR da Funai de Araguaína

   Rua 1º de Janeiro, 868 - Centro

   77.803-140 - Araguaína - TO

   Tel: 063-814-2192 e 814-1733

   Fax: 063-814-1733

APT - Associação dos Povos Timbira

   Associação Kâwakmore Zase

   Comunidade Indígena das Aldeias Xerente

   Reserva Xerente - Aldeia Salto

   Tocantínia - TO

Associação Kri kâwra Kurerê Krãinisdu

   Reserva Xerente - Aldeia Aldeinha

   Tocantínia - TO

Organização Xerente Akuen

   Aldeia Bela Vista - TO

 


Sociedades indígenas de Minas Gerais

Sociedades

População em fins de 2001

Situação Territorial

Situação lingüística

Localização

(Município) – Distância até BH

Economia e subsistência

Aranã

???

Não têm o reconhecimento oficial pela FUNAI

A língua materna é o português. Não há registro de uso de Língua Indígena

Araçuaí

650 km de BH

Agricultura de subsistência e criação de pequenos animais.

Kaxixó

80 pessoas

Não tem terra demarcada

A língua materna é o português. Não há registro de uso de Língua Indígena

Martinho Campos

230 Km de BH

Agricultura de subsistência, criação de pequenos animais  e pesca.

Krenak

(Vale do Rio Doce – divisa com ES)

130 pessoas

Terra Demarcada : 4.000 hectares às margens do Rio Doce.

São bilíngües, o português é a língua mais utilizada no cotidiano e a língua krenak em situações domésticas e durante rituais ou manifestações políticas.

Resplendor

530 Km de BH

Criação pequenos animais, pesca, artesanato, salários de agentes de saúde, professores e aposentados.

Maxakali

(Vale do Rio Mucuri – divisa com BA)

900 pessoas

Terra Demarcada: 5.290 hectares.

São praticamente monolíngues falando quase exclusivamente a língua maxakali.

Santa Helena e Bertópolis

700 Km de BH

Roças muito reduzidas, artesanato, pesca, coleta.

Pankararu

Norte de Minas

25 pessoas

62 hectares de terras doadas pela Arquidiocese de Araçuaí

A língua materna é o português. Não há registro de uso de língua indígena

Coronel Murta

560 Km de BH

Agricultura de subsistência

Pataxó

(próximo a Itabira)

230 pessoas

Terra Demarcada: 3.270 hectares

A língua materna é o português. Existem práticas de uso de expressões e frases em  Língua Indígena

Carmésia

220 Km de BH

Artesanato, agricultura de subsistência,  criação de pequenos animais, salários de agentes de saúde, professores e aposentados.

Xacriabá

(Vale do Rio São Francisco – quase divisa com BA)

6.600 pessoas

Em torno de  50.000 hectares em duas Terras Indígenas Demarcadas.

A língua materna é o português. Não há registro de uso de Língua Indígena

São João das Missões

e Itacarambi

720 Km de BH

Agricultura de subsistência,  criação de pequenos animais, salários de agentes de saúde, professores e aposentados, prestação de serviços braçais fora da área indígena,

Xukuru-Kariri

(próximo a Poços de Caldas)

50 pessoas

Vivem atualmente em uma fazenda do Patrimônio Público da União.

A língua materna é o português. Não há registro de uso de Língua Indígena

Caldas

Agricultura de subsistência e prestação de serviços fora da comunidade.

 

 


Índios dão aulas na USP para pesquisadores

O Estado de São Paulo – 08/02/02

Durante uma semana, eles participaram de curso na Faculdade de Saúde Pública

LUCIANA MIRANDA

Quando tinha 1 ano, a pequena Lulu escapou por pouco das estatísticas de mortalidade infantil. Desnutrida e desidratada, ela foi atendida por Pablo, um jovem auxiliar de enfermagem. A menina sobreviveu e tem hoje 3 anos. A história seria comum não fosse por Lulu e Pablo serem índios da aldeia Morená, no Parque Indígena do Xingu, norte do Mato Grosso.

