Notas:

(1) PEIXOTO, 1991.

(2) Embora algumas gerem reproduções em vídeo e DVDs a serem comercializadas para o público.

(3) Mas ressaltamos que não é nossa intenção nessa breve exposição analítica traçar o contexto sócio-histórico para perceber a inscrição da discursividade em que se situam os sujeitos, compreendidos aqui como constituintes dos espaços sociais e a relação desses com a produção da forma simbólica telenovela.

(4) BORELLI, 2003.

(5) Dentre vários autores, podemos destacar os trabalhos de Sarlo, Fernandes e Graça Paulino.

(6) LOPES, BORELLI, RESENDE, 2002.

(7) Tal procedimento não impede que, eventualmente, autores apresentem suas propostas à emissora sem conhecer tais pesquisas.

(8) Em relação à discussão da autoria em telenovela, problematizamos em um artigo intitulado: "Considerações sobre a autoria nas telenovelas", publicado na revista Produza. Para maiores esclarecimentos verificar: www.pontaria.com.br/produza

(9) No entanto, desde os anos 80, a sofisticação da produção industrial e a comercialização internacional do produto criaram uma série de entraves que dificultam ao escritor atender com eficiência à produção dos textos no ritmo da produção da telenovela, o que impôs, com raras exceções, a formação de uma equipe de colaboradores. Alguns autores preferem auxiliar sistematicamente seus colaboradores e ficam responsáveis pela trama principal, outros mostram personagens menos evidentes para eles.

(10) É preciso ressaltar que esse processo de investimentos industriais na estrutura de produção da emissora na área da teledramaturgia associa-se, em igual medida, ao desempenho econômico da emissora. A emissora acompanhou os rumos do mercado audiovisual globalizado e transformou as culturas e os produtos locais em produtos de exportação. O resultado foi uma política de sofisticação de produção industrial sem precedentes, aliada a um domínio tecnológico propiciado pelas novas tecnologias digitais.

(11) Conseqüentemente, ampliaram-se as personagens exigindo contratações de um elenco maior, inclusive de figurantes, principalmente nas cenas externas. As ações passaram a ter uma complexidade maior e exigiram efeitos especiais e trabalho de dublê (cenas que envolvem acidentes, incêndios, navios em alto mar, helicópteros etc.), além de as personagens transitarem por lugares no exterior o que aproxima o público internacional da ambientação da telenovela.

(12) A sofisticação da produção industrial e a comercialização internacional do produto criaram uma série de entraves que tornaram difícil, para o escritor, atender com eficiência à produção dos textos no ritmo da produção da telenovela. Disso, resultou a costumeira formação de uma equipe de colaboradores.

(13) A escaleta é o resumo das cenas com esboço dos diálogos de cada capítulo. É o recurso que possibilita que o escritor tenha sob controle as tramas, subtramas e a aparição dos personagens.

(14) MARTINS, 2003.

(15) GREGOLIN, 2003.

(16) COURTIENE,1999.

(17) GREGOLIN, 2003.

(18) LOPES, BORELLI, RESENDE, 2002.

(19) SILVA E BRAGA, 2005.

(20) BALOUGH,2002.

(21) JACOB, 2005.

(22) JACOB, 2006.

(23) Lopes, Borelli e Resende traçaram um quadro de recentes perspectivas teóricas sobre a análise da recepção. Entre outras, expuseram as teorias psicanalistas sobre a recepção da telenovela, recorrendo ás exposições teóricas de Freud e Lacan desenvolvidas por Winnicott. A fim de explicitar essa relação entre o telespectador e a telenovela, muitos autores recorrem à teoria psicanalista, destacando que esta identificação se assenta na satisfação da necessidade que o indivíduo tem de perseguir, na figura do outro, um ideal, ou aquilo que ele gostaria de ser, em um movimento de construção de uma auto-imagem que passa pela imagem do outro. Ainda nessa linha de identificação com projeções do imaginário, as autoras citam teóricos que estabelecem uma estreita relação entre os gêneros ficcionais e as matrizes culturais universais que permitem uma mediação entre produtores e receptores. Para alguns autores, os leitores / espectadores reconhecem os tipos diversos de gêneros, por que os gêneros acionam mecanismos de recomposição da memória e do imaginário coletivos de diferentes grupos sociais e a narrativa supõe a existência de um repertório compartilhado que permite o diálogo. São vários os autores que trabalham nesta perspectiva teórica, acentuando quadros das experiências cotidianas com as questões do imaginário e chamando a atenção para os repertórios compartilhados que levam à possibilidade de leitura. Dentre vários podemos citar Edgar Morin seguido pelos teóricos dos estudos culturais e da análise dos discursos. (LOPES, BORELLI E RESENDE, 2002, p.180-198 e 244-254).

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