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Leitura, aprendizagem e novas tecnologias: alguns desafios
Glenda Rose Gonçalves-Chaves
Glenda Rose Gonçalves Chaves é mestranda
em Literatura Brasileira na UFMG, Licenciada em Letras, Advogada e Professora do Unicentro Newton Paiva.
Resumo
As novas tecnologias invadem o âmbito do
lazer e do trabalho das pessoas a cada dia. Nesse sentido, novas formas de leitura e escrita inserem-se
no cotidiano e fazem da escola um local especial de ensino e aprendizagem desses novos gêneros textuais.
Dessa maneira, uma preparação dos estudantes e dos docentes torna-se fundamental para o acolhimento desses
novos gêneros textuais e dessas novas formas de ler e escrever.
Palavras-chave:
Leitura, aprendizagem e informática.
Leitura e aprendizagem inauguram o novo século permeadas
por um elemento indispensável: a existência de novas tecnologias. Não se pode, hoje, ignorar o uso do computador,
de tecnologias como a internet, a existência dos celulares – que invadem a vida das pessoas -, sem esquecer das câmaras
digitais, dos palms, de web cam, e de tantos outros instrumentos que passam a estar envolvidos no cotidiano de milhares
de pessoas em todo o mundo. Segundo Nazario:
Evoluímos, em poucas décadas, do bisturi ao laser, da patologia clínica aos testes de DNA;
do forno elétrico ao microondas; do avião supersônico ao ônibus espacial; da máquina de calcular ao supercomputador;
do PC ao laptop; da caneta esferográfica à caneta eletrônica; da TV aberta à TV a cabo; da TV analógica à HDTV;
da câmera fotográfica à câmera digital; do VHS ao DVD; dos palácios de cinema ao multiplex;
das salas IMAX às salas digitais; da impressão em off set à reprodução digital; do jornal à Internet;
da carta ao e-mail; do livro ao e-book; do telefone ao telefone sem fio; do celular ao celular-internet;
dos telefonemas espaciais às sondas que enviam mensagem à Marte; dos protótipos de autômatos aos robôs industrializados. (2005, p.391-392).
(1)
Essa avalanche de instrumentos ligados à tecnologia passa a invadir o mundo da leitura e
da aprendizagem. Afinal, especialmente após a década de 90 do século passado, com o avanço devastador da informática nos diversos países, observou-se
que o próprio mercado de trabalho passou a exigir das pessoas o conhecimento dessas novas tecnologias, ligadas essencialmente à informática. Mesmo
em países da semiperiferia, como o Brasil, a implantação de empresas transnacionais, conduziu à necessidade de se preparar empregados que pudessem
trabalhar com máquinas, sem se falar na informatização, permitindo surgir profissões diversas inclusive como a mecatrônica. Isso sem contar com o
fortalecimento do terceiro setor, que passou, principalmente no novo século, a ser instrumentalizado pela informática, ao ponto de que, atualmente,
todos os lugares em que se vai, seja por trabalho, seja por lazer, estão informatizados.
Assim, se as empresas e o serviços têm o computador e os programas como indispensáveis,
que passam a exigir uma qualificação dos indivíduos, no campo da vida privada, as novas tecnologias passaram a uma plenitude, principalmente tendo
em vista a proliferação do uso de celulares e de computadores, que se tornaram produtos mais acessíveis a uma boa parte da população brasileira,
seja pela produção de produtos mais baratos, seja pela criação de locais públicos de acesso a computadores e à internet.
(2)
E com o acesso a diversos softwares, e em especial à internet, mudanças podem verificar-se
na maneira de leitura e também de aprendizagem das pessoas. Primeiramente no campo da vida privada, a leitura alcança novos textos, dispostos na internet,
em que podem ser verificados desde blogs, fotoblogs, e-books, e-mails, lista de discussões, chats, scraps e tantos outros gêneros textuais que se inserem
na vida diária de adolescentes e adultos (3).