Para contar experiências como essa, Pablo Kamaiurá, de 28 anos, e outros quatro índios estiveram na capital esta semana. Eles atuaram como professores em um curso de verão sobre saúde indígena, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Entre os alunos, estavam pesquisadores, enfermeiros e médicos.

Cacique Adolfo Timóteo, de 32 anos, e Karai Tataendy, de 37, vieram de uma aldeia guarani, em Bertioga. Noel Patrocínio Terena, de 70 anos, veio de mais longe, de uma reserva no Mato Grosso do Sul. Vitorino Guajajara, de 46 anos, é da reserva de Araribóia, no Maranhão. Todos têm a mesma missão: trocar conhecimento com o homem branco para melhorar a qualidade de vida nas aldeias.

Não importa qual é a tribo. Kamaiurás, terenas, guajajaras ou guaranis são unânimes: as ações de saúde só funcionam quando o índio participa.

Para os indígenas, saúde não é apenas ausência de doença. Tratamento não é só feito com remédios. Na aldeia de Bertioga, onde vivem 300 índios, saúde é criar frango. O cacique explica: "A carne é alimento, as penas são usadas para fazer artesanato e as fezes da ave adubam a terra que fica boa para plantar."

Na reserva de Noel, perfuração de poços e instalação de água encanada reduziram a mortalidade infantil. Lá, vivem 2,5 mil terenas. Em Araribóia, Vitorino luta para informar o índio sobre como se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis – principal problema que atinge os 6 mil índios da reserva, muito próxima da cidade.

Projetos – A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mantém um projeto de saúde indígena no Xingu. A FSP-USP é responsável por outro, na aldeia guarani de Bertioga. Nos dois casos, índios e profissionais de saúde trabalham juntos. Os resultados: queda da mortalidade infantil. Pablo diz nem acreditar que Lulu seja a mesma criança que ele atendeu há dois anos. Satisfeito, Karai vê a população de sua aldeia crescer. "As crianças estão morrendo menos."

O diretor da FSP-USP, João Yunes, explica que o curso de verão foi um "tubo de ensaio" para verificar o grau de interesse dos pesquisadores pelo assunto. A idéia é planejar uma especialização na área. O curso teve lotação completa. Adolfo, Karai, Noel, Vitorino e Pablo voltaram para suas aldeias com mais uma missão cumprida.

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Notícias - Março/2002


Afro-descendentes e índios têm cadeira no CNE
18/03/2002 18:15

Decretos do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, publicados hoje, 18, no Diário Oficial da União, designam e reconduzem dez membros do Conselho Nacional de Educação (CNE). Dos conselheiros nomeados, seis assumem pela primeira vez e quatro são reconduzidos para mandatos de quatro anos.

Entre os novos conselheiros estão duas representantes das comunidades indígena e negra, que integram o CNE pela primeira vez em sua história. Com isso, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, cumpre o compromisso assumido por ocasião da 3ª Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, que se realizou na África do Sul, em setembro do ano passado.

Francisca Novantino Pinto de Ângelo, da etnia Pareci, e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, afro-descendente, tiveram seus nomes escolhidos a partir da sugestão de representantes das comunidades.

Arthur Fonseca Filho, Neroaldo Pontes de Azevedo, Francisco Aparecido Cordão, Kuno Paulo Rhoden, Marília Ancona-Lopes, Edson de Oliveira Nunes, Arthur Roquete de Macedo e Roberto Cláudio Frota Bezerra são os demais conselheiros nomeados.

Atribuições – O CNE é um órgão com atribuições normativas e deliberativas na Educação. Francisca Novantino foi designada para a Câmara de Educação Básica e vai representar os professores indígenas. Petronilha Gonçalves representará os afro-descendentes na Câmara de Educação Superior do Conselho.

