Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


fale

capítulo LINGUAGENS












 
 

Relatório da oficina de Arqueologia

Período:  29 de julho a 3 de agosto de 2002

Prof. André Pierre Prous Poirier

 

A aula foi realizada no Setor de Arqueologia do Museu de História Natural, das 9:00  às 13:00. Explicou-se as metas  da arqueologia, a complementariedade entre a escrita e os vestígios materiais para o estudo do passado.

Foi discutido as especificidades da percepção científica ocidental e da memória indígena. 

Esclarecemos as normas que regem a preservação e o estudo do Patrimônio Arqueológico no Brasil, apresentando exemplos de experiências de tensão e de colaboração entre arqueólogos ocidentais e grupos indígenas nos EEUU e na Austrália. Nas discussões, destacaram-se dois líderes indígenas (Adilson Krenak e Rodrigão Xacriabá), além de Kanátyo (Pataxó). Enfatizaram o desejo indígena de formar pesquisadores com os mesmo nível dos pesquisadores universitários não indígenas, e de introduzir preocupações específicas em relação à interpretação dos vestígios.

Apresentamos em seguida uma maquete de sítio arqueológico evidenciando várias camadas em via de escavação. O objetivo era preparar os alunos a visita de sítios, a ser realizada no dia seguinte, explicando os princípios do método estratigráfico, os problemas de preservação do patrimônio e as técnicas adequadas a preservação do máximo de informações.

No dia seguinte,  realizou-se uma excursão a 2 sítios arqueológicos impotantes da região de Lagoa Santa, a 40 kmn de Belo Horizonte. A saída do Museu foi às 9:00 e a volta foi às 10:00. O primeiro sítio foi o de Lapa Vermelha, onde se explicou as especificidades do relevo cárstico, a evolução da paisagem e as implicações para a instalação humana e a interpretação dos achados arqueológicos. Comentou-se o corte estratigráfico que revela as mudanças climâticas durante mais de 25.000 anos; verificou-se a posição das pinturas enterradas - as primeiras a serem datadas na América do Sul - e o local onde foi encontrado o esqueleto mais antigo datado das Américas. Ficou patente, pelas perguntas, que alguns indígenas estavam perfeitamente ao par dos artigos de boa divulgação a respeito deste assunto. O segundo sítio foi  o de Cerca Grande, onde foi possível observar o maior conjunto de grafismos rupestres da região e, sobretudo, as depredações decorrentes da visitação - ainda que controlada pelo Patrimonio Federal e pelo roprietário. Este fato impressionou particularmente os indígenas, que se deram conta de que não se pode divulgar os sítios quando não há uma infra-estrutura adequada.

O terceiro dia foi de aula, no auditório do Museu de História Natural (das 14 às 17 horas). Foram apresentados 2 vídeos sobre arqueologia de Minas Gerais que serviram de ponto de partida para discussões sober métodos da arqueologia (datação, principalmente), origens do Homem, evolução, etc. Explicamos as discrepâncias que costumam ocorrer entre as noticias veiculadas pela imprensa e os resultados reais das pesquisas. Houve visita à exposição de paleontologia do Museu (que inclui restos esqueletais do "Homem de Lagoa Santa"). Finalmente, encerramos com uma proposta de se realizar um grupo de trabalho com representantes de cada etnia, para elaborar livro um texto indígena para ensino da história antes da conquista européia.