Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


fale

capítulo LINGUAGENS












 

 

 

 

 

Marcelo Pereira de Souza - Xacriabá 

Relatório

Convivência de 30/07 a 09/08/2002 na Universidade Federal de Minas Gerais

 

O primeiro contato com a UFMG foi muito importante. Não só porque conhecemos o campus e suas divisões complexas, mas um intercâmbio de troca e aprendizagem.

Quando cheguei na UFMG me senti relacionado a dois mundos, com realidades e características diferentes. Um mundo que é a nossa aldeia, onde vivemos as nossas realidades e outro mundo a "universidade" onde observamos que são realidades diferentes e o grande complexo da ciência avançada.

Achei muito importante a realização dos trabalhos. É também uma forma de aproximarmos a universidade x aldeia. Sabemos que não é fácil ingressarmos com facilidade, sem vestibular ou outros testes. Mas também não podemos assustar, por que tudo que já conquistamos foi através de luta, sangue derramado... Chegou a hora de ligarmos essa ponte, entre universidade x aldeia.

Já vi muitas histórias, textos escritos e pesquisadores de universidades se aproximarem das nossas aldeias para realizar algum tipo de trabalho, que vai defender interesses próprios ou societários. Que, de forma direta ou indireta contribuíram para algum tipo de necessidade.

Sabemos que somos ricos, em saberes tradicionais e culturais de nosso povo. Sem contar a grande biodiversidade existente em nossas aldeias. Precisamos de novos conhecimentos; práticos, teóricos e científicos do mundo de fora da aldeia. A cada dia passado, perdemos milhares de fontes, biológicas e medicinais em nossos territórios.

Chegou a hora da comunidade usufruir. A Universidade contribuir ou cumprir um papel fundamental para os povos indígenas. Que é fazer a busca de realidades diferentes para multiplicarmos e valorizarmos novos conhecimentos.

Hoje, de maneira geral o índio é visto de forma ruim. Nós queremos mostrar a capacidade que carregamos no dia-a-dia, dentro e fora da aldeia.

Existe dois tipos de discriminação: racial e ideológica.

Racial: a visão da sociedade em relação ao ponto de vista que tem, mas por um outro lado são muito mal informados sobre as nossas realidades.

Ideológica: o preconceito que as vezes alguns índios acham porque não falamos mais a língua, não somos mais índios. Muito pelo contrário, o índio não é composto só pela língua materna. A língua faz parte de um grande conjunto materno e espiritual, que passa de geração para geração.

Sentimos uma grande necessidade em darmos continuidade em nossos estudos. Para vivenciarmos a ciência e a educação avançada em nossas comunidades.

Queremos dar continuidade a nossa educação que há muito tempo vem sendo desenvolvida pelos nossos antepassados, lideranças e comunidades indígenas.

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Alvina Pereira

Belo Horizonte, 08/08/02

 

Eu, Alvina Pereira da etnia Xacriabá, estou pela primeira vez participando de uma oficina de literatura na UFMG. É um trabalho legal, teve a duração de duas semanas.

Durante as duas semanas visitamos algumas bibliotecas e impressora de livros, promad, laboratório de ensino de matemática e outros departamentos.

Gostei muito desse trabalho e foi muito rico, é bom conhecer e saber como funciona o estudo na universidade. Meu maior objetivo é ingressar nela, para ter um conhecimento mais amplo e desenvolver um trabalho de melhor qualidade na minha aldeia. Mas para isso acontecer nós índios precisamos que a universidade, professores e formadores nos apoiem.

 

Sugestões próximo encontro:

Gostaria que no próximo encontro aqui na universidade tivesse uma melhor organização, divisão de grupos menores e participação de todos para encerramento. Gostei de todos os professores e monitores, mas eles precisam ser mais pontuais, cumprir os hoários certo.

Finalizo com um abraço a todos.

 

Alvina Pereira de Oliveira

 

Obs: eu fiz as colocações em relação aos professores não para prejudicá-los, mas sim, para que nosso trabalho seja mais proveitoso.

 

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Vanilde

Belo Horizonte 09/08/02

 

Meu nome é Vanilde, sou da etnia Xacriabá, moro no Norete de Minas, município de São João das Missões.

Meu primeiro percurso dentro da universidade foi basicamente ter conhecido como funciona esta cidade, nesta mesma tem vários conhecimentos diferentes do nosso povo. O jeito de convivência das pessoas brancas, com rlação a nossa convivência, modo de vida deles o jeito que lhe dão com cad tipo de instrumento.