As designações das conselheiras estão amparadas no parágrafo 1º do artigo 8º da Lei 9131/95, que permite a livre escolha e designação, pelo presidente da República, de até 50% dos membros do CNE. Para os demais conselheiros o presidente Fernando Henrique Cardoso seguiu as indicações feitas por entidades da sociedade civil, encaminhadas ao Ministério da Educação.

Com mandato de quatro anos e direito a uma recondução para o período imediatamente seguinte, os conselheiros agora designados ou reconduzidos assumem os cargos no início de abril. Composto por 24 conselheiros – 12 em cada Câmara e com atuação no Conselho Pleno – o CNE passa por uma renovação parcial de seus membros de dois em dois anos. Com essas designações fica mantida a proporção de representantes do setor público e privado

Conheça os representantes

Câmara de Educação Básica – A representante dos professores indígenas, Francisca Novantino Pinto de Ângelo (Nezokemaero), 41 anos, da etnia Pareci, é ativista do movimento indígena nacional e internacional desde 1980; membro da Comissão Nacional de Professores Indígenas do MEC; presidente do Conselho de Educação Escolar Indígena de Mato Grosso; membro da equipe de Educação Escolar Indígena da Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso. É licenciada em História e tem especialização em Antropologia, ambas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Arthur Fonseca Filho, 52 anos, de São Paulo, representa no Conselho o setor privado. É licenciado em Pedagogia e bacharel em Direito pela Faculdade de Sorocaba; tem especialização em Supervisão e Currículo pela PUC/SP; é diretor do Colégio Organização Sorocabana Uirapuru e do Instituto Superior de Educação Uirapuru.

Neroaldo Pontes de Azevedo, 56 anos, da Paraíba, representa o setor público no CNE. É doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP); secretário de Educação e Cultura de João Pessoa (PB); participou de 1998 a 2001 do Projeto de Melhoria da Qualidade do Ensino Superior (SESu/MEC); é membro do conselho consultivo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), desde 1999.

Francisco Aparecido Cordão, 56 anos, de São Paulo, representante do setor privado (reconduzido). Licenciado em Filosofia, Teologia e Pedagogia com especialização em Supervisão de Ensino e Administração Escolar. Presidente da Câmara de Educação Básica do CNE (2000/2002), professor de Filosofia da Educação e de Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1º e 2º graus nas Faculdades Associadas Ipiranga.

Kuno Paulo Rhoden, 67 anos, de Santa Catarina, representa o setor privado (reconduzido). É mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná; membro do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina; diretor do Colégio Catarinense (1981/2001).

Câmara de Educação Superior – Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, 59 anos, que vai representar a comunidade negra brasileira no CNE, integra desde 1992 a coordenação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); doutora em Ciências Humanas pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); especialista em Administração e Planejamento em Sistemas de Ensino pelo Institut International de Planification de L’Education – Unesco, França, Paris, em 1977; Pós-doutorado em Teoria da Educação na University of South Afric, em Pretória, África do Sul, 1996.

Marília Ancona-Lopes, 60 anos, representa o setor privado no CNE. É doutora em Psicologia Clínica (PUC/SP); professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica (PUC/SP); diretora do Instituto de Ciências Humanas (Uni/Objetivo).

Edson de Oliveira Nunes é PhD em Ciência Política pela U.C. Berkeley; foi pesquisador e vice-presidente executivo do Ipea; secretário adjunto do Ministério do Planejamento; presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É professor de mestrado em Economia Empresarial e da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Cândido Mendes e Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade Cândido Mendes.

Arthur Roquete de Macedo, de São Paulo, representa o setor privado (reconduzido). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp); diretor regional da Fundação Cesgranrio (SP); presidente da Câmara de Educação Superior.

Roberto Cláudio Frota Bezerra representa o setor público (reconduzido). É mestre em Estatística pela USP; reitor da Universidade Federal do Ceará; membro do CNE.

 

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[1] LÉVI-STRAUSS, 1987.  p. 347 e 363.

[2] PRIGOGINE & STENGERS, 1986.

