Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


fale

capítulo LINGUAGENS












 


Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


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capítulo LINGUAGENS










   
 

A  História  da  Caboclinha
  Esta  história  aconteceu  com a minha mãe, há muitos anos atrás. Quando ela tinha uns nove anos.

Ela contava que era uma menina que gostava muito de ir para a mata caçar lenha, mais sua mãe, mas quando elas iam para a mata, sua mãe sempre dizia:

– Cida, minha fia, não sai de perto deu, mode a Caboclinha, ela gosta muito de meninas e pode li levar.

– Não, mãe, eu tô aqui pertinho.

Então sua mãe continuou a caçar lenha, e Cida saiu andando na mata entretida. Quando deu por si, estava sozinha. Então começou a gritar:

­­– Mãeeê...! Cadê a senhora?!

E nada da mãe dela responder. Ela disse que parou e ficou prestando atenção para ouvir, quando a mãe dela falasse. Mas, de repente, o que ela avistou não foi a sua mãe, foi uma menina muito bonita, tinha cabelos longos bem pretinhos, moreninha e baixinha. Minha mãe disse que ficou olhando e a menina começou a chamá-la. Disse que foi andando para o lugar onde a menina estava, porque pensava que a menina queria dizer alguma coisa a ela.

Quando foi chegando perto, a sua mãe gritou:

– Cidaá...! Responda, Cida!

Minha mãe disse que quando parou para escutar sua mãe gritar novamente, ela olhou para trás, olhou para frente onde a menina estava e não a viu mais.

Sua mãe apareceu e perguntou:

– Onde tu tava, Cida?

– Eu tava aqui mãe! Mãe, eu vi uma menina, ela tava me chamando.

– Cida, minha fia, quando você vê na mata uma menina do jeito que você falou, não chegue perto, porque se não ela te carrega. Ela é a Caboclinha da mata, gosta de criança.

– Tá bom, mãe.

Minha mãe disse que foi a primeira e última vez que viu a Caboclinha, mas até hoje escutamos história da Caboclinha. Dizem que ela só aparece na mata para as crianças que a agradam.

 

   

História contada por Maria Aparecida Ferreira da Silva

Escrita por Giselma Ferreira durante o IV Módulo do Curso de Formação de Professores Indígenas de Minas Gerais

Parque Estadual do Rio Doce, Janeiro de 2002