Eu observei que eles tem tudo diferente do jeito indígena, porque nós vivemos em união, e aqui parece ou estou enganada que cada um vive mais dedicado para si mesmo.

Quero dizer que está aqui essas duas semanas foi muito valioso porque aprendi algumas técnicas que um universitário tem que ter dentro da universidade.

Embora eu sei que vai ser um pouco difícil para nós todos porque não estamos acostumados a lidar com esa multidão enorme de pessoas, mas quero acreditar que com o passar do tempo a gente vai se aperfeiçoand nas técnicas de conviver com isso tudo.

Eu particularmente fiquei muito comovida de ver tanta coisa boa onde que forma cada cidadão para tentar sua vida de modo geral que possa tomar seu rumo de vida social.

Ressalto ainda que tivemos um bom trabalho com a Sônia Queiroz fazendo correção de algumas histórias no dialeto rural, as formas que devem encaixar a escrita delas.

Gostei muito apesar de a gente não ter esses conhecimentos, mas acredito que somos capazes de dar conta do que queremos.

Agradeço a todos pela essa oportunidade que nos deram.

Vanilde Gonçalves de Deus Araújo

Etnia: Xacriabá

 

Abraços!!

 

Sugestões:

Que no próximo encontro gostaria que fizessem uma divisão melhor por grupo. Grupos menores para assim podermos ter mais encontro e contato com os instrumentos mais de perto, etc.

 

 

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Luzineide Freire da Cruz

BH  08/08/02

 

Vou falar um pouco do que observei na universidade.

Para mim a universidade é um lugar super legal para estudarmos o que gostamos e o que queremos. Observei: o jeito das pessoas, o compromisso e o interesse que elas mostraram com nós índios.

A universidade é o lugar exato para aprendermos, para podermos ensinar as pessoas da nossa comunidade.

O professor Rubens tem muito interesse em ensinar, ele explica as coisas muito bem.

Observei os lugares que fomos com o professor André da Arqueologia. Visitamos vários lugares, como: museu de histórias naturais, Lagoa Santa, entre outros. Gostei muito de saber sobre os índios de antigamente e suas culturas.

Adorei conhecer novos professores e alunos (as) da UFMG que nos acompanharam durante as visitas e os trabalhos para nós foi de bom aproveito porque aprendemos muitas coisas que não sabíamos. Adorei visitar e conhecer a UFMG.

 

Se não estiver boa vocês me desculpam.

 

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Eliane Xacriabá. 

Belo Horizonte 09/08/02

 

Eu achei super importante, pois está sendo a primeira vez que estou visitando uma universidade e a forma em que todos vocês nos acolheram pra mim foi um privilégio conhecer tantas coisas interessantes.

Essas duas semanas de oficinas foram muito valiosas para mim, pois pude conhecer coisas legais como: a biblioteca da FALE, a biblioteca central, a biblioteca da FAFICH, da FAE, o promad, a Editora e impressora da UFMG, a escola de música...

Percebi que é proveitoso fazer um curso universitário, mas por outro lado vejo que é um pouco difícil para que é acostumado na roça, entrar em uma universidade pois tem que enfrentar muitas correrias.

Enfim, foi um prazer estar aqui na UFMG, e espero voltar um dia novamente.

 

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Cilene Araújo Santos Gomes - 1

 

Eu Cilene Araújo Santos Gomes, residente na aldei Sumaré três, reserva indígena Xacriabá, município de são João das Missões.

Quero falar que gostei muito de participar e conhecer a faculdade de educação. As professoras e monitoras são amáveis e espero que nos encoontremos mais vezes.

Gostaria muito de aprender muitas outras coisas com vocês, para poder aumentar mais os meus conhecimentos e estar pronta para o meu futuro e da minha comunidade.

Mas falando da FAE gostei muito de participar do promad, da biblioteca, do laboratório e todas as visitas que fizemos. Amei esta semana foi muito aproveitosa. Quero dizer que aprendi muito esta semana. Gostaria que nas outras vezes fosse mais oganizada, que pudéssemos participar de todas as atividades realizadas. E quero aumentar os meus estudos e ter um curso superior aqui dentro da FAE.

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Cilene Araújo Santos Gomes - 2 

 

Meu nome é Cilene Araújo Santos Gomes, índia Xacriabá, vou falar um pouco dessas duas semanas e da organização.

Gostei muito das visitas que fizemos. Foi muito aproveitosa e cheia de conhecimentos que vão ajudar na nossa decisão de entrar na universidade.

