Notas
[1]O recurso à memória, para a reconstituição de processos de formação docente já é recorrente no Brasil, desde 1997, tanto para os estudos histórico-educacionais quanto para aqueles que tratam da pesquisa acerca da formação docente. Cf. Catani, 1997.
[2]A análise de textos veiculados pela imprensa, nos últimos anos, constata que a imagem retratada dos docentes é a de um(a) professor(a) que é incapaz de escrever, que não tem o hábito de leitura e que, conseqüentemente, estaria formando poucos leitores. Cf. Guedes-Pinto, 2002.
[3]O autor apresenta essa linha de pensamento em diferentes obras: Larrosa (1996, 2002).
[4]LARROSA, 2002, p. 21.
[5]A referida professora, após a aposentadoria no ensino médio, reinicia as atividades docentes no ensino superior, na área de formação de professores(as).
[6]A discussão sobre a concepção do termo "legítimo" encontra-se no trabalho de pesquisa mais amplo no qual este artigo se inscreve. Tomaram-se como referencial de análise as formulações do sociólogo Pierre Bourdieu. Ver SILVA (2007).
[7]Esses livros assumem uma variedade de formas, dificultando a categorização do gênero. Porém, conforme Asbahr, é possível afirmar que os livros de auto-ajuda se dividem entre aqueles que abordam questões objetivas e subjetivas, apresentando um discurso prescritivo e aconselhador. Os temas são diversificados e tratam de dificuldades enfrentadas no cotidiano, propondo soluções para problemas profissionais ou de saúde, como lidar com filhos únicos, superar medos, conquistar o(a) parceiro(a) desejado(a).
[8]A revista Época, n. 261, de maio de 2003, traz dados que revelam o crescimento desse gênero no mercado editorial brasileiro. De acordo com a matéria, Zibia Gasparetto, uma das autoras desse ramo, que se dedica a produzir livros espíritas, esotéricos e de auto-ajuda, vendeu mais de 5 milhões de livros desde 1995. Observa-se que esse dado foi referendado nos depoimentos das docentes, quando essa autora aparece em suas listas de predileções.
[9]BATISTA, Pesquisa Nacional sobre o perfil dos professores brasileiros (Inep/Unesco, 2004).
[10]BATISTA, 1999. p.15.
[11]HORELLOU-LAFARGE, 2003.
[12]Chartier (2001) e Ariès (1991) revelam que as alterações sofridas nas práticas individuais e sociais de leitura variam em decorrência do tempo e espaço: da leitura oral e coletiva para a leitura silenciosa e individual, das práticas extensivas às praticas intensivas.
[13]Embora sem o intuito de alongar essa discussão, as reflexões aqui elaboradas tomaram por base as formulações de Japiassu sobre a crise da modernidade. Para ele, estamos sob os auspícios da pós-modernidade e esta se caracterizaria pela imposição de um estilo de pensamento marcado pela desconfiança da Razão, o que levaria o ser humano a incertezas, ao desencantamento, à apatia, ao ceticismo e a indiferença. Japiassu acrescenta ainda que, no plano do Absoluto, o Deus do homem atual é uma divindade que se encontra além das representações e conceitos, confundindo-se, na prática, com uma espécie de conhecimento esotérico, místico, transcendental, oculto ou religioso (auto-conhecimento). Cf. JAPIASSU, H. A crise da razão no ocidente. Revista Eletrônica Sinergia. Disponível em: http://www.sinergia.spe Acesso em: 15 nov. 2006.
________________________
Bibliografia
ABREU, Márcia. Percursos da leitura. In: ______ (org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas: Mercado de Letras, 1999. p. 9-18.
ARIÈS, P. As práticas da escrita. In: História da vida privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
ASBAHR, Melissa C. Os professores leitores dos livros de auto-ajuda para crianças. São Paulo: UNICAMP, 2005. (Dissertação de Mestrado).
BATISTA, A. A. Um objeto variável e instável: textos, impressos e livros didáticos. In: ABREU, Márcia (org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas: Mercado de Letras, 1999.
CATANI, Denise (org.). Docência, memória e gênero: estudos sobre a formação. São Paulo: Escrituras, 1997.
CHARTIER, Anne-Marie. Fazeres ordinários da classe: uma aposta para a pesquisa e para a formação. Educação e Pesquisa, v. 26, jul./dez. 2000.
CHARTIER, R. Cultura escrita: literatura e história. Porto Alegre: Artmed, 2001.
GUEDES PINTO, Ana Lúcia. Rememorando trajetórias da professora-alfabetizadora. Campinas: Mercado de Letras, 2002.
HORELLOU-LAFARGE, C.; SEGRÉ, M. Sociologie da la lecture. Paris: La Découverte, 2003.
INEP. O perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam e o que almejam. São Paulo: Moderna, 2004.
JAPIASSU, H. A crise da razão no ocidente. Revista Eletrônica Sinergia. Disponível em: http://www.sinergia.spe
. Acesso em: 15 nov. 2006.
LARROSA, Jorge. La experiencia de la lectura. In: Estudios sobre lectura y formación. Barcelona: Laertes, 1996.
______. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. Revista Brasileira de Educação. Campinas, n.19, p. 20-28, 2002.
SILVA, Santuza Amorim da. Leitura e práticas de formação docente: o caso do Pró-Leitura. Belo Horizonte: FAE/UFMG, 2007. (Tese de Doutorado).