São, afinal, novas estruturas textuais, com novos elementos, que, se quiserem, podem conter, além de palavras,
imagens e sons. Tudo isso implica uma modificação no modo de escrita e no modo de leitura de textos que se encontram na internet, marcados muitas vezes
pela agilidade, brevidade e com uso de regras próprias, como afirma Coscarelli:
uso de símbolos chamados smileys ou emoticons para indicar o conteúdo emocional daquilo que o autor está escrevendo, como por exemplo: :-) e
:-( , indicando alegria e tristeza, respectivamente; e o uso de letras maiúsculas, que só deve ocorrer quando se quer dá ênfase a uma palavra ou
para indicar que o escritor está gritando. (4)
Esses novos elementos textuais passam a ser utilizados com freqüência e
permitem o aparecimento de novos símbolos e novos modos de comunicação via
chat ou via e-mail, trazendo um tom de oralidade, de emoção para aquilo que se
escreve e se lê mediante um meio virtual. Além desses novos gêneros textuais, é
interessante verificar a existência do próprio hipertexto que instaura uma nova
forma de leitura.(5)
Afinal, sem qualquer delimitação, no âmbito virtual, pode-se
começar a ler um texto e linkar para um outro texto e ir navegando para outros textos,
que se, de alguma maneira, remetem ao primeiro, desvinculam-se dele. Num hipertexto,
assim como num texto que tem como suporte um livro, pode-se escolher aquilo que se vai ler,
ou saltar. Entretanto, diferentemente do texto escrito, em que se tem, a princípio, a dimensão
do que vai se ler, no hipertexto essa dimensão não é tocada.(6)
Ou seja, a globalidade do texto
é intocável pelo leitor, que passa a navegar sem ter a dimensão do lugar definitivo em que irá parar.
E o ideal é que não se tenha mesmo essa dimensão, que aquele texto o lance para outros novos textos dispostos
na rede mundial de computadores.
Ainda no campo dessas novas tecnologias,
o celular tornou-se um instrumento que também contém uma possibilidade de escrita e de leitura por meio
das mensagens que podem ser enviadas e se tornam comuns na vida das pessoas. É como se o bilhete tivesse
se modernizado (ou pós-modernizado)(7),
pois, de forma rápida, breve e resumida o conteúdo é transmitido ao leitor.
Dessa forma, se no âmbito da vida privada, o computador, os softwares, os celulares, a internet,
surgem como uma forma de lazer, em especial para os indivíduos que estão, cada vez mais,
presos nos seus lares, no âmbito do trabalho, eles se tornam uma necessidade e principalmente
um requisito de qualificação.
E como foi demonstrado brevemente, a inserção de novas tecnologias tornou-se indispensável no trabalho de transnacionais,
do terceiro setor, bem como no aparelhamento do próprio Estado. Em conseqüência, há uma exigência na qualificação de
profissionais, que passam a trabalhar com a informática. Nesse sentido, a leitura e também a escrita modificam-se
profundamente, alcançando não somente o lazer, mas essencialmente as formas de trabalho das pessoas.
O celular passou a ser indispensável, o computador também. E mais, o uso do e-mail consolida-se, a cada dia,
como instrumento de trabalho. Os sites são apresentações fundamentais de empresas e profissionais liberais
e são meios importantes de contato profissional como portas de acesso às informações,
reclamações e contratações. Para isso, há que se preocupar com a aprendizagem das pessoas que são
invadidas pelas tecnologias e que, em regra, não tem opção de recusá-las.
Afinal, cada vez mais, se lê por vias virtuais. As inovações, como e-mail, hipertexto, devem ser trazidas também
para o âmbito da escola. Interessante verificar que, apesar de haver uma gradual mudança,
é no campo escolar que se verifica menos o uso da informática. Utilizar-se dessa forma de leitura
e construção de textos pode ser um passo importante para a qualificação profissional de uma série de pessoas,
bem como para a abertura de novos horizontes de trabalho que também ocupam, de forma inovadora, a internet.
Para tanto, torna-se necessário um preparo efetivo das escolas, estruturalmente e de seu elemento humano.
Ou seja, o uso dessa leitura nova deve ser também trabalhada pela educação. Muito jovens e também adultos
têm contato com computador (e com a internet) fora das fronteiras da escola, como se ele fosse visto por
essa como objeto de segunda classe ou como objeto inatingível. Ocorre que a realidade demonstra exatamente
o caminho inverso. Isso não quer dizer que o livro deva ser deixado de lado, ao contrário, um leque de
opções deve ser proporcionado para que o acesso aos textos seja sempre amplo. Nesse sentido, é interessante
a lição de Cury et al:
Não basta fazer circular os textos em sua diversidade na escola; é preciso aparelhar o aluno para a sua recepção.