Adorei estudar com o Prof. Ruben, André, Ana Gomes, Augusta, Karina e todos os professores e monitores que contribuíram para esta oficina.

Os motoristas e alunos que tivemos oportunidade de estar convivendo essas duas semanas.

Aqui deixo meu abraço a todos!

Profa. Maria Inês

 

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Cilene Araújo Santos Gomes - 3

 

Trabalho de Campo

 

Este relatório feito no dia 08 de agosto de 2002, escrito por mim Cilene Araújo Santos Gomes, residente da aldeia Sumaré três, reserva indígena Xacriabá, município de São João das Missões, localizada no norte de Minas Gerais.

Esperamos que a universidade abra mais as portas e possa atender muitos índios para que no futuro tenhamos uma educação de qualidade e muitas profissões.

Na universidade vi muitas pessoas entrando e saindo pelas escadas e corredores com muitos livros e cadernos, todos preocupados em aprender e estar em dia com suas pesquisas, para sair de lá com um diploma.

Os prédios onde funcionam cada disciplina são altos, tem muitos andares e salas; tem muitas salas e escadas. Em cada sala estudam muitos alunos e professores. Na faculdad tem muitas coisas interessantes e outras chatas, ,as para a gente seguir tem que passar por coisas legais e outras chatas.

Em relação a cidade de Belo Horizonte acho muito tumultuado, uma grande correria de carros, ônibus, caminhões, moto e etc. É muito parecido com um formigueiro, porque lá as formigas entram e saem todo o segundo.

Existem muitos prédios grandes e casas feitas de tábua e lonas, feitas debaixo de viadutos.

Os habitantes de BH, enquanto muitos andam de carros, ônibus e metrôs, etc. outros ficam abandonados, sem ter casas para morar, alimentação, educação e tudo de bom que os seres humanos tem direito para uma vida melhor.

Sinto que nosso país ainda é muito desigual, os cidadãos brasileiros precisam ter os mesmos direitos, mas para isso precisamos de um governante que saiba administrar.

Neste relatório tudo o que vi, senti e penso.

 Antropologia

É o estudo ou reflexão sobre cada povo ou etnia.

 

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 Maria Neuza B. Alk.

 

Belo Horizonte 08/08/02

 

Essa primeira semana foi muito boa, porque eu fiquei conhecendo um pouco da universidade. Como conhecer os museus de histórias naturais e outras coisas que eu participei dentro da universidade. As aulas de antropologia foi muito importante para mim porque conheci coisa que nunca tinha visto, como o filme do zo, é. Gostei muito , espero assistir novamente. Onde visitei eu tive muito aproveito e achei muito bonito os lugares.

Eu vou falar um pouco sobre a univeridadem que gostei muito de estar participando dessas oficinas dentro da UFMG, com essas pessoas que estão nos ajudando, pelas explicações como a gente dá os primeiros passos para estudar na UFMG.

No meu ponto de vista eu quero estudo que possa ensinar na reserva e também fora.

Espero também que os professores da UFMG lutem junt com nós índios para ter um lugar na universidade para continuar nossos estudo para o ensino superior. E que a unversidade abra as portas para todos os índios.

 Ass: Maria Neuza B. Alk.

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Geovana Paulo Santiago G.

Avaliação 09/08/02

 

Pela primeira vez que eu estou visitando a universidade foi uma grande maravilha, conhecer várias coisas super importantes. Como por exemplo as bibliotecas, laboratórios de preservação de acervos  e tivemos muitas explicações como algumas coisas funcionam dentro da universidade. A imprensa universitária, etc. Sabemos também a importância que tem.

Pra mim acho que foi um momento muito interessante de estar pelo menos visitando alguns trabalhos realizados dentro da universidade. O que eu espero é ter mais conhecimento para que no futuro o meu sonho seja realizado cada vez mais.

Sobre tudo o que foi ocorrido durante estas duas semanas foi proveitoso o encontro com alunos da universidade. Achei interessante a apresentação dos trabalhos desenvolvidos por eles.

A faculdade de letras, as transcrições dos textos. Sobre a oficina de matemática achei ótimo também porque aprendi algumas atividades. O que eu quero estudar, pedagogia, para trabalhar com o ensino médio.

Agradeço todos os professores da UFMG por terem encaminhado esse projeto para os indígenas.

Geovana Paulo Santiago G.

 

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Rosa Ferreira dos Santos

09/08/02

Avaliação das duas semanas na universidade.

