Programa de implantação das escolas indígenas de Minas Gerais


Relatório da comissão


fale

capítulo LINGUAGENS












   
 
Índio documentarista participa do Forumdoc.bh

O documentarista Divino Tserewahú, premiado em festivais no Brasil,
Bolívia e Itália com o vídeo “Wapté Mnhõnõ – Iniciação do jovem xavante”,
participa de mostra no Forumdoc.bh

De sua aldeia ele fala para o mundo. Aos 28 anos, o índio xavante Divino
Tserewahú tem cinco documentários no currículo. Em Belo Horizonte, ele
participa do 8º Forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário com os
vídeos Vamos à luta, O poder do sonho, Daritizé – Aprendiz de curador e
Obrigado, irmão, que integram a Retrospectiva Realizadores Indígenas. É a segunda
vez que Divino exibe seus trabalhos no evento. Na primeira, apresentou
Wapté Mnhõnõ – Iniciação do jovem xavante. Este vídeo recebeu prêmios tanto
em festivais brasileiros quanto em eventos audiovisuais da Bolívia e da Itália.

Divino Tserewahú é o realizador indígena que mais dirigiu documentários
no projeto Vídeo nas Aldeias. “Filmar é guardar na memória”, afirma ele,
que vive na aldeia Sangradouro, no Mato Grosso, junto a uma população de
pouco mais de duas mil pessoas. Aprendeu a dirigir e editar, mas pouco foi ao
cinema. “Fui algumas vezes mas não gosto de ficar com um montão de
gente”, comenta Divino que elege Charles Chaplin como o melhor diretor na área
de ficção.
Os filmes já feitos por Divino retratam a vida da nação Xavante (uma
exceção é Vamos à luta, sobre os 25 anos da busca pelo reconhecimento da
reserva Raposa do Sol, em Roraima, dos índios Makuxi). E é assim que o
realizador pretende seguir com a carreira. Não está nos planos de Divino projetos
de ficção ou que não retratem o universo indígena. “Quero deixar minha
história para o meu povo.”
Ele sabe melhor do que ninguém que esta história deve ser contada por
alguém que está inserida nela. “O olhar do antropólogo é diferente, sempre vai
fazer um filme do jeito do conhecimento dele.” Para o realizador indígena,
no entanto, há regras que têm que ser seguidas. Iniciação do jovem
xavante consumiu sete meses de edição. No período, Divino teve que sair de São
Paulo (onde editava o vídeo), e voltar a sua aldeia para exibir o material
para os “mais velhos”, como ele mesmo os chama. “Eles têm que aprovar. Eu anoto
enquanto eles falam para tirar isso ou aquilo.”

Lidar com a câmera não foi o mais complicado do processo. Para Divino, o
difícil foi editar (tanto que do grupo de 15 realizadores indígenas, ele é o
único que exerce essa função). “Em São Paulo, quando me mostraram as
máquinas de editar, fiquei como louco. Como vou fazer isso? Aos poucos,
peguei o jeito.” Roteirizar um vídeo também representa um desafio.
Tanto que nos cinco trabalhos que assinou, ele fez as imagens para daí criar o
roteiro. Há quase dez anos envolvido com vídeo, Divino tem outros projetos.
Mesmo interrompido, ele pretende concluir um documentário sobre a festa de
denominação das mulheres xavantes.


Fonte: Estado de Minas em 19/12/04.