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A
televisão
Maria José Moreira Alkmim Mota
Xacriabá
Para nós Xacriabá, a televisão chegou
há pouco tempo, devido a chegada da eletricidade nas aldeias.
A partir daí, o consumo de eletrodomésticos está
muito intenso e o controle se torna muito difícil, devido a extensão
da área. A TV chegou nas aldeias e para a maioria era novidade,
mas pelo pouco tempo que ela chegou já causa algumas influências
nas aldeias, como, por exemplo, as crianças, que antes tinham
outras atividades e que, hoje, se não ficarmos atentos, passam
o tempo todo vendo TV E isso não é bom para nossas crianças,
pois a TV traz muitas informações que não são
adequadas para elas, são cenas de violência, pornografia,
etc.
Se nós, povos indígenas, não tomarmos cuidado com
a TV ela irá nos prejudicar, principalmente na parte cultural,
porque ela implanta em nossas casas outras culturas e aos poucos ela
poderá enfraquecer a nossa, porque as pessoas não irão
mais querer participar das rezas, festas, rituais, etc, pois a TV, diretamente
ou indiretamente, coloca na cabeça das pessoas o que eles querem
e, muitas vezes, massacra a cultura da gente "povos indígenas".
O importante mesmo seria se tivéssemos um canal de TV Indígena
para divulgar nossa cultura no Brasil todo, ou se nós mesmos
produzíssemos vídeos mostrando a nossa cultura, a nossa
realidade para trabalharmos com nossas crianças. Isso faria com
que cada vez mais fortalecêssemos nossa cultura.
Tivemos uma experiência no curso de formação de
Professores Indígenas de MG, produzimos uma fita de vídeo,
foi muito importante, tivemos a noção de como se faz.
Mostramos em nossas aldeias e foi uma novidade, todos gostaram.
Mas ainda é pouco, o meu sonho é que pudéssemos
produzir vídeos de diversos temas para que assim pudéssemos
trabalhar nas escolas, com a nossa realidade e as crianças iriam
aprender com mais facilidade, pois vão estar lidando com um mundo
que é nosso, não deixando de conhecer outras realidades,
mas firmando sim, cada vez mais, nossa cultura.
Ouvi um relato de uma parente, em que ela conta que quando chegou o
rádio na aldeia eles no inicio aceitaram, mas logo viram que
os jovens não estavam participando dos rituais, então
decidiram que ninguém mais iria utilizar o rádio. Essa
é uma realidade desse povo. Para nós é um pouco
diferente, porque somos um total de aproximadamente sete mil índios,
espalhados em mais de 25 aldeias e sub-aldeias, com uma área
de, mais ou menos, 52 mil há, é muito difícil o
controle, portanto temos que nos conscientizar e definir o que é
bom para nossas crianças, controlando o que elas podem ou não
podem assistir, não deixando de lado nossa cultura.
Cada aldeia, cada povo tem uma realidade diferente, não quer
dizer que por sermos indígenas, temos que ser iguais. Mas sim,
nós indígenas lutamos pelos mesmos objetivos.
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