Pra mim foi muito importante aprender mais coisas nas visitas conheci várias novidades muito boas. Como na engenharia mecânica, na odontologia, na Promad, no laboratório de Belas Artes. Aprendi um pouco sobre gravuras, desenhar e pintar no quadradinho para sair no papel e como escrever o nome, pra sair certo. Nas oficinas de biblioteca, como fazer resenha e um pouco na oficina de matemática.

O que eu quero falar é que gostaria de continuar, estudando, pedagogia, profundando em todas as matérias, conhecendo mais, porque não quero ficar trabalhando de primeira a quarta, mas também até o ensino médio. Pra isso preciso profundar, acrescentar no meu estudo. Porque pra cresce no ensino, tem que crescer primeir na aprendizagem. Pra mim esses encontros devem continuar sempre, vai me ajudar bastante, porque quero continuar ensinado e aprendendo, cada vez mais, não quero parar. Não podemos parar em algumas séries, temos que continuar crescendo o nosso povo.

No mais quero agradecer todos os professores e monitores, não vou citar os nomes de todos, porque não lembro. Como Maria Inês, Verônica, Vagner, etc.

Queo dizer que foi maravilhoso, fui bem recebida de todos. Espero que continuemos nossos encontros.

Ass: Rosa Ferreira dos Santos.   

 

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Alberto Nunes Freire

Relato sobre a UFMG

 

A UFMG é um lugar onde várias pessoas estão concentradas tentando realizar seus objetivos. Nesses dias em que estive aqui pude observar que na universidade existe vários departamentos onde são preparados os universitários para a profissionalização do curso escolhido. Vi também que há várias disciplinas para ser estudadas em cada área. Durante esse convívio participei de várias oficinas como: Arqueologia, Antropologia, Sustentabilidade..., e elas trouxeram muitas informações de como são os cursos aqui na UFMG. Observei que os professores demonstraram muito interesse em trabalhar  com nós Indígenas, e que essas oficinas enriqueceu meus conhecimentos.

Percebi que há muitas diferenças entre a sociedade branca e a sociedade Indígena "no jeito de falar, andar, alimentar...". Com base nas histórias de nós índios, dá para refletir que somos pessoas que viemos muitos anos lutando pelos nossos direitos, e hoje sentimos a necessidade de termos índios sendo capacitado pela Universidade, a nossa comunidade sente que precisamos dessa habilitação, para ter um ensino de qualidade e que as crianças possam conseguir realizar seus objetivos.

Eu penso em ter uma formação na área de geografia. Por quê a geografia estuda o nosso território , a organização social e política, o mundo em geral e para nós indígenas, eu acho essa área muito interessante porque se eu conseguir um dia me profissionalizar nela, a minha comunidade vai ter m grande desempenho, as crianças vão poder entender melhor o nosso mundo. Mas para que isso aconteça é preciso que a universidade nos receba, para podermos ter o ingressamento nessa faculdade, porque até hoje em nosso Estado não se formou índio na Universidade, e que só os não índios tem essa oportunidade. Temos culturas diferentes, mas que possamos Ter uma formação de qualidade.

 

Prof: Alberto Nunes Freire

Etnia: Xacriabá

De: 29/07 - 09/08/2002 

 

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Nome: Anide de Araújo Souza Alkimim 

Avaliação da aula de gravura    09/08/2002

Etnia: Xacriabá

Eu gostei muito, porque aprendi coisas novas, por exemplo desenhar no izopor, fazer carimbo, gostei também de todos os professores.

Agradeço muito por ter me ensinado com carinho e espero que voltarei novamente para aprender mais.

Muito Obrigada.

 

Avaliação

Gostei muito de visitar a biblioteca, a Engenharia Aeronáutica. Para mim foi uma surpresa, porque eu ainda não tinha visto, eu pensava que aqui em BH não fazia avião.

Enfim gostei de todas visitas. Gostei também de fazer a resenha, eu não sabia nem o que era resenha, agora já sei escrever. A aula de matemática foi ótima, aprendi jogo que dá para ensinar os alunos na aldeia, só não foi melhor porque não deu tempo de aprender todos os jogos. Mas espero que terei oportunidade de voltar novamente para aprender. Na gravura fizemos desenho no isopor, fizemos carimbo, foi muito legal. Aprendi coisas novas, os professores nos ensinaram com muito carinho.

Desde já agradeço.

Muito Obrigada

Ass: Anide 

 

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Experiências Indígenas na UFMG