[3] Estes números são controversos entre os estudiosos, mas, comparados com a população indígena atual, há um consenso: houve um grande extermínio no passado. Manuela Carneiro da Cunha (1998, p. 14) faz um balanço, que merece aqui ser resumido: “Rosenblat (1954:316) dá 1 milhão [de aborígenes, em 1492] para o Brasil como um todo, Moran (1974:137) dá uns modestos 500 mil para a Amazônia, ao passo que Denevan (1976:320) avalia em 6,8 milhões a população aborígene da Amazônia, Brasil Central e costa nordeste, com a altíssima densidade de 14,6 habitantes/km2 na área da várzea amazônica [...]. Alguns, como Rosenblat, avaliam que de 1492 a esse nadir (1650), a América perdeu um quarto de sua população; outros, como Dobyns, acham que a depopulação foi da ordem de 95% a 96%.” Sobre o massacre, Manuela Carneiro (1998:12) tem uma avaliação decisiva: “Povos e povos indígenas desapareceram da face da terra como consequência do que hoje se chama, num eufemismo envergonhado, ‘o encontro’ de sociedade do Antigo e do Novo Mundo. Este morticínio nunca visto foi fruto de um processo complexo cujos agentes foram homens e microrganismos mas cujos motores últimos poderiam ser reduzidos a dois: ganância e ambição, formas culturais da expansão do que se convencionou chamar o capitalismo mercantil. Motivos mesquinhos e não uma deliberada política de extermínio conseguiram esse resultado espantoso de reduzir uma população que estava na casa dos milhões em 1500 aos parcos 200 mil índios que hoje habitam o Brasil.”

[4] Proposta de reestruturação do Departamento de Identificação e Delimitação com Base na atuação em árease etnográficas. FUNAI/DEID, 2002. Mimeo.

[5] São elas: Kalankó, Karuazu, Wassu, Xucuru-Kariri de Alagoas, Jeripancó, Tingui-Boto, Kariri-Xocó, Karapotó, Atikum de Pernambuco, Tumbalalá, Tuxá, Pankararé, Kantaruré, Kiriri, Kaimbé, Xucuru-Kariri, Tabajara, Potiguara, Kalabaça, Tremembé, Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Pitaguary, Potiguara da Paraíba, Kambiwá, Pankaruru, Fulni-ô, Atikum, Truká, Tuxá de Inajá, Kapinawá, Pipipan e Xukuru de Pernambuco e Xocó.

[6] Cf. Quadro Geral dos Povos indígenas no Brasil, no site do ISA – http:// www.socioambiental.

[7] Empregamos até aqui, e o faremos até o final deste trabalho, ora o conceito de sociedade indígena, ora o conceito de etnia, para designar um conjunto de pessoas que se diferencia da sociedade nacional (envolvente). Evitamos com isso empregar a categoria cultura indígena, ou nação ou, ainda, povo. A primeira categoria é viciada pelo seu caráter a-histórico e essencialista, já a segunda e a terceira são devedoras de uma lógica do Estado Nação. Além disso, como aponta João Pacheco de Oliveira Filho (1999. p. 118), “a categoria jurídica que está em vias de afirmação é a de sociedades indígenas, e não a de culturas, povos ou nações.”

[8] CARVALHO & SEGATO, 2002. p. 9-10.

[9]Uma proposta de cotas para estudantes negros na Universidade de Brasília, p. 6-7.

[10] Constituição Federal Brasileira, Cap. III - artigo 210, inciso 2.

[11] CASTELLO BRANCO, 1994.

[12] BHABHA, 1990. p. 293-295.

[13] Ver Anexo 1.

[14] Programa do Encontro com Professores Indígenas na UFMG. 2001.

[15] Os índios representantes dos krenaks, Valdemar Krenak e Nadil Krenak, não puderam comparecer em decorrência de doença na aldeia.

[16]Uma proposta de cotas para estudantes negros na Universidade de Brasília, p. 42.