Para isso, faz-se necessário explicitar as diferentes estratégias de composição textual, que resultam em diferentes
tipos de textos: informativos, opinativos, didáticos, literários, entre outros. Mais que discutir a validade
de tais classificações, importa analisar os textos em sua composição, analisando o contexto de sua produção,
circulação e consumo.(...). ressalta-se ainda que o próprio suporte em que o texto circula já determina o pacto de leitura,
ou seja, a interação que o leitor estabelece com o texto, interferindo na sua forma de recepção. (8)
Em contrapartida, essa avalanche de textos e hipertextos torna-se fundamental uma preparação no campo pedagógico,
para que se possa efetivamente trabalhar com essas várias formas textuais, possibilitando aos alunos também
refletirem sobre os mesmos. Nesse diapasão, o preparo pressupõe o dos próprios professores. Não somente no que
toca aos textos que têm como suporte livros ou jornais, mas também em relação ao computador. Afinal, hoje se faz leitura de
e-mail e de mensagens de celulares de maneira trivial. No campo do ensino-aprendizagem deve ser uma preocupação
constante do professor, uma vez que seus alunos, como futuros cidadãos e profissionais, estarão utilizando dessas
novas formas de leitura também na sala de aula, pois já é comum seu uso em outros espaços. E se isso não é comum,
a escola deve passar a ser a principal fonte de acesso a essas novas formas de leitura e novos suportes e gêneros.
Nota-se, diante disso, um campo fértil de estudo, pesquisas e reflexões pedagógicas, uma vez que, se essas novas
formas de leitura estabelecem-se em alta velocidade, o ensino-aprendizagem não deve estar na contramão desse movimento.
Ao contrário, deve utilizar-se, paulatinamente, desses novos gêneros textuais com vistas ao incentivo e ao aprimoramento
dos alunos, além de prepará-los para a vida profissional, totalmente permeada pelas novas tecnologias, fazendo,
inclusive, do lazer algo mais reflexivo e proveitoso.
Portanto, não há como negar a renovação no campo da leitura, que é trazida pelas novas tecnologias,
que passam automaticamente a fazer parte do cotidiano de muitos indivíduos no Brasil e no mundo.
Em conseqüência, o uso da informática como leitura e aprendizagem é instrumento que se pode concluir
como indispensável e que deve ser utilizado, partindo-se, entretanto, de uma preparação e reflexão pedagógica.
Assim, se as tecnologias encontram-se espalhadas em todos os cantos do planeta, também na sala de aula,
deve ser instrumento a ser utilizado pelos alunos. É por isso que, se a leitura alcança uma renovação
em termos de acesso aos novos gêneros textuais, que se faz via e-mail, e-book, chat etc. A escola
ainda encontra desafios que têm como soluções a preparação de alunos - e de professores –
de maneira específica e cuidadosa e não desvinculada dos demais suportes. Até porque, como visto, o
computador, o celular e os demais instrumentos tecnológicos ganham, a cada dia, grande dimensão na vida
profissional e de lazer dos indivíduos, constituindo meio de comunicação ágil e eficaz, assim como
interessante por estarem imersos no cotidiano. Dessa forma, a leitura e o conseqüente processo de ensino-aprendizagem
na escola não têm como fugir desses novos textos trazidos pelas novas tecnologias e todos, especialmente os professores,
devem preparar-se para utilizá-los, uma vez que eles se tornam indispensáveis e, acima de tudo, estimulantes
como formas inovadoras de leitura e de escrita.
Resumen
Las nuevas tecnologías invaden el ámbito del ócio y del
trabajo de las personas a cada día. En ese sentido, nuevas formas de lectura y escritura se insertan en el cotidiano
y hace de la escuela un sitio especial de enseñanza y apredizaje de esos nuevos géneros textuales.
Así que, una preparación de los estudiantes y de los docentes se vuelve fundamental para acoger esos nuevos géneros
textuales y esas nuevas formas de leer y escribir.
Palabras-chave:
Lectura, aprendizaje e informática.
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